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Friday, 7 February 2025

Terreiro do Paço: vendedores ambulantes

O Terreiro do Paço, vulgo Praça Comercio, foi construído, ainda no século XVI, sobre a praia e sobre o mar, o solar dos Mouras-Cortes-Reais, umas das mais nobres residências de Lisboa, e, um pouco acima, já na escarpa, dominava o palácio dos duques de Bragança embelezado, em meados do século, com as obras que o Duque D. Teodósio nele mandou fazer. O Terreiro do Paço e nele a Casa da India e logo o Paço da Ribeira, magnificente moradia régia, de três andares, coroado por quatro torres ameadas, que D. João III, depois ampliou, e mais tarde, Filipe II, seguindo o plano do arquitecto Terzi, havia de alterar, aumentando-o ainda com um torreão que dava sobre o Tejo. Junto do Palácio ficava a Armaria, valioso museu militar, e ainda a Torre do Relójio, a Varanda das Damas. Mas em frente, pois que isso e mais, o grande Terramoto Tudo Levou.

Terreiro do Paço |190-|
Vendedoras ambulantes de marisco
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente
Terreiro do Paço |190-|
Vendedor ambulante de estampas
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente























Também os vendedores ambulantes encontraram no Terreiro do Paço o seu poiso preferido, e o  principal mercado de comestíveis da cidade depois conhecido por Mercado da Ribeira Velha que em princípios de quinhentos, se acoitava ao lado oriental do Terreiro do Paço, junto dos Alpendres e na proximidade do Açougue do Peixe, que ficava à entrada do Pelourinho Velho.

Terreiro do Paço |191-|
Vendedor ambulante de carvão
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente
Terreiro do Paço |191-|
Vendedor ambulante de carvão
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 9 March 2016

Galeotas Reais Portuguesas

A  Colecção de Galeotas Reais Portuguesas é formada por seis embarcações que estão expostas ao público no Museu de Marinha de Lisboa.
São  conhecidas, vulgarmente,  pelo nome ou pelo cargo de quem  mandou construí-las, com excepção do Bergantim  Real – também conhecido como Galeota Real – que foi encomendado, em 1780, pela Rainha Dona Maria I.

Cais das Colunas, Terreiro do Paço [1905]
Galeotas Reais Portuguesas:em primeiro plano; em segundo plano o Bergantim  Real (1780), aquando da visita do presidente da República de França, Émile Loubet.
 José A. Bárcia [?], 
in Lisboa de Antigamente

Das restantes galeotas que constituem esta colecção, quatro foram construídas  no  século  XVIII:  Galeota de D.  João  V, de D.  José  I, de D. Carlota Joaquina e do Inspector  da  Alfândega  de  Lisboa.  O sexto  exemplar  provém  já  do século  XIX, e é designado como Galeota  de  D.  Miguel, tendo sido  mandado construir por este monarca no ano de 1831.

Cais das Colunas, Terreiro do Paço [1905]
Galeota  de  D.  José  I (1753), aquando da visita do presidente da República de França, Émile Loubet.
Fotógrafo não identificado,.in Lisboa de Antigamente

Todas estas embarcações foram construídas com o objectivo de transportar a  família  real  portuguesa,  bem  como  os  seus  homólogos  europeus,  em  trajectos curtos  ao longo do  rio Tejo ou  dos  seus  navios  e  iates  até  terra  firme,  durante  as visitas  oficiais  à  capital  portuguesa.  Como  colecção, sabemos  que  constitui  um exemplo  de  Património  Marítimo  único  no  mundo;  como realidade  museológica, possuem  o  dom  de  encantar  todo  aquele  que  se  aproxima com a  sua majestosa presença, com o seu aroma a memória e passado e com as suas cativantes formas, desgastadas pelo tempo. 
(in O projecto de conservação das galeotas reais portuguesas: um desafio para a museologia contemporânea, Lorena Sancho Querol, Conservadora e Museóloga)

Cais das Colunas, Terreiro do Paço [1905]
O Bergantim  Real (1780), aquando da visita do presidente da República de França, Émile Loubet.
Chaves Cruz,. in Lisboa de Antigamente

Em 1780, D. Maria I ordena a construção da mais bela e imponente Galeota Real até hoje conhecida: o «Bergantim Real» ou «Galeota de D. Maria I». A sua construção destinou-se a servir os esponsais do príncipe D. João (futuro rei D. João VI) com a infanta espanhola D. Carlota Joaquina e, ainda, do infante D. Gabriel, de Espanha, com a infanta D. Maria Ana Vitória, ambos celebrados em 1784.

Cais das Colunas, Terreiro do Paço [1905]
O Bergantim  Real (1780), aquando da visita do presidente da República de França, Émile Loubet
Augusto Bobone,.
in Lisboa de Antigamente

Ostenta um magnífico trabalho em talha dourada, possuindo, ainda, no seu costado, uma bela faixa renascentista assente sobre ouro escurecido. A decoração do bergantim compõe-se, igualmente, por pináculos, frisos, cariátides, florões, albarradas e caixilhos, preciosamente elaborados. Da camarinha sobressai, por entre toda a riqueza e beleza do seu conjunto, uma impressionante caixilharia de espelhos venezianos. O baixo painel, onde monta o leme, foi alvo de uma complexa e bonita decoração. Composta por dois baixos-relevos, enquadrados por cercaduras floridas de talha dourada, encontram-se aqui representados Anfitrite e Neptuno. A bordo desta embarcação seguiam 78 remadores que a faziam deslizar através de 40 remos, auxiliados por um patrão e um cabo proeiro.

Cais das Colunas, Terreiro do Paço [1905]
O Bergantim  Real (1780), aquando da visita do presidente da República de França, Émile Loubet.
Augusto Bobone. 
in Lisboa de Antigamente

O «Bergantim Real» foi utilizado para receber diversos monarcas e Chefes de Estado, assim como também era usado frequentemente pela nossa Família Real, quando se deslocavam ao Iate Real Amélia. Em 1957, por ocasião da visita oficial de Isabel II de Inglaterra, cruzou as águas do Tejo pela última vez, tendo sido transportado para o Museu da Marinha em 1963. (in realbeiralitoral.blogspot.com)

Cais das Colunas, Terreiro do Paço [1905]
O Bergantim  Real (1780), aquando da visita do presidente da República de França, Émile Loubet.
Augusto Bobone,.
in Lisboa de Antigamente

Tuesday, 31 January 2017

Antiga Estação dos Caminhos-de-ferro e Vapores do Sul e Sueste

Embarcámos de manhã cedo para o Barreiro, testa do Caminho de Ferro de Sul e Sueste, na ponte do Terreiro do Paço, em frente do Pavilhão da Marinha. Uma vez em cima das águas, eu, que nunca vira navios, por efeito da transmissão sensorial das gerações, era como se voltasse a encontrar coisas vistas e triviais. 

RIBEIRO, Aquilino (1885-1963), Um Escritor Confessa-se. [c. 1902] 


Antiga Estação dos Caminhos-de-ferro e Vapores do Sul e Sueste [c. 1910]
Praça do Comércio (Terreiro do Paço)
Substituída em 1932 pela actual Estação Sul e Sueste no lado nascente da Praça do Comércio.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Situada frente ao torreão poente da Praça do Comércio, junto ao Arsenal da Marinha, a «ponte do Terreiro do Paço», então um «barracão assente sobre estacaria que envergonha a capital» conforme inteirava o Guia de Portugal de Raul Proença, era a Estação dos Caminhos-de-Ferro e Vapores do Sul e Sueste (projectada para não ter comboios), da qual partiam os vapores para a estação do Barreiro, para a Aldeia Galega (Montijo) e Seixal.

Antiga Estação dos Caminhos-de-ferro e Vapores do Sul e Sueste [c. 1910]
Praça do Comércio (Terreiro do Paço)
Substituída em 1932 pela actual Estação Sul e Sueste no lado nascente da Praça do Comércio.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Durante mais de meio séculodiz Rodrigues Miguéiso alfacinha da gema pingou lamentos em frente do barracão que deslustrava a Praça, sala dos passos-perdidos da Europa. Era provisória e durou quase cem anos. Prestou grandes serviços que nunca lhe reconheci. E não é que não tivesse dela boas recordações... Há por esse mundo além muitas e piores fealdades que se encontram servindo, em cidades ricas e orgulhosas: Não importa, aquilo feria-me a sensibilidade ociosa. Odiei-a. Pois bem, inaugurada a estação nova, do lado oposto — mais passeios à noite, considerações urbano-estéticas, lamentos, e tal —, quem-me-acode, que aquilo ofende a melodia geométrica da Praça, a imponência da Alfândega vista do rio, e que sei eu.
MIGUÉIS, José Rodrigues (1901-1980), As Harmonias do «Canelão» - Da Mania das Grandezas, p. 72, 1974

Antiga Estação dos Caminhos-de-ferro e Vapores do Sul e Sueste [ant. 1908]
Praça do Comércio (Terreiro do Paço)
Substituída em 1932 pela actual Estação Sul e Sueste no lado nascente da Praça do Comércio.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Engalanada por diversas ocasiões, pois ela foi átrio de recepção dos mais ilustres visitantesEduardo VII, a rainha Alexandra, o Presidente Loubet, o imperador Guilherme II, Afonso XIII, constam da lista dos chefes de Estado que visitaram Lisboa no início do século XX, a Praça do Comércio foi também palco de tragédias. Foi na ponte dos Vapores do Sul e Sueste queás quatro horas e meia da tarde do dia 1 Fevereiro de 1908atracou o vapor que do Barreiro conduzia o rei D. Carlos, a rainha D. Amélia e o príncipe real D. Luís Filipe. Estavam a cem passos da morte.
 
Fotografia aérea da Praça do Comércio (e da Baixa Pombalina), que ilustra o posicionamento da antiga Estação dos Caminhos-de-ferro e Vapores do Sul e Sueste (à esq.) e a  Estação Fluvial Sul e Sueste (à dir.) [1932]
Manuel Barros Marques,
in Lisboa de Antigamente

Sunday, 28 May 2017

Estátua equestre d'el-rei D. José I na Praça do Cavalo Preto

A estatua equestre d'el-rei D. José I — noticiava o semanário illustrado Archivo Pittoresco em 1859 —, erigida na vasta praça do Commercio, é incontestavelmente, em que peze a estrangeiros e estrangeirados, um monumento de que Portugal se pôde ufanar, que poucos ou, talvez, nenhum rival, neste genero, tem no mundo, e que honra altamente o talento dos que a conceberam e executaram, acreditando os nossos progressos nas artes. 1


E surgiu então — relembra-nos Norberto de Araújo — um Terreiro do Paço novo. Espalmou-se aqui, no chão que fora o «espalmadeiro» dos séculos XIV e XV — a mão de Pombal. E Eugénio dos Santos delineou a praça nova, ordenada por decreto de 16 de Janeiro de 1758. (...)
A «Black Horse Square» (Praça do Cavalo Preto), como dizem os ingleses, é, talvez, a mais imponente praça pública da Europa. Quanto à Estátua Equestre data de 1775.
Estamos diante do mais belo monumento consecratório de todo o país — prossegue o ilustre olisipógrafo, glórianão de D. José ou do Marquês de Pombalmas de Joaquim Machado de Castro.

Estátua equestre d'el-rei D. José I  [c. 1870] 
Terreiro do Paço, actual Praça do Comércio; Castelo de S. Jorge e a Sé em fundo.
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente

Joaquim Machado de Castro, lente de escultura e estatuária, que já tinha cinquenta anos quando realizou esta notável obra — ele, o barrista peregrino dos presépios — foi um artista de intuição, desenvolvido na escola de Mafra, onde, ajudante do escultor Alexandre Giusti, revigorou a sua cultura, preparando-se para maiores destinos.
O monumento não lhe saiu de um jacto, como o bronze liquido da Estátua; o artista estudou, duvidou, trabalhou, persistiu. O primeiro modelo fê-lo [em gesso] em fins de Dezembro de 1770, e, depois, mais dois em Março de 1771; foi encarregado da obra em Julho desse ano, e em Outubro lançou-se à empresa. Dois anos depois, precisamente, começaram os trabalhos de fundição, concluídos na manhã de 15 de Outubro de 1774; a Estátua fora fundida em oito minutos, nas oficinas da Fundição de Cima (antiga Fundição de Canhões).

 

Estátua equestre d'el-rei D. José I, face norte, baixo-relevo  [c. 1895] 
Grupo escultórico do lado direito do monumento, representa O Triunfo.
Praça do Comércio (Antigo Terreiro do Paço)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Na madrugada de 22 de Maio de 1775 começou a condução da estátua colossal desde Santa Engrácia, pela Rua do Paraíso, pela Rua (aberta de propósito) do Museu de Artilharia e pela Rua da Alfândega até este Terreiro do Paço; organizou-se um imponente cortejo que desfilou entre alas de tropas de linha, cortejo que teve qualquer cousa de medieval pela grandeza, pelo brilho, até pela originalidade. A zorra conduzindo a Estátua chegou aqui no princípio da tarde de 25 — levou três dias e meio no trajecto —, e a admirável obra de Machado de Castro foi colocada, onde a estás vendo, na manhã do dia 27, ficando coberta por um invólucro de seda carmesim. A inauguração efectuou-se a 6 de Junho de 1775, e as solenidades, espectáculos e festas que se realizaram então foram das de maior esplendor da história de todos os tempos. 

Zorra, Museu Militar [1927] 
A zorra concebida por Bartolomeu da Costa que transportou para o Terreiro do Paço a estátua de D. José I.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Coloquemo-nos em frente do monumento, que muito se valoriza no ambiente da Praça. O fundo natural norte é-lhe dado pelo Arco Triunfal, num cenário a que o Castelo, no alto longínquo, e a Sé, na sua silhueta superior, imprimem semblante histórico; defronte desenrola-se o estuário azul do Tejo, desafogado e alegre. 
O monumento favorecido pela situação ganha assim imenso, orgulhoso na vastidão do Terreiro.
A proporção nos elementos é, como facilmente anotas, um dos méritos deste monumento. Não se dirá que o bloco de bronze de uma patina glauca que o enobrece, tem sete metros menos sete centímetros de altura e 29.371 quilos de bronze útil. Seria necessário colocarem-se quatro homens uns sobre os outros em vertical para darem o tamanho da Estátua. O monumento mede 14 metros de altura.

Estátua equestre d'el-rei D José I e o Arco da Rua Augusta [Início séc.. XX]
Praça do Comércio (Antigo Terreiro do Paço)
Grupo escultórico do lado esquerdo do monumento, representa A Fama.
Augusto Bobonee, in Lisboa de Antigamente

Na frente do fuste, e sob uma escultura com as armas reais de D. José, ali vês o medalhão do Marquês de Pombal, que foi retirado deste lugar logo em 1777 para só ser reposto novamente em 1833.
Por tal sinal conta-se-que o grande Marquês, ao darem-lhe a noticia, observou entre irónico e resignado: «Ainda bem; o retrato não se parecia nada comigo...». A inscrição latina na base do pedestal exalta as virtudes do Rei.
Agora dêmos volta ao monumento, pela direita; ali tens a alegoria escultórica «O Triunfo› representado num grupo, em vulto, no qual se marcam uma figura que conduz um cavalo pisando aos pés os inimigos, avançando outra que conduz a palma da vitória; a alegoria, em baixo relevo, na face norte do pedestal, em frente ao Arco da Praça, representa a «Generosidade Régia» erguendo a Cidade dos escombros do Terramoto, ou, segundo outras divisas, «Lisia desmaiada», ou seja Lisboa vencida pelo Terramoto, enquanto o governo da Nação a ajuda a erguer-se da ruína; o grupo escultórico da esquerda do monumento não é menos belo que os seus similares: dá-nos a «Fama», com a sua tuba sonora, vendo-se as figuras de um homem prostrado e de um elefante.²

Estátua equestre, em bronze, do rei D. José I
Gravura em cobre de Carneiro da Silva, 1774, executada antes da inauguração.
Na frente do fuste, as armas reais de D. José  e o medalhão do Marquês de Pombal
reposto em 1833 conforme se lê na inscrição abaixo do busto.
in Museu de Lisboa

Se, peça por peça, desde a figura do Rei a cavalo, até ao pedestal, com seus grupos e esculturas, o monumento realça como uma grande peça de arte-é o seu conjunto, equilíbrio e nobre simplicidade que constituem o seu mérito.3

Baixo relevo de Machado de Castro, que está colocado no monumento do lado Norte (2ª foto)
Gravura de: "Lucius sculps. Olisip." (José Lúcio da Costa, vulgo o 'Coxinho'), 1795

N.B. O monumento exibe na face oposta do pedestal (face Norte, vd. 2ª foto) uma alegoria de Machado de Castro em baixo-relevo à Generosidade régia (vd. Gravura, 1795), traduzindo o empenho do monarca na reconstrução da cidade destruída pela Terramoto.
Inclui a descrição feita pelo coleccionador: "Lisboa desfalecida despis do terremoto de 1755 é sustentada pelo seu antigo aliado, o deus Marte. A realeza acompanhada do génio da paz anima-a com o olhar e com o gesto. Ao lado entrevê-se o leão, símbolo da sua força. O comércio abre os seus cofres, e põe-os ao serviço da realeza; esta aponta para os edifícios nascentes da reconstruída Lisboa, Por trás da figura do comércio vê-se a navegação, que o auxilia. A diante as mós simbolizando a indústria agrícola. Junto à navegação vê-se a arquitectura ostentando a planta da cidade baixa."
Autor: "J.M.C. inv. delin." (Joaquim Machado de Castro)


Nota(s): Para saber mais sobre este magnifico monumento e o o seu autor, mestre Joaquim Machado de Castro, pode assistir a pequeno filme no n/ sítio do Facebook apresentado pelo escultor Lagoa Henriques e produzido pela RTP em 1971.
___________________________________
Bibliografia
1 Archivo Pittoresc: semanario illustrado, p. 41, 1859.
2 ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 23-25, 1939.
3 cm-lisboa.pt.

Monday, 8 February 2016

Terreiro do Paço, «Black Horse Square»

E surgiu então — um Terreiro do Paço novo. Espalmou-se aqui, no chão que fora o «espalmadeiro» 1 dos séculos XIV e XV — a mão de Pombal. E Eugénio dos Santos delineou a praça nova, ordenada por decreto de 16 de Janeiro de 1758.
A «Black Horse Square» (Praça do Cavalo Preto), como dizem os ingleses, é, talvez, a mais imponente praça pública da Europa.

Terreiro do Paço [séc XIX] 
A Estátua Equestre de D. José data de 1775 e é da autoria do mestre escultor Joaquim Machado de Castro.
Fotógrafo  não identificado,
in Lisboa de Antigamente

Praça principal de Lisboa, sala de visitas da Cidade — de uma nobilíssima magestade à qual não falta harmonia — todos a temos nos olhos.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 23, 1939)

Terreiro do Paço [séc XIX] 
A Estátua Equestre de D. José data de 1775 e é da autoria do mestre escultor Joaquim Machado de Castro
Fotógrafo  não identificado, in AML

A denominação dada à praça foi atribuída pelo Marquês de Pombal que, deste modo, homenageou os comerciantes de Lisboa que, voluntariamente, cederam 4% sobre os direitos alfandegários de todas as mercadorias para a reconstrução da cidade.
No entanto, o povo não aderiu à homenagem, continuando a chamar-lhe Terreiro do Paço. Esta última designação faz referência ao Paço da Ribeira erguido neste sítio por D. Manuel, entre 1500 e 1505.

Terreiro do Paço [séc XIX] 
A Estátua Equestre de D. José data de 1775 e é da autoria do mestre escultor Joaquim Machado de Castro
Fotógrafo  não identificado,
in Lisboa de Antigamente

[1] Estaleiro no qual querenavam naus.
(Virar ou pôr de querena (a embarcação), para consertar ou limpar.)

Wednesday, 1 February 2017

1 de Fevereiro de 1908: Os Três Tiros que Abalaram a Monarquia

O Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, ocorrido no Terreiro do Paço, marcou profundamente a História de Portugal, resultando deste atentado a morte do Rei D. Carlos e do Príncipe Real D. Luís Filipe. O atentado foi uma consequência do clima de crescente tensão que perturbava o panorama político português. O Rei, a Rainha e o Príncipe Real encontravam-se então em Vila Viçosa, no Alentejo, onde costumavam passar uma temporada de caça no inverno. O infante D. Manuel, futuro Rei, havia regressado dias antes, por causa dos seus estudos como aspirante na marinha.
Os acontecimentos acima descritos levaram D. Carlos a antecipar o regresso a Lisboa, tomando o comboio, na estação de Vila Viçosa, na manhã do dia 1 de Fevereiro. Durante o caminho, o comboio sofre um ligeiro descarrilamento junto ao nó ferroviário de Casa Branca, provocando um atraso de quase uma hora. A comitiva régia chegou ao Barreiro ao final da tarde, onde tomou o vapor “D. Luís”, com destino ao Terreiro do Paço, onde desembarcaram, na Estação Fluvial Sul e Sueste, por volta das 5 horas da tarde, onde eram esperados por vários membros do governo, incluindo João Franco, além dos infantes D. Manuel e D. Afonso, o irmão do rei.
Estavam a cem passos da morte.

Fotografia do Terreiro do Paço, com indicações manuscritas:"Buiça, Costa, Nunes. Polícia nas arcadas".
A seta vermelha assinala o local do atentado.
Carvalhão Duarte/ Rocha Martins/ Fundação Mário Soares

Apesar do clima de grande tensão, o monarca optou por seguir em carruagem aberta, numa tentativa de demonstrar normalidade. A escolta resumia-se aos batedores protocolares e a um oficial a cavalo, Francisco Figueira Freire, ao lado da carruagem do rei. Quando se deu o atentado, encontravam-se poucas pessoas no Terreiro do Paço. Quando a carruagem real estava perto da curva para a entrada da Rua do Arsenal, "um homem de barba preta [Manuel Buiça] com um grande gabão", vindo pela retaguarda e afastando as abas do capote, agarrou na carabina que transportava (Winchester, modelo 1907), apontou e descarregou o primeiro tiro, que acertou no pescoço de D. Carlos, matando-o. Apontou e descarregou de novo, atingindo desta feita o rei no ombro.

Terreiro do Paço [191-]
Ao fundo, a antiga Estação Sul e Sueste onde atracou o barco que transportava a família real regressada de Vila Viçosa; a seta vermelha assinala o local do atentado
Joshua Benoliel,in Lisboa de Antigamente

Enquanto isto, vindo das arcadas, Alfredo Costa, armado com uma pistola Browning FN, calibre 7,65, avança para a carruagem real. Subindo para o estribo, dispara quase à queima-roupa sobre o rei. D. Luís Filipe levanta-se, de revólver em punho, mas antes de poder disparar, Costa atinge-o no peito. A rainha, de pé, agita um ramo de flores, gritando "infames, infames!". Seguiu-se a confusão, com a polícia à espadeirada e a disparar em todas as direcções. D. Manuel diria mais tarde: "começou uma perfeita fuzilada, como n'uma batida às feras!". Ambos os regicidas caíram mortos. Eram cinco e meia da tarde.

A rainha, de pé, agita um ramo de flores, gritando "infames, infames!"

A carruagem seguiu, a toda a velocidade, para o Arsenal da Marinha, onde o rei já entrou morto e o príncipe herdeiro agonizante, falecendo pouco depois. O Infante D. Manuel também estava ferido num braço, sem gravidade.
Ao anoitecer, o Infante D. Manuel é coroado Rei de Portugal, que, devido à crescente instabilidade social e à sua inexperiência para liderar, será o último Monarca do País. A Europa ficou revoltada com este bárbaro atentado, uma vez que D. Carlos era estimado pelos restantes Chefes de Estado europeus, e ainda mais pelo facto de não se ter tratado de um acto isolado, mas sim de uma organização metódica. Jornais de todo o mundo publicam imagens do atentado, baseadas nas descrições, com elementos mais ou menos fantasiosos, mas sendo sempre presente a imagem de Dª Amélia, de pé, indiferente ao perigo, fustigando os assassinos com um frágil ramo de flores. Em Londres, os jornais exibiam fotos das campas dos assassinos, cobertas de flores, com a legenda “Lisbon’s shame!” (A Vergonha de Lisboa).






Os regicidas: Manuel Buiça (esq.) e Alfredo Costa (dir.), 1908
Alberto Carlos Lima, in LdA








Nota(s): pode assistir a um pequeno filme sobre o Regicídio aqui.

Monday, 10 August 2015

Verões Lisboetas: as Barcas de Banhos

Os banhos de mar tomavam-se apenas como tratamento prescrito pelos médicos e era na Fundição ou na Praia de Santos que de manhã se ia mergulhar na lama ou na água suja de toda a imundície que naqueles locais se despejava.
Mais tarde, apareceram as Barcas de Banhos com os pomposos nomes de Deusa dos Mares, Flor da Praia, etc.. Como essas barcas estavam amarradas à terra, ou ancoradas muito próximo, as águas eram iguais e ainda por cima o banho tomava-se dentro de verdadeiras gaiolas; mas, por muito tempo, foi moda "ir às barcas" que além do mais serviam para o cultivo do namoro.

Mal se entrava no Verão encontravam-se atracadas no rio as célebres Barcas de Banhos, para ser mais preciso, no cais de Santos, na margem do Tejo, pouco mais ou menos onde hoje fica a estação da linha de Cascais. Assim que a canícula se tornava insuportável o alfacinha ocorria às Barcas; efectivamente os lisboetas não eram muito dados a idas à praia, porque os transportes eram caros e escassos e quanto muito ia-se até Algés, Belém ou Pedrouços. Equivaleriam hoje as Barcas de Banhos às nossas actuais praias.

Terreiro do Paço e as Barcas de Banhos, em 1848
À popa de uma delas vê-se um pontão com o enxugador para as roupas de banho.

Três delas, encontravam-se atracadas perto uma das outras, sendo a primeira, a contar do Cais de Sodré para o Terreiro do Paço, a Lisbonense, pintada de negro com vivos brancos; seguindo-se a Vinte e Quatro de Julho. pintada de azul e a terceira, a Feliz Destino, toda de verde. A primeira era frequentada por gente do povo, a outra pelos remediados e a terceira pelos de mais posses.
Mas, a meio do rio, mesmo em frente ao Terreiro do Paço, fundeava mais uma que se chamava Deusa dos Mares e que se destinava aos mais abastados, onde inclusivamente se ensinava natação. Era esta uma barca ou casco muito grande e com uma história curiosa, que contarei um pouco mais abaixo; acrescia ao preço do banho o transporte em catraio a partir do Cais das Colunas. Acontecia que os banhos ali tomados tinham a vantagem de a água ter maior corrente, ser mais transparente e menos vasa, o que não sucedia com os utentes das outras que estavam atracadas na margem ou muito perto dela.

Uma Barca de Banhos em frente do Terreiro do Paço [1862-1873]
À popa do
pontão com o enxugador para as roupas de banho-vê-se o catraio de transporte dos banhistas.
“Black Horse Square, Lisbon” with the Rua Augusta arch under construction"
T. W. Langton

Sensivelmente entre o ano de 1872 e o de 1874 as condições da água do rio devem-se ter alterado, assim como as instalações da barca se devem ter deteriorado, talvez por falta de manutenção, assunto esse que foi remediado dando origem a um curioso anúncio publicado no Diário Ilustrado de Agosto de 1874, que diz o seguinte:                                   
"Esta barca acha-se fundeada defronte do Arsenal da Marinha, no local, onde a corrente da água é puríssima, mesmo na baixa-mar, por estar convenientemente afastada da canalização dos despejos da cidade. Depois dos melhoramentos que a empresa, como costuma, realizou este ano, foi a Barca vistoriada pelos peritos do Arsenal da Marinha, em virtude do que o Ilm.º e Exm.º Sr. Capitão do Porto deu o seguinte despacho ao requerimentos que nessa ocasião se fez.

Tendo-se passado vistoria e sendo esta de parecer que a barca se acha em boas condições, para o serviço a que é destinada, concedo a licença pedida para vir para a sua amarração. - Departamento do Centro, 26 de Julho de 1874.- Kol.  
A publicação deste despacho garantiu a solidez das obras realizadas e desvanece quaisquer dúvidas, que por ventura houvessem a tal respeito. A boa ordem, asseio e comodidade são rigorosamente observados, como convêm em estabelecimento de tal ordem.
PREÇOS: Primeiro banho de proa, $120 réis; Banho de proa, $100; Banho de chuva, $160; Banho reservado, $200; Banho grande, $120; Banho de ré, $080; Banho geral, $060.    
Obs.: O banho geral para homens corre em volta da popa da barca e mede 102 pés, sendo por tal motivo apropriado para o exercício de natação, sem que haja perigo. A bordo alugam-se roupas, assim como se ministram banhos mornos. No Terreiro do Paço, encontram as pessoas que quiserem frequentar a barca, botes sólidos e expressamente construídos para o serviço de conduzir a bordo."  
As barcas menores tinham a forma de uma pequena vivenda de madeira, construídas sobre enormes faluas, para as quais se entrava por meio de um pontão que vinha da embarcação para o cais, onde se vendiam os bilhetes e alugavam os lençóis, os fatos de banho e as bóias, porque quem sabia nadar tinha autorização para se banhar, fora das gaiolas reservadas aos banhistas, em volta da construção.

Barca menor ligada por um pontão ao cais

O preço do banho variava conforme os lados de bombordo ou estibordo, ou segundo os quartos com poços especiais, onde podia cada qual despir-se; à ré, encontrava-se o "banho geral", onde os utentes se agarravam a uma corda, que um marítimo experiente vigiava, banho este que se pagava com um pataco.

A Barca DEUSA DOS MARES

Tem esta barca uma história curiosa e digna de menção. Pertenceu outrora à praça de Lisboa e fazia a carreira da Índia debaixo do nome «Maia Cardoso». Mais tarde, foi armada em vaso de guerra, e por esse motivo mudou de feição e de nome. Passou a chamar-se «Trovoada» e assistiu impassível, no alto mar, à desencadeada luta dos elementos, pois era feita de teca e da melhor construção, prestando serviços à armada e ganhando mais um título à estima pública.  

Seguiram-se os anos e o vaso de guerra voltou ao Tejo. Cansado já da glória, e depois de se ter tornado útil ao comércio e à marinha, desarmou-se dos apetrechos bélicos, e ataviou-se elegantemente como "Barca de Banhos", e hoje mais do que nunca se acha bem conceituada, porque tem ido de melhoramento em melhoramento, a ponto da barca conter agora 31 banhos a estibordo e bombordo, sendo estes divididos em banhos diferentes, como por exemplo: 4 banhos de chuva, 2 reservados e 3 grandes, havendo a facilidade de reunir 3 banhos num só, quando se dá o caso da família ser numerosa. Como se todos estes atractivos não fossem bastantes, tem mais 2 magníficos banhos gerais com o comprimento de 102 pés ingleses, e a conveniência de servir um dos banhos de escola de natação, descobrindo-se metade, e tornando-se por tanto muito mais claro do que os outros. Davam-se, também  banhos quentes em tinas e igualmente mornos de chuva.


O que sobretudo demonstrava claramente a excelência desta barca era o estar colocada na corrente da água e os banhos de proa serem "tão fortes e cristalinos como o das praias". A bordo, ainda havia um "bufete", onde os banhistas encontravam sempre um bom serviço e preços acessíveis. Havia sempre à disposição dos frequentadores da "Deusa dos Mares" 3 botes no cais do Terreiro do Paço e 2 no Cais do Sodré. Em remate direi que a barca media da proa à popa 156 pés ingleses e 61 de boca, sendo por conseguinte a maior embarcação, ao seu tempo, surta no Tejo.

                                            COMO ERAM AS BARCAS DE BANHOS?  


Nada como o Eng.º Vieira da Silva, que frequentou estas barcas em 1875, na companhia de sua mãe, para nos descrever que: "Tratavam-se de velhos cascos de barcos que se adaptavam a essa nova aplicação. Para esse efeito, ao longo de uma coxia longitudinal de circulação no convés, adaptava-se, a cada um dos costados, de proa à popa, uma estrutura de madeira semelhante a uma longa caixa, com tecto, dividida interiormente por tábuas transversais em celas ou compartimentos, com uma porta para o convés na parede anterior. Constituíam essas celas as barracas, para os banhistas se vestirem e despirem.
Os compartimentos alongavam-se para fora do convés do barco, e as suas paredes laterais e as posteriores, que desciam vedadas até ao nível da água, prolongavam-se para baixo deste nível com a forma de gaiolas, com três das suas paredes feitas de grades de sarrafos, e com o fundo de tábuas de soalho, que ficava cerca de 1,30m abaixo do nível normal da água nos compartimentos.

Panorâmica do rio Tejo vista do Cais do Sodré [séc XIX] 
Ao centro observa-se uma Barca de Banhos
Fotógrafo não identificado, , in Lisboa de Antigamente

Deste modo, cada barraca podia considerar-se formada por dois compartimentos sobrepostos: um aéreo, com o pavimento ou estrado a nível do convés, no qual os banhistas se preparavam para o banho; outro aquático ou submerso, ou poço onde se tomava banho, limitado pelo gradeamento de sarrafos e pelo costado do barco. Como os barcas estavam fundeadas, a água corrente do rio atravessavam os diversos compartimentos, pelos intervalos das grades de madeira o que proporcionava aos banhistas água corrente, com alguns encontros inesperados com peixes, alforrecas e uma ou outra imundície que vagueava pelo rio". (in coisasdeantigamente)

Wednesday, 21 September 2016

Paços do Concelho: a Casa da Câmara

Na noite de 19 para 20 de Novembro de 1863 rebentou um terrível incêndio, que durou oito dias dos maiores que Lisboa tem visto — e reduziu tudo a cinzas. Passavam cento e oito anos menos vinte dias sobre o Terramoto.


Entre 1770 e 1774 construiu-se nesta Praça, que a reedificação da Cidade tornou possível, um edifício para a Câmara Municipal, que se estendia até à Rua do Ouro e Terreiro do Paço. A Câmara ocupava apenas uma parte do «seu» Palácio — pois para a Câmara fora destinado —, havendo-se instalado no edifício a Junta do Crédito Público, o Banco de Lisboa (1822), convertido em Banco de Portugal em 1846, a administração do Contrato do Tabaco, a Companhia das Lezirias, a Companhia Fidelidade, etc. Também parte do edifício (de 1795 a 1807) serviu de habitação a D. Maria I, e à família real, após o incêndio do Paço (Velho) da Ajuda. Na noite de 19 para 20 de Novembro de 1863 rebentou um terrível incêndio, que durou oito dias — dos maiores que Lisboa tem visto-e reduziu tudo a cinzas. Passavam cento e oito anos menos vinte dias sobre o Terramoto.

Paços do Concelho [ant. 1863]
Praça do Município; no segundo plano o Arco da Rua Augusta em construção, faltando ainda o coroamento das colunas só concluído em 1875; no último plano a Sé de Lisboa.

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Logo o Senado da Câmara pensou em reedificar a sua Casa, mas desta vez independente do Terreiro do Paço. O arquitecto Domingos Parente da Silva foi encarregado do risco, e as obras começaram em 29 de Outubro de 1866, só se concluindo em 1875. Alterado várias vezes no plano inicial, o edifício da Câmara de Lisboa é este que aqui se ostenta na Praça do Município.
O edifício dos Paços do Concelho de Lisboa — é nobre. A grandeza relativa equilibra-se com a pureza e harmonia das linhas severas e delicadas a um tempo.

Paços do Concelho [c. 1875]
Praça do Município

Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente
Paços do Concelho, construção [c. 1875]
Praça do Município.  Note-se a ausência da platibanda no torreão oriental da Praça do Comércio.

FFotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sete pórticos, varanda adiantada sobre as três janelas do corpo central, mais duas janelas de varanda de cada lado, e esse belo frontão triangular, do cinzel de Calmels, com as armas da Cidade e as figuras alegóricas da Liberdade e do Amor da Pátria, frontão que se apoia sobre quatro grupos de duplas colunas monolíticas de ordem compósita — eis a fachada do edifício, que uma platibanda de balaústres coroa ao alto e em redor. (O acrescentamento das mansardas data de 1934).1

Paços do Concelho [Inicio séc. XX]
Praça do Município; Rua do Comércio; Rua do Arsenal

Chaves Cruz, in Lisboa de Antigamente

No interior destaca-se a intervenção do arq.º José Luís Monteiro, sobretudo na escadaria central, bem como a rica decoração pictórica a cargo de vários artistas, dos quais se salientam José Pereira Júnior (Pereira Cão), Columbano e Malhoa, revelando deste modo todo o edifício um conjunto destacado de intervenientes, tanto a nível arquitectónico e construtivo, como decorativo, apresentando uma estética e inovação de grande qualidade. A 7 de Novembro de 1996 um novo incêndio destruiu os pisos superiores, ficando afectados os tectos e pinturas do primeiro andar.2

Paços do Concelho [194-]
Praça do Município; Rua do Comércio; Rua do Arsenal; Terreiro do Paço

António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
1 ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, p. 15, 1939.
2 cm-lisboa.pt/equipamentos.
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