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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Rua Aviador Plácido de Abreu com Rua Prof. Sousa da Câmara, às Amoreiras

O topónimo Rua Aviador Plácido de Abreu foi atribuído pela CML, através de Edital datado de 21/12/1960, ao arruamento com a denominação provisória de Rua Projectada à Rua das Amoreiras ou Rua “B” à Rua das Amoreiras; este troço da velhinha Rua das Amoreiras corresponde, desde 1971, à Rua Prof. Sousa da Câmara [vd. 2ª imagem] que se pode ver ao fundo.

Nota(s): Plácido António da Cunha Abreu (1903-1934), aviador acrobata despenhando-se contra o solo por ocasião da Taça Mundial de Acrobacia Aérea que decorria em Vincennes, França.
Alferes e observador na aviação portuguesa desde 1925, Plácido de Abreu tirou a carta de piloto aviador em 1930 e começou a praticar acrobacia distinguindo-se pelo seu arrojo. No Grande Certame Internacional de Cleveland, em 1932, ficou classificado entre os três primeiros acrobatas não americanos.  [1943-1974 - Actas da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa]

Rua Aviador Plácido de Abreu |1967|
Ao fundo corre a velhinha R. das Amoreiras, desde 1971 denominada R. Prof. Sousa da Câmara.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Rua das Amoreiras actual R. Prof. Sousa da Câmara |1967|
Perspectiva tomada das Ruas do Arco do Carvalhão e de Campolide (Cruz das Almas) do troço da antiga Rua das Amoreiras, antes desta ser separada em dois troços distintos pela Av. Eng. Duarte Pacheco em 1948. 
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): António Pereira de Sousa da Câmara (1901-1971) foi Professor Catedrático do Instituto Superior de Agronomia, escola em que se tinha formado como Engenheiro Agrónomo e Engenheiro Silvicultor. Leccionou as cadeiras de Agricultura Geral e de Máquinas Agrícolas. Leccionou ainda a cadeira de Trematologia que, de algum modo era a área científica precursora da Genética no final do século XIX e início do século XX. No seu trabalho de investigação foi pioneiro no estudo e investigação da Genética em Portugal, tendo estagiado, após a conclusão do seu curso nas Universidades de Edimburgo (1932-1933) e Cambridge (1933). Mais tarde estagiou também na Alemanha no Kaiser Wilhelm Institut für Biologie (1936) e na Universidade de Missouri nos Estados Unidos da América (1948). Fundou as revistas de Agronomia Lusitana e Genética e escreveu ABC da Genética (1942) e No Caminho – Guiando Uma Empresa Científica, 1943, além de numerosos trabalhos científicos. [bibliotecacosmos]

domingo, 13 de abril de 2025

Sítio de Alvalade: o Pequeno e o Grande

A Estr. de Jerabrigam ia, pois, ao Campo de Alvalade onde, à beira do caminho, surgiram duas povoações distintas, denominadas do Campo, sendo a maior o Campo Grande, e a menor o Campo Pequeno. Grande e Pequeno não são alusivos a campos distintos, mas a póvoas distintas em que uma era maior que a outra, e ambas no mesmo campo.

Quase todos os dicionários de Língua Portuguesa trazem o artigo «alvalade» a que dão o sentido de «campo ou pátio murado». A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, além dessa acepção, que não sei onde se foi arranjar, dá ainda mais esta: «Estrado ou tablado erguido do chão e destinado a permitir que dele se veia (sic) solenidade ou espectáculo». Traz como abonação um passo do El-Rei Seleuco de Camões, que é, na íntegra, como segue: «Mas tornando ao que importa, vossas mercês he necessario que se cheguem hus para os outros, para darem lugar aos outros senhores que hào de vir, que doutra maneira, se todo o corro se ha de gastar em palanques, será bom mandar fazer outro alualade....» , p. 83 da admirável edição do prof. Marques Braga.¹

 

Fotografia aérea do bairro de Alvalade e jardim do Campo Grande |c. 1953|
O Campo Grande tem este topónimo fixado através da publicação do Edital municipal de 19 de Janeiro, de 1916, que assim juntou as Ruas Oriental e Ocidental num único topónimo.
Abreu Nunes, in Lisboa de Antigamente
Fotografia aérea do Campo Grande |1955|
Em 1869, durante o reinado de D. Luís I, arranca a construção do lago principal, para agradar às esposas e famílias dos amantes de cavalos. Nascem os passeios românticos de barco a remos, frequentados por nobres e realeza. 
Mário Oliveira, in Lisboa de Antigamente

Julgo que o passo é bem claro: Alvalade não quer dizer nada do que se lhe atribui na Enciclopédia! Naquelas palavras a que oferece tal acepção é palanque. Camões pretendeu muito simplesmente dizer na sua o seguinte: se porventura os espectadores não se apertassem, quando se verificasse a chegada dos retardatários, para que todos ali coubessem, seria necessário mandar lá construir outro Alvalade, mas o Alvalade topónimo, o Alvalade sítio correspondente ao actual Campo Grande, naquela época fora do perímetro da Capital. Como esta designação moderna ainda o indica, a superfície dos terrenos desse local era extensa, de tal maneira que por vezes até lá se reuniam tropas para manobras. Alvalade, portanto, no citado passo camoniano tem de ser entendido, repita--se, como nome de sítio e não como nome comum, embora, por comparação, Camões o utilizasse, dada a referida extensão do local, para exprimir as ideias de «espaço vasto», «terreno extenso». Trata-se de topónimo já atestável em 933, não o de Lisboa, mas outro «in territorio conimbriense» («...de uilla de albalat per suos terminos», idem, p . 25), etc. A sua origem está no árabe al-balâT, «parte chata ou «plana», «prato chato», «chão», daí «terreno plano, planície».²


Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |séc. XIX|
O Lumiar tinha garantidas as suas carreiras, tomando os passageiros os veículos na Rua do Ouro, 265, por um tostão; pagavam-se quatro vinténs ate ao Campo Grande. (Martans, 1947)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |1910|
Em 1816 alberga as primeiras corridas de cavalos, sendo que hoje em dia os concursos hípicos são realizados nas proximidades do jardim, por trás do Museu da Cidade (Palácio Pimenta).
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Campo Grande, antigo Campo 28 de Maio |1909-06-06|
Concurso de raça bovina no Campo Grande promovido pela Real Associação Central de Agricultura.
Nota(s): A Feira do Campo Grande (ou das Nozes, séc. XVI) remonta ao tempo de Dona Maria I. Foi transferida para o Lumiar em 1902, tendo estado posteriormente no Campo Pequeno e voltado novamente ao Campo Grande. Em 1932, regressa de novo ao Lumiar até à sua extinção.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

No século XX, Alvalade, até então topónimo não oficial, foi oficializado pelo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Álvaro Salvação Barreto ao determinar “[…] que o aglomerado habitacional que se está erguendo a sul da Avenida Alferes Malheiro [actual Av. Brasil], à beira do Campo 28 de Maio [hoje Campo Grande] tenha a denominação de Sítio de Alvalade.” (3 de Março de 1948). O moderno Bairro de Alvalade foi projectado por Faria da Costa, em 1940/1945, desenvolveu-se a partir da ideia de subunidades de vizinhança com espaços de comércio local, de educação, e de recreio, deixando as grandes vias para a circulação automóvel, que cruzava o bairro.

Praça de Alvalade |195-|
Cruzamento das Avenidas de Roma e da Igreja
Naqueles terrenos baldios, ao centro, encontra-se hoje o Centro Comercial de Alvalade.
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A Praça de Alvalade foi criada aquando da construção do Bairro de Alvalade (c. 1950), tendo inicialmente adoptado a designação de Largo Frei Luís de Sousa. Contudo, quando foi erigida no seu centro a estátua de Santo António em 1972, evitaram-se as confusões, dando-lhe então a actual designação e alterando a designação do Largo de Alvalade para Largo Frei Luís de Sousa.³
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Bibliografia
¹ SAA, Mário, As Grandes Vias da Lusitania: O Itinerário de Antonino Pio. Lisboa, 1957-1967.
² JOSÉ PEDRO MACHADO - Factos, Pessoas e Livros: comentários através dos tempos, vol. V. Lisboa: Livraria Portugal, 2006.
³ jornaldapraceta.pt.

sexta-feira, 27 de março de 2020

Lojas de Antanho: Drogaria Moderna

No dealbar do século XX — refere Marina Tavares Dias — são inúmeros os estabelecimento que utilizam a palavra “moderno” para melhor cativar clientes. As crenças num futuro radioso, nas suas inovações técnicas, nos seus fabulosos inventos, vão revelar-se precárias como um cenário de papelão: será demasiado fácil lançá-las à fogueira das guerras.¹

Drogaria Moderna |c. 1908|
Sucursal do jornal O Século
Antigo troço da Rua das Amoreiras, 202, actual Rua Prof. Sousa da Câmara, 148
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

A velhinha Rua das Amoreiras, dístico de 1874, principiava no Largo do Rato e terminava nas Portas da Cidade (Campolide), actual Rua Dom Carlos de Mascarenhas. Após a construção da Avenida Engenheiro Duarte Pacheco, em 1948, o troço da Rua das Amoreiras, entre aquela avenida e a Rua Dom Carlos de Mascarenhas, passou a denominar-se Rua Prof. Sousa da Câmara (1971). Depois de todas estas alterações toponímicas procedeu-se à alteração dos números de polícia.
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Bibliografia
¹ Marina Tavares Dias em Lisboa Desaparecida, volume VI, p. 38, 1998.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Ermida da Cruz das Almas

Pois estamos outra vez na Cruz das Almas. 
O sítio da Cruz das Almas — diz Gustavo de Matos Sequeira — aparece-nos pela primeira vez citado em 1719, no registo de óbito de uma Inez, filha de Manuel de Sequeira e de Catarina Maria, feito na freguesia de São José. Noutros, em 1730 e 1732, surge- nos a designação ao «Canto das Almas». A não ser que a referência seja a outro local — à «Cruz de Santa Marta» talvez — temos que assentar que esta denominação topográfica só se fixou muito mais tarde, tanto mais que a «cruz do Padrão» não pertencia à paróquia de São José. O que é certo, também, é que em 1731, o bispo de Lamego D. Nuno Alvares Pereira de Melo faleceu à «Cruz das Almas» em 8 de Março deste ano, e já se sabe que os Cadavais tinham aqui casa e propriedades rústicas e que foi um Cadaval o fundador da ermida de que já vamos falar. [...] ¹

Ermida da Cruz das Almas |c. 1940|
Rua de Campolide
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

A Ermida que aqui vês — recorda-nos, por seu turno, Norberto de Araújo — pequeno prédio que se segue, já na Rua de Campolide, à esquina da Rua das Amoreiras, foi fundada em 1756 por D. Nuno Álvares Pereira de Melo, 3º Duque do Cadaval, e um dos dezóito filhos ilegítimos que êste Duque teve. Os Cadavais tinham aqui perto uma casa sua, junto do Palácio Anadia, mas já na Rua do Portal de S. João dos Bemcasados, isto é: na, depois, das Amoreiras.
A Ermida foi dedicada à Imaculada Conceição Maria Santíssima, como estás lendo, em inscrição gravada na verga do portal. 

Ermida da Cruz das Almas |1945|
Rua de Campolide, à esquina da Rua das Amoreiras
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Esta Ermida da Cruz das Almas interiormente possue um belo silhar de azulejos do Rato, policromo, um teto estucado e pintado, e, no altar-mór, um Cristo, de marfim, e algumas imagens (S. Domingos e Santa Tereza) além de um retábulo de N. Senhora da Conceição.²

Sítio da Cruz das Almas |1857|
Vermelho: Ermida da Cruz das Almas
Azul: troço da antiga Rua das Amoreiras, que corresponde actualmente à Rua Prof. Sousa da Câmara
Laranja: Rua de Campolide (antiga Estr. de Campo Lide

Verde: Rua do Arco do Carvalhão
Levantamento da Planta de Lisboa (excerto), 1857 por  Filipe Folque, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Depois do terramoto: subsídios para a história dos bairros ocidentais de Lisboa, Volumes 3-4, p. 489, 1967.
² ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 81-82, 1939.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Prédios da Cruz das Almas

Este cruzamento da Cruz das Almas — recorda-nos Norberto de Araújo — era sitio — vê lá tu! — de S. João dos Bemcasados, (chamou-se também Cruz de S. João dos Bemcasados), antes de se rasgar e urbanizar a Rua que teve este nome, ali há poucos anos, e onde já estivemos.


É também antigo, embora tenha sofrido beneficiações que lhe disfarçam o semblante, o prédio da esquina, e o que se lhe segue na Rua das Amoreiras [hoje Rua Prof. Sousa da Câmara].
Vê nesse cunhal uma pedra, com letras gravadas, e que atesta a antiguidade da casa e o senhorio do sítio: «Foreiras a Sebastião José de Carvalho e Melo. Ano de 1742». É bem interessante — talvez único em Lisboa em casas particulares, e com vista para a rua — esse relógio de sol, ainda bem conservado.

Cruzamento da antiga Rua das Amoreiras [hoje Rua Prof. Sousa da Câmara] com a Rua de Campolide (Cruz das Almas) [908]
Relógio de sol visível no cunhal do prédio.

Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Mais valioso é o prédio que a este se continua, solarengo, com pormenores decorativos, belos jardins e fisionomia repousado do fim de setecentos. Aí tens no seu portão principal, n.° 170, um curioso pormenor: sobre o pilar direito vê-se uma Cruz (seria esta a «Cruz das Almas»?) e sob ela uma data 1626, e no pilar esquerdo uma pomba de Espírito Santo [vd. ampliando 2.ª foto]

Este prédio, e o contíguo do cunhal, supostamente dos Rebelos Palhares, e, porventura, dos Cadavais, pertenciam no século passado a D. Mariana Emília Cambiasso e depois do capitalista Manuel Maria de Antas Barbosa. Em 1920 eram de D. Sofia Fricks em administração de seu sobrinho Frederico, e foram há poucos anos (1932-1934) vendidos, um após outro, ao engenheiro César Augusto Pimentel.

Rua das Amoreiras [hoje Rua Prof. Sousa da Câmara, 170] [1908]
Prédio com o n.º de policia 170 onde se pode observar a cruz no pilar referida por Norberto de Araújo.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p.81, 1939.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Palacete Marçal Pacheco

Dentro de poucos anos, Dilecto, — preconizava  o ilustre Norberto de Araújo em 1939 — esta Rua das Amoreiras estará desfigurada no seu traçado; as transformações das cidades, riscadas em plantas, quando chega a hora das realizações fazem sempre vítimas: alguns prédios desta artéria, de um lado e outro, desaparecerão.


Pois bem, foi exactamente o que veio a suceder com o Palacete Marçal Pacheco — demolido na década de 1960 para lá se erguer o edifício ocupado pela Philips, hoje Hotel Dom Pedro  — situado no antigo troço da velhinha Rua das Amoreiras [antiga Rua direita de S. João dos Bem Casados], antes daquela ser cortada pela actual Avenida Engenheiro Duarte Pacheco e ter mudado a denominação para Rua Prof. Sousa da Câmara (1971) [vd. carta topográfica mais abaixo].

Palacete Marçal Pacheco [1932]
Rua das Amoreiras [1874], antes Rua direita de S. João dos Bem Casados
Legenda da foto no arquivo:«Legação da Argentina»
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O palacete mais vistoso desta Rua [das Amoreiras] — prossegue Norberto de Araújo — é aquele que se situa do lado oriental, construção do século passado [XIX], entre uma faixa de mata arborizada ainda. Pertencente a umas senhoras Pachecos, por transmissão de Marçal Pacheco, e foi antes de José António de Carvalho. Em 1916 esteve nele instalada a Legação de Espanha, e era em 1919 moradia de Carlos Bleck, voltando depois a servir de Legação, do Uruguai [e/ou Argentina?]. Esteve depois alguns anos ao abandono, e em 1937 instalou-se neste palacete a Direcção Geral dos Serviços Florestais e Agrícolas, vinda do edifício do Terreiro do Trigo. Possui algumas salas interessantes mas sem pormenores de arte pura. Do lado oposto existiu o Horto de Marcolino Teixeira Marques, que ocupava a faixa da rua, onde se ergueram (1935-36) aqueles prédios modernos e altivos que vês, e se estendia pelos terrenos da Casa Anadia.¹

Palacete Marçal Pacheco, entrada [entre 1903-1908] 
Rua das Amoreiras [1874], antes Rua direita de S. João dos Bem Casados
Legenda da foto no arquivo:«Legation d'Espagne»
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Palacete Marçal Pacheco, demolição [c. 1966] 
Esquina da Avenida Engenheiro Duarte PachecoAvenida Engenheiro Duarte Pacheco com a Rua das Amoreiras [hoje Rua Prof. Sousa da Câmara].
Artur Bastos, in Lisboa de Antigamente

A propósito do historial toponímico da Rua das Amoreiras, vale a pena ler o que diz o livro Chorographia Moderna Do Reino De Portugal publicado em 1876. Reza assim:  
«Por baixo do dito arco [das Amoreiras] passa uma larga rua a que dava nome, a qual do Largo do Rato, e quasi parallela á da Fabrica da Loiça e ao longo da dita Praça das Amoreiras, conduz para as alturas de Campolide, tomando mais acima o nome de Rua [direita] de S. João dos Bem Casados. Hoje uma e outra tem o nome de Rua das Amoreiras, a qual começa no Largo do Rato e acaba na porta da cidade chamada do Alto do Carvalhão [actual Rua D. Carlos de Mascarenhas].²

Palacete Marçal Pacheco [vermelho] 
Verde:  troço da antiga Rua das Amoreiras,  antes Rua direita de S. João dos Bem Casados, que corresponde actualmente à Rua Prof. Sousa da Câmara
Laranja: Rua Silva Carvalho, antes
Rua de S. João dos Bem Casados 
Levantamento da Planta de Lisboa, 1911 por  Júlio António Vieira da Silva Pinto, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 80-81, 1939.
² BAPTISTA, João Maria, Chorographia Moderna Do Reino De Portugal, vol. 4, 1876.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Rua das Amoreiras antiga «Rua do Rato para Campolide»

Pois, Dilecto, a Rua das Amoreiras, larga nesta artéria até ao estrangulamento do antigo Palácio Anadia [vd. 2ª e 3ª imagens], é muito antiga, como caminho ao menos, e foi — já o disse — de S. João dos Bemcasados, antes de existir a outra, hoje Rua Silva Carvalho. A designação «das Amoreiras» — projecção da Praça e Jardim acima do Rato — data de 1874. Também foi «Rua do Rato para Campolide», chamada simultaneamente «das Águas Livres».


Dentro de poucos anos, Dilecto, — prossegue Mestre Araújo — esta Rua das Amoreiras, que estará desfigurada no seu traçado; as transformações das cidades, riscadas em plantas, quando chega a hora das realizações fazem sempre vítimas: alguns prédios desta artéria, de um lado e outro, desaparecerão.¹

Rua das Amoreiras N→S [1944]
Esquina da Rua Silva Carvalho junto ao Palácio Anadia
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

No prédio n.° 42-44 da R. das Amoreiras, passado o Arco, um belo registo de azulejos [vd. 4ª imagem], composto de três painéis de moldura polícroma, representando os dois que ficam superiormente a Epifania e a Fuga para o Egipto, e o inferior St.° António e S. Pedro. Continuando a subir esta rua, encontra-se à esq. a rua de Silva Carvalho, antiga de S. João dos Bemcasados, na esquina da qual se eleva o palácio dos duques do Cadaval, depois dos condes da Anadia. Os carros da carreira da Estrela [hoje cancelada] seguem pela R. de Silva Carvalho, em direcção ao Campo de Ourique, enquanto os de Campolide continuam a percorrer a R. das Amoreiras [troço que corresponde actualmente a R. Prof. Sousa da Câmara], entre arvoredos e jardins, até ao ponto em que, inflectindo à dir., metem pela R. de Campolide..²

Rua das Amoreiras S←N [1944]
Esquina da Rua Silva Carvalho junto ao Palácio Anadia (esq.)
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Rua das Amoreiras N→S [1932]
Junto ao Palácio Anadia (dir.)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O topónimo Rua das Amoreiras foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa, através de Edital do Governo Civil de 03/02/1874, e posterior Deliberação Camarária de 18/05/1889 e respectivo Edital de 08/06/1889, ao «arruamento que surgiu da junção das Ruas do Arco das Águas Livres, de São João dos Bem Casados e dos Arcos das Águas Livres que principiam no Largo do Rato e terminam nas Portas da Cidade».³


Rua das Amoreiras [1908]
Troço ant. ao alargamento da rua e que, mais tarde passou a denominar-se R. Prof. Sousa da Câmara, in LdA


 
Rua das Amoreiras, 44 [1969]
Registo de Santos [demolido]
Garcia Nunes, in LdA



Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 80-81. 1939.
² Guia de Portugal: Generalidades. Lisboa e arredores, vol 1º, p. 320, 1924.
³ cm-lisboa.pt.
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