Wednesday, 20 June 2018

Prisões da Junqueira: Forte de S. João

Observemos agora — convida-nos Norberto de Araújo — já no areal da Junqueira, onde tem sua frente para a Avenida da índia, este casarão de feitio original, atarracado e misterioso, que serve hoje [1939] de Posto [do Porto Franco, vd. 3ª imagem] da Guarda Fiscal, e cujo semblante não desdiz da função odiosa que teve um dia o Forte da Junqueira, que mais assinalado foi pelo apodo de «Prisões da Junqueira». 


Forte de S. João da Junqueira [1931]
Rua da Junqueira, antigo areal da Junqueira; Avenida da Índia;
terrenos da antiga F.I.L; demolido c. 1940
Posto do Porto Franco da Guarda Fiscal
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Era o Forte de S. João irmão do Forte de S. Pedro, êste mais a poente, ambos incluídos no sistema de fortificações da segunda metade do século XVII. Mais tarde, em tempo de D. José, foi convertido em prisão de Estado, tenebroso cárcere, com suas casas subterrâneas, suas lendas tristes, horríveis narrações que por muito exageradas que tivessem sido pelo desespêro das vítimas e pela «piedade», sempre presente, dos inimigos do Marquês de Pombal, bastante têm de verdadeiro e execrando. Cadeia severa dos presos políticos, tantos dêles inocentes  — túmulo em vida de grande parte dos encarcerados nunca mais saiu para ver o sol — ela está ligada à história do século XVIII; encheu-se de nobres e de plebeus, réus confessos e simples suspeitos, principalmente quando da «conspiração dos Távoras».

Forte de S. João da Junqueira [séc. XIX]
Rua da Junqueira, antigo areal da Junqueira
; Posto do Porto Franco da Guarda Fiscal 
Batalhão Nº 1, 2ª Companhia, Secção de Belém, lê-se na placa afixada na frontaria virada à actual Avenida da Índia
Fotógrafo não identificado, in AML

Êste forte-prisão tem três pavimentos abaixo do nível do solo; o mais fundo era o «cemitério», pois nele se enterravam os que morriam durante o cativeiro, e os outros dois constituíam própriamente as prisões. Estão entulhados de areia, supõe-se que por ordem de D. Maria I, no propósito de que mais se não falasse do sinistro local.¹

Forte de S. João da Junqueira, Posto do Porto Franco da Guarda Fiscal [vermelho] 
Verde:  Avenida da Índia
Laranja: Rua da Junqueira

Levantamento da Planta de Lisboa, 1911 por  Júlio António Vieira da Silva Pinto, in AML

Outrora  — refere o jornalista e historiador Rocha Martins a água marulhava contra as suas paredes enverdecidas e limosas, estalava com fúria nas noites tempestuosas a acordar os prisioneiros que, após o atentado contra D. José I, ali desembarcaram dos botes, entre armas, e foram, espantados e de algemas nos pulsos habituados às rendas caras das vestes, ocupar as prisões que ficavam debaixo das casas do desembargador, do escrivão, dos carcereiros e da capela e por cima dos subterrâneos onde eram os antros de tortura e o cemitério, para o qual se arrojaram algumas ossadas com seus entroncamentos de nobres espinhas de reis gôdos. 
Os que ali entraram arrancados dos seus palácios, dos saraus, das recâmaras dos paços, das salas nobres de Belém, do Calvário e de Azeitão, eram os Óbidos e os S. Lourenço, os Alorna e os Ribeira, alguns jesuítas confessores da fidalguia, os magistrados afectos à nobreza e o marquesinho de Gouveia, filho do duque de Aveiro. Os senhores da véspera eram agora os escravos e por isso no sigilo do Estado, no negrume misterioso da noite, aqueles dezanove cárceres se encheram de fidalgos e de padres, aquelas prisões bafientas, que atravessámos, se pejaram de condes, de marqueses e de jesuítas.²

Forte de S. João da Junqueira:  pátio das prisões e capela [1906]
in Illustracão Portugueza
Forte de S. João da Junqueira:  pátio. poço e capela [1906]
in Illustracão Portugueza
Forte de S. João da Junqueira: terraço clarabóia da capela [1906]
in Illustracão Portugueza

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, pp. 56-57, 1939.
² MARTINS, Rocha, O Marquês de Pombal Pupilo dos Jesuítas, pp. 241-242, 1924.

Sunday, 17 June 2018

Arco de S. Vicente

O Arco é, só por si, — recorda-nos Norberto de Araújo meia freguesia deste bairro fidalgo e popular, que se fez e cresceu à sombra do velho mosteiro dos cónegos regrantes de Santo Agostinho [refere-se Mosteiro de S. Vicente de Fora] — a mais contemplativa e arrogante das vivendas conventuais da freirática Lisboa. (...) O Arco de S. Vicente inspira uma novela de costumes, na perspectiva das vidas e das cousas que foram um dia, quadro de poesia melancólica bairrista.
Para lá do Arco, tomado desde o Largo de S. Vicente, fica o Campo de Santa Clara, com a sua largueza e a sua evocação das freiras claristas. Fica a Feira da Ladra, que remonta ao século XIII, ali desde 1882, saborosa e pitoresca, das terças-feiras e dos sábados.»¹

Arco de S. Vicente [1931]
Campo de Santa Clara (Feira da Ladra);
Mosteiro de S. Vicente de Fora; Arco Grande de Cima
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Ora retomemos o caminho do Arco Grande. Êste Arco foi erguido em 180[7], um pouco adiante do sitio onde se rasgava desde 1373-1375 a Porta ou Postigo de S. Vicente, da Cêrca (nova) de D. Fernando. Ligava êsse Arco o Convento às suas quintas e jardins, e hoje faz ligação do Liceu [de Gil Vicente], (antigos Paços Patriarcais) à cêrca-recreio dos alunos e que atrás vimos. Decorativo, com uma graciosa perspectiva tomada desde o Largo de S. Vicente, êste Arco Grande é, sem dúvida, o mais romântico de Lisboa, pelo seu pitoresco natural.»²

Arco de S. Vicente, tomado desde o Largo de S. Vicente [194-]
Arco Grande de Cima
Eduardo Portugal, in AML
_________________
Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, PP- 180-181, 1943.
² id. Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 72, 1939.

Friday, 15 June 2018

Largo de São Domingos (em dia de Portugal-Espanha)

Recorda mestre Norberto Araújo que « (...) não podemos negar certo carácter alfacinha a êste Largo de S. Domingos (...) é uma crónica viva de Lisboa, com as suas imediações da Praça da Figueira, com o seu trânsito obrigatório, pela Rua Barros Queiroz e Calçada do Garcia, formigueiros de gente, que desce dos Anjos, dos bairros novos, ou de Sant'Ana velha.». ¹



Tinha este Largo de São Domingos, às Portas de Santo Antão, «uma atmosfera decadente e boémia, estritamente lisboeta, impregnada dos aromas das iscas e do álcool que os clientes da Ginjinha cuspinhavam no chão e no passeio, juntamente com os caroços dos frutos», recorda Rodrigues Miguéis que, durante alguns tempos, por ali andou num escritório situado em frente ao Palácio dos Almadas ou da Independência. As «casas das iscas» eram, por norma, manhosas e acanhadas: bancos corridos e mesas de madeira, com os garfos atados por correntes de ferro, e o cozinheiro quase sempre com o fogão cerca da porta da rua; e, apesar da pouca comodidade dos estabelecimentos e da falta de higiene, as iscas, com elas ou sem elas, atraíam fregueses, pois «só os galegos lhes davam precioso tique saboroso, que apenas tinham como rival o cheiro particular do petisco» um «mágico odor a que ninguém resistia» (Fernandes: 1995).
Neste largo «estritamente lisboeta», espaço de trânsito obrigatório e «formigueiro de gente», dois monumentos merecem especial atenção: a Igreja de S. Domingos e o palácio dos Condes de Almada ou da Independência.²

Largo de São Domingos [2 de Abril de 1933]
Legenda no arquivo: «No Largo de São Domingos, a multidão ouvindo o relato do desafio Portugal-Espanha»
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Bibliografia:
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 79, 1939.
² J ANEIRO, Maria João , Lisboa: histórias e memórias, p. 250-266.

Wednesday, 13 June 2018

Palacete Marçal Pacheco

Dentro de poucos anos, Dilecto, — preconizava  o ilustre Norberto de Araújo em 1939 — esta Rua das Amoreiras estará desfigurada no seu traçado; as transformações das cidades, riscadas em plantas, quando chega a hora das realizações fazem sempre vítimas: alguns prédios desta artéria, de um lado e outro, desaparecerão.


Pois bem, foi exactamente o que veio a suceder com o Palacete Marçal Pacheco demolido na década de 1960 para lá se erguer o edifício ocupado pela Philips, hoje Hotel Dom Pedro situado no antigo troço da velhinha Rua das Amoreiras [antiga Rua direita de S. João dos Bem Casados], antes daquela ser cortada pela actual Avenida Engenheiro Duarte Pacheco e ter mudado a denominação para Rua Prof. Sousa da Câmara (1971) [vd. carta topográfica mais abaixo].

Palacete Marçal Pacheco [1932]
Rua das Amoreiras [1874], antes Rua direita de S. João dos Bem Casados
Legenda da foto no arquivo:«Legação da Argentina»
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

O palacete mais vistoso desta Rua [das Amoreiras]prossegue Norberto de Araújo — é aquele que se situa do lado oriental, construção do século passado [XIX], entre uma faixa de mata arborizada ainda. Pertencente a umas senhoras Pachecos, por transmissão de Marçal Pacheco, e foi antes de José António de Carvalho. Em 1916 esteve nele instalada a Legação de Espanha, e era em 1919 moradia de Carlos Bleck, voltando depois a servir de Legação, do Uruguai [e/ou Argentina?]. Esteve depois alguns anos ao abandono, e em 1937 instalou-se neste palacete a Direcção Geral dos Serviços Florestais e Agrícolas, vinda do edifício do Terreiro do Trigo. Possue algumas salas interessantes mas sem pormenores de arte pura. Do lado oposto existiu o Horto de Marcolino Teixeira Marques, que ocupava a faixa da rua, onde se ergueram (1935-36) aqueles prédios modernos e altivos que vês, e se estendia pelos terrenos da Casa Anadia.¹

Palacete Marçal Pacheco, entrada [entre 1903-1908] 
Rua das Amoreiras [1874], antes Rua direita de S. João dos Bem Casados
Legenda da foto no arquivo:«Legation d'Espagne»
Charles Chusseau-Flaviens, in GEH
Palacete Marçal Pacheco [c. 1966] 
Esquina da Avenida Engenheiro Duarte Pacheco com a Rua das Amoreiras [hoje Rua Prof. Sousa da Câmara]
Artur Bastos, in AML

A propósito do historial toponímico da Rua das Amoreiras, vale a pena ler o que diz o livro Chorographia Moderna Do Reino De Portugal publicado em 1876. Reza assim:  
«Por baixo do dito arco [das Amoreiras] passa uma larga rua a que dava nome, a qual do Largo do Rato, e quasi parallela á da Fabrica da Loiça e ao longo da dita Praça das Amoreiras, conduz para as alturas de Campolide, tomando mais acima o nome de Rua [direita] de S. João dos Bem Casados. Hoje uma e outra tem o nome de Rua das Amoreiras, a qual começa no Largo do Rato e acaba na porta da cidade chamada do Alto do Carvalhão [actual Rua D. Carlos de Mascarenhas].²

Palacete Marçal Pacheco [vermelho] 
Verde:  troço da antiga Rua das Amoreiras,  antes Rua direita de S. João dos Bem Casados, que corresponde actualmente à Rua Prof. Sousa da Câmara
Laranja: Rua Silva Carvalho, antes
Rua de S. João dos Bem Casados 
Levantamento da Planta de Lisboa, 1911 por  Júlio António Vieira da Silva Pinto, in AML

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 80-81, 1939.
² BAPTISTA, João Maria, Chorographia Moderna Do Reino De Portugal, vol. 4, 1876.

Sunday, 10 June 2018

Palácio Sinel de Cordes

Poucos sitios se adornam, como este, de tantos palácios nobres — diz mestre Castilho — : o dos Marquezes do Lavradio, erigido pelo Cardeal D. Thomás de Almeida, o da familia Sinel de Cordes, o dos Viscondes e Condes de Barbacena, o dos Condes de Rezende, o do Cardeal Mendoça, etc.


O Palácio Sinel de Cordes é uma construção palaciana de meados de setecentos mandada construir pela família Sinel de Cordes, que segundo os genealogistas consultados provém de uma nobreza flamenga chegada a Portugal no início do século XVII.
Em meados do século XIX o imóvel é adquirido pelo Visconde de Correia Godinho, Juiz do Supremo Tribunal Militar que foi quem lhe fez acrescentar a balaustrada na platibannda, adornando-a de quatro estátuas.

Palácio Sinel de Cordes [c. 1940]
Campo de Santa Clara; Travessa do Conde de Avintes
Eduardo Portugal, in A.M.L.

No início do século XX funcionava no Palácio a Legação de Itália, época em que ocorreu um violento incêndio que destruiu grande parte do seu interior, posteriormente reconstruido. Em 1939, de acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo, a propriedade pertencia aos descendentes de Carlos Ribeiro Ferreira, «que foi conhecido na gíria bairrista e da Rua dos Capelistas por «Ribeiro do Campo Grande».
A partir dos anos 30 passaria a funcionar no palácio uma escola primária, ocupação que se prolongou até 2006. Fechado desde então, o Palácio Sinel de Cordes veio a ser redescoberto no início de 2012 com a chegada da Trienal de Arquitectura.

Palácio Sinel de Cordes [1900]
Campo de Santa Clara; Travessa do Conde de Avintes
Machado & Souza, in A.M.L.

Bibliografia
Castilho, Júlio de, A ribeira de Lisboa, 1893.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, 1939.

Friday, 8 June 2018

Rua de Alcântara: «Sociedade Promotora de Educação Popular»

Associação educativa fundada em Lisboa a 30 de Setembro de 1904, por influência maçónica. Estava sedeada, na Rua de Alcântara, nº 6, 2º. A Sociedade tinha como objectivo promover a assistência e a formação de crianças e adultos. Para tal criou cursos diurnos e nocturnos.

Rua de Alcântara  [c. 1910]
Prédios demolidos para abertura da Praça Gen. Domingos de Oliveira na década de 1960
«Sociedade Promotora de Educação Popular»
Joshua Benoliel, in AML

Wednesday, 6 June 2018

Ponte pedonal da praia de Algés

Naquele tempo a Alameda de Algés estava ligada à praia por passadiços, escadarias e pontes, sobre a linha do comboio Lisboa-Cascais. O povo, tal como hoje vai à Caparica, assim, naquele tempo, ia tomar banho a Pedrouços e a Algés, então de águas claras.
Nesta fotografia aérea de 1930 pode ver-se em baixo (ampliando a foto), a referida ponte pedonal defronte ao Parque Anjos.  

Ponte pedonal da praia de Algés [c. 1920] 
Situava-se defronte ao Parque Anjos, originalmente moradia de veraneio de Policarpo Anjos, construída no século XIX
Fotógrafo não identificado, in AML

Sunday, 3 June 2018

Palácio dos Azevedos Coutinhos e o Arco do Chanceler

O Palácio dos Azevedos Coutinhos, ocupa uma área contida entre a Rua de Santo Estêvão, o Largo do mesmo nome (escadinhas de curiosa perspectiva), e o Largo do Chanceler, e assenta em parte sobre o Arco do Chanceler.


Não sei em Lisboa de cousa assim — diz-nos o ilustre Norberto de Araújo — como esta Alfama se multiplica de aspectos raros, em mistérios de germe urbanista, de imprevistos e de quadros locais que nunca se assemelham, mas de que nossos olhos se vão fatigando, acabamos, em saturação, por não fixar um apontamento. Fica-se entontecido. Não será assim, Dilecto?
O enquadramento é gracioso, seja qual fôr o conceito que nós possamos ter de beleza nestes quadrinhos bairristas, onde — e é o caso neste sítio — o pitoresco, o religioso, o fidalgo se dão mãos, para que Alfama se represente nos três Estados. 

O Palácio de Santo Estêvão, dos Azevedos Coutinhos é uma fundação seiscentista, de tipo nobre, modesto; envolto num pitoresco de cenário, único em Lisboa, e, a despeito da sua mediania arquitectónica, pode ser considerado um espécime curioso da cidade, como tal, merecedor de relevo nesta nota histórica.

Palácio Azevedo Coutinho [190-] 
Largo (Miradouro) Escadinhas de Santo Estêvão; Arco do Chanceler; Rua de Santo Estêvão
Ângulo do edifício sobre Santo Estêvão, distinguindo-se o terraço primitivo do andar nobre
com paredes ao fundo de azulejos historiados, de delicioso efeito tomado do Largo
Alberto Carlos Lima, in AML

Ainda no século XVII uma grande parte dos terrenos que rodeiam a primitiva igreja de Santo Estêvão era do domínio directo do priorado ou da irmandade da paróquia. No local onde se levantou o solar existiam na primeira metade do seiscentos umas atafonas e depois umas casas — o núcleo primitivo do solar — «por traz da capela-mor sobre o Arco», casas que pertenciam a um Domingos Preto, descendente, talvez filho, de «Simão Gonçalves Preto, chanceler-mor que foi destes reinos», segundo atestava em 1695 o cura de Santo Estêvão, Padre Cristóvão Prestes da Silveira, num documento traslado que lhe foi requerido, e no qual há referência a casas no local em 1647, o que não significa que não as houvesse antes, pois um documento existente no arquivo da Câmara Municipal demonstra que, em 1688, aquelas casas passaram a um Tomé de Mesquita. De admitir é que tivesse sido o chanceler Simão Gonçalves Preto o fundador da casa, e duvida parece já não subsistir de que fosse dele que derivou a denominação do «Arco do Chanceler».

Palácio Azevedo Coutinho [1899]
Largo de Santo Estêvão; Rua de Santo Estêvão
A Fachada, de duas faces do corpo Sul do edifício contíguo
inferiormente ao principal, fazendo esquina para as escadinhas
e Rua de Santo Estêvão, caracterizado por um sólido cunhal de
cantarias sobrepostas, com algumas janelas (de sacada) e portas de habitações
pobres; sobre este corpo assenta um terraço, com cortina de grades seiscentistas

Machado & Souza, in AML

O palácio, propriamente dito, recebeu dano pelo Terramoto, pois se vê que uma parte do edifício é de reconstrução posterior ao núcleo primitivo, este representado pela frontaria, pelo ângulo do terraço e por parte da face sobre a estreita Rua de Santo Estêvão. Data, pois, de 1847 o senhorio dos Azevedos Coutinhos no solar e casas de Santo Estêvão. 
Entre 1847 e 1867, período durante o qual a propriedade foi administrada por João António de Azevedo Coutinho, este fez «Obras reais» na casa, acrescentando-lhe em parte dois andares modestos, conservando o semblante seiscentista da fachada amesquinhada na estreita serventia denominada ali Largo do Santo Estêvão, mas desfigurando as salas, pela cobertura com estuque dos tectos apainelados, e pela supressão de bons panos de azulejo que revestiam as paredes em silhares.
Em 1911 lavrou incêndio na ala Sul do palácio, sobre a Rua de Santo Estêvão; as obras de restauro não lograram repor o interior dessa ala no seu aspecto primitivo.


Palácio dos Azevedo Coutinho [1939]
Arco do Chanceler, vista tomada do Largo de
Santo Estêvão
Eduardo Portugal, in AML


Palácio dos Azevedo Coutinho [195-]
Arco do Chanceler, vista tomada o Largo de
Santo Estêvão
Almeida Fernandes, in AML



O Arco do Chanceler, sob o Palácio ao qual dá passadiço, é de volta abatida. À direita abre-se o portal do velho solar servido por um átrio interior, do qual a escadaria de dois lanços se desenvolve, amparado a um corrimão, em balaustrada de mármore branco, transpirando de tudo um ar discreto, repousado, setecentista, só igualado em espírito no palácio dos Condes dos Arcos
______________________
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 90-91, 1939.
id, Inventário de Lisboa, 1955.
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