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quarta-feira, 6 de março de 2019

Igreja de Santa Cruz do Castelo

A igreja de. Santa Cruz do Castelo nada tem em arquitectura que a torne notável. Situa-se no Largo do mesmo nome, com a fachada para o Poente. A capela-mor encosta-se à muralha do Castelo, servindo uma das torres da cerca de base à torre sineira.


A Igreja de Santa Cruz do Castelo é uma reconstrução ao século XVIII, após o Terramoto. A primitiva igreja denominava-se de Santa Cruz de Alcáçova, e segundo tradição verosímil foi fundada por D. Afonso Henriques depois da conquista de Lisboa, em 1147, e instalada no local onde existia uma mesquita moura, certamente transformada em templo cristão. A igreja já aparece citada numa escritura de Maio de 1168, o que não implica que não tivesse existido antes. 
A denominação de Santa Cruz do Castelo é ainda do tempo do primeiro Rei, embora as «Inquirições» de 1248 e 1279 a designem ainda por Santa Cruz da Alcáçova; ela teria de seu começo, invariavelmente, as duas denominações.

Fotografia aérea da zona da Costa do Castelo e do Castelo de São Jorge antes das obras de remodelação, vendo-se ao centro, a Igreja de Santa Cruz do Castelo [1938] 
Pinheiro Correia, in Lisboa de Antigamente

A igreja recebeu sem dúvida transformações, ampliações e restauros no decorrer dos séculos, mormente no século XVI, depois do sismo de 1681. No segundo quartel do século XVII a igreja tinha, segundo Coelho Gasco, uma porta principal e outra travessa, esta sobre um adro muito grande, mas no final desse século, segundo Carvalho da Costa, já existiam três portas, a principal voltada ao Sul e as outras a Poente e a Nascente (resultado das obras anteriores a 1699?) e o corpo da igreja ostentava três naves. Seis anos antes do cataclismo foi sujeita a novos restauros. 
O Terramoto arruinou muito a igreja, que teve de ser reconstruida sob diversa traça, come­çando as obras em 1776 — data inscrita na actual porta principal — mas não se encontrando concluídas em 1783, pois nesse ano as paredes estavam levantadas só até à cimalha e apenas a capela-mor já coberta. 
A paróquia, que data da fundação da igreja, abrangia e abrange o recinto murado do bairro do Castelo. 

Igreja de Santa Cruz do Castelo, fachada e torre sineira [c. 1900]
Largo de Santa Cruz do Castelo
 Foi nesta igreja que tradicionalmente se baptizaram os filhos dos monarcas que habitavam o antigo
Paço da Alcáçova, no castelo de São Jorge.
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Na igreja estão expostas numerosas telas representando Santos e vários Cartu­xos, todas dos séculos· XVII e XVIII, de me­diana pintura e cuja proveniência se ignora. As duas imagens de maior valia são as de S. Jorge, que figurava na tradicional pro­cissão, e o Crucifixo do altar-mor, venerado,segundo a tradição, na capela real do paço da Alcáçova e que, conforme a tradição tam­bém, dirigia a palavra à rainha Santa Isa­bel.

Igreja de Santa Cruz do Castelo, interior: nave e capela-mor [c. 1945]
Largo de Santa Cruz do Castelo
 O retábulo de tábua existente no Altar-Mor, proveniente da desaparecida Ermida do Espírito Santo, é do séc. XVII, tem feição maneirista, sofreu acrescento para cobrir as dimensões do retábulo, representa a "Descida da Cruz" sendo de autoria desconhecida.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

N.B. A primeira irmandade de S. Jorge foi fun­dada, diz-se, pelos Ingleses, na igreja dos Már­tires, no meado do século XII, trasladando-se depois para S. Domingos (1241) e. fundado o Hospital real de Todos os Santos, para ele (final do século XV). Fixou-se em Santa Cruz depois do Terramoto. A procissão do Corpo de Deus, onde a representação de S. Jorge tinha o papel principal, vem do reinado de D. Afonso III. Teve duas épocas de renome: o século XV, pelo pito­resco, o reinado de D. João V pelo fausto.

Igreja de Santa Cruz do Castelo [ant. 1955]
Largo de Santa Cruz do Castelo
 Capela de S. Jorge e da Senhora do Rosário
 
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, 1955.

domingo, 12 de março de 2023

Lisboa Vista do Cimo dos Montes: Castelo de S. Jorge

Ah! Dilecto companheiro: qualquer cidadezita ou vilória por esse país além estremece mais o seu Castelo do que nós, alfacinhas.
Veremos se agora o toque de rebate, e os prenúncios de bom senso — recompõem «isto» de uma maneira decente. O Castelo, o grande e natural miradouro de Lisboa...¹
A nossos pés espreguiça-se o burgo velho. Há — observa ! — tons de pérola por aí abaixo e o casario parece de presépio. Uma gama infinita de azuis, de verdes, de rosas ténues, confunde-se nesta paleta que perturba até à inconsciência da realidade.
Percorre, Dilecto companheiro, com teus olhos extasiados este circuito completo, sem interrupção, que em redor de nós se desdobra. No primeiro plano, em declive acentuado, o cenário que circunda o morro alto do Castelo, onde o vento geme, dando-nos a visão das sucessivas transformações e acrescentamentos da Cidade [...]

Lisboa Vista do Cimo dos Montes: colina do Castelo [post. 1875]
Panorama do Castelo de S. Jorge visto de S. Pedro de Alcântara; à esq. nota-se a Igreja de São Vicente de Fora e o Convento da Graça.
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente

O Castelo de S. Jorge — tal como o conhecemos hoje — tem pouco mais de 80 anos. Não acredita? Passamos a explicar, resumidamente, através da pena brilhante do ilustre Norberto de Araújo:
Esta Fortaleza, que é o padrão militar arqueológico, por excelência, do Castelo de S. Jorge (denominação do século XIV, tempo de D. João I) recebeu, durante oito séculos os insultos do tempo. dos sismos, dos próprios homens.
Em 1938, Outubro, e por efeito de uma portaria de 29 de Agosto, começaram as grandes e penosas obras de reintegração de todo o monumento — considerado «nacional» desde 16 de Junho de 1910 — , obras que abrangeram não só o «Castelejo» ou fortaleza-reduto, como as áreas da pri­mitiva Cidadela e Alcáçova (Praça de Armas, Parada, Praça Nova e casario envolvente), recom­pondo-se, quanto possível, a estrutura primitiva, tomando-se por base os elementos existentes, os re­velados pelas escavações, demolições e apeamentos, e os estabelecidos pela ciência poliorcética.
 
Fotografia aérea sobre a colina do Castelo de São Jorge |c. 1934|
Castelo de S. Jorge e antes das obras de reinvenção.
Corrêa, José Pedro Pinheiro, in Lisboa de Antigamente

Os estudos e obras de reintegração, levados a cabo de Outubro de 1938 a Junho de 1940, e continuados em 1941, puseram a descoberto elementos do primitivo Paço da Alcáçova e de outras construções, e de arquitectura militar da Fortaleza, cuja existência, aliás, se presumia. Foram rebaixados o nível adjacente do Castelejo, e os terraplenos in­teriores do mesmo. E demolidas as construções dos séculos XVII, XVII e XIX nos dois re­cintos chamados até há pouco dos «Quartéis Velhos» e dos «Quartéis dos Mouros», ambos denominados agora «Praças de Armas do Castelejo», revelaram-se alguns elementos pri­mitivos, que o restauro valorizou.
O monumento foi entregue à Câmara Municipal de Lisboa pelo Mi­nistério das Obras Públicas, em 31 de Maio de 1942, sendo a sua guarda confiada à Legião Portuguesa.

Lisboa Vista do Cimo dos Montes: Castelo de S. Jorge |post. 1942|
Panorama de Lisboa visto do Miradouro da Graça.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, 1944.
idem, Peregrinações em Lisboa, vol. II, p. 41, 1938.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Rua do Chão da Feira e Porta de São Jorge

A Rua do Chão da Feira, que se situa em frente à porta principal do Castelo de São Jorge1, foi anteriormente designada apenas como Chão da Feira. Cristóvão Rodrigues de Oliveira regista-a no seu Sumário de Lisboa em 1551, incluindo-a na antiga freguesia de São Bartolomeu.

Rua do Chão da Feira [c. 1900]
Muralha do Castelo antes das obras de restauro (1938-40)
Ao fundo, a Porta de São Jorge, entrada para o Castelo de São Jorge.

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O ilustre olisipógrafo Norberto de Araújo refere que «Chão da Feira ainda se chama ao local pela força de realismo toponímico: no tempo de D. Afonso II, entre 1212 e 1223, aqui se realizava uma feira semanal, avó da «Feira da Ladra», que do Rocio, da Alegria, de Campo de Santana, foi parar ao Campo de Santa Clara, onde perdura às terças-feiras e sábados. O dia tradicional desta Feira da Ladra era, porém, a terça-feira.

Rua do Chão da Feira [c. 1900]
Muralha do Castelo antes das obras de restauro (1938-40)
Ao fundo a entrada para o Pátio de D. Fradique.

Lima, Alberto Carlos, in Lisboa de Antigamente

Aí temos a porta do Castelo que, sendo chamada «da Alcáçova» até ao tempo de Mestre de Aviz, 1385, recebeu depois, também, o nome de S. Jorge. Esta actual, escancarada, esburacada, já quási uma «ruína nova», é de 1846, tempo de D. Maria II, como podes ler na inscrição sobre a fachada exterior. Antes desse ano, o vão de ingresso teve portões com seus postigos.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, p. 17-20, 1938)

Rua do Chão da Feira [c. 1900]
 Porta de São Jorge, entrada para o Castelo de São Jorge
José Artur Bárcia, in Lisboa de Antigamente

O arco da Porta de São Jorge, é semelhante a um arco de triunfo, com arco pleno em fiadas adornada com mármore, sobre o fecho do qual se pode ler «4-4º-1846 — D. Maria II», sendo rematada com pedra de armas reais. Lateralmente, em letras de bronze, uma dedicatória ao Duque da Terceira, Ministro da Guerra. Esta porta dá acesso à Esplanada.

1 Fotos posteriores às obras de restauro do Castelo de S. Jorge (1938-40) podem ser vistas aqui)

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Castelo de São Jorge: Porta de Martim Moniz

Forçoso é a quem suba ao Castelo de S. Jorge — escreve Norberto de Araújo — quedar-se diante da Porta de Martini Moniz. Arco de rude aparência, com seus reduzidos onze palmos, rasgado na grossura da muralha que se continua do «castelejo» ou fortaleza — aí está o único padrão vivo do esforço do homem na tomada de Lisboa. As torres, as quadrelas, os adarves, as portas ogivais do velho «castrum» — falam mas não têm voz; dizem tudo mas ciciam. A Porta de Martim Moniz é clara como água: «Isto foi assim, e o que eu digo é uma escritura». 


Castelo de São Jorge e a Porta de Martim Moniz [s.d.] [séc. XIX/XX]
A porta, ao centro, está assinalada por uma seta; à esquerda, a Igreja de Santa Cruz do Castelo.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

 
As letras de uma legenda esculpida em pedras venerandas têm expressão oral. Não se lê: escuta-se. Quando a lenda força a história — faz história. Ora esta história diz que um valente capitão das hostes de Afonso Henriques [1109-1185], acompanhado de outros cavaleiros, assaltou pelo lado norte, cortado a pique, o castelo sarraceno, e a poder de ombros fez entreabrir a porta, deixando-se ficar nela entalado para que os portugueses entrassem. E os mouros o mataram. Eis o que está dizendo esta legenda, do exterior da porta, do lado que cai sobre as Olarias, Lagares, e Costa do Castelo. No nicho, agora já sem moldura, lá está o busto de Martim Moniz, mutilado pelos vandalismos das idades.
 
A inscrição data de 1646, o Arco é reconstituição de quinhentos, mas a «Porta de Martim Moniz» remonta ao medievalismo português [séc. XIII]. Não há dúvida: tudo se passou como a lenda e a inscrição rezam. Se se tratasse de história pura — não existiria aqui poesia alguma. O sítio é dos mais belos de todo o Castelo de S. Jorge. Foi aqui o chão da Cidadela, onde assentaram os Paços dos Bispos, os Paços do Mestre de Aviz, chão que, arrasado, veio a dar a «Praça Nova» do desaparecido recinto militar, hoje eirado, povoado de sombras. 

Castelo de São Jorge [1908]
Ronda do lado interior da porta de Martim Moniz.

 Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Martim Moniz! Nobre e esforçado capitão e cavaleiro, que em teu escondido nicho velas há centos de anos pela intangibilidade dos belos contos lendários — e muito tens visto desta Lisboa castelã e cristã depois de os mouros te trespassarem à lançada. Nós te saudamos! ¹

A placa de mármore, que se pode ver na imagem abaixo, mandada  ali  colocar  em  1646  por  D.  João  Roiz  de  Vasconcelos  e  Sousa,  Conde  de  Castelo  Melhor,  décimo quarto  neto,  por  varonia,  daquele  heróico  cavaleiro  de  D.  Afonso  Henriques,  a  qual  diz:
"El-Rei dõ Afonso Henriques mandou aqui colocar esta estatua e cabeça de pedra em memória da gloriosa morte que dõ Marti Muniz progenitor da família dos Vasconcelos recebeu nesta porta quando atravessando-se nela franqueou aos seus a entrada com que se ganhou aos mouros esta cidade no ano de 1147. 
João Roiz de Vasconcelos e Sousa Conde de Castelmelhor seu décimo quarto neto por baronia fes aqui por esta inscrição no ano de 1646." ²

Castelo de São Jorge [1908]
Busto de Martim Moniz sobre a porta, do lado exterior da muralha;
a moldura que guarnecia a inscrição e escultura foi retirada em 1939.
Joshua Benoliel,
in Lisboa de Antigamente

N.B. Os historiadores não podem comprovar a existência real desta personagem em virtude de não haver qualquer documento da época que a ela faça referência, (no entanto, Alfredo Pimenta, na sua obra de 1940, «A façanha de Martim Moniz», refere documentos de 1258 que citam esse feito). Citam-na, no entanto, como figura lendária da história de Portugal. Em sua homenagem, esse acesso ficou conhecido como Porta de Martim Moniz, também foi chamada «do Olival».
___________________________________________________
Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 143, 1943.
² idem, Inventário de Lisboa: Monumentos históricos, pp. 21- 22, 1944.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Castelo de S. Jorge: Porta (ou Portão) do Espírito Santo

Queria começar a legenda deste jeito: 

«Era uma vez uma cidade de mouras e valis...». E era. 

Foi assim a Lisboa sarracena que sucedeu à dos godos depois que se afogou no Guadalete a estrela de D. Rodrigo. Lisboa era a Alcáçova, a Kssaba mourisca, ninho de águias que fora romano e godo — o Castelo de hoje.  [...]
E lá passa ainda, esgueirando-se, e bem se vê no seu albornoz alvadio, o derradeiro mouro, talvez o filho do vali, que logrou escapar-se ao primeiro dos cavaleiros cristãos, e há oitocentos anos, todas as noitinhas, espera que o vento lhe traga desde as almenaras africanas — a canção do almuadin.

E... «era uma vez uma cidade de mouras e valis...».


De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo, tem o Castelo de S. Jorge — monumento nacional (séc. X) — sete portas: uma servindo a freguesia civil, outra dando acesso do exterior do bairro do Castelo ao «Passeio», três ligando a freguesia civil ao recinto monumental, e duas abrindo da antiga «Praça Nova» para o «Passeio». [vd. planta esquemática]

Castelo de S. Jorge: Porta ou Portão, do Espírito Santo [1906]
Esta Rua das Cozinhas que nasce junto ao nº 37 da Rua do Espírito Santo é uma artéria que surgiu após o Terramoto e recorda as cozinhas do Paço de Alcáçova medieval.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

A Porta ou Portão, do Espírito Santo, situa-se no topo da Rua deste nome, já na Rua das Cozinhas, de perfil ogival e arestas chanfradas, rematado o arco por esfera armilar de D. Manuel, e em cujos muros laterais se rasgam, de um lado onze seteiras, e do outro dezassete, vendo-se, embebida no muro exterior, do lado esquerdo, uma pedra de armas reais do tempo de D. Afonso III [a primordial construção é árabe]; esta porta, com portão de ferro, conduz à antiga «Praça Nova», terreiro a Nascente do Castelejo, e está normalmente fechada.

Castelo de S. Jorge: Porta ou Portão, do Espírito Santo [c. 1900]
Ao alto ostenta a esfera armilar de D. Manuel e, a esq., as armas 
portuguesas do tempo de D. Afonso III.
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Nesta plana a parle central, a branco, corresponde a lodo o recinto do Monumento, incluindo as actuais explana­das, a antiga Cidadela ou Alcáçova, o Castelejo, marcado e traço grosso negro, a muralha circundante marcada a traço mais fino, e a zona do «Passeio», assinalado a verde. Siga-se o texto, referenciado por números e por letras e círculos azuis. 

— Porta de S. Jorge (A) [já falámos dela aqui]
— Porta de Santo André (B)
— Porta  do  Sul  (C)
— Porta ou Portão, do Espírito Santo (D)
— Portão de Santa Cruz (E) [aqui]
 — Porta do Norte (F)
 — Porta de Martim Moniz (G) [já falámos dela aqui]


Planta esquemática do Castelo de S. Jorge
A  Porta ou Portão, do Espírito Santo está assinalada a vermelho,
as outras seis portas, a azul, e o «Passeio» a verde
.
ARAÚJO, Norberto de, in Inventário de Lisboa

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, pp. 10-22, 1943.
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Monumentos históricos, 1944.

domingo, 12 de janeiro de 2025

Lisboa Vista do Cimo dos Montes

O Castelo de São Jorge — tal como o conhecemos na actualidade — leva pouco mais de 80 anos. Sim. leu bem.

Sob o ponto de vista de fortificação — recorda Norberto de Araújo — o primitivo castelo cimeiro (a partir do começo do século XVII por «Castelejo»), que dos romanos foi, passou pelos godos e árabes, e chegou aos portugueses, resumia-se ao chamado Castelejo, numa área faceada de 50 metros aproximadamente. Este recinto era, por sua vez, circundado de muralhas, de dez torres, e aberto para o exterior nalgumas partes.

Panorâmica da encosta do Castelo |195-|
Perspectiva tirada da Estação do Rossio. Notem-se os edifícios do aquartelamento militar demolidos depois da reconstrução.
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Esta Fortaleza, recebeu, durante oito séculos os insultos do tempo, dos sismos, dos próprios homens. A verdade é que já no século XVI o seu, vértice Sudoeste servia de apoio, e se integrava no Paço Real da Alcáçova, acabando por se ocultar, durante o século XIX, nas construções de aquartelamentos. [Araújo: 1938 e 1945]
O nome actual deriva da devoção do castelo a São Jorge, santo padroeiro dos cavaleiros e das cruzadas, feita por ordem de D. João I no século XIV.  

Panorâmica do Castelo de São Jorge |c. 193-|
Vista tomada do Miradouro da Senhora do Monte. Igreja de Santa Cruz do Castelo.
Note-se, ao centro, a Torre do Observatório, cuja denominação deriva da circunstância de nela haver sido construído, c. de 1788, o Observatório Geodésico, se é que, já antes, 1779, não esteve nela instalado o primeiro observatório astronómico visto em Lisboa, estabelecido no Castelo pelo matemático José Anastácio da Cunha.
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Na década de 1940 foram empreendidas monumentais obras de reconstrução, levantando-se grande parte dos muros e alteando-se muitas das torres. Por esse motivo, ao contrário do que se poderia pensar à primeira vista, o "carácter medieval" deste conjunto militar deve-se a esta campanha de reconstrução, e não à preservação do espaço do castelo desde a Idade Média até aos nossos dias. [Gaspar]

Panorâmica do Castelo de São Jorge |1957|
Vendedeira ambulante de leite no Miradouro da Senhora do Monte.
O monumento foi entregue à Câmara Municipal de Lisboa pelo Ministério das Obras Públicas, em 31 de Maio de 1942.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Lisboa vista do Miradouro da Senhora do Monte

Junto à Capela da Senhora do Monte, este balcão privilegiado sobre a cidade, oferece uma ampla e rica panorâmica de Lisboa: o Castelo de São Jorge, o Rio Tejo, a Baixa, a colina de São Roque com as ruínas do Convento Carmo, as zonas antigas e intimistas da Colina do Castelo e da Mouraria, a Lisboa das avenidas largas e dos edifícios de construção mais recente para Norte, os principais jardins, entre outras vistas. 

Panorâmica tomada Miradouro da Senhora do Monte |1959|
Rua da Senhora do Monte; Castelo de São Jorge
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Panorâmica tomada Miradouro da Senhora do Monte |c. 196-|
Rua da Senhora do Monte; Castelo de São Jorge
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente
 
O espaço do Miradouro  da Senhora do Monte — «com o Castelo à nossa ilharga» — é pontuado por exemplares como o cipreste, a oliveira e o pinheiro-manso, que proporcionam belas sombras. [cm-lisboa.pt]

Miradouro da Senhora do Monte |1959|
Rua da Senhora do Monte; Chafariz; Nau de São Vicente
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Vista a partir do Miradouro de Nossa Senhora do Monte |1958|
Rua da Senhora do Monte
Ao fundo nota-se o Castelo de São Jorge, o Tejo e o Cristo-Rei (1959). Em baixo observa-se a Mouraria em demolições e o Hotel Mundial (1959).
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

domingo, 6 de março de 2022

Rua de Santa Cruz do Castelo que foi da Alcáçova

Eis-nos na Rua de Santa Cruz — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , onde podes notar esse prédio n.° 38-40, logo no seu começo neste lanço, e que parece ser dos mais antigos, e certamente dos mais pobrezinhos e pitorescos da freguesia. Finalmente aqui tens o terceiro prédio dos representativos de que te falei; é o n.º 74. Guarda exteriormente um certo aspecto, e tem também um pequeno pátio, «das Laranjeiras», sem nenhuma expressão.

Rua de Santa Cruz do Castelo |ant. 1908|
Junto ao n.º 3 (à esq.)
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

O nome da freguesia de Santa Cruz do Castelo advém da Igreja de Santa Cruz da Alcáçova, depois chamada de Santa Cruz do Castelo e que aparece já num documento de 25 de Maio de 1168.
Nesta altura a freguesia correspondia à paróquia e abrangia todo o recinto murado do Castelo e alcáçova de Lisboa e assim tem permanecido até à actualidade.
A denominação da paróquia civil foi mudada para Castelo, por decreto de 16 de Março de 1915.

Rua de Santa Cruz do Castelo |ant. 1908|
Junto ao n.º 74 (à esq.)
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Ao chegarem ao Largo do Chão da Feira continuaram a subir, passando por baixo da Porta da Alcáçova; atravessaram um pátio seco cheio de folhas e ramos atirados pelo vento e subiram pela Rua Direita de Santa Cruz em direcção à Igreja de Santa Cruz da Alcáçova [do Castelo].
(in Lisboa Triunfante, David Soares, 2008)

Rua de Santa Cruz do Castelo |ant. 1908|
Junto à Porta de S. Jorge ou da Alcáçova
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, p. 26, 1938.
 cm-lisboa.pt.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Lisboa Vista do Cimo dos Montes

Do Castelo, da Graça, do Alto de Santa Catarina, vista do cimo dos montes, das colinas, dos miradouros, Lisboa «enfia os olhos pelo Oceano». «Poucas vezes no mundo verá o viajante, como em Lisboa, tanta magnificencia de espectaculos naturaes, e tamanha variedade de scenario!», diz-nos o olisipógrafo Júlio de Castilho, para quem Lisboa «apresenta panoramas estonteadores, pela grandeza das linhas, e pelo variegado das minucias».


É de Francesco Rocchini (1822-1895)  esta  «vista tomada do Castelo de S. Jorge» que Norberto de Araújo descreve: «O encanto de Lisboa não se procura: encontra-se. Não reside num único sítio: dir-se-ia móvel, deambulatório. Vadio — passeando por onde lhe apetece. 
Aconselha-se o romeiro a que o não rebusque. Será a melhor maneira de dar com ele. 
Os mil motivos de interesse, de sedução, de êxtase — espraiam-se, perdem-se, ocultam-se e mostram-se pelas colinas e pelas planícies ribeirinhas. 
Num parque fecundado pelo sol, poetizado pelo luar, nascido espontâneo, enobrecido pelas idades — não é possível encontrar dispostos para nossos olhos os loureiros que coroam heróis e as rosas que engrinaldam vestais. Nem os rouxinóis têm moita certa. 
As colinas de Lisboa há que trepá-las para bem as conhecer. 
Os vinte miradouros suspensos de pérgolas e de torres, dão-nos o panorama objectivo, familiar: apontam-se as coisas, sabe-se-lhes a idade e a história. As colinas — não. Rugadas de congostas [*], quelhas, linhas de desfiladeiros, planos indecisos, são subjectivas. O seu encantamento é de sonho. 

Panorâmica de Lisboa tirada do Castelo S. Jorge  |c. 1870|
Panorâmica de Lisboa tirada da Sra do Monte
Francesco Rocchini (1822-1895), in Lisboa de Antigamente
 Legenda (clicar para ampliar):


Edifícios/Monumentos:
1—Igreja do Socorro (demolida c. 1940)  2—Palácio Folgosa (Propriedade Geraz de Lima)  3—Convento (Hospital) do Desterro  4—Hospital de S. José  5—Primitiva Igreja dos Anjos (demolida em 1908)  6—Campo de Sant'Ana  7—Convento de Santo António dos Capuchos  8—Palácio Mitelo  9—Palácio da Bemposta (Academia Militar) Paço da Rainha  10—Observatório Astronómico do Paço da Bemposta  11—Hospital de D. Estefânia  12—Palácio Pombeiro  13—Chafariz do Intendente  14—Hospital Miguel Bombarda (Antigo Rilhafoles)  15—Escola Superior de Medicina Veterinária (Antigo Instituto de Agronomia e Veterinária (Actual edifício da Policia Judiciária)
Arruamentos:
A—Rua de S. Lázaro  B—Rua da Palma  C—Rua do Benformoso  D—Largo (Sítio) do Intendente  E—Largo de Santa Bárbara  F—Arroios  G—Antigo Largo do Matadouro hoje Escola Municipal n.º 1 e, logo acima deste, o Largo do Mastro e o Beco (hoje Rua) do Saco

A penha do Castelo, abarcada desde o Largo do Caldas — é uma fantasmagoria. Do Rossio — uma maravilha. De Santana — um deslumbramento. 
Vista deste lado — a colina é um santuário; adivinha-se a torrinha sineira de uma ermida. Contemplada deste outro sítio — é uma muralha. Tomada do lado do mar — é um museu; alveja o perfil manuelino de uma janela. 
Em todas as colinas, subindo, acavalgando-se, amparando-se, tocando-se nos beirais, as casas, os tugúrios, os palácios, os monumentos, os aglomerados indistintos, cinzentos ou violetas, conforme lhes dá a luz — são cenários do presépio lisboeta. 
As Colinas de Lisboa — eis o panorama sagrado de uma cidade Olimpo, que enfia os olhos pelo Oceano. Os longes mandam na alma. Nas cidades e nos homens — as distâncias ganham em saudade o que perdem em nitidez. Castelo, Graça, Penha, Estrela, S. Francisco, — ascensão ideal... » 1

Bibliografia
1 ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, pp. 28-29, 1943.

* Nota(s): O Dicionário Houaiss e o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora registam cangosta, mas remetem para congosta, portanto, o termo preferível. Trata-se de «caminho estreito e comprido, mais ou menos declivoso» (in Dicionário da Porto Editora) e «estrada estreita, rústica, entre muros ou sebes, na região periférica de uma povoação, aldeia, vila etc.; azinhaga» (in Houaiss). A palavra vem do latim hispânico 'congusta (via)', por 'coangusta (via)', «caminho estreito», de 'coangustare', «apertar».

sexta-feira, 19 de julho de 2024

Costa do Castelo

Encontrámos o verdadeiro, o original Costa do Castelo.
Ei-lo aqui, encosta do Castelo de S. Jorge abaixo, todo aperaltado na sua fatiota de três peças, relógio de bolso com corrente, chapéu de coco e guarda-chuva. Tudo como mandava o figurino.


Chegámos à Costa do Castelo, que constitui o passeio de circunvalação da antiga cidadela e fortaleza, e abrange quase dois terços da sua cintura desde este ponto até o extremo da Rua do Milagre de Santo António, que morre nos Lóios. Ficava na meia-encosta — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , quase despovoada no seu começo, verdejante de olivais, hortas e algumas terras de semeadura. Em verdade, só no século passado entrou a ganhar significação urbana; não é necessário fazeres um grande esforço de imaginação para, através do que foi «plantado» ordenadamente em prédios, há pouco mais de cem anos, reconheceres a rústica Costa das estampas antigas.

Costa do Castelo |c. 1900|
Encontrámos o verdadeiro, o original Costa do Castelo.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, p. 14, 1938.

domingo, 8 de outubro de 2017

Lisboa Vista do Cimo dos Montes

Poucas vezes no mundo verá o viajante, como em Lisboa, tanta magnificencia de espectaculos naturaes, e tamanha variedade de scenario! (...)

Temos ahi uma vista tomada da beira da esplanada sudoeste do castello de S. Jorge, e inundada do nosso formosíssimo sol peninsular. Que vasto quadro! (...) 

Basta um quadro assim, para justificar os enthusiasmos insuspeitos, com que os estrangeiros saudaram sempre a nossa capital.


«Parece-me extraordinário — escrevia em 1826 um viajante inglez — como se póde contemplar a magestade do Tejo, desde as janellas da hospedaria de Reeve, sem ficar assombrado com a magnificencia de tal quadro!» 
E vinte annos andados, exclamava Hughes:
«Lindissima se ostenta a formosa capital, como um amontoado de palacios de marmore levantado na orla d'aquelle glorioso rio! Só depois de um conhecimento intimo do interior da cidade é que a illusão se dissipa.» Se hoje voltasse o auctor a percorrer Lisboa, limpa, banhada de agua, enfeitada de jardins, cortada de avenidas, e melhorada em todo o genero de viaçao, veria todo o caminho andado na estrada do progresso material. ¹

Vista parcial de Lisboa tirada do Castelo S. Jorge  [c. 1870]
Panorâmica de Lisboa tirada da Sra do Monte
Observe-se, ao centro, o Arco Triunfal da Rua Augusta ainda por rematar. O coroamento, composto pelo grupo escultórico alegórico "A Glória coroando o Génio e o Valor" só ficou concluído em 1875.
Francesco Rocchini (1822-1895), in Lisboa de Antigamente

[...] situação única desse morro mirando o deslumbrante estuário do Tejo, a sumptuosidade do ar, a diafaneidade do céu e dos contemplativos montes da outra margem. 
Fialho de Almeida (1857-1911), «Lisboa Monumental», Barbear, Pentear [1910]

Sentado num capachinho, agarrado às grades da estreita sacada pombalina, mudo e fascinado, o menino olha os telhados de veludo, o céu sereno, o rio coberto de palhetas de prata cintilantes: são peixinhos que saltam, andam a brincar, brilham à lua - diz a irmã, e ele acredita. A tia Zulmira, sentada na pedra ao lado dele, canta baladas tristes — Sentinela do céu avançada, Que noite serena — e de repente... 
... da janela do meu quarto 
vejo saltar a sardinha!
Então é que são mesmo peixinhos de prata que pulam ao luar. A voz fresca e sentida derrama-se pela vizinhança adormecida, mexe-lhe com alguma coisa lá dentro, afoga-o de sedução. Larga as grades e estende os braços... E amor, é de amor que ele sofre! A tia aperta-o ao peito e ri-se, beija-o com ternura: «Tolo, meu tolinho!» — O seio dela é macio, o seu cabelo negro cheira bem, e ele fecha os olhos, gosta de adormecer assim no zunzum das conversas, dos risos. Sente-se embalado e parte à desfilada pelo céu de prata. 
Mas há muito mais, ali, do que o luar: os cais, os guindastes, as sereias e apitos, o arfar das locomotivas e o ranger das correntes e roldanas, o martelar das forjas e dos caldeireiros. Chegam até à mansarda distante os cheiros náuticos. Riscos de fumo babujam o azul trespassado de sol. Os vapores sobem e descem devagar o rio, parecem rastejar, deixando uma esteira de espuma, as cadeias das âncoras guincham nos estais — como tudo se ouve bem, cá tão longe, no ar imenso e cristalino! ²

Vista parcial de Lisboa tirada do Castelo S. Jorge  [c. 1870]
Panorâmica de Lisboa tirada da Sra do Monte
Francesco Rocchini (1822-1895), in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ CASTILHO, Júlio de (1840-1919). «Lisboa vista do Castello de S. Jorge» [26 de Outubro de 1901] in A Arte e a Natureza em Portugal.
² MOURÃO-FERREIRA, David (1927.1996), «Saudades de Lisboa de Eça de Queiroz a Miguel Torga», [1967]

terça-feira, 15 de março de 2016

Miradouro da Senhora do Monte

O olisipógrafo Norberto Araújo caracteriza da seguinte forma este belo e contemplativo miradouro da cidade de Lisboa situado no alto do Monte de S. Gens:
Ora aqui temos, Dilecto, outro miradouro da Cidade. Goza este panorama surpreendente que abrange a parte baixa da Cidade, os seus píncaros, com o Castelo à nossa ilharga, tão perto que apetece estender-lhe a mão, e que se alarga a norte e a nascente para os bairros novos até ao sopé da Penha, à Estefânia, à Rotunda. 

Miradouro da Senhora do Monte, as suas árvores seculares e um invulgar candeeiro [1946] 
Rua da Senhora do Monte (Lg. do Monte)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente


Deves ter notado que cada miradouro de Lisboa tem a sua perspectiva especial, o seu anfiteatro diferenciado ao sopé rumoroso e confuso. Este do Monte, com a Ermida ao lado, é dos mais deleitosos de Lisboa.==
(ARAÚJO, Norberto de Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 37, 1938)

Miradouro da Senhora do Monte, as suas árvores seculares [19--] 
Rua da Senhora do Monte
(Lg. do Monte)
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Este balcão privilegiado sobre a cidade, oferece uma ampla e rica panorâmica de Lisboa: o Castelo de São Jorge, o Rio Tejo, a Baixa, a Colina de São Roque com as ruínas do Convento Carmo, as zonas antigas e intimistas da Colina do Castelo e da Mouraria, a Lisboa das avenidas largas e dos edifícios de construção mais recente para Norte, os principais jardins, entre outras vistas. O espaço do miradouro é pontuado por exemplares como o cipreste, a oliveira e o pinheiro-manso, que proporcionam belas sombras.

 Panorâmica tirada do miradouro da Senhora do Monte para a Costa do Castelo  [ant. 1940]
Rua da Senhora do Monte
(Lg. do Monte)
Ao centro, as traseiras do Teatro Taborda e a antiga Cerca do Coleginho; Igreja de Santa Cruz do Castelo.
 Kurt Pinto, in Lisboa de Antigamente


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