A apresentar mensagens correspondentes à consulta cidadão gonçalves ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta cidadão gonçalves ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Travessa do Cidadão João Gonçalves

O edital da CML, datado de 14 de Outubro de 1915, substituiu vários topónimos anteriores à República. O único topónimo atribuído a um arruamento novo foi o da Travessa do Cidadão João Gonçalves, atribuído “à parte da Rua Antero de Quental, entre a Rua dos Anjos e a Avenida Almirante Reis”. Rocha Martins refere-se à origem que deste curioso dístico na sua obra Lisboa de ontem e de hoje, publicada em 1945:

Existe na antiga Rua dos Anjos, uma travessa que tinha, outrora, a mesma designação da via e passou a chamar-se do Cidadão João Gonçalves quando se proclamou o novo regime. Várias vezes me tem perguntado, alguns leitores, porque se fez aquela mudança e quem era aquele cidadão, que mereceu as atenções dos edis. 

Travessa do Cidadão João Gonçalves com a Rua dos Anjos |1907|
Troço compreendido entre o
Largo do Intendente e a Avenida Almirante Reis
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Era um desses prestantes e activos obreiros que lutavam pela proclamação do seu ideal, que devia ser de paz e de fraternidade no entender dos obscuros combatentes. Foi presidente do Centro Eleitoral Republicano, das freguesias dos Anjos e S. Jorge, instalado na Rua dos Anjos, 162, 1.º, no ano de 1890. Possuía um estabelecimento de víveres na Calçada de Agostinho de Carvalho, em cuja tabuleta se lia: Mercearia do cidadão João Gonçalves. No carimbos dos pagamentos também marcava aquela dignidade cívica.
Tem pois justificação aquele nome dado à travessa.==
Nota(s): O Cidadão João Gonçalves morreu pouco antes da implantação da república.

Travessa do Cidadão João Gonçalves |1907|
Ao fundo, à esq., a Rua dos Anjos; em frente, a Tv. do Maldonado;
à dir., o começo do Largo do Intendente
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
MARTINS, Rocha, Lisboa de ontem e de hoje: as colinas da cidade, pp. 30-31, 1945.
cm-lisboa.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Avenida Almirante Reis com a Travessa do Cidadão João Gonçalves

João Gonçalves, merceeiro de profissão, contribuiu notavelmente para a causa da educação das classes operárias, ao subsidiar generosamente várias escolas primárias da capital.
Foi um fervoroso republicano, um notável orador, e envolveu-se com afinco na organização de associações de classe. Fundou os centros eleitorais republicanos dos Anjos e de S. Jorge de Arroios. Morreu pouco antes da implantação da república.

Avenida Almirante Reis com a Travessa do Cidadão João Gonçalves |Início séc. XX|
Troço da Rua Antero de Quental compreendido entre a Rua dos Anjos e a Avenida Almirante Reis
Estabelecimento União Metalúrgica
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

João Gonçalves assinava todos os documentos comerciais como Cidadão João Gonçalves, daí resultando o topónimo.

Avenida Almirante Reis com a Travessa do Cidadão João Gonçalves |Início séc. XX|
Troço da Rua Antero de Quental compreendido entre a Rua dos Anjos e a Avenida Almirante Reis
Estabelecimento União Metalúrgica
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 13 de março de 2026

Rua Antero de Quental, 6

Imagem anterior à demolição parcial da antiga cerca do Convento do Desterro — que se nota ao fundo — e que durante alguns anos atravancou esta zona, mesmo depois de rasgada a «Avenida «dos Anjos» (depois «de D. Amélia» e actual Alm. Reis).

Topónimo atribuído pela CML, em 1900, ao arruamento que liga o Largo do Intendente com o Largo do Conde de Pombeiro, mais tarde limitado à Av. Almirante Reis quando foi atribuído, em 1915, o topónimo Travessa do Cidadão João Gonçalves ao troço desta rua sito entre a Rua dos Anjos e aquela avenida.

Na direcção da Av. Almirante Reis.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

N.B. Antero de Quental (1842-1891), poeta e filósofo. foi um verdadeiro líder intelectual do Realismo em Portugal. Dedicou-se à reflexão dos grandes problemas filosóficos e sociais de seu tempo, contribuindo para a implantação das ideias renovadoras da geração de 1870.

domingo, 15 de setembro de 2024

Avenida Almirante Reis, 6

No número 6 da Av. Alm. Reis destaca-se uma fachada de azulejo azul e branco de cariz revivalista evidencia o complexo urbano relacionado com a Fábrica Viúva Lamego que apresenta outras zonas de azulejo de padrão azul e branco e outras ainda com um verde e preto algo islamizante. 

Avenida Almirante Reis, 6 |Inicio séc. XX|
Edifício da Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, fund. em 1849, embelezado com um vistoso revestimento azulejar que abrange a totalidade da fachada.
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Esta fachada é um exemplo típico de uma arquitectura ou melhor de uma decoração do meio do século XIX. Este interessante edifício está classificado como Imóvel de Interesse Público.

Avenida Almirante Reis, 6 |1970-02|
Edifício da Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, fund. em 1849, embelezado com um vistoso revestimento azulejar que abrange a totalidade da fachada. Travessa Cidadão João Gonçalves.
João Goulart, in Lisboa de Antigamente

domingo, 14 de abril de 2019

De Avenida dos Anjos e Avenida Dona Amélia, a Avenida Almirante Reis

O Barão Haussman o "artista demolidor" (1809-1891) em Paris, o paisagista Humphrey Repton (1752-1818) em conjunto com o arquitecto John Nash (1752-1835) em Londres ou o urbanista Ildefonso Cerdá (1815-1876) em Barcelona, com os seus planos de carácter regulador higienista e de circulação viária, influenciaram arquitectos e projectistas por toda a Europa e América do Norte (Frampton, 1992).

Avenida Almirante Reis |c. 1911|
À dir., no n-º 2-2K, o edifico prémio Valmor de 1908; à esq. vê-se o Hospital do Desterro.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Assim, em 1903, foi aberta a Avenida dos Anjos e a Avenida Dona Amélia, que viria a ser mais tarde designada por Avenida Almirante Reis. Foram destruídos vários quarteirões nesta área permitindo por outro lado, a construção de novos e mais modernos edifícios o longo da recente e ampla avenida (Unidade Projecto Mouraria, 2009).

Avenida Almirante Reis |c. 1911|
Fotografia original colorida por Fátima Rocha
Joshua Benoliel

Quem no dealbar do século XX, viajasse pela Rua da Palma para norte, na procura da moderna e ampla Avenida Dona Amélia (hoje Almirante Reis), acabava por deparar-se com um beco sem saída. Ali, por alturas do Intendente, onde finda a Rua da Palma e onde deveria começar a tão falada avenida, o passeante acabava por dar com o nariz na parede, literalmente. Mais exactamente, acabava por dar de caras com os muros do hospital do Desterro. Para retomar a avenida era preciso fazer um desvio à direita pelo Largo do Intendente Pina Manique — seguindo a linha do eléctrico — contornar o quarteirão, virar à esquerda na actual Travessa Cidadão João Gonçalves de volta à Almirante Reis. Para melhor compreensão deste inusitado trajecto consulte a carta topográfica (anotada) daquela zona em 1911.

Levantamento da Planta de Lisboa (fragmento |1911|
Legenda (clicar para ampliar):
Azul - Av. Almirante Reis Localização da carroça da foto
Vermelho - Desvio pelo Largo do Intendente
Verde - Hospital do Desterro
 Júlio António Vieira da Silva Pinto, in Lisboa de Antigamente

Avenida Almirante Reis, 2 |post. 1911|
Neste postal pode ver-se a Av. Almirante Reis já rectificada após a demolição parcial do Hospital do Desterro.
Postal ilustrado em fototipia, edição de Faustino Martins
in Lisboa e Fernando

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Avenida Almirante Reis: obras do Metropolitano

Nos primeiros anos do século XX, paralela à antiga Estr. de Sacavém e prolongando para Norte a Rua da Palma, é aberta a Av. Almirante Reis que, na sua primeira fase, terminará junto ao hospital de Arroios, na actual actual Praça do Chile. Rasgada no último período da monarquia. Quantos lisboetas saberão hoje quem foi este Almirante Reis que deu o nome a uma das mais importantes artérias citadinas? Chamava-se Carlos Cândido dos Reis (1852-1910), foi vice-almirante da marinha de marinha de guerra e um dos grandes instigadores e organizadores da revolução de 5 de Outubro de 1910. Construída sobretudo com prédios de rendimento, destinada a uma classe média de cariz republicano, o nome caiu-lhe bem. E ficou.

Avenida Almirante Reis: obras do Metropolitano (Intendente) |1966|
Junto à Tv. Cidadão João Gonçalves com o Castelo encimando a imagem.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

A Avenida tem sofrido alterações diversas. Começou por ser ladeada de árvores, ao gosto da época; só que as necessidades de época (e de todas as épocas afinal; só que as necessidades de trânsito se tornam prioritárias), para ser depois alargada e «modernizada» no início da década de quarenta. No meado do seculo8 XX dá-se inicio à construção do Metropolitano.

Avenida Almirante Reis: obras do Metropolitano |1965-05|
Junto ao antigo Cinema Lys (Roxy) no cruzamento com a Rua dos Anjos.
Artur J. Goulart, in Lisboa de Antigamente

A sociedade Metropolitano de Lisboa, é constituída a 26 de Janeiro de 1948 e tinha como objectivo o estudo técnico e económico, em regime de exclusivo, de um sistema de transportes colectivos fundado no aproveitamento do subsolo da cidade. A concessão para a instalação e exploração do respectivo Serviço Público veio a ser outorgada em 1 de Julho de 1949.
Os trabalhos de construção iniciaram-se em 7 de Agosto de 1955 e, quatro anos depois, em 29 de Dezembro de 1959, o novo sistema de transporte foi inaugurado.
O 1º escalão de construção da rede foi concretizado em fases sucessivas. Assim, em 1963 entra em exploração o troço Restauradores/Rossio, em 1966, o troço Rossio/Anjos e, por último, é completado em 1972 com a ligação Anjos/Alvalade.

Avenida Almirante Reis: obras do Metropolitano (Anjos) |1966|
Junto ao eixo Rua de Angola/Rua Febo Moniz
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ADRAGÃO, José Victor & PINTO, Natália, RASQUILHO, Rui, Lisboa, vol. 2, 1985.
metrolisboa.pt
Web Analytics