Sunday, 17 February 2019

Cinema Londres

Inaugurado a 30 de Janeiro de 1972 — com o filme «Morir d'aimer», do francês André Cayatte — originalmente possuía 440 lugares. O Cinema Londres nasceu das cinzas de uma boite chamada «Tropical», na Av. de Roma, pouco depois do cruzamento com Av. João XXI. O grupo português «Os Sheiks» tocaram pela última vez ao vivo nessa boite, no dia 28 de Outubro de 1967, onde existia também uma pista de automóveis de seu nome «Bólide»

Cinema Londres [1977]
Avenida de Roma, 7A
Vasques, in A.M.L.

Permanecem na memória as fantásticas cadeiras hidráulicas, que baixavam consoante o peso do espectador. Possuia ainda um Café-Bar, o «Magnólia» [vd. 2ª foto], com os seus confortáveis e convidativos sofás, onde se relaxava antes do início de uma sessão. Na tentativa de se adaptar aos novos tempos, e em busca de maiores receitas, a sala principal foi dividida, dando origem a uma segunda mais pequena — a sala 2 — para 114 espectadores, acomodando a sala 1 219 espectadores. Viria a encerrar em 2013.

Cinema Londres,  Interior, Café-Bar Magnólia [1977]
Avenida de Roma, 7A
Vasques, in A.M.L.

Friday, 15 February 2019

Lojas de antanho: Ourivesaria do Socorro

Diz o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo, em 1942, que esta Rua da Palma «[…] é antiquíssima, pelo menos do século XVI. Deve-se porém observar, que ela não tinha então o comprimento que hoje lhe conhecemos, mas só aquele que vai das trazeiras da Igreja de S. Domingos até ao antigo Largo de S. Vicente, à Guia [Rua Martim Moniz].[…]
Também não se julgue que ela, sendo tão estreita como actualmente é, era então tão larga. Nada disso. Ainda era mais acanhada: apenas um carreiro por onde cabia uma carruagem sem deixar espaço para outra, carreiro que chegou até ao último quartel do século XVII.»

Ourivesaria do Socorro [c. 1910]
Rua da Palma com a Rua de São Lázaro; Igreja do Socorro
Joshua Benoliel, in AML

O topónimo São Lázaro está ligado ao Hospital com o mesmo nome aqui situado. Este hospital era umas das mais antigas instituições públicas de assistência de Lisboa. O documento escrito mais antigo conhecido data de 1355. O hospital foi criado para nele serem recebidos os gafados e doentes do mal de São Lázaro e esteve ao cargo dos cavaleiros hospitalários de São Lázaro, ordem religioso-militar, cuja fundação em Jerusalém é do século XII. Os leprosos estiveram em São Lázaro até 1921 ano em que foram transferidos para o Hospital do Rego.

Rua da Palma com a Rua de São Lázaro [c. 1910]
Ourivesaria do Socorro; Igreja do Socorro
Joshua Benoliel, in AML

Bibliografia
cm-lisboa.pt.

Wednesday, 13 February 2019

Palácio Alcáçovas

O Palácio Alcáçovas, da Rua da Cruz dos Poiais, a partir para Norte, desde a esquina da Travessa da Arrochela, e que termina defronte do final da Rua Eduardo Coelho, do lado oposto, é uma edificação de repousado semblante e aparência característica do século XVII, num único corpo contínuo.


Palácio Alcáçovas, da  Rua da  Cruz dos Poiais, é  uma construção do  último quartel do século XVII, mas o  seu  núcleo primitivo remontava ao  final do  século XVI. Com efeito em  1605 Luísa Franca, casada com Mateus Ferreira, comprou neste sítio, do  lado da  «Rua da  Rochela» — assim se  denominava — uma morada de  casas quinhentistas; em  l622, Cristóvão Ferreira, talvez filho de  Mateus, adquiriu a  Mateus Jorge e  sua  mulher Andreza Pinheira outra morada antiga de casas, contigua à primeira citada. Mais tarde Diogo Pessanha Falcão (que foi pai  de D.  Sebastião de Andrade Passanha, arcebispo de Goa) tomou-se senhor das  duas moradias, que reuniam numa única casa nobre, a  qual correspondia, em  situação sensivelmente à  metade, do  lado Sul, do  actual Palácio dos  Condes das  Alcáçovas. [....]
 Em Janeiro de 1681 a casa nobre, citada acima em primeiro lugar, e então ainda não acabada, foi vendida pelo dito Diogo Pessanha Falcão a Aires de Saldanha Meneses e Sousa, fidalgo e militar, do conselho de El-Rei [...]

Palácio Alcáçovas, fachada principal [1944]
Rua da Cruz dos Poiais, 111;
Travessa da Arrochela
Mário Novais
, in AML

O Palácio Alcáçovas é dos poucos de Lisboa que se conserva na posse da família do seu findador, o 1º. Morgado de Saldanha de Jesus, que quando adquiriu, as duas casas nobres, que unificou, reedificando quanto antes existia, manteve no palácio o cunho seiscentista. Os descendentes de Aires de Saldanha promoveram, por sua vez e cm várias épocas, restauros e transformações. O Terramoto, ao contrário do que cronistas da época escreveram, poucos estragos causou no edifício, sendo o mais notório a queda de um terraço, em construção, na ala Norte sobre os jardins; era então administrador do Morgado D. Caetano Alberto Henriques, 11.º Senhor das Alcáçovas.
A «Quintinha», ou seja os terrenos rústicos ,do Morgado de Saldanha de Jesus, foi sendo aforada, em várias épocas para urbanização. O antigo pátio nobre, a Norte, onde se situou durante quase três séculos a entrada principal voltada a Norte, foi em parte alienado recentemente {1949) pelo proprietário, desaparecendo o arco de volta abatida, em vão aberto, que dava acesso ao palácio, sendo transformado o átrio, pelo qual se passou a dar ingresso ao palácio através de um portão nobre, n.º 111 da Rua da Cruz dos Poiais. Nos restos que perduram do pátio foi construida uma garagem particular da casa.
No Palácio Alcáçovas, onde a traça seiscentista nitidamente se surpreende, através dos restauros dos séculos XVIII e XIX , residem presentemente  [em 1952] os actuais Condes, e alguns dos seus filhos, e ainda, na ala da parte Sul, como inquilinos, a Condessa da Ponte e pessoas de sua família. 

Palácio Alcáçovas, fachada principal [post. 1949]
Rua da Cruz dos Poiais, 111; Travessa da Arrochela
A actual frontaria seiscentista do Palácio dos Condes das Alcáçoves vendo-se
o portal armoriado mas que não corresponde ao primitivo
Mário Novais, in AML

Situado na Rua Cruz dos Poiais e com frente também para a Travessa da Arrochela, é uma alongada e baixa construção com base revestida de cantaria e dois pisos separados por cornija de secção rectangular. O andar nobre está definido por extensa série de janelas de sacada protegida de grades e cornija rectilínea. No extremo da fachada principal rasga-se o portal de acesso encimado por brasão. O edifício constitui bom exemplar de uma das soluções mais sóbrias e mais difundidas da arquitectura das casas nobres portuguesas do período barroco, em que a planta é rectangular, a face externa dos muros aparece animada exclusivamente pela repetição dos vãos e a articulação vertical desses muros fica circunscrita aos cunhais.

Palácio Alcáçovas, portal armoriado [1965]
Rua da Cruz dos Poiais, 111; Travessa da Arrochela
O portão (1949) ocupa a altura do edifício até às cornijas das janelas,
emoldurado de cantaria com remate de tímpano aberto, no qual se situa
a pedra de armas dos Condes das Alcáçovas: escudo partido em pala, tendo
na primeira as armas dos Henriques — escudo mantelado, com um castelo
em baixo e dois leões batalhantes nos campos superiores — , e na segunda
pala as armas dos Lancastres — armas do Reino com filete em contrabanda, 

este actualmente desaparecido — , coroa de condado e timbre de pelicano 
dos Lancastres
Armando Serôdio, in AML

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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, 1955.

Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. II, dir. Fernando de Almeida; org. Maria João Madeira Rodrigues, 1975.

Sunday, 10 February 2019

Rua de Serpa Pinto: Hospital da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco da Cidade

Esta Rua de Serpa Pinto — diz Norberto de Araújo — no trôço que desce do Largo do Directório [actual Largo de São Carlos] até à confluência do Ferregial e Vítor Cordon, é de dístico recentemente reposto. Nesta rua em 16 de Outubro de 1918 foi fuzilado numa escolta em que, com outros prisioneiros, era conduzido, não se sabe para onde, o Visconde da. Ribeira Brava, aplicando-se-lhe, e a alguns companheiros, a célebre «lei das fugas».


No ano de 1924 a artéria passou a ser oficialmente chamada «da Leva da Morte», lúgubre designação que mais tarde foi convertida em Rua 16 de Outubro. Há dois anos [1937] regressou à designação de Serpa Pinto, em prolongamento desta artéria que, atravessando o Chiado, vem desde o Largo Rafael Bordalo Pinheiro. A artéria, quando foi aberta, recebera o nome de Rua Nova dos Mártires.
Nesta Rua, descendo, no n.º 7 que segue ao Teatro de S. Carlos, está. instalado desde 1874 o Hospital da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco da Cidade, uma das Casas de Saúde particulares de Lisboa.

Rua Serpa Pinto, 7 [1929]
Hospital da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco da Cidade
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

A Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, que data do século XVIII, foi instalada em Portugal pouco depois da fundação do Convento de S. Francisco, numa Capela consagrada a N. Senhora das Dores. Em 1671 construiu-se, no Convento, o Hospital da Ordem Terceira inaugurado em 4 de Agôsto de 1673, e destruído pelo Terramoto. Foi reedificado em 1779, e, neste logar, novamente transformado e ampliado em 1874, ano em que no segundo andar se construiu uma Capela, pois a da Venerável Ordem desde 1834 andava, por empréstimos.
Êste Hospital, tornado, há uma dezena de anos, Casa de Saúde ao tipo do Hospital dos Terceiros de Jesus, recebeu recentemente alguns benefícios de ordem clínica.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, p. 17, 1939.

Friday, 8 February 2019

Palacete na Alameda das Linhas de Torres / Villa Sousa

Integrado num grande jardim, delimitado por muro com gradeamento, a definir gaveto, este palacete foi mandado edificar por iniciativa de José Carreira de Sousa, com projecto do arq. Manuel Joaquim Norte Júnior. O início da sua construção data de 1911, tendo sido distinguido com o Prémio Valmor de 1912. Os membros do júri consideraram a Villa Sousa, como também é conhecido, (...) a mais bella casa edificada na cidade de Lisboa no anno de 1912


Traduzindo uma arquitectura civil residencial eclética, destacava-se pela harmonia de proporções e elegância do seu torreão, pelo trabalho escultórico das cantarias, assim como pelo recurso frequente ao arco pleno e aos colunelos, característico da obra de Norte Júnior. Objecto de obras de transformação, ao longo do tempo, esteve para ser demolido, encontrando-se actualmente em ruínas, ficando reduzida à fachada e algumas paredes.

Villa Sousa, Prémio Valmor de 1912 [post. 1912]
Alameda das Linhas de Torres, 22; Azinhaga de Entremuros
Joshua Benoliel, in A.M.L.

Nos antigos (e enormes) jardins da Villa Sousa está agora uma belíssima horta de couves galegas, viçosas e muito bem alinhadas – uma séria candidata a Mais Bonita Horta da Cidade – se tal galardão existisse.

Villa Sousa, Prémio Valmor de 1912 [1971]
Alameda das Linhas de Torres, 22; Azinhaga de Entremuros (dir.)
Nuno Barros da Silveira, in A.M.L.


Bibliografia
cm-lisboa.pt.
timeou.pt.

Wednesday, 6 February 2019

Profissões de antanho: o limpa-chaminés

Ainda existem, por aí, empresas que se encarregam da limpeza das chaminés dos prédios¹. Uma vez por ano, na véspera do vasculho, os moradores eram, ou serão ainda, avisados de que na manhã seguinte se procederá à limpeza das chaminés.

As donas de casa sempre embirraram com tal serviço, pois lhes deixa as cozinhas numa sujidade, já que a fuligem preta, caindo lá de cima, tudo atapeta!


Rua da Ribeira Nova, junto ao Mercado da Ribeira [1912]
Ao fundo vê-se a Tv. São Paulo
O local não se encontra identificado no arquivo
Joshua Benoliel, in AML

Eram e serão sempre dois homens, vestidos de negro, sujos pela própria profissão, de lenço vermelho à volta do pescoço como os que usavam os maquinistas dos comboios quando estes eram a carvão. Um deles com uma comprida vara, no topo da qual fixava uma molhada de carqueja, acciona cá de baixo, metendo-a pela chaminé, enquanto o outro, empoleirado no telhado, faz descer pelas goelas sujas da chaminé uma grossa corda, na qual também amarrou um molho de carqueja puxando-a para baixo e para cima por forma a que, raspando as paredes, delas se despegue aquele «colesterol» que não só impede a tiragem do ar e do fumo, mas também, pela sua acumulação excessiva, pode ocasionar incêndios.




Limpa-chaminés [c. 1930] Ferreira da Cunha, in A.M.L.



Retrato de dois limpa-chaminés. [c.190-]
Paulo Guedes





É mais que evidente a vantagem de tal serviço, sobretudo nas chaminés dos velhos prédios dos bairros onde, na maioria, se cozinha ainda a carvão. Mas as donas de casa, ignorando as vantagens dessa vasculhada, ou fazendo por isso, pensando apenas nos transtornos que lhes provoca os limpa-chaminés, preferem dar-lhes uma gratificação — que eles agradecem dizendo que é para a ajuda do sabão — a suportar-lhes a presença incómoda e a sujidade das cozinhas...

¹ No Poço do Borratém existe uma dessas empresas, que teve início em 1861.

Limpa-chaminés [1971]
O local não se encontra identificado no arquivo
Eduardo Gageiro, in A.M.L.

Bibliografia
DINIS, Calderon, Tipos e factos da Lisboa do meu tempo: 1970-1974, 1986.

Sunday, 3 February 2019

Antigo Chafariz das Mouras

Este antigo Chafariz das Mouras situava-se na Alameda das Linhas de Torres [antiga Estr. do Lumiar] e deve o seu nome ao facto de ter sido alimentado, tal como o desaparecido Chafariz do Campo Grande, por uma nascente situada na zona do Vale das Mouras. A escassez do caudal levantou problemas ao abastecimento, pelo que já no séc. XX [196-?], este chafariz foi desactivado e demolido, reaproveitando-se o seu pano de fachada e respectiva bacia de recepção de águas para o antigo Largo do Correio-Mor, actual Rua de São Mamede, na encosta do Castelo, onde permanecem até hoje. Foi projectado pelo arquitecto José Therésio Michelotti e construído entre 1813-1815. A sua inauguração decorreu no dia 27 de Julho de 1816.

Antigo Chafariz das Mouras ao Lumiar [séc XIX]
Alameda das Linhas de Torres [antiga Estr. do Lumiar] actualmente colocado
no Largo do Correio-Mor, a S. Mamede
Fotógrafo não identificado, in A.M.L.

O sitio das Mouras é um termo genérico — recorda-nos Velloso de Andrade — porque comprehende desde o Palácio que foi do Marquez de Valença, até á Quinta das Conchas na entrada da [A]Lameda do Lumiar, e por isso quizemos com mais meudeza examinar o logar rigoroso daquella nascente; e então vimos, que ella, e a ultima Claraboya estão na extrema da Quinta, que foi do fallecido João Anastacio Potsch , e o encanamento fazendo uma curva entra pela Quina do Bello, em cuja testada está o Chafariz, ficando-lhe em frente a Quinta (Casa dos) dos Pinheiros [actual Alameda das Linhas de Torres, 20].
Por esta occasiâo vimos também em um muro junto ao Portão N.º 17 dita Quinta do Bello, um painel das almas em azulejo, e com o seguinte letreiro == «Quem bober ou vier buscar desta agoa rezará pelas almas e pello bemfeilor que faz esta caridade hum P. Nº e huma V. Mª» == Segue-se mais abaixo um Padrão com esta. legenda. == «Doua por caridade em quanto quizer como do protesto feito no Civel da Cidade Escrivão Manoel Gomes da Siva. A. D. 1789» == Tem por baixo uma carranca com seu tubo, e por ultimo uma pequena pia; [... ] A obra completa tivera importado em 51:101 $191 réis. ==

Antigo Chafariz das Mouras ao Lumiar [1951]
Alameda das Linhas de Torres [antiga Estr. do Lumiar] actualmente colocado no Largo do Correio-Mor, a S. Mamede
Eduardo Portugal, in A.M.L.

O Chafariz das Mouras tinha a forma de pavilhão de parque. Era quadrangular de cobertura tronco-piramidal de arestas curvilíneas, rematada por uma urna. Delimitado nos extremos por cunhais de pedra almofadada, evidencia no seu pano frontal uma tabela — que desce até envolver a bica central — com a inscrição encimada pelas armas reais:
UTILIDADE
DO
PUBLICO
ANNO DE 1815
Servido por 3 bicas, estas vertem água para uma bacia de planta recortada. Actualmente encontra-se desactivado. Tem três bicas. Ostenta o brasão real. Tem uma legenda ao centro dizendo «Utilidade do Público anno de 1815», encimada pelas armas reais.

Levantamento topográfico de Lisboa fragmento [1906] 
Legenda: a vermelho, o antigo Chafariz das Mouras, claraboia, encanamento e tanque para rega; a verde, a Alameda das Linhas de Torres [antiga Estr. do Lumiar]; a laranja, o Palácio Valença-Vimioso
Júlio António Vieira da Silva Pinto, in A.M.L.
Antigo Chafariz das Mouras ao Lumiar
 Gravura, in AML

Bibliografia
VELOSO DE ANDRADE, José Sérgio , Memória sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém e muitos lugares do Termo., 1851.

Friday, 1 February 2019

Palácio Valença-Vimioso

Chamado anteriormente de Campo de Alvalade e depois Campo 28 de Maio, este sítio foi escolhido, durante séculos, para a edificação de solares nobres.


Traduzindo uma arquitectura civil maneirista, este palácio, possivelmente do séc. XVII, foi objecto de remodelações no séc. XVIII e XIX. Classificado como Imóvel de Interesse Público é um edifício de planta quadrada, caracterizado pela horizontalidade dos seus volumes simples e pela sobriedade das suas linhas. Inserido numa vasta cerca, hoje espaço ajardinado,onde outrora se realizaram concorridas touradas, desenvolve-se em cave e 2 pisos, surgindo delimitado lateralmente por cunhais de cantaria e rematado por cornija, que suporta um beiral saliente.

Palácio Valença-Vimioso (ou palácio do conde de Vimioso) [1940]
Campo Grande, 398; Alameda das Linhas de Torres, 1
Eduardo Portugal, in A.M.L.

As suas entradas, localizadas a Este e a Oeste, desembocam num pátio e caracterizam-se, respectivamente, por uma porta inscrita em arco abatido com aduela e por outra porta coroada por entablamento. As fachadas rasgam-se em fileiras ritmadas de janelas, destacando-se as do andar nobre, de sacada,que apresentam cimalha e guardas de ferro.
No interior são de realçar os silhares de azulejos polícromos seiscentistas e as pinturas parietais de gosto neoclássico. De referir ainda que o Cruzeiro das Laranjeiras, classificado como Monumento Nacional, está localizado no seu pátio.

Palácio Valença-Vimioso, pátio [1966]
Campo Grande, 398; Alameda das Linhas de Torres, 1
Ao fundo vê.se o Cruzeiro das Laranjeiras, classificado como Monumento Nacional
ruzeiro das Laranjeiras, classificado como Monumento Nacional,
Armando Serôdio, in A.M.L.

 N.B. A bravura e destreza do 2.º Marquês de Valença e 13.º Conde de Vimioso, D. Francisco de Paula de Portugal e Castro — o fidalgo toureiro, hábil cavaleiro e distinto na arte de lidar com os toiros — ficaram célebres. Personagem conservado na memória popular através de canções e especialmente do famoso Fado do Conde de Vimioso, (e a sua ligação amorosa com «A Severa»), foi uma figura marcante na Lisboa do seu tempo.
Em 1837, depois da Carta de Lei de D. Maria II, toureou em público pela primeira vez, dando algumas corridas de novilhos no pátio do seu palácio do Campo Grande.
Refira-se que A quinta era muito maior do que é hoje, o campo de futebol onde estiveram instalados primeiramente o Sporting e depois o Benfica, foi construído em terrenos que pertenciam ao Palácio.

Palácio Valença-Vimioso (ou palácio do conde de Vimioso) [1933]
Campo Grande, 398; Alameda das Linhas de Torres, 1 Corrida de motos
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Bibliografia
Grande enciclopédia portuguesa e brasileira, 1936.
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