Thursday, 30 July 2015

Chafariz da Rua das Amoreiras

Pouco conseguimos apurar sobre este chafariz nº. 13, junto à Mãe d'Água das Amoreiras, excepto o facto de já aparecer em desenho de 1838 e ter sido demolido por volta de 1938. Ao que tudo indica, parece ter sido «primo», ou substituto. do antigo chafariz existente no jardim da Praça das Amoreiras, construído em 1794(?) por autor desconhecido. Diz-nos a Memória de Velloso de Andrade (1851) (bom livro, e bem feito), que a fundo examinou o assunto: «Este Chafariz [da Praça das Amoreiras] foi o primeiro onde correo a Agua Livre; e os sobejos vão para o tanque de Lavadeiras na Rua do Arco das Aguas Livres [hoje Rua das Amoreiras], que foi feito em 1811; e deste vão pela Calçada para a Cerca das Freiras do Rato». Segundo relatos da época «Belo era o chafariz das Amoreiras e mais vizinho do reservatório do Aqueduto». Além disso, e de acordo com o «Diário do Governo de Abril de 1822», tinha «4 Bicas, 3 Companhias, 3 Capatazes, e 13 dispensados, que faz 91 [aguadeiros]».

Chafariz das Amoreiras [1938]
Rua das Amoreiras
Eduardo Portugal,
in Lisboa de Antigamente
Chafariz e Reservatório da Mãe de Água das Amoreiras [séc. XIX]
Rua das Amoreiras
Fotógrafo não identificado,
in Lisboa de Antigamente

Um dado é certo: ambos chafarizes estavam erguidos em 1911, conforme se pode constatar na Planta Topográfica de Lisboa, da autoria de Júlio António Vieira da Silva Pinto e de Alberto de Sá Correia.

Planta de alinhamento da Rua das Amoreiras, 1892
Garcia, Frederico Ressano 1847-1911, engenheiro,
in Lisboa de Antigamente

Levantamento da Planta de Lisboa: 1911 [fragmento]
Júlio António Vieira da Silva Pinto e de Alberto de Sá Correia,  
in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 29 July 2015

Casa das Bengalas

O plano de Eugénio dos Santos e Carlos Mardel da reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755, aprovado pelo Marquês de Pombal, apresentava uma rede de ruas longitudinais e transversais, cortadas em ângulos rectos, com importância diferente que é traduzida pela largura das suas ruas e passeios.
Em 5 de Novembro de 1760 foi inaugurada em Lisboa a pratica de atribuição de nomes de ruas por decreto. Neste diploma D. José estabelece a denominação dos arruamentos localizados entre a Praça do Comércio e o Rossio, bem como regulariza a distribuição dos ofícios e ramos do comércio. 
 
Rua da Prata, 87~91 [c. 1910]
Joalharia e ourivesaria Casa das Bengalas de António Costa
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
  
A Rua da Prata, uma das artérias, recebeu, por este diploma, a denominação de Rua Bela da Rainha. Ficou também estabelecido que nela deviam ser arruados os ourives da prata e nas lojas que sobejarem os livreiros que antes viviam na sua vizinhança.
A homenagem efectuada a um membro da realeza levou a que no período da Primeira República, designadamente, em 5 de Novembro de 1910, este topónimo fosse alterado para Rua da Prata, numa manifestação clara de republicanismo em contraposição com a monarquia. (cm-lisboa.pt)

Rua da Prata, 87~91 [c. 1910]
Joalharia e ourivesaria Casa das Bengalas de António Costa
Alberto Carlos Lima,
in Lisboa de Antigamente

Chafariz da Fonte Santa

Localizado na Rua Possidónio da Silva, aos Prazeres, este chafariz é o único em Lisboa com a designação de Fonte Santa, nome que adquiriu em virtude das propriedades medicinais da sua água, que, segundo parece, curava doenças do foro dermatológico e oftalmológico. No final do séc. XVI, esta fonte, com 2 bicas e 2 tanques, integrava a Quinta dos Prazeres, que foi enfermaria de pestíferos depois da epidemia de 1598. 

Chafariz da Fonte Santa [c. 1951]
Rua Possidónio da Silva
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Actualmente, possui apenas um tanque de recepção de águas com a respectiva bica, que surge encimada por um baixo-relevo em calcário com as armas da cidade. De fachada simples, destaca-se o seu remate invulgar "em quilha", à semelhança de um frontão de igreja em forma de arco abatido, coroado por uma cruz, cuja peanha evidencia o ano de 1735, data provável da reconstrução que lhe deu o aspecto actual. (fonte(s): cm-lisboa.pt; igespar.pt)

Chafariz da Fonte Santa [s.d.]
Rua Possidónio da Silva
Autor não identificado, in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 28 July 2015

Jardim Zoológico de Lisboa

Inaugurado em 1884, o Jardim Zoológico de Lisboa foi o primeiro parque com fauna e flora da Península Ibérica. Foram vários os seus fundadores - Dr. Pedro Van Der Laan, José Thomaz Sousa Martins e o Barão de Kessler — que contaram com o apoio de várias personalidades, o Rei D. Fernando II e o zoólogo José Vicente Barboza do Bocage.
As primeiras instalações situaram-se no Parque de José Maria Eugénio de Almeida, à Palhavã, que foi cedido gratuitamente pelos seus proprietários.

Jardim Zoológico de Lisboa, entrada  Estr. de Benfica  [1905]
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Jardim Zoológico de Lisboa, Estr. de Benfica [c. 1907]
Os «almanjarras» ou «aventesmas», carros eléctricos abertos de 12 bancos, saíram de circulação até 1955. 
Fotógrafo não identificado,foto colorida in Lisboa de Antigamente
 
A 28 de maio de 1905, foram inauguradas as novas e definitivas instalações na Quinta das Laranjeiras. No dia 12 de Março de 1913, o Jardim Zoológico foi declarado Instituição de Utilidade Pública.

Jardim Zoológico de Lisboa [195-]
O busto de bronze - que se vê ao centro da alameda - é de Manuel Emídio da Silva, (Benemérito Amigo do Jardim Zoológico) da autoria do escultor Anjos Teixeira, filho. Inaugurado em 1937.
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

As inúmeras remessas de animais vindos de África e do Brasil contribuíram para que, ao longo dos anos, o Jardim Zoológico tivesse uma das colecções de animais mais vastas e diversificadas do mundo.
Destacaram-se, na realidade, alguns governadores das ex-províncias ultramarinas no contributo para o enriquecimento da colecção zoológica com exemplares de espécies exóticas, pouco conhecidas e muito atractivas.
Em 1952, a Câmara Municipal de Lisboa galardoou o Jardim Zoológico com a Medalha de Ouro da Cidade. (in zoo.pt)

Jardim Zoológico de Lisboa [1959]
Recinto dos elefantes
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Monday, 27 July 2015

Rua Nova do Carvalho

Carvalho (Beco do) — Ou Rua Nova do Carvalho. Anteriormente ao terramoto de 1755, havia na freguesia de S. Paulo um beco denominado «da Carvalha».¹ Corria na direcção N. S., e ficava «entre a rua direita de S. Paulo e a da Praia [de S.Paulo?]». Tinha de comprimento 79 varas, 2 p. e 7/10, e de largura 2 varas, 4 p. e 9/10 [vd. N. do A.]. É provável reminiscência desta denominação transmudado o género, a da actual «Rua Nova do Carvalho», a qual, conquanto lançada na orientação oposta, deve avizinhar o poiso do antigo beco referido.
¹ «Que antigamente chamavam do Varão» , diz Carvalho da Costa [1712].
(BRITO, Gomes de) Ruas de Lisboa. Notas para a história das vias públicas, 1935)

N. do A. A «vara» correspondia a 110cm e o «pé» a 0.33cm.

Rua Nova do Carvalho, lado nascente.|c. 1940|
Denominado Arco Pequeno, sendo  o Arco Grande o da Rua de S. Paulo; Rua do Alecrim
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
 
A Rua Nova do Carvalho, que liga a Travessa do Corpo Santo à Praça de São Paulo, na zona do Cais do Sodré, tal como a Travessa do Carvalho, evoca a família do Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo, responsável político pela reconstrução de Lisboa após o Terramoto de 1755 e, sobretudo o seu irmão Paulo de Carvalho e Mendonça.
O plano urbanístico de Pombal resolveu a forte inclinação da vertente da Rua do Alecrim, prolongando-a numa espécie de ponte em dois grandes arcos sobre a Rua de São Paulo e a Rua Nova do Carvalho e, este projecto mereceu especial atenção do Marquês de Pombal (1699-1782) que encarregou o seu irmão Paulo de Carvalho e Mendonça (1702-1770), que foi Monsenhor da Patriarcal de Lisboa, Inquisidor-mor e Presidente do Senado da Câmara (1764), da administração das obras da Praça, a par de outras obras de primeira importância para a cidade, como os Paços do Concelho, o Depósito Público e o Cais da Ribeira.
 
Rua Nova do Carvalho, lado poente.|c. 1947|
Denominado Arco Pequeno, sendo  o Arco Grande o da Rua de S. Paulo; Rua do Alecrim
Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Para que a Rua do Alecrim descesse até à margem do Tejo e obtivesse assim uma formosa entrada — diz Pinho Leal no seu Portugal antigo e moderno — , foi preciso ao insigne arquitecto da nova Lisboa, Eugénio dos Santos Carvalho, vencer a grande dificuldade que lhe apresentava o terreno, na quebrada do Sul da rua.
Para isto concebeu, desenhou e executou arco (viaduto) que passa sobre a Rua de S. Paulo, por cuja circunstância se lhe deu o nome de Arco de S. Paulo (ou Arco Grande). Este arco, de ponto abatido e a ponte toda obliqua, a sua solidez e elegância, constituem esta obra um primor de arte neste género.
Pouco mais abaixo deste arco, há outro (denominado Arco Pequeno) que dá passagem à rua inferior (Nova do Carvalho). Estes arcos tinham primeiramente as guardas feitas de parede: hoje têm boas e solidas grades de ferro.
(PINHO LEAL, Augusto Soares de Azevedo de, Portugal antigo e moderno, 1874)

Chafariz da Estr. das Garridas

A Estr. das Garridas — encravada entre a rua República Peruana e a Estrada de Benfica — ainda existe,  perdida no meio da densa floresta de betão que brotou da terra naquele antigo bairro de Lisboa. O chafariz localizar-se-ia aqui a escassas centenas de metros da igreja de Nossa Senhora do Amparo.

Estr. das Garridas [Início séc. XX]
Sabendo-se que existiu no local uma Quinta das Garridas pode-se colocar a hipótese de derivar desta a origem do topónimo.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente


Sunday, 26 July 2015

Igreja de S. Jorge de Arroios

Esta igreja terá sido erguida entre 1820-1828, depois da anterior ter ficado destruída pelo sismo de 1 de Novembro de 1755. Foi demolida por volta de 1970. Eis como a descreve o mestre Norberto de Araújo nas suas «Peregrinações em Lisboa»:
   "Na sua simplicidade, fachada banal com uma única porta e com três janelas envidaraçadas, tudo liso, apenas com um apontamento arquitectónico nas pilastras de ordem jónica —  é esta a Igreja de S. Jorge de Arroios. Podemos fazer-lhe uma pequena visita.
   S. Jorge de Arroios é uma das mais pobres igrejas de Lisboa embora, cheia de claridade, e — simpática. Possue uma única nave. Ostenta quatro capelas laterais: do lado esquerdo, a começar da entrada do templo, a primeira capela é de S. Miguel, N.ª S.ª do Carmo e N. S. do Perpétuo Socôrro, e a segunda (antiga do Santíssimo) é do Senhor dos Passos e de N.ª S.ª das Dôres; do lado direito as capelas são do Sagrado Coração de Maria e de Santa Terezinha, a primeira, e do Sagrado Coração de Jesus e Santa Cecília, a segunda. Nos topos há os altares pequenos de Santo António e de N.ª S.ª de Fátima.
A capela-mór guarda hoje o Santíssimo no centro do altar, e sôbre ela a imagem, tão graciosa, embora sem valor artístico, de S. Jorge; aos lados N.ª S.ª da Conceição e S. José.
   O grande interesse da Igreja é, porém, o Cruzeiro — considerado monumento nacional."

Igreja de S. Jorge de Arroios |Início séc. XX|
Confluência da Rua Carlos José Barreiros (1916), antiga Estr. das Amoreiras e Rua de Arroios/R. Alves Torgo (1925), antiga Estr. de Sacavém.

José A. Bárcia,  in Lisboa de Antigamente

O padrão-cruzeiro é uma homenagem de D. João III e do senado da Câmara à memória da Rainha Santa Isabel, medianeira das pazes entre D. Afonso IV e D. Dinis prestes a entrarem em batalha no campo de Alvalade. É obra dum escultor portuense cujo nome se perdeu e apresenta numa face Cristo Crucificado; na outra, N. Senhora da Piedade com Jesus descido da Cruz no regaço e, por baixo, S. Vicente segurando a nau e os corvos numa mão e a palma do martírio na outra. Foi primeiramente erigido no largo, resguardado por uma cobertura em pirâmide assente em quatro pilares de cantaria, donde foi retirado em 1837. 
Em 1895 a paroquial de S. Jorge de Arroios recebeu obras e o cruzeiro passou da sacristia para o adro coberto da igreja de Arroios.

Cruzeiro da igreja de São Jorge de Arroios |Início séc. XX|
José A. Bárcia,  
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa,  vol. IV, p. 84, 1938.

Rua da Esperança

«Esta Rua da Esperança, com carácter bairrista, despido de pitoresco, mas expressivo - e que deve seu nome ao nobre Convento da Esperança [...] foi reconstruída depois do Terramoto; dela saem, pelo lado Norte, agora à nossa esquerda, a Calçada do Castelo Picão, a Travessa das Izabéis, e a Travessa do Pasteleiro, bizarras e populares, que vão dar ao coração da Madragoa, e pelo lado Sul a já citada Travessa dos Barbadinhos». (ARAÚJO,Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, p. 22, 1938)
Artéria anterior ao Terramoto de 1755, já que depois deste foi aberta a Calçada Marquês de Abrantes para descongestionar o trânsito que se fazia então pela Rua da Esperança.

Rua da Esperança [Início do séc. XX]
O n.º 46 corresponderá à loja de alfaiate que ali se vê à esquerda. Segue-se a Tv. do Pasteleiro e, ao fundo, a Avenida Dom Carlos I. Boa parte destes prédios ainda lá estão.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
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