Sunday, 18 August 2019

Rua Andrade

O Bairro Andrade — diz Norberto de Araújo — foi aqui a grande primeira nota de urbanismo, entre campos e lugares aprazíveis; fundou-o um proprietário de terrenos locais, o qual, concedida a autorização municipal, o rasgou em xadrez regular, pondo às ruas os nomes das senhoras de sua família; leva pouco mais que quarenta anos [finais séc. XIX].


A Rua Andrade foi atribuída por deliberação camarária de 10 de Novembro de 1892, confirmada pela presidência da Câmara em 30 de Janeiro de 1893, a qual atribuiu também na mesma área os seguintes topónimos: Rua Maria Andrade, Rua Maria, Rua Palmira e Rua Antónia Andrade, no arruamento que ligava o Caminho do Forno do Tijolo com a Rua Maria.

Rua Andrade [1960]
Esquina com a Av. Almirante Reis; em frente à 'Leitaria Bijou' — antiga Farmácia Bezelga; do lado esquerdo da foto ficava o antigo Cinema Lys.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Das actas das sessões da Comissão Municipal no ano de 1892, pode ler-se o seguinte sobre o dia 10 de Novembro de 1892:
«De Manuel Gonçalves Pereira d'Andrade, proprietário do 'Bairro Andrade', cujas ruas estão na posse da Câmara, pedindo que n'ellas sejam conservados os nomes que indica.
Deferido, com a alteração de Rua Antónia Andrade em vez de Rua Maria Antónia».
Daqui se pode inferir que a Rua Andrade recolhe a sua denominação do proprietário do Bairro Andrade e as restantes ruas do bairro, também indicadas pelo proprietário serão provavelmente de familiares — quiçá mulheres e filhas — do proprietário do Bairro Andrade.

Rua Andrade junto à Rua Palmira [1960]
Vendedeira de quinquilharia
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no amL.
Rua Andrade, 55 [1960]
Vendedor ambulante de fruta
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no amL.

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 15, 1938.
cm-lisboa.pt.

Friday, 16 August 2019

Calçada do Conde de Pombeiro

Tem esta designação por aqui se situar o Palácio dos Condes de Pombeiro. A Rainha D. Catarina de Bragança para erguer o seu Paço da Bemposta, comprou neste sítio e em Santa Bárbara vários terrenos, dos quais, por lhe sobrarem, cedeu vários pedaços a pessoas amigas, e um deles, no actual Largo do Conde de Pombeiro, à sua camarista D. Luísa Ponce de Leão, para que esta pudesse ir viver para perto de si. D. Luísa era casada com o 1.º Conde de Pombeiro e foi um seu neto, o 3º conde deste título que veio a edificar aí um palácio conhecido pela Bempostinha e que o Terramoto de 1755 arruinou. [cm-lisboa.pt]

Calçada do Conde de Pombeiro com a Rua dos Anjos |1907|
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 14 August 2019

Grande Hotel d'Inglaterra

lnstalara-se o Grande Hotel de Inglaterra no vasto prédio a esquina da Rua do Jardim do Regedor para os Restauradores, com a sua sala de jantar de estilo D. João V, como o salão de visitas. Foi inaugurado em 15 de Abril de 1906, por ocasião do décimo quinto Congresso de Medicina, que se realizou na capital. Era proprietário do hotel o senhor Abel de Barros, também dono da Pension Hotel, da Rua da Glória, centro de hospedagem preferido pelos portugueses que regressavam do Brasil. No novo estabelecimento havia pessoal português, inglês, alemão e francês.

Grande Hotel de Inglaterra |1912|
Praça dos Restauradores e Rua Primeiro de Dezembro (antiga do Príncipe)

Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

No prédio do lado oposto [da Rua 1.º de Dezembro], esquina da Rua do Jardim do Regedor — recorda Norberto de Araújo — , existiu até 1936 o Hotel de Inglaterra, que teve categoria. A Companhia, proprietária do Avenida Palace, comprou então o prédio para construir um grande Hotel, mas, como surgissem dificuldades, desfez-se do imóvel, o qual foi em 1937 adquirido pela «Ribatejana», sociedade de comércio agrícola; do Hotel novo, ou da reabertura do Hotel de Inglaterra, mais se não falou.

Grande Hotel de Inglaterra |1910|
Praça dos Restauradores e Rua Primeiro de Dezembro (antiga do Príncipe)

«Funeral do almirante Cândido dos Reis e do doutor Miguel Bombarda (1910-10-16)»
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
 

GRANDE HOTEL DE INGLATERRA Praça dos Restauradores, 53 O mais central da capital Todo conforto, aquecimento central Agua corrente quente e fria, em todos os quartos Linda vista da Avenida da Liberdade PREÇOS MODERADOS Optimo serviço de cosinha.
(Roteiro ilustrado de Lisboa e arredores. Ed. do Guia de Portugal Artístico, Lisboa, 1935)

 



A parte decorativa das salas e dos quartos foi dirigida pelo sr. Augusto Pina, um consumado artista no Género como se pode pelo gosto com que decorou a sala de entrada como se pode ver pelo gosto com que decorou a sala de entrada em estylo Luiz XV e a sala de visitas no mesmo estylo, o gabinete de leitura, em estylo imperio, a grande sala de jantar que podemos classificar epoca. D. João V, onde se vêem lindos panneaux em tons suavissimos, pintura do sr Antonio Baeta, entre os apainelados de molduras em graciosos relevos, sobresaindo das paredes, classicas cariátides, obra do sr. Pina. Ao fundo d'esta sala ha uns bellos vitraes com pinturas, trabalho do atelier. Julio.
O quarto Luiz XV que se encontra no 3.º andar é tambem bellamente decorado, sendo digno de apreço o seu mobiliario e tapeçarias, assim como um outro quarto decorado em estylo Arte Nova.
Todos os pavimentos são cobertos por oleados ingleses de lindo gosto, vindos expressamente de Londres, assim como as tapeçarias vieram de Paris.
O estabelecimento do Grande Hotel d'Inglaterra sob os pontos de vista d'arte, hygiene e commodidade, é um grande melhoramento para a nossa capital. (O Occidente: 1906)

Grande Hotel de Inglaterra |1933|
Praça dos Restauradores e Rua Primeiro de Dezembro (antiga do Príncipe)

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. A inauguração fez-se no dia 15 de Abril de 1906, tendo sido tomados todos os quartos para alojamento de uma parte dos congressistas estrangeiros, que em numero superior a dois mil vieram a Lisboa tomar parte no XV Congresso de Medicina.
O edifício onde se encontrava o Grande Hotel de Inglaterra foi demolido em 1952.

Grande Hotel de Inglaterra, demolição |1952|
Praça D. João da Câmara e Rua Primeiro de Dezembro (antiga do Príncipe)
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia

MARTINS, Rocha, Lisboa: História das suas Glórias e Catástrofes, 1947.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p.  15, 1939.

O Occidente: 1906.

Sunday, 11 August 2019

Mercados do Poço dos Mouros e de Arroios

Construído em 1942 pela “Sociedade de Construções Amadeu Gaudêncio” e projectado pelo arquitecto Luiz Benavente, o Mercado de Arroios veio substituir o antigo Mercado do Poço dos Mouros considerado anti-higiénico — ou mesmo "infecto" —, no dizer de alguns.

Classificado inicialmente como mercado retalhista, mais tarde desempenhou as funções de mercado abastecedor de legumes, passando á categoria de mercado misto:
“Dispunha de 31 lojas destinadas a talhos, salsicharias, venda de frutas, lacticínios, etc., e de 300 lugares de venda. No subsolo foram instalados um matadouro de aves, tulhas, cantinas e frigoríficos, para carne, peixe, caça, aves, frutas, hortaliças. Aqui também existem lavabos e chuveiros para utilização dos vendedores, público e pessoal; arrecadação para produtos e vestuários dos vendedores, devidamente numerados e uma cantina.” [Leite: 2012]

Mercado do Poço dos Mouros, inaugurado em 1927 |1927-06-20|
Rua Morais Soares com a Rua Carvalho Araújo (antiga Azinhaga do Areeiro)

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Mercado do Poço dos Mouros, inaugurado em 1927 |1939|
Rua Morais Soares com a Rua Carvalho Araújo (antiga Azinhaga do Areeiro)

Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O Mercado de Arroios situa-se entre as ruas Carlos Mardel e Ângela Pinto. Com projecto do arquitecto Luís Benavente, datado de 1942, destinou-se a servir um dos bairros então em maior expansão demográfica da capital: o que ligava a cidade da viragem para o século XX (em torno de Arroios) com as novas áreas em redor da Fonte Luminosa e do Bairro dos Actores. Implanta-se na principal praça deste último bairro, dominando funcionalmente este segmento urbanístico a ponto de determinar a equipamentos comerciais nas ruas adjacentes. A partir da década de 1980, e à semelhança de muitos outros mercados tradicionais, entrou em decadência progressiva, ameaçado pelas grandes superfícies comerciais e pela redução drástica de produção local em torno de Lisboa, facilitada pelo avanço dos subúrbios e pela conversão profissional de largas faixas da população. Permanece, todavia, como um dos mercados de referência da zona oriental.


Mercado de Arroios |194-|
Rua Ângela Pinto
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O edifício segue uma planta centralizada, cujos lados são organizados uniformemente em alçados de quatro pisos, progressivamente mais pequenos à medida que se aproxima a cobertura. O registo térreo é formado por grandes arcadas de lintel recto, cobertas por superfícies de vidro que formam montras de estabelecimentos comerciais do interior. Quatro delas (abertas segundo os pontos cardeais) são as entradas principais, encimadas axialmente por brasões municipais. Os panos do segundo piso são rasgados por conjuntos de cinco janelões, solução que se repete nos dois últimos pisos, embora recorrendo a vãos mais pequenos.
O interior possui dois pisos, fazendo-se a ligação através de escadarias na quadra central. Aqui, no piso inferior, dispunham-se originalmente as floristas, enquanto as vendedoras de verduras e de frutas ocupavam a grande galeria circular junto às portas. O andar superior era reservado ao comércio de peixe. ~
[ALMEIDA, Álvaro Duarte de, Portugal património: Lisboa, 2007]

Mercado de Arroios |1942|
Rua Ângela Pinto
in Revista municipal Lisboa

Depois de dois anos de obras de requalificação e cerca de um milhão de euros depois, o Mercado de Arroios reabriu em 2017 apresentado à freguesia de cara lavada. Os postos de venda foram remodelados, o pavimento substituído e o interior pintado. Há uma nova rede de águas e melhorias na mobilidade (rampas e novos elevadores). O final desta requalificação acontece no ano em que se celebra o 75º aniversário da construção do mercado, classificado nos anos 80 como edifício com interesse cultural.
___________________
Bibliografia
cm-lisboa.pt.
Revista municipal Lisboa, 1941.

Friday, 9 August 2019

Lançamento da 1ª Pedra para o monumento ao Dr. António José de Almeida

Recorda-nos o olisipógrafo Norberto Araújo que « O monumento ao Dr. António José de Almeida foi levado a efeito por iniciativa do então director do «Diário de Notícias» Eduardo Schwalbach; a subscrição pública abriu-se dois dias depois da morte do antigo presidente da República, sucedida em 30 de Outubro de 1929.

Avenida da República [1 de Fevereiro de 1932]
Cerimónia do lançamento da 1ª Pedra para o monumento ao Dr. António José de Almeida, 6º Presidente da República (1919–1923), na presença do Chefe de Estado Óscar Carmona.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O primeiro local escolhido para o monumento foi o cruzamento das Avenidas da República e Miguel Bombarda, no qual se chegou a colocar a primeira pedra em 1 de Fevereiro de 1932.

N.B. Por iniciativa do Governo, a localização definitiva para o monumento viria a ser a Praça onde convergem a Avenida Miguel Bombarda e a Avenida António José de Almeida, tendo sido inaugurado a 31 de Dezembro de 1932.

Avenida da República [1 de Fevereiro de 1932]
Sessão solene do lançamento da 1ª Pedra para o monumento ao Dr. António José de Almeida, 6º Presidente da República (1919–1923), na presença do Chefe de Estado Óscar Carmona.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 74, 1939.

Wednesday, 7 August 2019

Beco dos Cortumes

Nesta Travessa [do Terreiro do Trigo] se abre, à esquerda, descendo, uma das curiosidades autênticas da Alfama: o Beco dos Cortumes. Aí o temos, Dilecto. Eis-nos em- plena Alfama medieval.


Como é possível isto, através das desfigurações do tempo e da fortuna, no pobre urbanismo bairrista?  — questiona o ilustre Norberto de Araújo. Como encontramos hoje, e já tão perto da larga Rua do Terreiro do Trigo, este espécime raro era toda a Lisboa, que mais parece cousa de estampa antiga, arrancada a uma arca de erudito deão da Sé, do que água-forte viva em século de vintena?

Beco dos Cortumes, visto de dentro |1924|
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Pois está aqui, pitoresco e  sombrio, até mais não poder ser. É um enfiamento curto, sem saída, morrendo nas traseiras dos prédios do Chafariz de Dentro, para onde em tempos teria passagem.
Não é do mais belo, mas é do mais «repassado» de tôda a Alfama: chamemos-lhe viela, alfurja, beco ou betesga, mas não chega a ser nada disso; pois nem tem quási sinal de gente. Entremos. 

Entrada para o Beco dos Cortumes, visto de fora |1947|
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Arcos curtos, passadiços ligando prédios esquisitos que já lhe não pertencem, janelas de madeira, baixos de armazéns gradeados de frestas, como na Rua das Canastras e do Almargem à Ribeira Velha — um misto de reentrância exterior de cárcere e de recanto de burgo seiscentista — , este Beco dos Cortumes é uma pequena água-forte.

Beco dos Cortumes, visto de dentro [1925]
Alfredo Roque Gameiro. Lisboa Velha. Aguarela
 
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 65, 1939.

Sunday, 4 August 2019

Rua Braamcamp, 3A-B esquina com a Rua Duque de Palmela, 35-37 (actualizado)

Edifício para habitação destinado a Emílio Leguori, construído por Augusto Carlos da Cunha, a partir de um projecto do arquitecto Ventura Terra (1902).
Este edifício foi desenhado de uma forma simétrica, nos seus aspectos relacionados com a métrica de vãos e desenho de varandas. Duas faixas de azulejo, no topo e ao nível do piso térreo, conferem-lhe horizontalidade em contraponto com a verticalidade dos vãos. A zona de esquina é marcada exteriormente por três varandas sobrepostas, unidas por um pano de marquise em dois níveis na continuidade e largura do vão principal constituído pela entrada e respectivo desenho em pedra.

Edifício na Rua Braamcamp, 3A-B esquina com a Rua Duque de Palmela, 35-37 [c. 1910]
Prédio de Rendimento, construido em 1902, foi residência de Afonso Costa [vd. N.B.]; em 1972 foi ocupado pelo jornal «Expresso»; ao fundo vê-se o palacete «Casa da Cerâmica».
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Uma proposta de 1940, tendo em vista retirar os envidraçados das marquises por se encontrarem em mau estado, não foi aceite por parte da Câmara, apesar de um primeiro parecer estar de acordo com a supressão dos mesmos, já que "em nada afectaria a expressão arquitectónica do edifício em questão, que segundo se julga só lucrará com essa circunstância", refere o texto da proposta. 
A necessidade de realizar obras por parte de um novo proprietário, a partir de 1940, levou a que o mesmo se dirigisse à Câmara solicitando a sua anulação relativamente ao interior das habitações. Curiosamente, refere o proprietário que "as rendas são antiquíssimas e de reduzido valor, para habitações de dezoito amplíssimas divisões, todas elas habitadas por gente rica. (...) Presentemente encontro-me exausto de recursos por muito tempo assim permanecerei, por os encargos dos empréstimos que contraí me absorverem todas as economias que venha fazer. Não seria justo que, para beneficiar inquilinos ricos, satisfeitos com a sua habitação, fosse obrigado a fazer obras desnecessárias, gastando nelas dinheiro que não tenho, forçando-me a usar novamente o crédito,aumentando mais os encargos, já neste momento preocupante, pelo seu montante". 

Edifício sito na Rua Braamcamp, 3A-B esquina com a Rua Duque de Palmela, 35-37 [1917]
Prédio de Rendimento, construido em 1902, foi residência de Afonso Costa [vd. N.B.]; em 1972 foi ocupado pelo jornal «Expresso»; manifestação.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Em 1946, foram substituídas as marquises de ferro, que se encontravam em ruína, para outras construídas em estrutura de betão [vd. última imagem]. Este projecto foi assinado pelo arquitecto Norte Júnior e pelo engenheiro Francisco Ventura Rego.
Em 1972, a Sojornal, proprietária do jornal Expresso, instala-se neste edifício, ocupando-o na totalidade. Em 1990, esta sociedade solicita uma remodelação do imóvel, com ampliação em altura, construção de 4 caves para estacionamento e conservação da fachada. O projecto foi reprovado pela Câmara Municipal em função dos planos urbanísticos em vigor para a zona e do estudo volumétrico do quarteirão, aprovado em 1980. Apesar do protesto do interessado, com base em pareceres jurídicos, a obra nunca se concretizou.

Rua Braamcamp vista da Praça do Marquês de Pombal [194-]
Prédio de Rendimento, construido em 1902, foi residência de Afonso Costa; em 1972 foi ocupado pelo jornal «Expresso».
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

N.B. Afonso Costa (1871-1937) foi Presidente do Conselho de Ministro, ministro, dirigente do Partido Republicano e do Partido Democrático.
Em Outubro de 1910, um levantamento popular conseguiu implantar a República, não tendo havido uma resposta determinada do Exército. Formou-se um Governo provisório chefiado por Teófilo Braga, tentando impor um regimento com apoios unicamente na população urbana num país rural. Afonso Costa ficou com a pasta da Justiça: fez uma revolução num ministério que primava pela discrição. Iniciou reformas claramente anti-clericais, que contribuíram para o aumento da impopularidade do novo regime junto da população e da ala conservadora do republicanismo. Mas o ministro da Justiça e dos Cultos não cedeu às pressões e continuou com a política de afirmação dos valores laicos da República e de separação do Estado das igrejas, instituindo também o registo civil obrigatório.  
 
Edifício na Rua Braamcamp, 3A-B esquina com a Rua Duque de Palmela, 35-37 [1961]
Observam-se as novas marquises em betão construidas em 1946. Em 1972 albergou o semanário «Expresso».
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
MANGORRINHA, Jorge, Arquitecturas de esquina em Lisboa, 2014.

Friday, 2 August 2019

Quiosque do Arco do Cego

Se quisermos compreender facilmente o seu nascimento, teremos de analisar primeiro a proveniência do termo quiosque. Originado do francês kiosque, derivou por sua vez do turco kiouchk, que quer significar "nádegas", talvez pela posição que as pessoas adquirem em redor dele. É provavelmente por isso que, em gíria, quando pretendemos que alguém se afaste de nós, ainda ouvimos dizer: "chega-me para lá esse quiosque!”.

Estrutura
Base de alvenaria, quadrangular. Balcão alto com janelas corridas, encimadas em semicírculo de vidro opaco. Cúpula aos gomos quadrangulares, com bordo trabalhado.
 
Particularidades
Particular. Muito concorrido. Parece ter sido demolido em 1974 ou 1975.

Quiosque do Arco do Cego [1940]
Avenida Duque de Ávila
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. A Estação do Arco do Cego da Carris, funcionou como recolha de eléctricos da empresa. Mais tarde, albergou um terminal de autocarros de longo-curso e serve agora como parque de estacionamento. Junto a este edifício encontra-se o Jardim do Arco do Cego.

Quiosque do Arco do Cego [1960]
Avenida Duque de Ávila
Artur João Goulart, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia 

CAEIRO, Baltazar Mexia de Matos, Os quiosques de Lisboa, 1987.

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