terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Real Colégio Militar

Desde o seu nascimento o Colégio Militar esteve instalado em diversos locais ao longo de toda a sua vida. Inicialmente, foi seu berço a Feitoria (Oeiras), de 1803 a 1813. Por portaria de 1814 o Colégio é transferido para o edifício do Hospital de Nossa Senhora dos Prazeres, na Luz, com a designação de Real Colégio Militar, onde permanece até 1835. Depois passa para a extinta Congregação dos Missionários, denominada de Rilhafóles (o efectivo havia sofrido um aumento substancial, nesta altura), onde esteve de 1835 a 1848. Em 1848 é transferido para Mafra onde fica até 1859. Novamente na Luz até 1870, volta a Mafra até 1873, ano em que regressa para a Luz, onde se tem mantido até aos nossos dias.

Colégio Militar [séc. XIX]
Largo da Luz

António Novais, in AML

O edifício em que está instalado o Colégio Militar tem sofrido várias modificações e ampliações que transformaram um pouco a primitiva traça interior, de que conserva, porém, as linhas gerais. Com a frente voltada para o norte, na qual se notam a  Cruz de Cristo, uma imagem da Virgem e uma inscrição latina, por baixo do escudo de armas da infanta D. Maria, onde se refere o primitivo destino do edifício.

Colégio Militar [1932]
Largo da Luz

Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

O nicho existente no pano de muro localizado no corpo e eixo do alçado principal, apresenta-se inteiramente trabalhado com nuvens, querubins e resplendor raiado, envolvendo representação escultórica de Nossa Senhora dos Prazeres sobre peanha.

Ginástica sueca, executada pelos alunos do Colégio Militar no dia da sua festa [21-6-1927]
Largo da Luz

Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

domingo, 15 de janeiro de 2017

Monumento a Cristo Rei

Erguido 215 metros acima do nível do mar e oferecendo uma panorâmica de 360 graus sobre as duas margens do Rio Tejo, o Cristo Rei é um dos pontos de visita obrigatória, um monumento indissociável da imagem de Almada. 
Inaugurado no dia 17 de Maio 1959, o Cristo Rei foi construído como agradecimento por Portugal não ter entrado na II Guerra Mundial.
O arq.º António Lino e o eng.º D. Francisco de Mello e Castro assinaram este monumento, que depois de construído foi esculpido à mão num trabalho de minúcia, desenvolvido a mais de cem metros do chão, da responsabilidade do mestre Francisco Franco. Até as barbas de Jesus Cristo foram suavemente esculpidas no seu rosto.

Panorâmica sobre a zona da portagem da Ponte 25 de Abril [1967]
Artur Inácio Bastos, in Arquivo Municipal Lisboa

Na base do monumento está a capela de Nª. Sr.ª. da Paz, onde se destaca a Imagem de Nossa Senhora de Fátima, criada pelo famoso escultor Leopoldo de Almeida.
Na entrada do recinto existe um edifício de acolhimento, em frente ergue-se a estátua do Redentor, voltado para Lisboa por uma razão simbólica: ao estar de braços abertos para a capital, todo o mundo português estaria dentro do abraço de Deus.
Na sua construção foram utilizadas 40 mil toneladas de betão armado e custou aos fiéis mais de 100 mil euros. 

Bibliografia
(m-almada.pt)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

As «velhas tílias do Camões»

Mas olha-me esta Praça, Dilecto, e o enfiamento do Chiado: tem a sua graça ingénua alfacinha, e uma ponta de beleza. (...) Hoje ainda possue uma certa harmonia de conjunto nos edifícios sóbrios e nas árvores que a rodeiam — uma das quais um exemplar de tília, por ventura o mais interessante da Cidade, onde se aninham às tardes os «pardais do Camões», que em revoadas chegam dos campos, num espectáculo bem curioso, de uma ternura de cidade romântica.


Praça de Luís de Camões [ca. 1950]
Poda da tílias
Judah Benoliel, in Arquivo Municipal Lisboa

Praça de Camões?, sabe? — explicava à irmã uma filhinha do Jaime Cortesão — é um grande largo onde está Camões, no meio, a ler versos e à volta os pardais a aplaudi-lo. Sim, à volta nas árvores, e principalmente naquelas duas tílias da esquina do Alecrim, que deviam ser consideradas monumento nacional, árvores na última hora da tarde tão carregadas de vida inocente que fazem parar e sonhar o lisboeta calcinado pela luta e pelo amargor de todos os dias. Árvores que aplaudem Camões e tornam os homens melhores. 

Praça de Luís de Camões [ca. 1950]
Poda da tílias
Judah Benoliel, in Arquivo Municipal Lisboa

Finalmente, em Outubro de 1963, a «formosa Praça recebeu importantes modificações» — recorda-nos Mário Costa —  desapareceram os antigos quiosques com o seu capilé e foram acrescentados novos bancos em pedra lioz da autoria de mestre José Luís Monteiro, «coincidindo esse embelezamento, com o forçoso derrubamento da bela e vetusta tília — a «velha tília do Camões» — , que os muitos anos e a doença fizeram tombarUma guarnição de pinheiros mansos, em pleno crescimento, substitui o perdido exemplar botânico e as suas desventurosas irmãs».

Praça de Luís de Camões [ca. 1950]
Poda da tílias
Judah Benoliel, in Arquivo Municipal Lisboa


Bibliografia:
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, 1938
BRANDÃO, Raul, ANGELINA, Maria, Os pardais de Lisboa. Portugal Pequenino, 1930
COSTA, Mário, O Chiado pitoresco e elegante, 1987

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Mercado de Belém, Rua Vieira Portuense e Tv. da Praça

Os prédios desta Rua Vieira Portuense — a poente do antigo Mercado de Belém e da Tv. da Praça — foram demolidas em 1940. O mercado foi poupado e os prédios a nascente foram «alindados para se integrarem, em 1940, na área da Exposição do Mundo Português.

Travessa da Praça [1939]
Antiga Travessa do Mercado; ao fundo, o antigo Mercado de Belém na Rua Vieira Portuense; os prédios (dir.) desta zona de Belém — onde hoje se encontram os Jardins de Belém — foram demolidos para construção da «Exposição do Mundo Português» de 1940. O mercado foi poupado e «alindado» para se integrar na referida exposição
Eduardo Portugal, in AML

O topónimo homenageia Francisco Vieira (1765-1805), pintor, lente de desenho na Academia do Porto, cognominado «Vieira Portuense», por ter nascido nessa cidade, e para se diferençar doutro seu afamado contemporâneo, conhecido pelo nome de «Vieira Lusitano», por ter nascido em Lisboa.
Figura ímpar, entre os grandes mestres da pintura setecentista, Vieira Portuense é um exemplo a seguir pela persistência da sua actividade artística e pelo estudo aturado que o levou a todos os lugares da Europa onde a arte se sacralizava, e fez dele o maior pintor do Século XVIII, com méritos reconhecidos em Itália, Alemanha e Inglaterra, bem como em Portugal, onde D.João VI o chamou à Corte, nomeando-o primeiro pintor da Real Câmara.

Rua Vieira Portuense  [1939]
Antigas ruas do Cais e da Cadeia; à esquerda, o antigo Mercado de Belém

Eduardo Portugal, in AML

O Mercado de Belém — escreve Norberto de Araújo — inaugurado em 1882, e começado a construir em Junho de 1880, substituiu um outro, que existiu em plena Rua Direita de Belém, até àquêle ano. Foi seu construtor Júlio César Viçoso. Representa um quadrilongo, com portas em cada uma das faces, contendo interiormente dois alpendrados. Nada tem de especial; tempo houve, no seu comêço, em que a chegada do peixe a êste mercado constituía um quadro tipico e animado, faina que hoje [1938] passa despercebida.

Rua Bahuto Gonçalves (hoje Jardins de Belém) [post. 1901]
Ao fundo à esq., o Mercado de Belém; do lado direito, vislumbra-se a
estátua-monumento a Afonso de Albuquerque

Alberto Carlos Lima, in AML


Bibliografia
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa,  vol. IX, pp. 73-74)
(cm-lisboa.pt/toponimia)

domingo, 8 de janeiro de 2017

Largo e Chafariz da Princesa

Este topónimo «da Princesa» tem origem na antiga Quinta da Princesa que existiu no local. Esta quinta era propriedade da Infanta D. Maria Francisca Benedita (1746-1829), irmã da Rainha D. Maria I e princesa do Brasil, pelo seu casamento com o Prínipe D. José, seu sobrinho. Fundou em Runa o Asilo dos Inválidos Militares.

Largo da Princesa [c. 1940]
Chafariz da Princesa

Eduardo Portugal, in AML

A 17 Janeiro de 1850 na sequência de um aviso do marquês de Fronteira, então Governador Civil, sobre a necessidade de se procederem a limpezas no sítio de Pedrouços devido a um surto epidémico, a Câmara de Lisboa ordenou não só as necessárias limpezas mas também a construção de um chafariz, pela necessidade de água potável no local.
Surge assim o Chafariz da Princesa, implantado no centro do Largo da Princesa, nome que se refere à princesa D. Maria Francisca Benedita que possuiu no local uma quinta. O Chafariz foi construído sob responsabilidade camarária com pedraria oferecida pela rainha D. Maria II, a qual era a proprietária do Casal de Paio Calvo onde se localizava a mina que o abastecia.
O projecto deve-se ao arquitecto da Câmara, Malaquias Ferreira Leal, com a colaboração do Mestre Geral das Águas Livres, José Félix da Costa. É inaugurado a 19 de Junho de 1851.

Chafariz da Princesa [s.d.]
Largo da Princesa

Eduardo Portugal?, in AML


Bibliografia
(CORREA DA SILVA, Isabel, SEIXAS, Miguel Metelo de, Belém,  ed. Junta de Freguesia de Sta. Maria de Belém, 2000)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Max Cine: o Piolho do Alto do Pina

O Max-Cine, a elegante sala da Rua Barão de Sabrosa, ao Alto do Pina — noticiava a revista  Cinéfilo em 1931 —, que recentemente inaugurou os seus espectáculos sonoros com vivo e justificado êxito, resolveu, num gesto de simpatia e apreço que muito, nos desvanece, dedicar a todos os leitores e compradores do Cinéfilo as noites das quartas-feiras, concedendo-lhes o importante desconto de cinquenta por cento em todos os lugares.
Nessas noites, os nossos sempre fieis e estimados leitores, que Sê apresentarem na bilheteira, com o cupão que noutro lugar publicamos, beneficiarão do o referido desconto em todos os espectáculos que se realizarem nas mencionadas quartas-feiras. (...)

Rua Barão Sabrosa; Rua Dr. Oliveira Ramos [1927]
Em exibição "A Fera Amansada", filme de Sam Taylor 
com Mary Pickford, Douglas Fairbanks
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

A 14 de Setembro de 1929, o bairro do Alto do Pina vê nascer o Max Cine na Rua Barão de Sabrosa. Projectada pelos engenheiros Jacinto Bettencourt e Deolindo Vieira, era uma sala sóbria mas acolhedora com capacidade para 700 pessoas. Era essencialmente um cinema de reprise que a 1 de Maio de 1968 é adquirido pela Paróquia de São Evangelista passando assim a servir a população de uma forma distinta.

Rua Barão Sabrosa; Rua Dr. Oliveira Ramos [1962]
Arnaldo Madureira. in AML

Bibliografia
(Cinéfilo, Vol. 4, 1931, p. 338)

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Palacete Porto Côvo

Mas continuemos agora — feita esta derivante — a subir S. Domingos. A grande propriedade apalaçada de portal brazonado, e opulência arquitectónica, n.º 37, (...) é da casa dos Condes de Porto Côvo da Bandeira.

Palácio urbano construído no séc. XVIII, entre 1770 e 1790, para Jacinto Fernandes Bandeira, escrivão do Desembargo do Paço e Conselheiro Real, 1º barão de Porto Covo. Manteve-se na família até 1937, data em que o palácio e todo o seu recheio foram leiloados. O edifício principal e os jardins foram adquiridos pelo Estado Britânico, que entre 1941 e 1995 aí instalou a sua embaixada, o recheio artístico foi comprado por particulares e museus públicos e a capela — da invocação de Santo António — foi entregue ao Patriarcado. Traduzindo uma arquitectura civil residencial pombalina, este palácio surge organizado em U, integrando capela como entidade semi-autónoma e tratamento diferenciado ao nível do alçado.
A fachada principal do palácio, voltada a Este, apresenta-se ritmada por pilastras lisas de cantaria e estruturada em dois pisos, destacando-se o remate da zona central por frontão triangular onde se insere uma pedra de armas britânica, que veio substituir a primitiva dos Porto Covo da Bandeira.
No interior, merecem destaque os lambris de azulejos, a pintura ornamental e os estuques de algumas salas do andar nobre. 

Palacete Porto Covo [1944]
Rua de São Domingos, à Lapa, 35-41
Eduardo Portugal, in AML

Bibliografia
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, p. 44, [1938]))
[cm-lisboa.pt]

sábado, 31 de dezembro de 2016

Confeitaria Nacional

1829 — Fundação da Confeitaria Nacional, por Baltasar Rodrigues Castanheiro, situada na Rua da Betesga, então apenas com duas portas. Cerca de 40 anos depois, o filho do fundador, Baltasar Rodrigues Castanheiro Junior, “fez nela importantes melhoramentos”, e inaugurou no primeiro andar “um elegante salão”. Foi também Balthazar Junior que trouxe de França, no séc. XIX, a receita do afamado Bolo-Rei, com base no francês “Gâteau des Rois”.


Em 1872, a Confeitaria Nacional merecia honras de primeira página no Jornal Diário Ilustrado, destacando este estabelecimento como um dos mais “vastos e elegantes  da capital”, fazendo uma resenha do seu historial:
   Em 1829 um comerciante probo, o Sr. Balthazar Rodrigues Castanheiro, fundou esta confeitaria, e tinha então duas portas, e ocupava apenas uma parte das lojas; já n'essa época este estabelecimento era dos primeiros, dos mais bem sortidos, e dos mais acreditados do seu género. 

Confeitaria Nacional [1937]
Praça da Figueira esquina com a Rua dos Correiros

Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

   Não estava nesse tempo, entre nós, tão aperfeiçoado o fabrico de gulodices, ou antes os conventos das freiras quasi monopolisavam as receitas mais especiaes, o que dava em resultado uma concorrencia desvantajosa para a arte de confeiteiro. (...)
   Em 1869 falleceu o fundador do estabelecimento de que nos estamos occupando, e succedeu-lhe seu filho, de egual nome, moço que, a uma educação aprimorada, reune as qualidades que podem tornar distincto um industrial da sua especialidade. Dotado d'aquella perspicacia, que sebe segregar ao commerciante intelligente as suas verdadeiras conveniencias, o sr. Castanheiro emprehendeu e realisou n'esse mesmo anno importantes melhoramentos no seu estabelecimento, que ocupa hoje, além das lojas desde nº 57 e 63, uma grande parte do 1º andar, aonde fundou um elegante salão, com gabinetes explendidos.
   N'este pavimento vende no verão, além de todos os refrescos, vinhos especiaes e pastelaria que ali se encontram durante todo o anno, sorvettes de variadas especies, carapinhadas, soda nevada, e a deliciosa bebida gelada a que os espanhoes chamam chufas.

Confeitaria Nacional, gravura
in Diário Ilustrado, 22 de Dezembro de 1872









   
   A decoração d'este pavimento revella a quem n'elle entra, um bom gosto não vulgar. Uma cascata aonde aqui e ali se destacam conchas, buzios e stalactites de valor; muitos arbustos delicados, em vasinhos de feitios primorosos: bustos em bronze, de personagens historicos, uma elegante mobilia, tudo denuncia um certo bom tom, que, em definitivo, tem ali atrahido as primeiras familias da capital, a quem não foi diffícil comprehender a utilidade de um estabelecimento que em Lisboa é único no seu género.
   É n’este pavimento que o sr. Castanheiro faz hoje uma bonita exhibição de bollos de phantasia, gelados, lampreias, e quanto de mais delicado a sua industria póde produzir, tudo feito nas suas officinas, e destinado a brindes proprios da época; e, como se isto fosse pouco para revellar o quanto procura fazer realçar o seu estabelecimento, uma linda Árvore de Natal, ricamente enfeitada, se ostenta entre aquelles primores de uma arte, que tem por principal missão adoçar a bocca á humanidade.
Em conclusão, o estabelecimento do sr. Balthazar Castanheiro exporta em grande escala para o estrangeiro compotas de todas as qualidades, conservas e fructa christalisada, que fabrica com admiravel perfeição, e bem assim vinhos e licores dos mais especiaes. [1]


Factura da Confeitaria Nacional datada de 1 de de Fevereiro de 1872

Em 1871 foi inaugurada na Confeitaria Nacional a iluminação a gás, do qual se gastaram em Setembro 373 m3 a 60 reis cada, fornecidos pela “Companhia Lisbonense d’Iluminação a Gaz”. Com o aluguer do contador (para 50 luzes), pagou-se nesse mês a “elevada” quantia de 22$980.
O prestígio conquistado entre os lisboetas levou a Confeitaria Nacional, em 1873, a pedir o estatuto de fornecedor da Casa Real Portuguesa, declarando ter “bom crédito e reputação comercial”. O estatuto foi-lhe concedido por alvará do Rei D. Luis I. [2]


Bibliografia
[1] (Diário Ilustrado, 22 de Dezembro de 1872)
[2] (confeitarianacional.com)
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