Wednesday, 24 August 2016

Palácio Caldas

Recorda-nos o olisipógrafo Norberto de Araújo nas suas Peregrinações que «A origem do dístico "Caldas" procede dêste grande edifício, na nossa frente para nascente, cuja fachada deita para o largo entre o Chão do Loureiro e a Rua de S. Mamede, e que foi levantado no terceiro quartel do século do Terramoto por João e Luís Rodrigues Caldas, homens abastados do sítio. (...) 
   Por divagação, quero dizer-te, Dilecto, que êste sitio teve outras designações. Antes de "Caldas" se chamou algum tempo "Praça da Bela Vista", e anteriormente, um pouco antes do Terramoto, "Largo do Conde de S. Vicente", titular que por meados do século XVIII aqui perto teve prédios e casa sua. O nome histórico do sítio, e mais recuado, foi, porém, o de "Terreirinho do Ximenes". É que no local, onde depois do Terramoto assentou o prédio Caldas, possuía no comêço do século XVII, casas, chãos, e certamente moradia, uma opulenta família Ximenes, que de Castela, em 1476, tinha vindo para Portugal. Foi depois de 1755 que um Rodrigo Caetano Ximenes Pereira Coutinho Barriga e Veiga deu de aforamento ao citado João Rodrigues Caldas os terrenos onde êste edificou seu palácio.
   A designação "Largo do Caldas" data, pelo menos, de 1874e dura há século e meio. Não deve ter perdurado menos a denominação antiga de Terreirinho (ou Terreiro) do Ximenes.» [1]

Palácio Caldas [c. 1940]
Antigo Largo do Caldas; Largo Adelino Amaro da Costa, 2-7;
Rua de São Mamede; Rua do Chão do Loureiro, 8-18
Eduardo Portugal, in AML

Traduzindo uma arquitectura residencial, pombalina, este palácio urbano pós-terramoto, foi edificado por iniciativa dos irmãos Rodrigues Caldas, entre 1765 e 1775, no local onde anteriormente ao terramoto se erguera o Palácio dos Ximenes. Apresenta planta em L irregular, articulada em redor de pátio rectangular, com capela no seu extremo NE, edificada em 1766 sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, característica do final do rococó. De concepção arquitectónica bastante simples e despojada, o edifício surge estruturado em quatro pisos e três frentes, com alçados animados pela abertura de vãos de tratamento simples, a ritmo regular, articulados, ao nível do último piso, com varanda corrida contígua a toda a frente do imóvel. No interior merece destaque o conjunto azulejar de alguma diversidade.

Palácio Caldas [1968]
Antigo Largo do Caldas; Largo Adelino Amaro da Costa, 2-7; Rua de São Mamede;
Rua do Chão do Loureiro, 8-18
Armando Serôdio, in AML

Em 22 de Dezembro de 1980, uma proposta dos vereadores da Aliança Democrática foi aprovada na Câmara, por maioria, no sentido de serem atribuídos os nomes de Adelino Amaro da Costa e o de Francisco Sá Carneiro a artérias de Lisboa. A Comissão de Toponímia em 13 de Janeiro de 1981 sugeriu para o efeito as duas alamedas interiores do Campo Grande.
E foi o então Vereador da Cultura, Dr. João Martins Vieira que designou o antigo Largo do Caldas, onde se encontra a sede do CDS/PP para se homenagear Adelino Amaro da Costa (Lisboa/18/04/1943- 04-12-1980/Camarate), licenciado em Engenharia Civil pela Universidade Técnica de Lisboa que com Freitas do Amaral foi um dos fundadores do C.D.S.- Centro Democrático Social.
Foi presidente do grupo parlamentar do CDS, Ministro de Defesa no Governo presidido por Sá Carneiro e faleceu vítima do desastre de aviação, quando ambos se deslocavam ao Porto para um comício de campanha eleitoral. [2]

 Bibliografia:
[1] (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa,, vol. II, pp. 12-13)
[2] (cm-lisboa.pt)

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