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Sunday, 25 January 2026

Cais da Ribeira: cena de rua

Nos primeiros anos do séc. XX diversas empresas asseguravam o tráfego fluvial de Lisboa com a “Outra Banda”. A Parceria dos Vapores Lisbonenses, sedeada no “chalet” do Cais do Sodré, tinha duas carreiras diárias para Aldeia Galega (Montijo), onde se pagava 160 réis à ré e 120 réis à proa. Na “linha” de Cacilhas, durante a semana, os preços variavam de 60 réis à ré a 40 réis à proa, saindo os barcos com um intervalo de 40 minutos.
(in Guia do Viajante, Lisboa 1907)

Cais da Ribeira: recolher das redes de pesca |1912|
Em segundo plano destacam-se os famosos "Hotel Central" e "Hotel Bragança (ou Braganza)" mais atrás, ambos referidos por Eça de Queiroz nos seus romances e já aqui mencionados.
Joshua Benoliel
, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): As ovarinas (o 'o' etimológico perdeu-se na pronúncia) (peixeiras) formam com seus pais, maridos e irmãos a mais curiosa população desta cidade; população inteiramente à parte e com carácter e feição própria.

Cais da Ribeira: cena de rua |c. 1900|
A freguesia aguarda enquanto as varinas preparam o peixe para a venda. Antiga Estação da "Parceria dos Vapores Lisbonenses", fundada em 1890; Cais do Sodré.
Autor não identificado, in Lisboa de Antigamente

Friday, 8 November 2024

Panorâmica da Estrela tomada do zimbório da Basílica da Estrela

Do majestoso zimbório da Basílica da Estrela — a que se pode ascender depois de galgados mais de 200 degraus — o panorama de que ali se desfruta é dos mais belos de lisboa. 

Se da maioria dos pontos altos de lisboa se avista a parte antiga da cidade — recorda o Guia de Portugal (1924) —  o que aqui domina inteiramente no conjunto é a  cidade moderna. O espectáculo torna-se por isso mais claro e mais alegre, variado ainda pela abundância de pequenos bosques e jardins, desdobrados como numa grinalda. Logo a O. a tapada da Ajuda, hoje já muito rarefeita, e a mole enorme do palácio; mais para cá a mancha verde do parque das Necessidades, e a seguir a parada sombria dos ciprestes dos Prazeres. Ao longe desdobra-se o espinhaço de Monsanto, e mais além e a NO. as alturas de Sintra. Para o N. abrange-se a cidade nova, e logo em baixo repousa o olhar a frondosa espessura do Jardim da Estrela, continuada ao fundo com os belos ciprestes do cemitério dos Ingleses. A E. avista-se o Castelo, a torre de S. Vicente e mais abaixo as da , um pouco perdidas na massa escura dos telhados. Ao S. abre-se enfim, maravilhosa de luz e de amplidão, a enseada do Tejo, a melo da qual se ergue o pontal de Cacilhas, avançando no rio como a proa duma nau.

Panorâmica da Estrela tomada do zimbório da Basílica da Estrela |entre 1926 e 1936|
Vêem-se os terrenos onde virá a ser rasgada a Avenida Infante Santo nas décadas de 1940/50, o Hospital da Estrela, antigo Convento do Sagrado Coração de Jesus, um trecho do Aqueduto das Aguas Livres [demolido], uma nesga do Tejo e a Outra Banda.
António Passaporte,  in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Conforme o Edital de 13 de Maio de 1949 «o arruamento em construção, que ligará a Avenida 24 de Julho à Estrela, compreende parte da Rua Tenente Valadim, desde o término da curva do prédio do Estado (Instituto Maternal); parte da Travessa dos Brunos prédios nºs 22 e 24 e, ainda, a Rua da Torre da Pólvora» passou a ser a Avenida Infante Santo.

Obras para abertura da Avenida Infante Santo |1949|
Junto ao Hospital Militar Principal, à Estrela
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 3 March 2024

Profissões de Antanho: vendedores de melancias

 — Quem a quer da  várzea, melancia á faca!

Era assim o pregão saloio, que os saloios sempre ganharam a vida com a barriga de Lisboa — recorda Calderon Dinis. Escarafunchando a terra magnífica que Deus lhes deu, sabiamente a têm aproveitado tirando partido de tudo o que ela lhes dá. Sempre assim foi e noutros tempos eram eles mesmo que, de rua em rua, apregoavam e vendiam as suas couves e alfaces, como as favas e as ervilhas.
Com a saborosa melancia vermelha e fresca que era uma beleza, os saloios corriam meia Lisboa com as suas carroças, a malta a comprar e eles mesmo a parti-las em grossas talhadas, refrescando-se os lisboetas nas tardes quentes, que aquilo foi sempre fruto de Verão.
Estamos a lembrar-nos que, no largo de Cacilhas, onde hoje é parque e estação de autocarros, se fazia o grande mercado da melancia, amontoadas em pirâmides, tal era a quantidade do magnífico fruto!

Vendedeira de melancias no cais da Ribeira Nova |1912|
As saborosas e frescas talhadas.
J
oshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Vem das várzeas nos grandes catraios — lê-se na Illustração portugueza, 1910 —, nos barcos d'agua à riba e nos cais, da Ribeira Velha a Belém, é ver os homens atirando-as com metódica precisão, dos botes para terra como grandes bolas num torneio. Raramente uma cai para gaudio, regalo e refresco da garotada que d'olho alerta espera sempre ganhar alguma coisa nos espectáculos que presenceia.
Neste tempo a melancia, nascida nas Várzeas de Alcochete e Ribatejo além, bem regada e linda na sua cama de folhas largas é manjar de todas as mesas; cai na cidade como um chuveiro de balas: expõe-se nas portas dos estabelecimentos frutas onde os ricos vão e aparece aos montões nos mercados. As portas das vendas e dos pequenos Jugares lá estão duas ou três; nas mercearias mostram-se com a designação do preço por quilo como se em vez daquela casca verdenegra, que tanas promessas de frescura contem, tivessem os exteriores vermelhos de queijos flamengos.
Mas onde ela tem todo o seu carácter, onde aparece como o anuncio de um grande consolo é na cidade, para os que a não deixam; anunciada no pregão cantarolado:

 — Quem a quer da várzea, melancia á faca!

Profissões de Antanho: descarga melancias no cais da Ribeira Nova |1912|
Uma melancia a voar do barco para o cais.
J
oshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O pregão atroa Lisboa por este tempo de calor ardente e as mulheres com as suas gigas a cabeça, tostadas pela soalheira, vão vendendo a mais fresca das frutas, a melancia de coração rubro, que é um alarme e é uma delicia.

 — Quem a quer da várzea, melancia á faca!
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Bibliografia
DINIS, Calderon, Tipos e factos da Lisboa do meu tempo: 1970-1974, 1986.
Illustração portugueza, 1910.

Sunday, 26 April 2020

Lago do Parque Eduardo VII

A Avenida tinha os seus coretos onde aos domingos tocavam as bandas, a Rotunda tinha os tapumes de metro e meio para a futura estátua do Marquês e o Parque de Eduardo VII era um terreiro escalvado que servia para tudo, como os campos da feira das terras da província. Havia revoluções, o primeiro golpe estratégico era conseguir ocupar a Rotunda. Abriam-se trincheiras, colocavam-se peças e começavam a bombardear da Rotunda. Nos intervalos das escaramuças políticas, o alfacinha pegava no farnel e no garrafão e ia arejar para a Rotunda.

Lago do Parque Eduardo VII |1931|
Ao fundo destaca-se o monumento ao Marquês de Pombal em construção.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
Aparecia uma companhia de circo com montanha russa e fantoches, acampava na Rotunda. (...). Quando o futebol ensaiou os primeiros passos, ainda não se adivinhava o futuro do empolgante e glorioso desporto, o campo de futebol instalou-se na Rotunda. Como se isto não chegasse, a Câmara resolveu um dia favorecer a cidade com um lago [1929] com barquinhos.. 

Lago do Parque Eduardo VII |1931|
Ao fundo destaca-se o monumento ao Marquês de Pombal em construção.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Na Rotunda caía Lisboa em pesoComia-se um petisco e dava-se um passeio nas águas mansas já que a ida até Cacilhas era um prazer muito experimentado.
(AMARO, José, Cartas de um moinho saloio, p. 161, 1974) 

Lago do Parque Eduardo VII |c. 1940|
Ao fundo destaca-se o monumento ao Marquês de Pombal inaugurado em 1934.
Álvaro Torres (postal fotográfico), in Lisboa de Antigamente

Sunday, 1 December 2019

Algés, praia dos pescadores

Se queres dar, leitor, o mais bello dos passeios permittidos ao habitante de Lisboa — sugere Ramalho Ortigão — , faze o que eu hontem fiz.
Levanta-te ás 5 horas da manhã, n'um domingo, veste-te à luz do candieiro, porque em Setembro ainda não é bem dia a essa hora, pega na tua bengala e no teu binoculo e vae à ponte dos vapores ao Caes do Sodré. Tomamos um bilhete de ida e volta no vapor de Cascaes por dez tostöes. Ainda é cédo, o vapor não parte senão ás 7 horas. 

Algés, praia dos pescadores [entre 1885 e 1893]
De Pedrouços até Cascaes seguem-se quasi ininterrompidamente as differentes estações dos banhos. vem primeiro Algés, com a sua ponte e os Seus dois palacios. [Ortigão, 1876]
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente

Entramos no café Grego e fazemo-nos servir uma chavena de leite ou chá preto.
Os passageiros veem chegando em multidão ao caes. A ponte dos vapores enche-se de alegres e frescas toilettes de manhã. Lisboa madruga para fugir á calma e á semsaboria de um domingo de verão dentro da cidade. Enchem-se os vapores de Cacilhas e de Belem.
Embarcamos, accendemos um charuto, subimos à ponte do vapor. Magnifico espectaculo!
Diante de nés estende-seem toda a sua magestade, como um pequeno Mediterraneo, o bello Tejo, que scintilla Sob a bruma aquatica como um peito de aço coberto por um véu de gaze, batido pelo largo Sol. 
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Bibliografia
Ortigão, Ramalho, As Praias de Portugal - Guia do banhista e do viajante, 1876.

Wednesday, 19 June 2019

Uma montanha-russa no Parque Eduardo VII

A Avenida [da Liberdade] tinha os seus coretos onde aos domingos tocavam as bandas, a Rotunda tinha os tapumes de metro e meio para a futura estátua do Marquês e o Parque de Eduardo VII era um terreiro escalvado que servia para tudo, como os campos da feira das terras da província. 
Havia revoluções, o primeiro golpe estratégico era conseguir ocupar a Rotunda. Abriam-se trincheiras, colocavam-se peças e começavam a bombardear da Rotunda. Nos intervalos das escaramuças políticas, o alfacinha pegava no farnel e no garrafão e ia arejar para a Rotunda. Aparecia uma companhia de circo com montanha russa e fantoches, acampava na Rotunda. O grande Luna-Park foi a delícia dos lisboetas. [...] 
Na Rotunda caía Lisboa em peso. Comia-se um petisco e dava-se um passeio nas águas mansas já que a ida até Cacilhas era um prazer muito experimentado.

Parque Eduardo VII [193-]
A montanha-russa do Luna-Park — quando funcionou pela primeira vez — junto à Avenida António Augusto de Aguiar.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
AMARO, José, Cartas de um moinho saloio, p. 161, 1974.

Friday, 31 August 2018

Farol de Cacilhas

Carreiras entre o Cais do Sodré c Cacilhas de 3 em 3 quartos de hora. Uma só classe. Travessia do Tejo em 12 min. O desembarque faz-se no pontal de Cacilhas, onde se ergue um farol de luz fixa, branca. A saída da ponte há sempre trens de aluguer que permitem fazer as excursões adiante indicadas, sendo também fácil arranjar burros para os pequenos passeios, como ao Alfeite e Cova da Piedade.¹


Esta peça de sinalização funcionou em Cacilhas entre 31 de Dezembro de 1885 e 18 de Maio de 1978, tendo depois sido desmantelado e deslocado para a Ponta do Queimado, na freguesia da Serreta, na ilha Terceira (Açores).
Com a modernização dos sistemas de sinalização marítima, o Farol foi depois definitivamente desmantelado.

Farol de Cacilhas [ca. 1957]
Cais de Cacilhas
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

A pedido da Câmara Municipal de Almada, a Marinha Portuguesa concordou na cedência desta emblemática peça patrimonial ao concelho.
Iniciou-se então o processo de restauro do Farol, composto por uma torre cilíndrica de ferro, com 12m de altura e 1,70m de diâmetro.
As obras foram executadas pelas oficinas da Direcção-geral de Faróis, em Paço de Arcos, e foram suportadas pela Câmara Municipal de Almada, em 40 mil euros, na sequência de um protocolo entre a Marinha e o Município.²

Farol de Cacilhas [ca. 1950]
Cais de Cacilhas
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ PROENÇA, Raul (coord.), Guia de Portugal: v. Generalidades. Lisboa e arredores, vol. I, p. 609.
² cm-almada.pt.

Wednesday, 12 July 2017

Chafariz de Cacilhas e Igreja de N. S. do Bom Sucesso

Chafariz de quatro bicas — duas destinavam-se aos aguadeiros e as outras duas aos particulares — foi inaugurado em 1 de Novembro de 1874. Um importante melhoramento que a Câmara Municipal sob a presidência de Bernardo F. da Costa, prestou ao povo de Cacilhas. Implantado à entrada da antiga Rua Direita [actual Rua Cândido dos Reis] e junto ao Largo do Costa Pinto [actual Largo Alfredo Diniz (Alex)], os moradores abasteciam-se de água potável para os lares.
O chafariz (infelizmente destruído nos finais dos anos 40 ou início de 50) era abastecido pela mina do Ginjal, por intermédio de canalizações. Quando estas canalizações começaram a envelhecer e a degradarem-se, a água, que era de muito boa qualidade, passou a ser salobra por infiltrações das águas do Tejo.
Então, a população de cacilhenses, só a utilizava para lavagens. A boa, para beber, continuava a vir da mesma origem (do Ginjal) mas fornecida em barris, por aguadeiros. Até que veio a canalização domiciliária. 

Chafariz de Cacilhas |c. 1904|
Rua Cândido dos Reis (antiga Rua Direita e antigo Largo do Costa Pinto); Igreja de N. S. do Bom Sucesso
Postal ilustrado, ed. Papelaria Paulo Emílio Guedes & Saraiva
, in Lisboa de Antigamente

Construída de raiz quatro anos após o terramoto de 1755, a  Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso apresenta uma fachada de inspiração barroca, com um frontão triangular ladeado por torres sineiras, que apresentam cúpulas encimadas por pequenos zimbórios. Nas paredes de uma das torres podem também observar-se dois relógios de sol, um na fachada frontal e outro na lateral. O interior é composto pela galilé, coro alto, uma única nave e capela-mor. As paredes tê silhares de azulejos azuis e brancos da segunda metade do século XVIII, com cenas alusivas à vida de Nossa Senhora. Existem ainda três retábulos em madeira polícroma de estilo rococó, um dos quais com a imagem de Santa Luzia, datada do século XVII.  

Chafariz de Cacilhas |c. 1900|
Antigo Largo do Costa Pinto, actual Largo Alfredo Diniz (Alex)
José A. Bárcia
, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
(uf-acppc.pt)

Thursday, 9 February 2017

Estação da Parceria dos Vapores Lisbonenses

A Estação da Parceria dos Vapores Lisbonenses — ainda rudimentar, deve dizer-se — data neste sitio de 1904 e substitue uma primitiva ponte, com seu barracão, e cujos restos ainda ali vês, cem metros a nascente, junto ao terreno marginal das «carreiras» do antigo Arsenal de Marinha.

 

Ponte de acesso à Estação da Parceria dos Vapores Lisbonenses  [1912]
Cais do Sodré
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Era, então, o Cais do Sodré uma pequena praça à beira-Tejo, na qual se situava a Parceria dos Vapores Lisbonenses, de onde partiam os vapores para Cascais e para a outra banda. Aqui encontramos Ramalho Ortigão e Trindade Coelho. O primeiro, junto à ponte dos vapores, acaba de adquirir um bilhete de ida e volta no vapor de Cascais. Setenta minutos dura a viagem e custa dez tostões. «Embarcamos (...) Magnífico espectáculo. Diante de nós estende-se em toda a sua majestade, como um pequeno Mediterrâneo, o belo Tejo, que cintila sob a bruma aquática como um peito de aço coberto por um véu de gaze, batido pelo largo sol».  

Estação da Parceria dos Vapores Lisbonenses  [Início séc. XX]
Cais do Sodré
Estúdio Novais,
in Lisboa de Antigamente
O cacilheiro a vapor Victoria da Parceria dos Vapores Lisbonenses que fazia a carreira Cais do Sodré-Cacilhas [1912]
Fotógrafo não identificado,
in Lisboa de Antigamente
 
O primeiro «vapor lisbonense», o Alcântara, foi construído em 1860, nos estaleiros de Hugh Parry situados em Alcântara e destinou-se à nova carreira fluvial entre o Cais do Sodré e Pedrouçoscom escalas em Alcântara e Belém, que seria inaugurada em Janeiro de 1861. Era propriedade de Frederico Guilherme Burnay que, em 1899, juntamente com Hersen, funda a «Parceria dos Vapores Lisbonenses».

Enquadramento da  Estação da Parceria dos Vapores Lisbonenses  [1950]
Cais do Sodré; Jardim Roque Gameiro
Eduardo Portugal,
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, p. 41, 1939.

Thursday, 15 October 2015

Canoas cacilheiras no Cais do Sodré

«O bote cacilheiro, é o gigante dos catraios [bote pequeno]; rijo de borda, aguentando muito mar, e com alterosa vela triangular, não de espicha, mas içada ao topo do mastro, e engatada na proa, impina-se arrogantemente para ré. Enfunada com a grande corda de vento que apanha d'alto abaixo, arroja o bote n'um ápice de Lisboa a Cacilhas, que é o seu porto. Antes da instituição da companhia dos vapores do Tejo, em 1838, os botes cacilheiros faziam carreiras alternadas com as faluas [que tinham duas velas]; hoje há muito poucos, e nas horas desencontradas das viagens dos vapores da companhia é que fazem algumas carreiras. Actualmente ha uns 300 botes matriculados em Lisboa.»  
(in Archivo pittoresco, vol. 3, p. 262, 1860) 

Cais do Sodré [c. 1899]
Desembarque de passageiros das canoas cacilheiras no Cais do Sodré antes que os Bumays e os Hersants tivessem formado a Parceria dos Vapores Lisbonenses.em 1899.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

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