sexta-feira, 7 de junho de 2019

Rua de Alcântara: «Sociedade Promotora de Educação Popular»

Alcântara é nome de origem árabe — Al-quantãrã — e significa «a ponte». Norberto de Araújo recorda como «a existência da ponte é um facto antiquíssimo e naturalíssimo», visto aí passar a tal ribeira «hoje [1939] entaipada com o seu caneiro». «De madeira, de pedra, com uma configuração rudimentar, ou traçada já com expressão ajustada a trânsito largo — a ponte de Alcântara (e «Alcântara» significa «a ponte», como é sabido) existiu sempre».

Rua de Alcântara [1939]
 Do lado dir. vê-se  o prédio ocupado pela «Sociedade Promotora de Educação Popular»;
prédios entretanto demolidos para abertura da Praça Gen. Domingos de Oliveira na década de 1960.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

A «Sociedade Promotora de Educação Popular» foi uma associação educativa fundada em Lisboa a 30 de Setembro de 1904, por influência maçónica. Estava sedeada, na Rua de Alcântara, nº 6, 2º. A Sociedade tinha como objectivo promover a assistência e a formação de crianças e adultos. Para tal criou cursos diurnos e nocturnos.

Rua de Alcântara [c. 1910]
«Sociedade Promotora de Educação Popular»
Prédios demolidos para abertura da Praça Gen. Domingos de Oliveira na década de 1960.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, 1939.
cm-lisboa.pt.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Avenida Casal Ribeiro

A Avenida Casal Ribeiro integra o plano de expansão da cidade iniciado em 1879 com a demolição do Passeio Público para dar lugar ao leito da avenida da Liberdade, iniciativa posteriormente consolidada e desenvolvida através do projecto da “avenida das Picoas ao Campo Grande e ruas adjacentes” .


A Avenida Casal Ribeiro nasceu por via do Edital municipal de 29 de Novembro de 1902, para ser o topónimo da via pública que existia entre a Praça Duque de Saldanha e o Largo de Dona Estefânia. Entre Setembro de 1900 e Agosto de 1906 encontramos diversos documentos municipais relacionados com a execução da «Avenida do Conde de Casal Ribeiro», nomeadamente que foram expropriados e trocados terrenos para o efeito, como Espinhaço de Cão e Terra do Alto.

Avenida Casal Ribeiro [1926]
Cruzamento com a Avenida Defensores de Chaves (à dir.) e Rua Actor Taborda (à esq.)
Os dois edifícios na Avenida Casal Ribeiro — tornejando para a Rua Actor Taborda — nos números 35 (de onde é tomada a fotografia) e 37, ainda lá estão. Em último plano a Praça Duque Saldanha.
Fotografia atribuída a Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

O homenageado é José Maria do Casal Ribeiro (1825--1896), conde de Casal Ribeiro por decreto régio de 28 de maio de 1870, que foi um político do rotativismo português dos finais do séc. XIX e como tal foi deputado, para além de ter desempenhado os cargos de Ministro da Fazenda (de 16 de Março de 1859 a 20 de Julho de 1860), dos Negócios Estrangeiras (de 24 de Abril a 4 de Junho de 1860 e de maio de 1866 a 4 de Janeiro de 1868), e ainda das Obras Públicas, Negócios e Indústria (de 9 de maio a 6 de Junho de 1866), de Conselheiro de Estado bem como de embaixador em Paris e Madrid.

Avenida Casal Ribeiro, sul [1964]
Cruzamento com a Avenida Defensores de Chaves (à esq.) e Rua Actor Taborda (à dir.)
Ao fundo encontra-se o Largo de D. Estefânia.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
Cadernos do Arquivo Municipal, 2016.
cm-lisboa.pt.

domingo, 2 de junho de 2019

Palácio Valadares

O antigo Palácio Valadares, com sua fachada sobre o Largo do Carmo e em extensão sobre a Calçada do Sacramento, à parte o seu passado histórico, vale apenas pelo corpo da frontaria, na qual se rasga uma varanda armoriada.


O Palácio Valadares, no Largo do Carmo, é uma construção setecentista, desluzida de expres­são arquitectónica, mas cujo núcleo urbano, destruído pelo Terramoto, muito longe recuava, possuindo por isso uma significação olisiponense histórica, que é a única justificação do relevo desta notícia. No século XIII neste Sítio da Pedreira, e no local do Palácio Valadares, assentaram as casas do «Estudo Geral» — embrião da Universidade de Lisboa — , criado por D. Dinis, em 1290, e já a funcionar nesse próprio ano ou no seguinte. Pouco tempo depois, em 1802, as casas foram doadas pelo mesmo rei aos judeus Navarros, de Beja, arrabis-móres, mas logo em 1819 as mesmas casas, com seus largos terrenos de logradouro, passaram, por doação também, ao almirante geno­vês Manoel Peçanha (Pessanha, pelo decorrer do tempo), conservando-se a propriedade nos seus descendentes e sucessores, com algumas intermitências, durante todo o século XV. No princípio do século XVI estava a propriedade na posse dos Meneses, Condes e Marqueses de Vila Real, e nela se continuou até 1641, ano em que, por conspiração contra D. João IV, foram justiçados D. Luís de Meneses, 7 ° Marquês de Vila Real, e seu filho D. Miguel de Meneses, 2.º Duque de Caminha. Vagou então a propriedade para a Coroa, doando.a logo o soberano a seu filho, o Infante D. Pedro; certo é ela pertencer, em 1653, a D. Álvaro Abranches, um dos aclamadores de D. João IV, cuja filha, e única herdeira, casou no ano seguinte com D. Miguel Luís de Meneses, neto dos Vila Reais, feito Conde de Valadares em 1702, por ajuste com D. Pedro II, pelo direito que tinha, D. Miguel Luís, à casa de Vila Real. Voltaram assim os Meneses à posse do palácio do Carmo, conservando-se este nos Valadares até ao Terramoto, que inteiramente o subverteu, desaparecendo então o núcleo urbano primitivo do velho edifício, que remontava ao tempo do Rei D. Dinis.

Palácio Valadares [c. 1949]
Calçada do Sacramento, 34-52; Largo do Carmo, 32
O Corpo principal, no qual se  destaca o portal nobre emoldurado de  cantaria, sobre o qual assenta a varanda larga, em contra­curvas de grades do século XIX, valorizando a janela do andar nobre o  remate com a pedra de armas dos Valadares. [vd. 3ª foto]
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente (IL)

Foi o  5.º Conde de Valadares, D. José Luís de Meneses Abranches Castelo Branco, quem, a partir de 1785, fez reedificar o  palácio, em área, planta e  semblante em tudo diversos do que distin­guira o  solar dos Pessanhas e  dos Marqueses de Vila Real. Em 7  de Fevereiro de 1798, no tempo do 7.º Conde de Valadares e 1.º Marquês de Torres Novas, o novo palácio sofreu incêndio, que con­sumiu todo o recheio, mas conservando-se, após as obras de restauro, logo efectuadas, o exterior tal qual fora traçado em 1785. No século passado [XIX] o  palácio continuou na posse dos Valadares, mas porque o  filho do 9.° Conde, D. Francisco António,  casara com a  4.ª Marquesa de Vagos, os títulos da família proprietária do palácio acabaram por unir-se na pessoa de seu filho D. Marcos da Silva Noronha, falecido em 1906. No começo do ano seguinte, para efeito de partilhas, o  palácio do Carmo, que os Valadares e  Vagos no século XIX só transitoriamente habitaram, foi à  praça, sendo arrematado pelo confeiteiro e capitalista Baltasar Rodrigues Castanheiro; a propriedade pertence hoje [em 1950] aos três netos do arrematante de 1907 — Pedro, Rafael e  Carlos Castanheiro Viana.

Palácio Valadares [1959]
Calçada do Sacramento, 34-52; Largo do Carmo, 32
Junta de Freguesia de Santa Maria Maior
O corpo corrido em extensão, sobre a Calçada do Sacramento, com  duas  ordens de doze janelas, uma de sacadas rematadas por cornija no andar nobre, e outra de peito e de guilhotina no primeiro andar; a meia  altura do centro deste  corpo  vê-se urna  lápide [por cima e atrás do reclame], em  cantaria simples, com a inscrição: «No sítio deste Palácio existiu a primeira casa da Universidade de Lisboa, criada pelo rei D. Dinis, por carta de 1 de Março de 1290 com  o nome de Estudo Geral. Esta lápide foi mandada colocar pelo Grupo Amigos de Lisboa aos 6  de  Março de  1938.»
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

No século passado já o palácio andava abandonado pelos Valadares, e  convertido em prédio de rendimento, sem beleza  alguma interior, pois o incêndio de 1798 tudo consumira. Logo a  seguir ao sinistro esteve ali instalada uma fábrica de arame (1798-1817). Ocupou-o, em 1819 a famosa «Assembleia Lisbonense», clube de recreio de alta distinção, cujas deslumbrantes festas deram brado, e  às quais chegou a  assistir a  família real, dando o  Rei D. João VI beija-mão. A «Assembleia» deixou o  palácio em 1829, mas logo em 1885 o  proprietário, que era então o 1.º Marquês de Torres Novas, alugou o  andar nobre ao Clube Lisbonense, também muito afamado, e  a cujas festas vinham por vezes D. Maria II, seu marido e filhos; o  clube acabou em 1880. O andar nobre, logo em 1881, passou a  ser sede da Direcção-Geral dos Correios, Telégrafos e  Faróis, que ali se manteve até 1887; no ano seguinte ocupou o  edifício todo João Pedro Tavares Trigueiros. Depois de 1892 um novo in­quilino abriu diverso e  mais condigno destino ao antigo palácio: o  Liceu Nacional (Liceu do Carmo), transferido do Palácio Regaleira, a  S. Domingos; a  este sucedeu o  liceu feminino D. Maria Amália Vaz de Carvalho, e  a seguir uma secção do Liceu Passos Manuel. Finalmente em Outubro de 1941 o edifício passou, excepto nas lojas e  sobrelojas,   a ser ocupado pela Escola Comercial Veiga Beirão. Numa sobreloja está instalada a  Junta de Freguesia do Sacramento [hoje de Santa Maria Maior], e  noutras sobrelojas e  lojas acomodam-se armazéns e  estabelecimentos comerciais.

Brasão de armas dos Valadares [ca. 1900]
Calçada do Sacramento, 34-52; Largo do Carmo, 32
 O Corpo principal, no qual se  destaca o portal nobre emoldurado de  cantaria, sobre o
qual assenta a varanda larga, em contra­curvas de grades do século XIX, valorizando a
janela do andar nobre o remate com a pedra de armas dos Valadares (primeiro  e
quarto quartéis armas de Portugal, segundo e terceiro armas de  Castela, centrados pelo escudo
dos Meneses de  Tarouca, este repartido em seis, um com estoque, três com quatro barras, dois
com dois lobos em campo, e ainda centrado com o anel dos Meneses).
Alberto Carlos Lima,
in Lisboa de Antigamente (IL)

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, 1950.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Chafariz da Praça das Flores (ou do Monte Olivete)

Este era o chafariz n.º 11. Inicialmente situava-se perto do Arco de São Bento. O Arco foi demolido em 1838 e o chafariz, por sua vez, foi mudado para o início da Rua do Monte Olivete, junto à Praça das Flores. Foi mandado construir pela Direcção das Águas Livres em 12 de Junho de 1805.
Os seus sobejos eram repartidos por D. Genoveva Alexandrina e José Ramos da Fonseca. D. Genoveva tinha sido lesada com a destruição de algumas das suas propriedades  (entre a Rua do Arco a S. Mamede, e a a antiga Travessa do Pombal, hoje Rua da Imprensa Nacional) aquando da construção do Aqueduto para o Chafariz da Esperança  e não recebera indemnização, sendo a metade dos sobejos da água deste chafariz uma forma da a recompensar.

Chafariz da Praça das Flores ou do Monte Olivete [entre 1885 e 1910]
Largo Agostinho da Silva
Atrás, a Rua Prof. Branco Rodrigues
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Este chafariz não encosta à parede. Tem uma planta poligonal. É esquinado de pilastras encimadas de urnas. No seu lado frontal apresenta as armas reais da centúria de setecentos sobre molduras e requebros curvilíneos, rematado por um frontão em arco quebrado, semelhante a uma chaveta, e ladeado por 2 das pilastras, apresentando uma bacia de recepção de águas, ampla, que percorre toda a base frontal..
Em 1851, tinha duas bicas, duas companhias de aguadeiros, dois capatazes, sessenta e seis aguadeiros e um ligeiro.

Chafariz da Praça das Flores ou do Monte Olivete [c. 1941]
Largo Agostinho da Silva
Confluência da Rua Marcos Portugal, Praça das Flores e Rua do Monte Olivete
António Passaporte, iin Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ANDRADE, José Sérgio Veloso de - Memória sobre chafarizes, bicas, fontes, e poços públicos de Lisboa, Belém, e muitos logares do termo, 1851.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Antiga Igreja do Coração de Jesus

Quási defronte do antigo Convento de Santa Marta temos a Igreja do Coração de Jesus — recorda-nos Norberto de Araújo — , cuja paroquial foi criada em 1770 com o orago de Santa Joana, na Igreja do vizinho Convento de Santa Joana, passando depois (1780) para o Hospício das Carmelitas, na Rua de Santa Marta.


O templo paroquial do Coração de Jesus só foi erguido neste local em 1790 a esforços, sobretudo, do Conde de Redondo; foi arquitecto Manuel Caetano de Sousa. A inauguração realizou-se a 30 de Maio. Entre 1877 e 1880 a Igreja recebeu restauros. 

Rua de Santa Marta |1944|
Ao fundo vê-se a antiga Igreja do Coração de Jesus, situava-se em frente ao Convento de Santa Marta, hoje Hospital de Santa Marta.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

A paroquial do Coração de Jesus é pobre, embora simpática. Possue no corpo da Igreja duas capelas por lado; à direita as de N. Senhora de Fátima e da Sagrada Família, à esquerda de N. Senhora das Dores e de S. Miguel. No altar da Capela-mór vêem-se sobre o sacrário do SS. as imagens do Sagrado Coração de Jesus e o S. Coração de Maria; nela se ostenta um quadro do orago da freguesia devido a Cirilo Wolkmar  Machado. O teto é de Pedro Alexandrino.



Igreja do Coração de Jesus |195-|
Rua de Santa Marta
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente
 


Igreja do Coração de Jesus |1956|
Retábulo do capela-mor, de Volkmor Mochado
Fotografia anónima, in IL



A igreja foi demolida na década de 1960 e substituída de outra, com a mesma invocação, edificada na Rua Camilo Castelo Branco.

Igreja do Sagrado Coração de Jesus |195-|
Pormenor do tecto da autoria de Pedro Alexandrino
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

N.B. Esta zona da cidade era servida pela Carreira de eléctricos Nº 6 RESTAURADORES-PRAÇA DA FIGUEIRA. Foi inaugurada em 1905, com o percurso inicial entre o Rossio e a R. Gomes Freire. Foi suprimida em 1960.
Percurso: Praça dos Restauradores, Av. da Liberdade, Rua Barata Salgueiro, Rua de Santa Marta, Rua Conde Redondo, Rua Gomes Freire, Campo dos Mártires da Pátria, Rua de S. Lázaro, Rua da Palma (sentido inverso, Poço do Borratem), Largo Martim Moniz e Praça da Figueira.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 90-91, 1939.

domingo, 26 de maio de 2019

Palácio dos Condes de Coculim

Vemos os restos de outro nobilíssimo palácio — diz mestre Castilho — , que vai deter-nos alguns instantes a estudá-lo; é o que fica pegado, pela sua esquina Ocidental, ao chamado arco de Jesus, ou porta-do-mar-a-S. João. O palácio a que me referi era o dos Condes de Coculim, cujo brasão de armas, as faixas dos Mascarenhas, orna ainda a esquina do edifício. Pelas mostras, deveu ser uma casa belíssima; só restam as lojas, poucas janelas de sacada no primeiro andar, e um enorme portão, no mais arrogante estilo do século XVII. O terremoto aluiu todo o resto.


Quanto ao antigo Palácio Coculim, refere Norberto de Araújo o seguinte: «Bem de admirar-se é esse forte cunhal brasonado [ao centro, vd. foto 3] das armas dos Mascarenhas — muitos Mascarenhas titulares houve em Portugal! — , e que corresponde ao apelido dos Condes de Coculim, cujo primeiro senhor do título era filho de D. João de Mascarenhas, 1.° Marquês de Fronteira (1670) e 2.º Conde da Torre. [...]

Palácio Coculim [ant. 1900]
Rua do Cais de Santarém, 38-66; Arco de Jesus, 2-10; Beco do Armazém do Linho; Travessa de São João da Praça
 Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Pois disse-te que este Palácio, à nossa direita [desde o cunhal do Arco de Jesus até à Travessa de São João da Praça [ao fundo à esq.], era dos Condes de Coculim (1755), em cujos restos, que o Terramoto poupou, estão hoje [em 1939] os armazéns de ferro da firma Sommer. No começo do século XVII pertencia aos Condes de Linhares; supõe-se, sem que se possa ter a segurança, que uma serventia que existiu até 1755 nos baixos deste prédio — que interiormente ainda se denota, em forma de arco, tornado armazém — fosse o Postigo do Conde de Linhares, aberto na muralha, já muito depois da construção da Cerca de D. Fernando, e que ligava o Cais de Santarém com S. João da Praça.
Repara nesse portal [visível entre as duas carroças, vd. fig. acima] de cantaria almofadada, com verga ornamentada, ao estilo do século XVII; é quanto resta, expressivo, do Palácio dos Coculins.

Portal seiscentista do Palácio Coculim [193-]
Rua Cais de Santarém, 52
E
duardo Portugal, in LdA


Cunhal brasonado com Pedra de armas
dos Mascarenhas Condes de Coculim [1959]

Rua Cais de Santarém; Arco de Jesus
Armando Serôdio, in LdA


N.B. Desde 2018 — e após obras de reabilitação — está instalado no palácio o primeiro hotel-museu da cidade, o Hotel Eurostars Museum. O grande atractivo deste hotel é ser também um museu, expondo o precioso espólio arqueológico achado no local durante as obras de construção. Uma domus romana foi posta a descoberto e pode ser vista in situ, bem como um troço da muralha e da rua adjacente, do mesmo período (séculos II e III).
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Bibliografia
CASTILHO, Júlio de, A Ribeira de Lisboa, pp. 177-178, 1893.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 25, 1939.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Campo das Cebolas: Arco das Portas do Mar

O Campo das Cebolas, designação já do século de seiscentos, e o Cais de Santarém, que precedem o Terreiro do Trigo, têm um semblante muito comercial do lado de terra, e só de passagem os percorremos.[...] 

Do Arco da Conceição, sem significado algum de história ou de arqueologia, começa o Campo das Cebolas — cujo nome deriva da descarga e armazéns que daquele produto se fazia — , desfigurada tira urbana que de palácios foi. 


Campo das Cebolas [190-]
 Rua da Alfândega, Rua dos Bacalhoeiros (dir.): ao centro vê-se o antigo Terreirinho das Farinhas (hoje demolido) e, do lado esq., o  Instituto Médico Virgílio Machado fundado em 1903.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Na actual confluência da Rua da Alfândega, Rua dos Bacalhoeiros, Rua do Cais de Santarém e Avenida Infante Dom Henrique fica o Campo das Cebolas que, de acordo com Gomes de Brito "Era antigamente Rua direita da Ribeira. (...) Comquanto no Tombo da Cidade (1755), venha designado sob o nome de «Rua direita da Ribeira», já a planta de J. Nunes Tinoco (1650), o menciona com o título actual.” Como Campo das Cebolas aparece na descrição paroquial da freguesia de "Santa Maria Mayor" anterior ao terramoto de 1755 e, como "rua da praya, ou Campo das Cebollas", na planta da freguesia de S. João da Praça após a remodelação paroquial de 1770.

Casa dos Bicos Panorâmica sobre o Campo das Cebolas [1969]
Ao centro, no prédio logo abaixo da Sé, vê-se  o Arco das Portas do Mar que estabelece
a comunicação entre a Rua dos Bacalhoeiros e a Rua das Canastras.
  Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 23-24, 1939.
cm-lisboa.pt.
VIEIRA da SILVA, A., A Cerca Moura de Lisboa, 1899.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Profissões de antanho: o vendedor de capilé

— Capilé, copo com água!

Cortejo cívico, procissão, parada militar, feira ou qualquer outra manifestação que provoque ajuntamento, logo surgia e surgirá sempre, a completar o panorama, certo e sabido, o homem da «água fresquinha ou capilé»!
O material para o «negócio» é simples: um tabuleiro de zinco com quatro pernas, dois copos, uma garrafa de capilé, limões, uma faca para os cortar e uma bilha de água com a rolha trespassada por um pedaço de cana para não ter de a destapar, conservando a água isolada e fresca.
Depois é só instalar-se em local bem visível ou circular através da multidão e apregoar:

— Água fresquinha ou capilé! Capilé, copo com água!...

Vendedor de capilé  [1918-08]
Praça do Comércio
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

E não lhe falta freguesia porque há sempre gente que mesmo que não tenha sede lhe desperta a sede, mesmo que observe os copos mal lavados, passados ali num ápice, que ele não pode gastar muita água com tais preocupações, pois, se muita gastasse, pouca lhe ficaria para vender.
— Capilé, copo com água! Água fresquinha ou capilé!




Marchand de boisson [entre 1903 e 1908]
Largo Duque do Cadaval, vendo-se a Estação do Rossio(*)
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente
(*) O local não se encontra identificado pelo fotógrafo





O capilé, ou xarope de avenca, também se vendia em abundância, ou na conhecida casa de Santo Antão, em frente do Coliseu, cheia de avencas no tecto, hoje transformada em botequim, ou nos demolidos quiosques do Camões, e, ainda, pelos vendilhões de água fresca e do capilé de cavalinho, chupado pelos rapazes em canudos de folha, sôbre os quais bailarinas, toiros e t oireiros giravam.
O prémter marchand d'eauvelhote vestido de branco, com chapéu de  palha — fez época no Rossio.

 — Capilé, copo com água!
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Bibliografia
DINIS, Calderon , Tipos e Factos da Lisboa do meu tempo (1900-1974), p. 298, 1986.
Olisipo: boletim do Grupo «Amigos de Lisboa», 1945.
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