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Friday, 12 January 2024

Rua Acúrcio das Neves

Por edital de 31-03-1932, foi inscrita a Rua José Acúrcio das Neves, na freguesia do Alto do Pina, na antiga Rua 7 do Bairro dos Aliados.

José Acúrcio das Neves (1766-1834) foi Director da Real Fábrica das Sedas, tendo antes sido desembargador na Relação do Porto. O seu pensamento político-económico ficou gravado em obras como os 5 volumes da «História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal e da restauração deste Reino» (1810-1811), os 2 tomos de «Variedades sobre Objectos Relativos às Artes, Comércio e Manufacturas» (1814 -1817), «Considerações Políticas e Comerciais sobre os Descobrimentos e Possessões dos Portugueses na África e na Ásia» (1830).

Rua Acúrcio das Neves |1961|
Escadinhas que ligam esta artéria à Rua Garrido; o arruamento tem início Rua Barão Sabrosa e finda na Rua Abade Faria
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente
Rua Acúrcio das Neves |1961|
Escadinhas que ligam esta artéria à Rua Garrido; o arruamento tem início Rua Barão Sabrosa e finda na Rua Abade Faria
Artur Goulart, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 12 December 2021

Palácio Lançada e jornal O Século

Conseguimos, enfim, chegar à Rua do Século, a antiga bairrista Rua Formosa, designação já do século XVIII, mas só legalizada pelo edital de 1 de Setembro de 1859.

Encontramos nela, à direita, — diz Norberto de Araújo a Ermida das Mercês [entretanto demolida], e logo o edifício do jornal O Século. A área ocupada por este importante órgão da imprensa é, como daqui podes ver, relativamente extensa.

O «casco» da propriedade é o do palácio que em 1755 pertencia a Manuel de Sampaio de Pina e Brederode, avô do Visconde da Lançada, antepassado dos Duques de Palmela, também um dos donos do solar primitivo.
O Palácio possuía uma capela, da invocação de N. S. do Monte do Carmo, cujos vestígios nítidos durante anos se viam numa das oficinas do jornal, e hoje ainda se descortinam, mas muito reduzidos.
Palácio Lançada e jornal O Século [190-]
Rua de O Século, n.º 41-63; à esq. a Rua João Pereira da Rosa
Fachada principal setecentista.
 Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Os salões do Palácio Lançada tiveram renome intelectual, durante um largo período do século passado; no palácio habitou D. Maria Krus, esposa de D. Pedro de Menezes de Brito do Rio.
Dezenas de figuras ilustres do século passado desfilaram pelos salões de D. Maria Krus, políticos, parlamentares, historiadores, poetas, diplomatas, desde Garrett e José Estevão a Feliciano de Castilho e Bulhão Pato, e daria uma crónica bem alfacinha esse quadro brilhante de espíritos reunidos, nada afectado, nada académico na pretensão.
Esse salão literário precedeu o de D. Maria Amália Vaz de Carvalho, a Santa Catarina, aqui bem perto e que foi igualmente um cenáculo de espírito e de distinção do final de novecentos. 
O Século assenta neste prédio — hoje irreconhecível do seu passado de há cinquenta anos — desde 1881, ano da fundação por Magalhães Lima, primeiro director, ardente paladino republicano que com vários propagandistas e escritores — entre eles Latino Coelho, já na época um alto e nobre espírito — lançaram o jornal no favor do público.
Mais tarde O Século passou à propriedade de José Joaquim da Silva Graça, que começou a figurar como director em 12 de Dezembro de 1896. Havia quatro anos, desde 14 de Novembro de 1892, que o edifício fora comprado aos herdeiros do Visconde da Lançada. Foi ainda no tempo de Silva Graça, proprietário e director, que a Empresa adquiriu (7 de Maio de 1921) o imóvel, desanexado do corpo lateral do Palácio Pombal, para acrescentamento do seu edifício, e instalações desenvolvidas de escritórios e oficinas.

Palácio Lançada e jornal O Século [ 1929-03-17]
Rua de O Século, n.º 41-63
Ao fundo observa-se o edifício novo (1922-1923), situado na ponta S. do antigo
Palácio do Pombal (ou dos Carvalhos).

 Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Integrado no edifício, existiu o Bairro [Operário] do Século, criado por Silva Graça no começo do actual século [em 1905] para moradia do pessoal, mas pouco a pouco absorvido por oficinas e anexos, consequência lógica do progresso material deste órgão da imprensa. Imediatamente a este corpo, e apenas separado por um estreito pátio, levanta-se o edifício novo (1922-1923), desintegrado. como disse, do Palácio dos Carvalhos (Pombal).

O Século ostenta instalações amplas de jornal industrial moderno, e possui, na sua parte antiga, salas, escadarias e dependências caracterizadas ainda por certa nobreza de linhas, ao tipo setecentista, e entre elas uma Sala de visitas, de tecto apainelado, com silhares recortados com muito bons azulejos do século XVIII, de motivos ingénuos palacianos. Na escadaria principal encontram-se panos de azulejos que querem reproduzir o aspecto do prédio no século passado [XIX].==

Palácio Lançada e jornal O Século [1933-06-29]
Rua de O Século, n.º 41-63
Na fachada do edifício novo (1922-1923) ressalta a ampla utilização do ferro forjado
e do vidro, em janelões com guardas de ferro policromado (em vermelhão) típicas
da arquitectura da época e que vazam por inteiro os dois andares intermédios.
 Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. Para além do valor patrimonial, como interessante exemplar da arquitectura do ferro e do eclectismo, parte da relevância deste imóvel prende-se com a própria história da imprensa em Portugal, razão pela qual as antigas instalações do jornal “O Século” estão classificadas como imóvel de interesse público. O Palácio Lançada alberga, actualmente, o Ministério do Ambiente e da Transição Energética paredes meias com o Palácio dos Carvalhos. 
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, pp. 51-53, 1939.
workflow.sgambiente.gov.pt

Wednesday, 11 July 2018

Teatro de S. Carlos

Ora aqui temos, Dilecto, um edifício ligado, de certo modo a tôda a história política e social de Lisboa do século passado e princípios do actual: o Teatro de S. Carlos. 

Presentemente — Setembro de 1939 — beneficiando de obras de reedificação, mais que de restauro, de que bem carecia, este teatro do Estado não tem ainda destino artístico no seu horizonte. Encerrado há uma dezena de anos- tem perdurado em Lisboa como um museu de recordações com alguma boa arte a ilustrá-lo.


O Teatro de S. Carlos — prossegue Norberto de Araújo — foi construído [para substituir a Real Casa da Opera (Real Opera do Tejo sita na Ribeira das Naus)] entre 8 de Dezembro de 1792 e 30 de Junho de 1793, dia da inauguração, com a ópera de Cimarosa «La Balerina Arnanter. O risco do Teatro, tomado do de S. Carlos de Nápoles, é do arquitecto José da Costa e Silva [...]
Ao invés do que vulgarmente se supõe, o Teatro não foi de iniciativa nem de fundação do Estado, mas de um grupo de capitalistas, entre os quais Anselmo José da Cruz Sobral, Jacinto Fernandes Bandeira, João Pereira Caldas e o famoso Joaquim Pedro Quintela, depois Barão de Quintela, que cedeu o terreno, com a condição de ficar com um grande camarote privativo para si e para seus descendentes, camarote que D. Fernando comprou em hasta pública em 1880 por vinte e um contos da época, e que mais tarde passou à Condessa d'Edla.
Só em Agosto de 1854 o Estado adquiriu o Teatro, que se integrou no Património Nacional.

Teatro de S. Carlos |1928|
Rua Serpa Pinto, 9; Largo de S. Carlos, antigo do Directório
Fotógrafo não identificado, 
in Lisboa de Antigamente

De D. Mariz I a D. Manuel II e Teatro de S. Carlos foi e teatro da Côrte, grandes solenidades oficiais, dos dramas e das farsas políticas, das exaltações glorificadoras e dos protestos colectivos. Algumas dezenas de empresas, de nomes ilustres ou de arrivistas de qualificação social, passaram por S. Carlos, desde Francisco Lodi, o primeiro de todos, passando pelo Conde de Farrobo (1838-40) até José Paccini, no começo deste século, e Mimon Anahory, já no actual [XX].
Ficaram célebres os «partidos» das cantoras e bailarinas — cujas narrativas enchem crónicas saborosas de Lisboa oitocentista, através de dinastias de boémios e de fidalgos, de amadores entendidos e de apaixonados das «primas-donas».
Cento e quarenta anos de Lisboa foram cento e quarenta anos de S. Carlos — hoje [1939] sonâmbulo.
Uma nota te quero dar: de começo, a iluminação era a velas de cera e sebo e a azeite, só entrando o gás em 1850, e a electricidade em 1881.
A-pesar-do primitivismo da iluminação, foram «feéricas» algumas das grandes festas em S. Carlos, nos tempos de D. João VI, de Junot, de D. Maria II. O Teatro foi inaugurado com artistas masculinos cantores, representando os papéis de mulheres, os «supranistas» «castrati» para que a voz não engrossasse de volume... Só em 1799 pisaram o tablado da Ópera de Lisboa «primas-donas» autênticas, como Mariana Albani e Luíza Gerbini. Lisboa não perdeu pela demora, porque depois as cantoras e bailarinas de S. Carlos endoideceram meia cidade. Quem sabia disto bem era Pinto de Carvalho, o «Tinop», falecido em 1937.  

 Theatro de São Carlos, gravura da autoria de Legrand |entre 1839 e 1847|
Incluído no programa inaugural esteve também um elogio cantado, composto por António Leal Moreira, no âmbito das celebrações da gravidez da princesa Carlota Joaquina, a quem foi dedicado o teatro.

S. Carlos é um grande e um lindo Teatro, ocupando uma enorme área, num edifício cheio de pavimentos, galerias, salas, casas, dependências — verdadeiro labirinto. Embora nos últimos trinta anos muito perdesse em fausto e sumptuária ainda era de ver-se, ao tempo em. que começaram as obras.
O tecto do magnifico Salão de Entrada é de Cirilo Wolkmar Machado, sendo o chão de mármore branco e azul.
O Salão Nobre, ou «Salão das Oratórias», era igualmente formoso, mas muito perdeu do seu primitivo aspecto.
A Sala de Espectáculos, em forma elíptica, de vivos de ouro e de semblante nobre, tem vinte e um metros de comprimento e dezasseis de alto, ostentando cinco ordens de camarotes, entre eles as famosas «torrinhas»; a bôca de cena mede catorze metros. O teto, restaurado, é de Manuel da Costa, c a magnífica «tribuna real», que ocupa três alturas e larguras de camarotes, foi interiormente pintado por G. Appiani.

E eis quanto posso sintetizar dêste Teatro de S. Carlos, cuja fachada, que não tem a importância da do Teatro Nacional, ostenta na sobreporta central do terraço a lápide latina, ligando os nomes de Carlota Joaquina e do Príncipe Regente ao de Pina Manique — que tornou possível o milagre de se erguer um edifício desta ordem em seis meses —, e marcando a data MDCCXCIII (1793).
 
N.B. Classificado como imóvel de interesse público em 1928 (8 de Setembro de 1928) e Monumento Nacional em 1996 (6 de Março de 1996).
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, pp. 14-15, 1939.

Thursday, 5 January 2017

Max Cine: o Piolho do Alto do Pina

O Max-Cine, a elegante sala da Rua Barão de Sabrosa, ao Alto do Pina — noticiava a revista  Cinéfilo em 1931 —, que recentemente inaugurou os seus espectáculos sonoros com vivo e justificado êxito, resolveu, num gesto de simpatia e apreço que muito, nos desvanece, dedicar a todos os leitores e compradores do Cinéfilo as noites das quartas-feiras, concedendo-lhes o importante desconto de cinquenta por cento em todos os lugares.
Nessas noites, os nossos sempre fieis e estimados leitores, que Sê apresentarem na bilheteira, com o cupão que noutro lugar publicamos, beneficiarão do o referido desconto em todos os espectáculos que se realizarem nas mencionadas quartas-feiras. [...]

Max Cine: o Piolho do Alto do Pina [1927]
Rua Barão Sabrosa; Rua Dr. Oliveira Ramos
Em exibição "A Fera Amansada", filme de Sam Taylor
com Mary Pickford, Douglas Fairbanks.

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A 14 de Setembro de 1929, o bairro do Alto do Pina vê nascer o Max Cine na Rua Barão de Sabrosa. Projectada pelos engenheiros Jacinto Bettencourt e Deolindo Vieira, era uma sala sóbria mas acolhedora com capacidade para 700 pessoas. Era essencialmente um cinema de reprise que a 1 de Maio de 1968 é adquirido pela Paróquia de São Evangelista passando assim a servir a população de uma forma distinta.

Max Cine: o Piolho do Alto do Pina [1962]
Rua Barão Sabrosa; Rua Dr. Oliveira Ramos
Arnaldo Madureira. in Lisboa de Antigamente

 
Bibliografia
Cinéfilo, Vol. 4, p. 338, 1931.

Tuesday, 25 October 2016

Chafariz do Alto do Pina

Chafariz urbano, implantado no entroncamento de duas ruas, composto por tanque circular e coluna de ferro, com várias saliências, ornada por folhagem, estrias e alcachofra. Encontra-se envolvido por prédios de rendimento de três pisos, com cérceas regulares.


Este chafariz evidencia-se no panorama dos chafarizes lisboetas pela sua singularidade ao conciliar uma estrutura cilíndrica em pedra calcária com uma espécie de pináculo funcional em ferro. Localizado no cruzamento das Ruas Quatro de Agosto e Sabino de Sousa, este chafariz de pequena volumetria, representa um ponto de confluência de eixos irradiantes, bem visíveis na sua base pela disposição de duas pequenas bacias de águas alternadas por dois lanços de escadas. Estes últimos permitem o acesso a um patamar circular, em cujo centro surge, apoiada na vertical, a principal bacia de recepção de águas, que, por sua vez, acolhe o referido chafariz de ferro, trabalhado com elementos decorativos.

Chafariz do Alto do Pina |c. 1945|
Rua Sabino de Sousa; Rua Quatro de Agosto
Fernando M. Pozal, in Lisboa de Antigamente





A Rua Sabino de Sousa, consagrada com a legenda «Professor de Veterinária 1835-1888», homenageia Joaquim Sabino Eleutério de Sousa, detentor do curso de veterinário-agrónomo (1859) e no mesmo ano nomeado chefe de clínica do hospital veterinário que então abriu ao público. A partir de 1863, passou a docente do Instituto Agrícola e em 1865, foi nomeado pela Câmara Municipal de Lisboa, fiscal sanitário do Matadouro Municipal e, em 1868, inspector, tendo então introduzido importantes melhoramentos higiénicos e industriais, o que fez que pudesse ser considerado na época um dos primeiros estabelecimentos do seu género na Europa, e granjeou a Sabino de Sousa a medalha de ouro da Sociedade Protectora dos Animais. 
Sabino de Sousa pertenceu também ao denominado «Clube dos Lunáticos» do Pátio do Salema, onde iniciou a sua actividade política e foi companheiro de Elias Garcia, Oliveira Marreca, Latino Coelho, Bernardino Pinheiro e Sousa Brandão.
Publicou «Influência dos pântanos na saúde do homem e dos animais» (1859) e «O Matadouro Municipal de Lisboa» (1878), um esboço histórico acerca de matadouros desde o primeiro quartel do séc. XV até à sua época.

Chafariz do Alto do Pina |1964|
Rua Sabino de Sousa; Rua Quatro de Agosto
Augusto Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
cm-lisboa.pt; monumentos.pt

Wednesday, 24 February 2016

Casa dos Plátanos

Construído em 1921 [vd. 3ª imagem], sobre uma elevação natural, trata-se de um imóvel pensado e planeado de raiz para ser uma creche e, como tal, apresenta um programa arquitectónico coerente e funcional, mantendo a sua configuração original pouco alterada. O edifício destaca-se pela sua implantação, no alto de uma colina, ocupando uma posição de destaque na paisagem envolvente que, na época da construção, se encontrava em fase de urbanização, tendo sido projectado para um bom aproveitamento dessa mesma implantação. Nas proximidades, fica a Fonte Luminosa da Alameda D. Afonso Henriques.

Casa dos Plátanos, Creche do Alto do Pina |195-|
Rua Barão de Sabrosa, 269-271
No medalhão, sobrepujando a porta principal,  lê-se: "Misericórdia de Lisboa / Creche do Alto do Pina 1921"
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O topónimo refere-se ao 1º Barão da Ribeira de Sabrosa, Rodrigo Pinto Pizarro de Almeida Carvalhais que nasceu em Vilar de Maçada em 30/03/1788, onde veio a vindo a falecer em 08/04/1841. Bacharel em Matemática, foi ainda brigadeiro do exército, comandante interino da 5ª divisão militar, deputado da nação (1837), senador do reino (1841), conselheiro do rei, presidente do conselho de ministros, ministro da guerra, negócios estrangeiros e marinha. O Barão de Sabrosa era também membro do Conservatório de Lisboa e da Academia de Belas Artes. (cm-lisboa.pt)

Casa dos Plátanos, Creche do Alto do Pina |195-|
Rua Barão de Sabrosa, 269-271
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Dec. n.º 15 778, 23 Julho 1928. Em 2001 beneficiou de um projecto de alterações e ampliação do edifício pelo arquitecto João N. Santos Jorge.

Casa dos Plátanos, Creche do Alto do Pina [1921-12-29]
Rua Barão de Sabrosa, 269-271
Os telhados dos torreões, actualmente de quatro águas, terminavam em coruchéus piramidais, integrando vãos moldurados, rematados por pináculo e enquadrados por fogaréus.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Thursday, 29 October 2015

Paraíso de Lisboa

Inaugurado a 12 de Julho de 1907 — na cerca do Palácio Folgosa, à Rua da Palma, o famoso «Paraíso de Lisboa», era um parque de diversões, ornado de pequenas muralhas, situado na Rua da Palma paredes meias com o «Real Colyseu de Lisboa». 
 
É provável que o recinto, dirigido por Augusto Pina e por Mimon Anahory, que tinha sido responsável pelo parque de diversões que nos meses de Verão se instalava no Jardim de S. Pedro de Alcântara, correspondesse, segundo os dados de que dispomos, ao modo como a cidade tradicionalmente vivia os seus divertimentos. A quase espontaneidade formal dos seus dois «teatrinhos», onde se ofereciam espectáculos variados e animatógrafo, as barracas de jogos e os cafés que se levantavam ao ar livre tornam possível imaginarmos o ambiente e o uso efectivo que se dava às suas estruturas. Aliás, a simples nota registada na altura de que o espaço fazia lembrar a antiga Esplanada d.os Recreios Whittoyne, aos Restauradores, demolida em 1866.

Paraíso de Lisboa [ant. 1910]
 Rua da Palma, 273
Entrada 100 réis, lê-se no muro ameado.
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente
Paraíso de Lisboa [1912]
 Rua da Palma, 273
Note-se o novo edifício do animatógrafo inaugurado em 1910.
Homenagem aos mortos da República. O Estado Maior da Armada e forças da Marinha passando na rua da Palma a caminho do cemitério do Alto de São João.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O recinto incluía um teatro, ringue de patinagem, carrossel, labirinto de espelhos, barracas de tiro, tômbolas,  de comidas e bebidas — divertimentos fáceis, ao ar livre — ligeiros, género Folies Bergères, jogos, cafés, etc..

Paraíso de Lisboa, recinto de diversões [ant. 1910]
Rua da Palma, 273
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Possuía um palco arte-nova instalado sobre um pequeno lago, e plateia ao ar livre. Não teve vida desafogada, acabando por encerrar no fim da década de 1910 sucumbindo à urbanização do lado poente da Rua da Palma.
 
Paraíso de Lisboa, palco de um dos «teatrinhos» [ant. 1920]
Rua da Palma, 273
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente
 
Bibliografia
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa, 2012

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