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domingo, 11 de agosto de 2024

A Rua que foi do Conselheiro Moraes Soares

Este arruamento nasceu em 1906 como Rua do Conselheiro Morais Soares, no troço da antiga Estr. de Circunvalação compreendido entre a rotunda (hoje, Praça do Chile) no término da Avenida da Dona Amélia (hoje, Avenida Almirante Reis) e a Parada do Cemitério Oriental (hoje Parada do Alto de São João), e foi já após a implantação da República, pelo Edital Municipal de 27/11/1916, que passou a Rua Morais Soares, já que o título de conselheiro recordava o regime monárquico, por ser atribuído pelo soberano, tradicionalmente aos magistrados do Supremo Tribunal e por vezes, a pessoas que tinham prestado serviços honrosos.

Rua Morais Soares |195-|
Cruzamento com as Ruas Francisco Sanches e Carlos Mardel; mais acima vê-se a Praça do Chile e a R. António Pereira Carrilho.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Rodrigo de Morais Soares (1811–1881), formou-se bacharel em Medicina pela Universidade de Coimbra. Foi professor e comissário de estudos. Desempenhou diversas funções na Administração Pública, como especialista em assuntos aduaneiros, agrícolas e financeiros. Foi chefe da repartição de Agricultura da Secretaria das Obras Públicas e mais tarde Director geral, tendo fundado a Quinta Regional de Sintra e o Instituto Agrícola. Fundou o jornal “Arquivo Rural” e publicou diversos textos sobre temas agrícolas e financeiros. Foi deputado, eleito em várias legislaturas. 
Na Academia das Ciências de Lisboa foi eleito sócio correspondente da classe de Ciências Morais, Políticas e Belas Letras a 2 de Novembro de 1865.

Rua Morais Soares |1960|
Esquina com a Rua Carlos Mardel.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Rua Francisco Sanches esquina com a Rua Cavaleiro de Oliveira

A Rua Francisco Sanches (1550-1622) nasceu ainda no séc. XIX, através do Edital municipal de 18/12/1893 na «rua que parte da Travessa do Caracol da Penha ou Nascente da Avenida dos Anjos e que deve vir a findar na antiga Estr. de Circunvalação».

Médico, filósofo e professor universitário português, nasceu em 1551, na diocese de Braga e foi baptizado na Igreja de S. João do Souto. Quanto ao local do seu nascimento, existem três hipóteses: Braga, Tui ou Valença do Minho, mas a segunda hipótese é, de todas, a mais viável. Francisco Sanches, na sua matrícula da Universidade de Montpellier, declara ter nascido em Tui - natus in civitate tudensi.
Francisco de Oliveira (1702–1783), conhecido como Cavaleiro de Oliveira, funcionário da Coroa no século XVIII e escritor proibido pela Inquisição, é desde a publicação do Edital municipal de 17 de Outubro de 1924 o topónimo de uma Rua de Arroios que hoje une a Rua Morais Soares à Praça Olegário Mariano.
 
Rua Francisco Sanches esquina com a Rua Cavaleiro de Oliveira |195-|
Praça Olegário Mariano; ao fundo corre a Rua Morais Soares
A Praça Olegário Mariano, na freguesia de S. Jorge de Arroios, foi atribuída por Edital municipal de 4 de Maio de 1959 na então designada Praceta da Rua Pascoal de Melo. 
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

domingo, 12 de novembro de 2023

Igreja do Santo Condestável

A igreja paroquial do Santo Condestável, moderna mas com reminiscências de ogival, situa-se na encruzilhada das ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass, nos limites de Campo de Ourique, e é orientada sensivelmente a Nascente.


A Igreja do Santo Condestável, com traça em forma de cruz latina, cuja construção se concluiu em 1951 em terrenos vizinhos das ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass, inspira-se nos templos portugueses da fase final do gótico, o flamejante no seu período embrionário, expressivamente representados em Lisboa pela Igreja do Carmo e em Santarém pela da Graça. Mas à parte o fundamental e típico, a Igreja do Santo Condestável afasta-se nos pormenores mínimos dos seus modelos, de que conserva porém, e inteiramente, a espiritualidade. Todo o edifício se assinala pela simplicidade e pela alvura, onde sobressai num contraste feliz o granito de Sintra. Há um misto de nobreza e de humildade na aliança dos paramentos de simples reboco branco com as cantarias cinzentas, trabalhadas a pico fino. Templo erguido a um dos maiores de Portugal, recorreu-se para a execução da estrutura ao processo tão português da alvenaria de pedra e cal.

Igreja do Santo Condestável |1953|
Ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass; ao fundo nota-se o Mercado de Campo de Ourique erguido em 1933.
A Fachada, com um corpo central no qual se rasga o grande p6rtico de arco em ogiva, e duas torres simétricas.
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente
Igreja do Santo Condestável |195-|
Ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass
O pórtico com adro sobrelevado ao nível da praça, ao qual se acede por quatro degraus, dando serventia à galilé. Gradeamento de ferro forjado em ponta de lança. Sobre o pórtico o brasão das Armas Reais de Portugal, tal como se usava no começo da 2ª Dinastia.
Salvador de Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

A autoria da igreja pertence ao arq-º Vasco de Morais Palmeiro (Regaleira) que teve como colaboradores na parte ornamental os escultores Leopoldo de Almeida, Veloso da Costa e Soares Branco, e os pintores José de Almada Negreiros, Portela Júnior e Joaquim Rebocho, e na construção o eng.º Santos Fernandes e Mestre Cipriano. Os trabalhos de serralharia artística foram executados pela Serralharia Artística do Corvo.
Dirigiu administrativamente a erecção do edifício uma comissão designada pelo Patriarca de Lisboa e de que fizeram parte o falecido Prior P.• Francisco Maria da Silva, o Marquês de Abrantes, o arquitecto Regaleira e Alberto Portugal da Silveira. A Comissão de Honra pertenceram, entre outros, S. A. a Infanta D. Felipa de Bragança, e o Ministro da Defesa, coronel Santos Costa.
 
Campo de Ourique e a Igreja do Santo Condestável, fotografia aérea |1956|
Ruas Saraiva de Carvalho e Francisco Metrass
A Fachada posterior, tendo no centro da parede (onde se unem o Presbitério e Patronato) um apoio ou mísula, destinado à estátua de Nossa Senhora de Fátima. Aqueles anexos, nos topos exteriores, estão ligados por muro com janelões com grelhagem de tijolo à meia esquadria, e cancelo de ferro forjado, de acesso a pequeno pátio.
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

A inauguração do templo teve lugar em 14 de Agosto de 1951, aniversário de Aljubarrota, com a presença do Chefe do Estado, do Cardeal-Patriarca. A urna, com as relíquias de Nun'Alvares, foi então trazida num ·armão de artilharia, com escolta de honra, da capela da Venerável Ordem Terceira do Carmo (0onde se guardava desde 1834) para o novo templo, em aparatoso cortejo.

Igreja do Santo Condestável, inauguração  |1951-08-14|
Rua Saraiva de Carvalho; Rua Francisco Metrass
Duas torres de secção quadrada com encostos de granito de Sintra e silhares
que prolongadas verticalmente em forma de pilastras terminam fazendo
moldura às ventanas; cantoneiras nas esquinas, terminadas por coruchéus,
igualmente de granito; a cobertura em grimpa acoruchada, que assenta em sobre-beira
dupla de telha portuguesa, rematada airosamente por pára-raios decorativos (Cruz dos Pereiras).
Só a torre Norte (a da direita) tem ventanas sineiras.
Firmino M. Costa, in Lisboa de Antigamente


Por decreto patriarcal de 21 de Maio de 1984 foi criada a freguesia eclesiástica do Santo Condestável, começando as funções paroquiais em 8 de Junho imediato. A área da nova freguesia foi constituída à custa das de Alcântara e Santa Isabel. Até 1951 serviu de igreja paroquial a capela setecentista da Senhora das Dores (mais exactamente «do Amor da Virgem Senhora Nossa das Dores»)
na Rua do Patrocínio, construída com material sobejado da edificação da Basílica do Coração de Jesus (Estrela). 

Igreja do Santo Condestável, pórtico  |1956|
Rua Saraiva de Carvalho; Rua Francisco Metrass
O portal em ogiva chanfrada aberta em frontal de pedra, no estilo gótico flamejante
com o escudo de armas dos Pereiras a fazer remate. Cornija com legenda camoneana
e 
sobre ela um grupo escultórico ornamental representando o beato frei Nuno de Santa
Maria entre dois Anjos orantes (S. Miguel e o («Anjo de Portugal») (Leopoldo de Almeida).
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

No Interior, assinala-se o Corpo da igreja, de três naves (a central sobrelevada) e transepto, e nele:
O tecto de dois tramos, de falsa abóbada de aresta estucada de branco.
As naves separadas por quatro grupos de pilares formando arcada em ogiva, a nave central ocupando toda a1tura, as laterais correndo por baixo do trifório. A iluminação das naves laterais é feita por duas frestas de cada lado, com caixilhos de chumbo e vidros de cor. A meio das naves portas laterais, cada qual com sobreporta, nicho e nele imagem de pedra.

 

Igreja do Santo Condestável, perspectiva, Altar-mor  |1956|
Rua Saraiva de Carvalho; Rua Francisco Metrass
A Capela-mor, prolongamento da nave central e cujo acesso se faz por um arco chanfrado
de ogiva deprimida, iluminada lateralmente por dois pares de janelas de arco de dupla curva,
com vidros de cor montados em armadura de chumbo. Todo o fundo é ocupado por grande
retábulo de pintura a fresco (Portela e Rebocho) representando a glorificação de Nun'Alvares).
Mário de Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa: Monumentos histórico, 1956.

domingo, 21 de maio de 2023

Rua Marquês de Fronteira que foi Estr. da Circunvalação

Por decreto de Setembro de 1852 a cidade passaria a ser circundada por muro alto e contínuo, feito propositadamente, até junto ao rio, tendo por únicas passagens, portões de ferro. Chamava-se Estr. de Circunvalação e para efeitos aduaneiros estava guardada pela Guarda Fiscal.
A estrada passava pelo Arco do Carvalhão (Arco pertencente às Aguas Livres) Rua D. Carlos de Mascarenhas — Rua Marquês de Fronteira — actual Avenida Duque de Ávila — Rua Visconde de Santarém — Largo do Leão — Rua Carrilho — Rua Morais Soares — Alto de S. João — Avenida Afonso III (sendo novo o último troço, evitando-se a Calçada das Lajes) Xabregas.

Rua Marquês de Fronteira |1927|
Antiga Estrada da Circunvalação
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Legenda da foto no arquivo: «O carro celular com o preso (José Júlio da Costa), a caminho da Penitenciária de Lisboa»

A artéria perpetua a memória de D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto (180 –1881), 8º conde da Torre, 5º marquês de Alorna e 7º marquês da Fronteira. Após a Vilafrancada viveu exilado para depois fazer toda a campanha das lutas liberais, tendo-se reformado no posto de marechal-de-campo. Foi também governador civil de Lisboa (1846-1851), par do reino e deixou 5 volumes das suas «Memórias do Marquês da Fronteira e Alorna».

Eléctricos na Rua Marquês de Fronteira |1960|
Dístico de 1903. Paragem junto a Rua de Campolide.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Rua Carlos Mardel

Arquitecto e engenheiro húngaro - Károly Martell, em 1695? e falecido em 1763, veio para Portugal em 1733. O primeiro trabalho a que se dedicou foi o Aqueduto das Águas Livres. Foi o responsável pelo projecto do reservatório das Amoreiras, conhecido por Casa das Águas, e pelo traçado do aqueduto desde o vale de Alcântara até à Mãe d'Água. 

Rua Carlos Mardel [c. 1940]
Cruzamento com a Rua Morais Soares; perspectiva tirada da Rua Francisco Sanches; esta foi uma das novas ruas (1929) da urbanização do Estado Novo na zona que vai do Mercado do Bairro dos Actores ao Areeiro
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente 

Foi um dos principais arquitectos da reconstrução capital após o terramoto de 1755. Teve também responsabilidade em outras obras, nomeadamente Chafariz da Esperança e da Rua Formosa, convento de S. Domingos, Colégio dos Nobres, palácio Pombal de Oeiras.

Rua Carlos Mardel [1960]
Esquina com a Alameda Dom Afonso Henriques. Dístico atribuído em 1929 ao antes «prolongamento da Rua Francisco Sanches»
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente 

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Rua Morais Soares

Este arruamento nasceu em 1906 como Rua do Conselheiro Morais Soares, no troço da antiga Estrada de Circunvalação compreendido entre a rotunda (hoje, Praça do Chile) no término da Avenida da Dona Amélia (hoje Avenida Almirante Reis) e a Parada do Cemitério Oriental (hoje Parada do Alto de São João), e foi já após a implantação da República, pelo Edital Municipal de 27/11/1916, que passou a Rua Morais Soares, já que o título de "conselheiro" recordava o regime monárquico, por ser atribuído pelo soberano, tradicionalmente aos magistrados do Supremo Tribunal e por vezes, a pessoas que tinham prestado serviços honrosos.

Rua Morais Soares |195-|
Antiga Estrada de Circunvalação
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Rodrigo de Morais Soares (1811–1881), bacharel em Medicina pela Universidade de Coimbra, distinguiu-se como alto funcionário da Administração Pública e especialista em assuntos aduaneiros, agrícolas e financeiros. Quando em 1852 se criou a Secretaria das Obras Públicas foi nomeado chefe da repartição de Agricultura e mais tarde Director geral, tendo fundado a Quinta Regional de Sintra e o Instituto Agrícola. Em 1858 fundou o Arquivo Rural, importantíssimo jornal de agricultura e artes e ciências correlativas. A Escola de Regentes Agrícolas de Santarém teve o seu nome, passando em 1910 a Escola Prática de Agricultura. Ainda escreveu diversos opúsculos sobre temas agrícolas e financeiros.[cm-lisboa.pt]

Rua Morais Soares |1955|
Antiga Estrada de Circunvalação
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

domingo, 11 de agosto de 2019

Mercados do Poço dos Mouros e de Arroios

Construído em 1942 pela “Sociedade de Construções Amadeu Gaudêncio” e projectado pelo arquitecto Luiz Benavente, o Mercado de Arroios veio substituir o antigo Mercado do Poço dos Mouros considerado anti-higiénico — ou mesmo "infecto" —, no dizer de alguns.

Classificado inicialmente como mercado retalhista, mais tarde desempenhou as funções de mercado abastecedor de legumes, passando á categoria de mercado misto:
“Dispunha de 31 lojas destinadas a talhos, salsicharias, venda de frutas, lacticínios, etc., e de 300 lugares de venda. No subsolo foram instalados um matadouro de aves, tulhas, cantinas e frigoríficos, para carne, peixe, caça, aves, frutas, hortaliças. Aqui também existem lavabos e chuveiros para utilização dos vendedores, público e pessoal; arrecadação para produtos e vestuários dos vendedores, devidamente numerados e uma cantina.” [Leite: 2012]

Mercado do Poço dos Mouros, inaugurado em 1927 |1927-06-20|
Rua Morais Soares com a Rua Carvalho Araújo (antiga Azinhaga do Areeiro)

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Mercado do Poço dos Mouros, inaugurado em 1927 |1939|
Rua Morais Soares com a Rua Carvalho Araújo (antiga Azinhaga do Areeiro)

Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O Mercado de Arroios situa-se entre as ruas Carlos Mardel e Ângela Pinto. Com projecto do arquitecto Luís Benavente, datado de 1942, destinou-se a servir um dos bairros então em maior expansão demográfica da capital: o que ligava a cidade da viragem para o século XX (em torno de Arroios) com as novas áreas em redor da Fonte Luminosa e do Bairro dos Actores. Implanta-se na principal praça deste último bairro, dominando funcionalmente este segmento urbanístico a ponto de determinar a equipamentos comerciais nas ruas adjacentes. A partir da década de 1980, e à semelhança de muitos outros mercados tradicionais, entrou em decadência progressiva, ameaçado pelas grandes superfícies comerciais e pela redução drástica de produção local em torno de Lisboa, facilitada pelo avanço dos subúrbios e pela conversão profissional de largas faixas da população. Permanece, todavia, como um dos mercados de referência da zona oriental.


Mercado de Arroios |194-|
Rua Ângela Pinto
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O edifício segue uma planta centralizada, cujos lados são organizados uniformemente em alçados de quatro pisos, progressivamente mais pequenos à medida que se aproxima a cobertura. O registo térreo é formado por grandes arcadas de lintel recto, cobertas por superfícies de vidro que formam montras de estabelecimentos comerciais do interior. Quatro delas (abertas segundo os pontos cardeais) são as entradas principais, encimadas axialmente por brasões municipais. Os panos do segundo piso são rasgados por conjuntos de cinco janelões, solução que se repete nos dois últimos pisos, embora recorrendo a vãos mais pequenos.
O interior possui dois pisos, fazendo-se a ligação através de escadarias na quadra central. Aqui, no piso inferior, dispunham-se originalmente as floristas, enquanto as vendedoras de verduras e de frutas ocupavam a grande galeria circular junto às portas. O andar superior era reservado ao comércio de peixe. ~
[ALMEIDA, Álvaro Duarte de, Portugal património: Lisboa, 2007]

Mercado de Arroios |1942|
Rua Ângela Pinto
in Revista municipal Lisboa

Depois de dois anos de obras de requalificação e cerca de um milhão de euros depois, o Mercado de Arroios reabriu em 2017 apresentado à freguesia de cara lavada. Os postos de venda foram remodelados, o pavimento substituído e o interior pintado. Há uma nova rede de águas e melhorias na mobilidade (rampas e novos elevadores). O final desta requalificação acontece no ano em que se celebra o 75º aniversário da construção do mercado, classificado nos anos 80 como edifício com interesse cultural.
___________________
Bibliografia
cm-lisboa.pt.
Revista municipal Lisboa, 1941.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Rua Morais Soares

No início do século XX, quase toda esta zona no termo da cidade era, ainda, maioritariamente composta por quintas: Quinta do Papagaio, do Fole, da Ladeira, do Alperce,  dos Pacatos, do Bacalhau, da Perna de Pau, do Areeiro. da Curraleira, e as quintas da Horta da Cera  e da Brasileira, estas duas contíguas à Rua Morais Soares e que se vêem na imagem. Do lado esquerdo vê-se parte do Hospital de Arroios na antiga Estrada de Sacavém que, juntamente com a Azinhaga do Areeiro (à dir.), seguiam para N., na direcção do Areeiro. O local onde se vê o carro funerário está assinalado na carta topográfica com um círculo vermelho (fig. 2 )

Panorâmica tirada da zona da Penha de França |c. 1900|
Cortejo fúnebre na Rua Morais Soares a caminho do cemitério do Alto de São João.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente
 
Rodrigo de Morais Soares (1811-1881) foi bacharel em Medicina pela Universidade de Coimbra. Depois da organização do ensino é feita pelo governo liberal, foi nomeado professor e comissário de estudos em Vila Real. Em 1848 foi eleito deputado pela primeira vez, voltando às câmaras em várias legislaturas. Quando em 1852 se criou a Secretaria das Obras Públicas foi nomeado chefe da Repartição de Agricultura, e mais tarde director geral. Nestes lugares prestou relevantes serviços, principalmente com a fundação da Quinta Regional de Sintra, a que deixou a sua biblioteca, a criação do Instituto Agrícola e dos postos hípicos. Em 1858 fundou o Arquivo Rural, importantíssimo jornal de agricultura e artes e ciências correlativas. Colaborou também no Recenseamento Geral dos Gados. Escreveu muitos opúsculos notáveis sobre assuntos agrícolas, financeiros, etc. Teve o seu nome a Escola de Regentes Agrícolas de Santarém, que foi depois transformada em Escola Prática de Agricultura em 1910. Tem em Lisboa uma rua com o seu nome.
(Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses» vol. I, coordenado por Barroso da Fonte)

Fig. 2 - Fragmentos das Plantas Topográficas de Lisboa 11 K e 12 K, Levantamento da Planta de Lisboa: 1911
por Júlio António Vieira da Silva Pinto

sábado, 19 de setembro de 2015

Retiro do Manuel dos Passarinhos

"Há em Lisboa um pequeno número de restaurantes ou casas de pasto [em] que, sobre uma loja com feitio de taberna decente, se ergue uma sobreloja com uma feição pesada e caseira de restaurante de vila sem comboios. Nessas sobrelojas, salvo ao domingo pouco frequentadas, é frequente encontrarem-se tipos curiosos, caras sem interesse, uma série de apartes na vida."
(in Livro do Desassossego, Bernardo Soares)

Retiro do Manuel dos Passarinhos [ c. 1910]
 A Calçada do Poço dos Mouros inicia-se na Travessa do Calado / Rua da Penha de França e termina na Rua Morais Soares.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

 
Até ao início do século XX, esta era uma zona de hortas, quintas, retiros e, também, um dos caminhos para o cemitério do Alto de São João. Por aqui existiu o «Retiro Manuel dos Passarinhos» cuja frase publicitária ficou célebre: «Não se esqueçam na volta». Não se pretendia, pois, interromper a devoção religiosa de acompanhamento dos entes queridos, mas depois desta havia necessidade de alimentar o corpo e, porque não, com «Bons vinhos e petiscos», mesmo ali ao virar da esquina, literalmente.
[TAVARES DIAS, Marina, Lisboa Desaparecida)

Quinta (Retiro) do Manuel Passarinhos [1911]
Era um «retiro «à Rua Morais Soares/Poço dos Mouros [actual Largo Mendonça e Costa], onde os familiares e acompanhantes do defunto paravam, no regresso do Alto de S. João, para lavar as goelas e afogar saudades à sombra da parreira». [Miguéis, 1984]
Levantamento da Planta de Lisboa: 1911, Pinto, Júlio António Vieira da Silva.[Fragmento]


terça-feira, 15 de setembro de 2015

A bicha dos sedentos num chafariz improvisado da Rua Morais Soares

Agosto de 1925 acabou num calor tremendo. A foto, publicada no Diário de Notícias de 1 de Setembro, tem por legenda: «A bicha dos sedentos num chafariz improvisado da rua Morais Soares».

Rua Morais Soares [1928]
Junto à Rua Cavaleiro de Oliveira
Falta de Água em Lisboa, in Lisboa de Antigamente

domingo, 23 de agosto de 2015

Igreja e Convento de Nossa Senhora da Penha de França

A primeira ermida (Alto da Penha de França) com esta invocação surgiu na sequência de um voto efectuado em Alcácer Quibir pelo imaginário António Simões. A sua construção iniciou-se em 1597-98. Em 1601 foi entregue aos eremitas calçados de Santo Agostinho. Entre 1625 e 1635 foi edificado um novo templo, em substituição do anterior. No século XVIII a igreja sofre nova campanha de obras, concluídas em 1754 que ficariam bastante danificadas pelo terramoto no ano seguinte, sendo de seguida reconstruída com o apoio do marquês de Marialva. Já no século XX passa a Igreja Paroquial. 

Panorâmica da Penha de França tirada da Rua Morais Soares |Início séc. XX|
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente
 
A fachada principal da igreja, toda em cantaria de calcário, desenvolve-se em 3 planos e 3 corpos distintos, marcados por dois contrafortes com pequenos nichos. No corpo central, vazado situa-se a escadaria monumental de acesso ao templo. Sobre o vão rematado com arco abatido, e ao nível do 3º piso janela de sacada que abre para bacia com balaústres, suportada por mísulas. O conjunto e encimado por cartela com emblema da Ordem de Santo Agostinho. Ao nível dos corpos laterais, portas de verga recta no embasamento, sobrepujado por vão em arco de volta perfeita e grande janela no 3º piso. No enfiamento do plano central, pano de muro vazado por óculo sendo o conjunto rematado por frontão triangular, coroado com cruz de ferro e fogaréus de cantaria, sobre acrotérios. O acesso ao interior faz-se através de escadaria, que acede ao nartex.

Largo da Penha de França |1949|
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

O interior é de planta axial. A nave possui altares laterais (3 de cada lado) intercalados por portas e janelas de peito, no nível superior. Púlpitos em cantaria e cobertura efectuada por abóbadas com trabalho em estuque e pintura. Na fachada tardoz torre sineira e grande registo de azulejo. Por sua vez, a construção do Convento data do século XVII sendo Teodósio de Frias o arquitecto responsável pelo seu traçado. Em 1700 possuía 40 religiosos. O edifício conventual situa-se contiguamente ao alçado principal da igreja, organizando-se em 3 andares separados por frisos de cantaria. Ao nível do piso térreo, vãos de portas e janelas, que nos superiores passam a janelas rectangulares de verga destacada, que no último piso são de menores dimensões e sobrepujadas por óculos. Possui claustro rectangular, com arcos de volta perfeita ao nível do piso térreo, e janelas de sacada de verga recta no sobre claustro. O convento possui grande variedade de revestimentos azulejares, com exemplares desde o século XVII, policromados, século XVIII com painéis historiados e de figura avulsa. Destaca-se o revestimento da antiga cozinha conventual. Como a igreja, todo o conjunto sofreu danos em consequência do terramoto de 1755. 
A Igreja e edifício do antigo Convento de Nossa Senhora da Penha de França, incluindo o seu património integrado encontram-se Em Vias de Classificação. [cm-lisboa.pt]

Largo da Penha de França |1949|
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente
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