Friday, 16 November 2018

Avenida da República, 47D-47F: «A Enceradora»

Foi em 1927 na Avenida da República, 47 — paredes-meias com o edifício Prémio Valmor de 1923 — em pleno Centro de Lisboa, que «A Enceradora» iniciou a sua actividade. Na grande Exposição Industrial Portuguesa de 1932 e 1933 foi premiada com a medalha de ouro. Com o sucesso dos produtos, verificou uma forte expansão que levou no início da década de 40 a mudar para novas instalações, na estrada das Laranjeiras, mais adequadas ao elevado nível de produção. Foi também nesse período que se procedeu a uma alteração de Gerência que introduziu técnicas mais avançadas de produção, assim como novos métodos de gestão, que ajudou a empresa a atravessar o período da difícil 2ª Grande Guerra Mundial.

Avenida da República, 47D-47F [1932]
«A Enceradora»
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Wednesday, 14 November 2018

Palácio do Conde Barão de Linhó: a «Casa dos Fantasmas»

Ali tens, contíguo à Escola Machado de Castro — recorda-nos Norberto de Araújo — um palácio, n.° 21-27, hoje [1939] habitado pelo Barão de Linhó, filho do Marquês da Praia, e irmão do falecido Duque de Palmela, e que no cunhal nascente, dentro do pátio nobre, apresenta, um brasão armoriado; é a representação nobre setecentista transfigurada do sítio.

Palácio do Conde Barão de Linhó [c. 1910]
«Casa dos Fantasmas»
Palácio do aéc. XVII sito na Rua Saraiva de Carvalho, 19-29 tornejando para a Rua de Santa Isabel, 91
 
Josshua Benoliel, in AML

Foi esta a famosa Casa dos Fantasmas, onde o povo dizia que andavam «espíritos» à solta, o que deu origem a folhetins e a novelas fáceis.

Palácio do Conde Barão de Linhó [c. 1910]
«Casa dos Fantasmas»
Palácio do aéc. XVII sito na Rua Saraiva de Carvalho, 19-29 tornejando para a Rua de Santa Isabel, 91
 
Josshua Benoliel, in AML

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 64, 1939.

Sunday, 11 November 2018

Rua da Boavista: antigo Instituto Industrial

Hemos chegado novamente à Boa Vista — diz Norberto de Araújo — onde há pedaço estivemos discorrendo àcêrca da Casa da Moeda, e conhecendo tu, Dilecto, a origem do nome do sítio — projecção toponímica do Alto da Boa Vista ou seja do Alto do Belver ou Belveder (Alto de Santa Catarina) — cumpre-me mostrar-te objectivamente o que nos surge deante dos olhos, e muito não será.
Não quero deixar de observar-te que as edificações desta artéria da Boa Vista, do lado Sul, não levam cem anos. [...]

Rua da Boavista [1926-05-10]
Antigo Instituto Industrial (esq.)
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século
Legenda da imagem no arquivo: «A catástrofe da ilha do Faial. O bando precatório na Rua da Boa Vista»

Aí tens o edifício do antigo Instituto Industrial, que fora fundado em 1852, anexando-se-lhe em 1869 o ensino comercial. Foi depois aqui o Instituto Superior Técnico, há meia dúzia de anos instalado, magníficamente, no Arco do Cego, e com certeza a mais importante edificação pedagógica de Lisboa. A Rua do Instituto Industrial deve o seu nome ao estabelecimento de ensino público que lhe ficava vizinho, pelo nascente. Corria ali, até 1865, o Boqueirão da Palha; nesse ano se fêz a artéria nova e se lhe deu o nome que hoje tem.

Vista aérea das instalações do Instituto Industrial [s.d.]
Rua da Boavista; Rua do Instituto Industrial
Fotografia anónima

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, pp. 75-80, 1939.

Saturday, 10 November 2018

Rua de Dom Vasco, esquina com a Travessa das Florindas

Ambos os topónimos pertenciam ao antigo e extinto Concelho de Belém e como o edital de 1916 indica, passaram a pertencer ao concelho de Lisboa: «tendo em consideração o justo pedido da Junta de freguesia da Ajuda, sobre a nomenclatura das ruas da mesma freguesia e que não existe no arquivo municipal documento algum pelo qual se possa certificar a data da denominação das referidas vias públicas, que pertenceram ao extinto Concelho de Belém, visto que quando da sua anexação ao de Lisboa não foi entregue a escrituração comprovativa das deliberações referentes a essa nomenclatura.» 

Rua de Dom Vasco, esquina com a Travessa das Florindas [c. 1943]
Eduardo Portugal, in A
ML

Dom Vasco da Câmara Belmonte (1767/1830) foi o primeiro Conde de Belmonte, título que lhe foi concedido por portaria de 18 de Maio de 1805 por D. João, príncipe regente. Fidalgo da Casa Real, foi morgado de Ota, de Belmonte e de Santo André, Par do reino, porteiro-mor da Casa Real e gentil-homem da Câmara de D. João VI. [cm-lisboa.pt]

Wednesday, 7 November 2018

Maternidade Alfredo Costa

Merece-nos uma referência a Maternidade Dr. Alfredo Costa, instituição pública de beneficência, cujos serviços são relevantes.


A iniciativa da construção desta Maternidade vem de 1908. Só em 1914 se nomeou uma comissão para fazer erguer o edificio, que teria o nome do grande médico, professor de obstectricia, Dr. Alfredo da Costa, sendo votada a verba de 250 contos. A guerra obrigou a suspender a obra. Mais tarde, por um donativo de 1.500 contos feito pelo benemérito Pais Rovisco, e, seguidamente, com uma dotação especial de 3.600 contos estabelecida pelo Ministro das Finanças, Dr. Oliveira Salazar, foi possivel concluir o grande edificio, com quatro corpos e três pavimentos, cuja entrada principal assenta na Avenida Cinco de Outubro, confluência das Ruas Pinheiro Chagas e Viriato.
A inauguração desta Matemidade realizou-se em 31 de Maio de 1932. Foi primeiro Director desta instituição o Dr. Augusto Monjardino.

Maternidade Alfredo Costa [1967]
Panorâmica tirada do antigo Aviz Hotel  vendo-se a Maternidade Dr. Alfredo da Costa e a Avenida Cinco de Outubro,
Ruas Viriato e Latino Coelho
João Brito Geraldes, in A.M.L.

Em frente da Maternidade, numa pequena praça cu eirado triangular da Avenida Cinco de Outubro, se projectou erguer um monumento a António José da Silva, «o Judeu», escritor de comédias do século XVIIl, e que a Inquisição queimou em 1739; a idéia não prosseguiu e não vemos que se pretenda renová-la.

Maternidade Alfredo Costa [1931] 
Rua Pinheiro Chagas com a Rua Viriato
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p.81, 1939.

Sunday, 4 November 2018

Rua do Arco do Carvalhão

Antes de ser do «Arco do Carvalhão» a rua chamava-se «do Sargento-Mór». [...] — recorda-nos Norberto de Araújo. Mas nós estamos no Arco do Carvalhão — sob dois Arcos enormes do Aqueduto. Terrenos eram estes de Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de êle ser Pombal e Oeiras, e estendiam-se, ultrapassando a actual Rua das Amoreiras, no lanço da Cruz das Almas para cima, até à actual Rua Marquês da Fronteira [...] O «Carvalhão» era então o futuro Marquês de Pombal, e do apelido derivaram os nomes da Rua actual [...]

Rua do Arco do Carvalhão [1947]
Aqueduto; Chafariz do Arco do Carvalhão; Alto do Carvalhão (esq.)
Fernando Martinez Pozal, in AML

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 79.1939.

Wednesday, 31 October 2018

Palácio Castelo Melhor — Palácio dos Marqueses da Foz

Ora estamos defronte do Palácio Foz — como por muito tempo se chamará — , e dele cumpre completar actualmente a notícia histórica.


Em 1755 o Palácio primitivo dos Castelo Melhor, do lado oposto, ruiu e ardeu. A Cidade, no plano de Pombal, comprou (1764) àquêles nobres o chão da quinta para abrir o Passeio Público, e o Marquês de Castelo Melhor julgou, e bem, azado o momento para fiazer um belo palácio novo, derrubando para tanto (1777) as casas que haviam sido dos Condes de Castanheira [vd. última imagem]. Deve dizer-se, porém, que as obras foram suspensas, não sei porquê, e que só em 1845 recomeçarpm e se concluíram já em tempo do 4.” Marquês, D. António de Vasconcelos e Sousa (também Faro em seu apelido). Foi o risco do Palácio dado por Francisco Xavier Fabri; morreu no periodo da suspensão das obras (1807) e outros mestres ou arquitectos seguiram o seu plano.

Palácio Castelo Melhor [1891]
Palácio Foz — alteado de mansarda e pavilhões, coroado por esculturas de de Simões de Almeida — ou Palácio dos Marqueses da Foz
Praça dos Restauradores, 25-45; Calçada da Glória vendo.se o campanário da antiga capela derribada em 1902
M. Caetano de Portugal, in FCG

Em 1889 a Casa Castelo Melhor desfez-se destas propriedades e terrenos, adquirindo-os o capitalista Tristão Guedes de Queiroz Correia Castelo Branco, 1.º Marquês da Foz (1886), filho do 1.º Barão l.º Visconde e 1.º Conde do mesmo título — Gil era o seu nome próprio — , que fôra militar ilustre, marechal de campo por seus feitos.  
O novo proprietário ordenou obras radicais no interior do Palácio, levadas a efeito pelo arquitecto José António Gaspar, tendo a seu lado o notável artista Leandro Braga; da antiga casa palaciana só ficou o exterior, êsse mesmo alteado de mansarda, e a capela, logo desfigurada também. O Marquês da Foz converteu os salões num verdadeiro Museu, no qual se ostentavam obras primas de tôdas as artes, desde a escultura e pintura à ourivesaria e mobiliário, quer portuguesas quer de mestres estrangeiros; um tecto, por exemplo, que pertenceu à «Sala dos Reis» do Convento dos Jerónimos, encontrava-se neste palácio.

Palácio Castelo Melhor [1891]
O Salão Nobre — antiga Sala do jôgo — , ou Sala de baile (do antigo palácio) desenvolve-se no estilo Luiz XV, ou da Regência, e o entablamento é sustentado por dezaseis pilastras; a moldura forma uma curiosa elipse. A cúpula remata com uma pintura do século xvn, escola holandesa, atribuida a Weenix. As pinturas das sobreportas e dos medalhões são do pincel de Columbano.
Palácio Foz ou Palácio dos Marqueses da Foz
Praça dos Restauradores, 25-45
M. Caetano de Portugal, in FCG

Viste como se fêz o Palácio Castelo Melhor, no qual em 1858 foi construída uma famosa Capela de Nossa Senhora da Pureza, em sucessão de outra, demolida naquêle ano, situada na Calçada da Glória do lado opôsto ao do palácio, e que fôra erguida em 1581 por Manuel de Castro, a cujos herdeiros os Marqueses compraram em 1711 o direito. Entre ela e o palácio havia um passadiço de ligação, desaparecido em 1858.
A Capela citada do interior do Palácio desapareceu em 1902, sendo a histórica imagem de N. Senhora da Pureza transferida em 5 de Fevereiro daquêle ano para a Igreja de S. Lourenço, pertencente à Casa Castelo Melhor, a cuja Marquesa, D. Helena, o Marquês da Foz a ofereceu. Situava-se onde é o átrio do actual Salão Central, a um piso superior; era do risco de Cinatti e Rambois.
É necessário dizer-te que, a sul do Palácio, não havia nessa época prédios construídos mas um muro, por trás do qual subiam os magníficos jardins Castelo Melhor [vd. foto abaixo] , que haviam feito parte da cêrca dos Padres jesuítas de S. Roque, em parte cedida àquêle fidalgo depois da extinção da Companhia de Jesus.



Palácio Foz, capela [1891]
M. Caetano de Portugal, in FCG





Palácio Foz, jardins [1891]
M. Caetano de Portugal, in FCG



Tudo, porém, quanto o Marquês da Foz fêz reunir, entrou logo em 1901 em dispersão, pela derrocada da Casa Foz. O Palácio foi alugado a Manuel José da Silva proprietário do «Anuário Comercial» e acabou por ficar hipotecado ao Crédito Predial, ao qual o adquiriu o Conde de Sucena em 1914.
O 2.° e actual Conde de Sucena não viu coroados de êxito moral e material os seus esforços no levantamento do «Eden»; não podendo satisfazer os seus compromissos perante a Caixa Geral de Depósitos, todos os seu bens na Avenida foram postos em almoeda.

Palácio Castelo Melhor [1891]
A Sala de jantar [da época Luís XVI] e depois também de jôgo, é igualmente muito bela, ostentando sete molduras de Malhoa; todo o seu desenho e ornamentação são do risco de Leandro Braga. O tecto, em estuque, deve-se ao artista português Meira.
Palácio Foz ou Palácio dos Marqueses da Foz

Palácio Foz ou Palácio dos Marqueses da Foz
Praça dos Restauradores, 25-45
M. Caetano de Portugal, in FCG
Palácio Castelo Melhor [1891]
A Sala de jantar [da época Luís XVI] e depois também de jôgo, é igualmente muito bela, ostentando sete molduras de Malhoa; todo o seu desenho e ornamentação são do risco de Leandro Braga. O tecto, em estuque, deve-se ao artista português Meira.Palácio Foz ou Palácio dos Marqueses da Foz
Praça dos Restauradores, 25-45
M. Caetano de Portugal, in FCG

No primeiro leilão, a 12 de Julho dêste ano de 1939, a Caixa Geral arrematou por 8.098 contos o Palácio Foz, e mais chamou a si os dois prédios contíguos, da Calçada da Glória, onde esteve o Salão Foz e onde está desde 1868 a sociedade de recreio «Matinha». No segundo leilão, realizado a 25 do mesmo mês, a Caixa Geal arrematou o Eden, com seu recheio, por 6.000 contos, o prédio n.° 13 da Praça dos Restauradores, por 3.200 contos, e um prédio na Avenida, no n.°' 183 a 187 por 1.200 contos. 


Palácio Foz, vista da Escadaria principal  [1891]
Estilo Luiz XVI
M. Caetano de Portugal, in FCG

Palácio Foz, galeria da Escadaria principal [1891]
Estilo Luiz XVI
M. Caetano de Portugal, in FCG


Palácio Castelo Melhor [1891]
Vista do vestíbulo do palácio
Palácio Foz ou Palácio dos Marqueses da Foz
Praça dos Restauradores, 25-45
M. Caetano de Portugal, in FCG

Em 1908 José Nunes Ereira alugara o Palácio, que estava então arrendado a Manuel José da Silva, e nele instalou nesse mesmo ano o Club Restauradores (Maxim's), que ainda hoje [1939] se mantém. Em parte do edifício (entrada pelo n.° 27) instalou-se em 1915 um Ritz Club, desde 1935 sede do Sporting Club de Portugal, agremiação desportiva.

Sunday, 28 October 2018

Largo de Dona Estefânia: a Fonte de Neptuno

Esta Rua de D. Estefânia — diz Norberto de Araújo — , que quando era uma azinhaga foi chamada do «Pintor» — a grande Avenida do sítio, embora menos movimentada que outras vizinhas — é simétrica, fria, alinhada, muito «fim do século». Vai de Gomes Freire a Duque de Ávila.¹


Largo de Dona Estefânia [1951]
Fonte de Neptuno
Firmino Marques da Costa, in AML

A Fonte de Neptuno do Largo de D. Estefânia apresenta como motivo principal uma escultura do séc. XVIII (1771), em mármore de Carrara, da autoria de Machado de Castro, que representa o deus dos mares segurando o tridente, de pé sobre uma concha assente em 2 golfinhos.
A estátua, que ornamentou, em tempos, o Chafariz do Loreto (ao Chiado), após a sua demolição, esteve colocada na Mãe de Água, no Museu do Carmo, no Depósito de Águas dos Barbadinhos e na Praça do Chile, tendo sido transferida para a sua actual localização, no Largo de Dona Estefânia, em 1951

Largo de Dona Estefânia [1951]
Fonte de Neptuno
Obras para a colocação do lago e estátua de Neptuno
Judah Benoliel, in AML
Largo de Dona Estefânia [1951]
Fonte de Neptuno
Obras para a colocação do lago e estátua de Neptuno
Judah Benoliel, in AML
Largo de Dona Estefânia [1951]
Fonte de Neptuno
Obras para a colocação do lago e estátua de Neptuno
Armando Serôdio , in AML

No sentido de criar um enquadramento para a escultura do deus Neptuno, esta foi colocada no centro de uma fonte de recorte circular, sobre a sua taça superior, que surge sobreposta a um espelho de água do seu tanque inferior, de onde emerge uma composição circular de repuxos parabólicos, iluminados por projectores submersos, os quais irradiam para a base da estátua, extravazando a água da taça para o tanque inferior. Neste último, pontuais jogos-de-água pulverizada completam a composição.²

Largo de Dona Estefânia [c. 1960]
Fonte de Neptuno
Firmino Marques da Costa, in AML

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 59, 1938.
² cm-lisboa.pt.
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