Sunday, 18 December 2016

(Antiga) Ermida das Mercês


Já agora, Dilecto, dêmos uns passos atrás, em continuação ainda da ronda pombalina: os dois apontamentos prometidos àcêrca da Ermida das Mercês, de desolador aspecto, «coisa morta» sem constituir uma ruína.
Pertenceu em vínculo comum aos Carvalhos, da Rua Formosa, depois família dos Pombais. A pequena Igreja, que data dos começos do século XVII, foi restaurada em 1652, quando o tio de Sebastião José de Carvalho e Melo, o desembargador Paulo de Carvalho, conseguiu que o templo passasse a paroquial (das Mercês), desanexando-se da paroquial de Santa Catarina.

(Antiga) Ermida Nossa Senhora das Mercês [1908]
Travessa das Mercês, 48-52; ao fundo, a Rua de O Século, antes Rua Formosa
 A capela foi demolida nos meados do séc. XX para construção de um imóvel de habitação
Joshua Benoliel, in AML

Teve um adro desaparecido em 1835, ano em que a sede da paroquia eclesiástica foi transportada para a Igreja do Convento de Jesus. Voltou então a Igreja, antiga Ermida das Mercês, à sua modesta condição familiar. Depois do Terramoto foi beneficiada de obras, e assim também em 1889. Era de uma só nave, e tinha duas capelas, além da principal. Neste templo foi baptisado, como disse atrás, Sebastião José, o grande estadista, e, em Junho de 1856, para aqui vieram, trazidos da Igreja de Santo António, da vila de Pombal, pelo Marechal Saldanha, os restos do Marquês de Pombal, que sessenta e sete anos depois (1923) foram transportados desta Ermida para a Capela da Memória, no Alto da Ajuda.
A capela foi demolida nos meados do séc. XX para construção de um imóvel de habitação.
 
Ermida das Mercês (Gravura) 
Rua de O Século com a Travessa da Mercês

Bibliografia
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, p. 60)

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