Aqui temos o Largo da Boa Hora — diz Norberto de Araújo —, com seu sinistro casarão do Tribunal, o repulsivo Tribunal da Comarca de Lisboa,
actualmente em obras, mas que continuará. a ser, mesmo asseado e limpo,
um aleijão, simulacro ridículo de um vago Palácio da Justiça — que,
parece, nunca veremos de pé.
![]() |
| Largo da Boa-Hora [1968] Tribunal da Boa-Hora Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente |
Neste sítio existiu, até ao Terramoto, o Convento dos Eremitas Descalços de Santo Agostinho, construído em 1633
com esmolas do povo, mas de seu começo ocupado pelos irlandeses
dominicanos que nele habitaram até 1668, entrando depois o Convento na
posse dos Congregados do Oratório de Felipe Nery, que nele permaneceram
até 1674. Neste ano entraram os citados agostinhos, e só então o Convento passou a ser de N. Senhora da Boa Hora,
datando dessa época (1677) a segunda Igreja, de que foram padroeiros os
vizinhos Senhores de Barbacena, cujo grande palácio assentava nas
cercanias do Convento. Em 1755 a casa dos frades da Boa Hora ruiu, assim
como a casa nobre dos Barbacenas; o Convento reedificou-se.
![]() |
| Largo da Boa-Hora [965] Tribunal da Boa-Hora; Rua Nova do Almada Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente |
Em 1834, pela Extinção das Ordens, logo se estabeleceram no edifício os tribunais da comarca e seus cartórios, com calabouços anexos — e que calabouços!
![]() |
| Tribunal da Boa-Hora, claustro [1907] Largo da Boa-Hora Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente |
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, p. 32, 1939.


















