Showing posts sorted by relevance for query militar. Sort by date Show all posts
Showing posts sorted by relevance for query militar. Sort by date Show all posts

Friday, 21 April 2017

Largo do Museu de Artilharia: Museu Militar: antigo Museu de Artilharia

Eis-nos no Largo do Museu de Artilharia ao fundo da Calçada dêste nome, aberta em 1775 para dar passagem à zorra [4ª foto] que conduzia a Estátua Equestre [de D. José]. para o Terreiro do Paço. 1

 
Vamos visitar o Museu de Artilharia, hoje intitulado, com mais propriedade, Museu Militar (...) A fachada do edifício é, como vês, adornada com colunas monolíticas de ordem coríntia, e coroada de um entablamento com panóplias militares em cantaria.2

 

Museu Militar, antes Museu de Artilharia [c. 1905]
Largo do Museu de Artilharia;a fachada, voltada ao rio, na Rua Teixeira Lopes, é do século XX.
O Pórtico da entrada principal do antigo Arsenal Real, da autoria do eng. francês Maurice Larre (alguns historiadores atribuem a autoria deste pórtico a Carlos Mardel).

J. A. Cunha Morais, in Lisboa de Antigamente

Aqui assentaram as «tercenas» de D. Manuel, para fundir e guardar artilharia; no tempo dos Filipes este arsenal trabalhava só para espanhóis, e da circunstância derivou chamar-se ao estabelecimento a «Fundição dos Castelhanos›, designação que perdurou mesmo depois da Restauração. 
De 7 a 14 de Julho de 1726 as Tercenas foram reduzidas a cinzas, por um incêndio impossível de atalhar.  
D. João V tratou de reedificar as Tercenas, sendo o risco do francês Larre, mas só se acabando a obra em tempo do Marquês de Pombal (1760). Ficou a Cidade, para a sua época, com um Arsenal moderno; sob o ponto de vista técnico e científico o novo estabelecimento deve-se ao tenente general francês Fernando Chegary, ao general engenheiro Bartolomeu da Costa, e ainda a outros oficiais portugueses.
O Arsenal do Exército, no século XVIII e durante quási todo o século passado, compunha-se de três estabelecimentos: este, ou seja a «Fundição de Baixo», o do Campo de Santa Clara, a poente, defronte das obras de Santa Engrácia, e que se intitulava a «Fundição de Cima», ou «Fundição de Canhões», letreiro que ainda se vê no abandonado edifício, e a «Fundição de Santa Clara», depois «Fábrica de Armas», hoje «Fábrica de Equipamentos e Arreios», a nascente do Tribunal Militar, no sítio onde existiu até 1755 o famoso Mosteiro de Santa Clara. (...)
O Arsenal do Exército conjunto de fábricas militares, como instituição centralizadora, foi extinto em1927. 2

Museu Militar, antes Arsenal do Exército, fachada principal (poente) [c. 1880]
Como se constata nesta imagem, em frente da fachada do antigo Arsenal Real do Exército (actual Museu Militar), havia um pequeno terreiro banhado pelo Tejo (ode se vê o muro à dir.), e que foi alargado, chamando-se-lhe Largo da Fundição (de Baixo), hoje «do Museu de Artilharia».
Arnaldo S. Fonseca, in Lisboa de Antigamente
Museu Militar, antes Museu de Artilharia, fachada sul [c. 1900]
Rua Teixeira Lopes (antigo Cais da Fundição); fachada (sul) voltada ao rio Tejo; Igreja de Santa Engrácia (Panteão Nacional).
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

A história do Arsenal — diz Norberto de Araújoestá resumida. Falemos agora do Museu de Artilharia — Museu Militar.
O primeiro Museu, de máquinas e peças militares, foi instituído em 1842 pelo general José Baptista da Silva Lopes, Barão de Monte Pedral (cujo nome depois de 1910 crismou a freguesia de Santa Engrácia), e estava instalado na citada Fábrica de Armas a Santa Clara, onde abriu em 1851.
Só em 1876 o Museu passou a ocupar parte deste edifício do Arsenal do Exército; era a casa, porém, insuficiente e estava velha.
Em 1895 promoverarn-se grandes obras, fazendo-se o prolongamento do edifício até ao Largo dos Caminhos de Ferro; [...]

Museu Militar, antes Museu de Artilharia, fachada sul [1907]
Rua Teixeira Lopes; fachada (sul) voltada ao rio Tejo; colunas (nove) e a balaustrada que faziam parte da rica capela de N. S. da Pureza, no Palácio Foz, aos Restauradores.
Paulo Guedes,in Lisboa de Antigamente

O pórtico, do Largo do Museu, antigo Largo da Fundição, data de 1874, alargado de um portal anterior; [...] a fachada, voltada ao rio, na Rua Teixeira Lopes, é deste século [XX], e assim mais moderna que as fachadas nascente e poente, havendo-se aproveitado as colunas (nove) e a balaustrada que faziam parte da rica capela de N. S. da Pureza, no Palácio Foz, aos Restauradores. 2
 
Nota(s): Acerca da fachada nascente, virada ao Largo dos Caminhos de Ferro, já aqui falámos e pode ser (re)vista aqui.

Museu Militar, antes Museu de Artilharia [1927] 
Uma recordação do passado: a zorra em que, das suas oficinas, foram transportadas para o Terreiro do Paço a estátua de Dom José e as colunas que sustentavam o arco triunfal da Rua Augusta.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente











 
Bibliografia
1 ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 103, 1939.
2 idem, vol. XV, pp. 12-13, 1939.

Tuesday, 17 January 2017

Real Colégio Militar

Desde o seu nascimento o Colégio Militar esteve instalado em diversos locais ao longo de toda a sua vida. Inicialmente, foi seu berço a Feitoria (Oeiras), de 1803 a 1813. Por portaria de 1814 o Colégio é transferido para o edifício do Hospital de Nossa Senhora dos Prazeres, na Luz, com a designação de Real Colégio Militar, onde permanece até 1835. Depois passa para a extinta Congregação dos Missionários, denominada de Rilhafoles (o efectivo havia sofrido um aumento substancial, nesta altura), onde esteve de 1835 a 1848. Em 1848 é transferido para Mafra onde fica até 1859. Novamente na Luz até 1870, volta a Mafra até 1873, ano em que regressa para a Luz, onde se tem mantido até aos nossos dias.

Colégio Militar [séc. XIX]
Largo da Luz
António Novais, in Lisboa de Antigamente

O edifício em que está instalado o Colégio Militar tem sofrido várias modificações e ampliações que transformaram um pouco a primitiva traça interior, de que conserva, porém, as linhas gerais. Com a frente voltada para o norte, na qual se notam a  Cruz de Cristo, uma imagem da Virgem e uma inscrição latina, por baixo do escudo de armas da infanta D. Maria, onde se refere o primitivo destino do edifício.

Colégio Militar [1932]
Largo da Luz
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Colégio Militar [s.d.]
Largo da Luz
Postal não circulado, in Lisboa de Antigamente

 
O nicho existente no pano de muro localizado no corpo e eixo do alçado principal, apresenta-se inteiramente trabalhado com nuvens, querubins e resplendor raiado, envolvendo representação escultórica de Nossa Senhora dos Prazeres sobre peanha.

Ginástica sueca, executada pelos alunos do Colégio Militar no dia da sua festa [21-6-1927]
Largo da Luz
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 23 April 2017

Largo dos Caminhos de Ferro: Museu Militar, antigo Museu de Artilharia

Vamos visitar o Museu de Artilharia, hoje intitulado, com mais propriedade, Museu Militar (...)

Já agora admira o formoso Pórtico poente nascente do edifício, verdadeiramente monumental, obra de Teixeira Lopes; anota a robustez e o movimento que distinguem o grupo escultórico superior, alegoria na qual avulta a figura da Pátria. É belo, posto que a muitos não pareça proporcionado. (Só foi concluído no começo do nosso século [XX]).


Museu Militar, fachada nascente [ant. 1895]
Largo dos Caminhos de Ferro; Calçada do Forte
Observe-se a a famosa Torre do Relógio pelo qual se  orientava a população. Pelas batidas da hora regulava as horas de entrada e saída das oficinas bem como as horas de pausa para almoço do pessoal militar e civil que aqui trabalhava.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

O primeiro Museu, de máquinas e peças militares, foi instituído em 1842 pelo general José Baptista da Silva Lopes, Barão de Monte Pedral (cujo nome depois de 1910 crismou a freguesia de Santa Engrácia), e estava instalado na citada Fábrica de Armas a Santa Clara, onde abriu em 1851.
Só em 1876 o Museu [chamado então de Artilharia] passou a ocupar parte deste edifício do Arsenal do Exército; era a casa, porém, insuficiente e estava velha.
Em 1895 promoveram-se grandes obras, fazendo-se o prolongamento do edifício até ao Largo dos Caminhos de Ferro; [...]
Em princípios de 1901 as obras continuavam, recompondo-se a fachada do Largo do Caminho de Ferro, com majestoso pórtico de Teixeira Lopes [...]

Museu Militar, fachada nascente [c. 1908]
Largo dos Caminhos de Ferro; Pórtico da autoria de Teixeira Lopes.
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

A rematar a porta do Museu Militar, voltada para o Largo dos Caminhos de Ferro, surge uma alegoria à Pátria, representada por uma figura feminina, que empunha uma espada na mão direita e uma bandeira na mão esquerda, ladeada pelos filhos.
Obra da autoria de António Teixeira Lopes (filho), foi executada, em pedra, entre 1895 e 1908.

Museu Militar, fachada nascente [c. 1908]
Largo dos Caminhos de Ferro; Pórtico da autoria de Teixeira Lopes
Chaves Cruz, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XV, p. 13, 1939.
idem, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 104, 1939.

Wednesday, 2 December 2015

Igreja e Antigo Convento de Nossa Senhora da Estrela, ou da Estrelinha

Hospital Militar Principal

 

O edifício do actual Hospital Militar Principal foi, na sua origem, um convento beneditino dedicado a Nossa Senhora da Estrela, cuja data de fundação remonta ao ano de 1572, devendo-se a sua iniciativa a frei Plácido de Vila-Lobos, que foi depois o primeiro abade. Oriundo do Mosteiro de Tibães, de onde vieram os restantes frades fundadores, o novo mosteiro foi erguido na Quinta de Campolide. As obras correram céleres, pois um ano mais tarde, a 24 de Dezembro de 1573, foi celebrada a primeira missa na igreja.
A vida desta casa foi depois objecto de grandes alterações, uma vez que a fundação de um novo mosteiro beneditino na cidade, em 1615, num local mais acessível, em São Bento da Saúde, significou a redução da Estrela a colégio e casa de estudo para o noviciado. O Terramoto de 1755 provocou danos consideráveis no edifício, que foi rapidamente recuperado.

Igreja e Antigo Convento de Nossa Senhora da Estrela |1911|
Calçada da Estrela, Praça da Estrela
Panorâmica da Estrela tirada do zimbório da Basílica da Estrela.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O antigo convento viu modificada a sua vocação inicial em 1797, data que, de alguma forma, antecipou o resultado da extinção das ordens religiosas do século seguinte, passando para a posse do Estado e recebendo, ainda nesse ano, as tropas auxiliares britânicas. Desde então, e apesar de em 1817 ainda residirem nas instalações alguns monges beneditinos, o edifício não mais deixou de ser hospital, acompanhando as vicissitudes da história dos hospitais militares de Lisboa. Em 1818 acolheu a secretaria dos Hospitais Militares e a Botica Geral do Exército e, em 1834, passou a intitular-se Hospital Militar de Lisboa. A partir de 1851 reuniu, sob o título de Hospital Militar Permanente de Lisboa, todos os Hospitais Regimentais da capital. Conserva, desde 1926, a designação de Hospital Militar Principal.

Igreja e Antigo Convento de Nossa Senhora da Estrela |c. 1865|
Calçada da Estrela, Praça da Estrela
The Main Military Hospital ("Hospital Militar Principal") in Lisbon
Augusto Xavier Moreirain Lisboa de Antigamente

O convento/hospital traduz uma arquitectura religiosa e civil hospitalar barroca e rococó. No interior destacam-se a escadaria que distribui os espaços, os revestimentos azulejares, o retábulo em talha dourada e os túmulos da capela-mor. Igreja e o antigo Convento estão classificados como Monumento de Interesse Público.

Hospital Militar Principal |1941|
Calçada da Estrela, Praça da Estrela
Eduardo Portugal,  in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 27 June 2018

Praça Marquês de Pombal, 1-2: Palacete de António de Sousa Carneiro Lara / Clube Militar Naval

Estamos na Praça Marquês de Pombal, vulgarmente denominada «Rotunda», que constitue o eixo de irradiação de avenidas e grandes artérias, projectadas já em 1882, mas cuja execução muito se fêz demorar. [Araújo: 1939]


Logo no final do século XIX (1894), acompanhando o impulso construtivo da avenida e da rotunda é projectada uma residência unifamiliar, tipo palacete, que pertencia ao homem de negócios António de Souza Carneiro Lara.

Praça Marquês de Pombal, 1-2: Palacete de António de Sousa Carneiro Lara  [1899]
Clube Militar Naval a partir de 1935
Fachada sobre a Praça Marquês de Pombal e Av. Liberdade, 261 (esq.)
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O Clube Militar Naval esteve instalado no nº. 1-2 da Praça Marquês de Pombal cerca de cinquenta anos. O palacete foi adquirido em 1935 ao conde de Castelo Mendo, que por sua vez aqui passara a residir em 1929. Naquela data o proprietário passou a ser o Crédito Predial Português, que o arrendou à Marinha. Em 1989 foi demolido após uma violenta polémica entremeada com um pedido de classificação ao Instituto Português do Património Cultural. O clube veio a ser transferido, aproveitando alguns elementos decorativos, para a Avenida Defensores de Chaves, nº. 3.

Praça Marquês de Pombal, 1-2: Palacete de António de Sousa Carneiro Lara  [1899]
Clube Militar Naval a partir de 1935

Fachada virada à Rua Braamcamp
 Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

O palacete terá sido o primeiro prédio a ser construído, na recém-criada Praça Marquês de Pombal, logo em 1894. Já que a construção do que vem a ser o Palacete Sabrosa se projectava na Fontes Pereira de Mello, em 1886 abre-se oficialmente a avenida e o desfile de casamento de D. Carlos (1857-1945) efectua-se também aqui. O Dr. António de Lencastre (1857-1945) era o médico dos príncipes e a escolha do lugar para vir a construir a sua residência não deve estar desligada desta ocorrência, onde a expansão da cidade se desenha e a oportunidade de novos espaços necessariamente surge.

Enquadramento do Clube Militar Naval na Praça Marquês de Pombal, 1-2 [1934]
Esquina com a Rua Braamcamp
Pinheiro Correia,in Lisboa de Antigamente

O edifício exteriormente ecoava um equilíbrio francês na linha do gosto Luís XVI, em combinação com pormenores vernaculares como sejam as pequenas aletas do óculo sobrepujante da entrada principal, obviamente tributária da arquitectura chã. No interior, pelas fotografias publicadas no suplemento do Diário de Notícias, 2 de Junho de 1985, por certo produto de enriquecimentos artísticos posteriores vemos alguns ornatos manuelinos muito carregados e uns vitrais de tema mitológico encomendados em 1894 na Suíça, Zurique, a Adolf Kreuzer.

Praça Marquês de Pombal, 1-2 com a Rua BraamcampClube Militar Naval [1937]
Desfile da Mocidade Portuguesa durante as comemorações do 28 de Maio de 1926.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia 
MONTERROSO, José de, Rotunda do Marquês: «a cidade em si não cabia já» ou a monumentalidade (im)possível, 2002.

Sunday, 28 July 2019

Palácio dos Condes Almirantes de Rezende

Poucos edifícios por esta área — escreve Norberto de Araújo — têm a grandeza deste antigo Palácio dos Condes Almirantes de Resende, e que se confina entre as duas faces do Campo de Santa Clara, e Rua do Paraíso.


No ângulo sul deste enorme edifício, e com ingresso por uma estreita porta na Rua do Paraíso, estão instalados o Arquivo Histórico Militar, este fundado em 25 de Maio de 1911 (sendo então director o coronel Henrique Luiz Pacheco Simões), mas só aqui arrumado depois da sua Organização de 1921 (cremos que em 1923). [...]

Palácio dos Condes Almirantes de Rezende [c. 1910]
Campo de Santa Clara, 21-24; Largo Dr. Bernardino António Gomes, 1-4; Rua do Paraíso, 2-16
Neste palácio funcionou  o Teatro Popular de Alfama, nome com que se abriu ao público o Teatro Thalia, inaugurado em 1873.
Alberto Carlos Lima,in Lisboa de Antigamente

O Palácio Resende é usufruído pelo Ministério da Guerra, e e aparte os arquivos citados — todo o edifício é hoje ocupado pelos serviços das Oficinas Gerais de Fardamentos e Calçado [hoje OGFE vulgo Casão Militar], designação que vem de 1926, sucedendo ao Depósito Central de Fardamentos, criado em 1907. O edifício sofreu na parte poente e sul um grande incêndio em 1916, mas foi logo depois reedificado.
Antes de 1906, neste edifício Resende, e com frente para a Travessa do Zagalo, esteve — desde muitos anos antes — aquartelado um regimento de artilharia; durante muito tempo sobre o muro daquela Travessa, e que ampara os terrenos circundantes do velho monumento de Santa Engrácia — nos quais em 1909 se construiu um pavilhão anexo da Fábrica Militar de Calçado — viam-se as bocas das peças.

Palácio dos Condes Almirantes de Rezende [1900]
Campo de Santa Clara, 21-24; Largo Dr. Bernardino António Gomes, 1-4;  
Rua do Paraíso, 2-16
Observe-se o cunhal brasonado com as armas da dos «Condes de Rezende, 
Almirantes de Portugal».
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Em 1916, o esquecido monumento nacional das «Obras de Santa Engrácia» foi ocupado (provisoriamente, se disse) pelas Oficinas de Calçado.
Também há poucos anos, e durante um curto período, a profanada capela do Conventinho do Desagravo serviu de Depósito de Material das Oficinas Gerais.
São bem curiosos estes sítios! Têm um bairrismo tranquilo, quási de extramuros, desafogado e popular, sem cair no pitoresco. Mas hemos de andar para diante.

Palácio dos Condes Almirantes de Rezende [1968]
Campo de Santa Clara, 21-24; Largo Dr. Bernardino António Gomes, 1-4; Rua do Paraíso, 2-16
OGFE vulgo Casão Militar
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, pp. 79-80, 1939.

Monday, 25 April 2016

Revolução dos Cravos: 25 de Abril de 1974

Cravo: o símbolo da revolução

 

No próprio dia da revolução, uma pastelaria na Baixa preparava-se para comemorar mais um aniversário oferecendo flores a todos os clientes. A funcionária encarregada de comprá-las passou pelos militares e começou a distribuí-las — cravos vermelhos. Os soldados puseram-nos nos canos das espingardas.
Esta imagem feliz de uma arma que, ainda que dispare, só irá atirar flores, foi captada por fotógrafos e adoptada para cartaz largamente divulgado. O cravo tornou-se a imagem da revolução e o 25 de Abril ficou conhecido (pelo menos nos seus primeiros tempos) como a Revolução dos Cravos.

Praça Dom João da Câmara
25 de Abril de 1974
Fotógrafo não identificado, Jornal Diário de Notícias, in Lisboa de Antigamente

A Ditadura Militar instituída a 28 de Maio de 1926 deu origem, volvidos escassa meia dúzia de anos, ao Estado Novo idealizado e gerido por Salazar. Afastado este do poder, por doença incapacitante, a chefia do governo é entregue a Marcello Caetano, que, entre outros problemas por resolver, herda uma guerra colonial em três frentes, sem solução militar à vista nem vontade política de optar por uma solução política negociada. Cansados da guerra, os militares profissionais encetam movimentações de carácter corporativo que rapidamente se transformam em reivindicações políticas, acabando por encarar como única saída o derrube do regime pela força.
 
Rua Garrett
Seguindo as instruções do Posto de Comando da Pontinha, as forças lideradas pelo Capitão Salgueiro Maia dirigem-se para o Quartel-General da Guarda Nacional Republicana, no Largo do Carmo, onde se encontram refugiados Marcelo Caetano e alguns dos seus ministros.
25 de Abril de 1974
Fotógrafo não identificado, Jornal Diário de Notícias, in Lisboa de Antigamente

Será o Movimento das Forças Armadas (MFA) que irá desencadear uma revolta militar em grande escala, conseguindo derrubar o regime sem o emprego da força e sem causar vítimas. Depois de uma tentativa frustrada, protagonizada pelo Regimento de Infantaria das Caldas da Rainha, a 16 de Março de 1974, o processo revolucionário acelera. Na noite de 24 para 25 de Abril, duas estações de radiodifusão lançam para o ar duas canções que irão adquirir um simbolismo particularE Depois do Adeus, interpretada por Paulo de Carvalho, que soa como uma despedida do governo marcelista, e Grândola Vila Morena, interpretada pelo poeta banido José Afonso, um conhecido opositor do regime, canção esta que transporta uma mensagem de conteúdo democrático ao evocar a vilazinha de Grândola — onde o povo é quem mais ordena — , desencadeando as operações militares, superiormente coordenadas pelo major Otelo Saraiva de Carvalho. Em perfeita coordenação, elementos envolvidos na conspiração tomam conta das respectivas unidades, formam colunas de voluntários, convergem para os grandes centros e ocupam todos os pontos estratégicos do país, colocando as forças fiéis ao governo em posição de desvantagem e na defensiva. Sem disparar um tiro, cobrem praticamente todo o país.

Rua Áurea
Populares observam o aparato militar na Rua do Ouro, selando o acesso à Praça do Município. Legenda de Adelino Gomes: A população não segue os conselhos dos militares e vem para a rua, curiosa e fascinada, enquanto na zona da Praça do Município instruendos do CSM da Escola Prática de Cavalaria, pertencentes ao 5.º pelotão de atiradores, esperam, de armas na mão, as forças leais do governo. (cerca das 09H).
25 de Abril de 1974
Alfredo Cunha, in Lisboa de Antigamente

Dois momentos de tensão apenas se registam naquela primeira fase, ambos em Lisboa, ambos protagonizados por um jovem capitão de Cavalaria, Salgueiro Maia — um encontro com um destacamento de blindados obediente ao Governo, que por pouco não redunda em acção de fogo, mas que se resolve quando as tropas envolvidas se colocam às ordens de Salgueiro Maia; outro, horas mais tarde, quando o mesmo oficial manda abrir fogo sobre a parede exterior do quartel da GNR no Carmo {veja um pequeno filme desta acção aqui], como forma de persuadir Marcello Caetano, lá refugiado, a render-se. O chefe do Governo acaba por se render ao General António de Spínola, com medo de que o poder "caísse na rua", e a tensão desce.
Só um incidente irá manchar os acontecimentos: agentes da PIDE/DGS, barricados na sua sede, abrem fogo sobre manifestantes, causando alguns mortos e feridos. Apesar da sua brutalidade, não passa de um acto de desespero, não sendo sequer um acto de defesa do regime. Tal como a Monarquia a 5 de Outubro de 1910 e a República a 28 de maio de 1926, um regime cai por não ter já quem o defenda e queira dar a vida por ele.

Rua António Maria Cardoso
Legenda de Adelino Gomes: Forças de cavalaria, de infantaria e da marinha ocupam as entradas da Rua António Maria Cardoso, onde se situa a sede da PIDE/DGS.
25 de Abril de 1974
Alfredo Cunha, in Lisboa de Antigamente
Revolução dos Cravos de 1974 A revolução de 25 de Abril de 1974
Soldados ocumpam o o piso superior do Elevador de Santa Justa.
25 de Abril de 1974
Claudino Costa Madeira, in Lisboa de Antigamente

Os revoltosos fizeram sair do Quartel do Carmo o primeiro-ministro, Marcello Caetano, Rui Patrício, César Moreira Baptista e outros membros do Governo num carro de combate (Chaimite, Bula), a fim de os poupar à exaltação da multidão. Pouco depois seriam transferidos para a ilha da Madeira, e daí, a 20 de Maio, para o Brasil, com o que a revolução criou um precedente de tolerância que iria servir, em fases posteriores, para permitir ultrapassar as dificuldades sem derramamento de sangue.
Algumas horas após a transmissão de poderes de Marcello Caetano para as mãos de Spínola, constitui-se um órgão governativo provisório, com representação de todos os ramos das Forças Armadas (a Junta de Salvação Nacional; os militares subalternos que acabavam de fazer triunfar a revolução do Movimento dos Capitães, em nome do respeito pelas hierarquias, entregavam o poder nas mãos de oficiais generais. (infopedia.pt)

Cronologia resumida:

22:55 [24 de Abril de 1974] - Os Emissores Associados de Lisboa faz a transmissão de “E depois do adeus”, de Paulo de Carvalho, dando ordem de partida para a saída dos quartéis.

00:20 - O programa "Limite" da Rádio Renascença transmite a canção “Grândola Vila Morena”, de José Afonso, segundo sinal do MFA, para que os militares dessem início às operações previstas.

03:00 - Início do cumprimento das missões militares, de acordo com o Plano Geral das Operações”.

04:20 - O Rádio Clube Português transmite o primeiro comunicado do MFA. O Aeroporto de Lisboa e o Aeródromo Base de Figo Maduro são ocupados pela coluna da EPI-Escola Prática Infantaria (Mafra).

Avenida Ribeira das Naus
Legenda de Adelino Gomes: Tenente-Coronel Ferrand de Almeida, o Capitão Salgueiro Maia e o seu adjunto, Tenente Assunção (na foto, primeiro, segundo e terceiro a contar da direita) (...) e o ex-Alferes Brito e Cunha (na foto, à civil) são protagonistas dos primeiros momentos de tensão, quando forças do RC-7 [Regimento de Cavalaria 7], fiéis ao governo, progrediram do Cais do Sodré em direcção aos blindados da EPC [Escola Prática de Cavalaria]". (cerca das 10h-10H30)
25 de Abril de 1974
Alfredo Cunha, in Lisboa de Antigamente

06:45 - O Posto de Comando toma conhecimento de que Marcello Caetano, Presidente do Conselho de Ministros, está no Quartel do Carmo.

Rua do Arsenal
Legenda de Adelino Gomes: "Panhards" e uma EBR da Escola Prática de Cavalaria barraram o caminho aos carros de combate M47 de Cavalaria 7,  força fiel ao governo sob comando do Brigadeiro Junqueira dos Reis. Salgueiro Maia em primeiro plano, correndo em direcção ao Terreiro do Paço. (cerca das 10H00).
25 de Abril de 1974
Alfredo Cunha, in Lisboa de Antigamente

08:30 - Uma força da PSP chega ao Terreiro do Paço, mas nem tenta entrar em confronto com as tropas de Salgueiro Maia.

Legenda de Adelino Gomes: O dispositivo ocupa o Terreiro do Paço ao fim da madrugada e surpreende-se com a presença dos navios da NATO que já deviam ter-se feito ao largo para participar no exercício «Dawn Patrol».[contratorpedeiro Huron, da marinha do Canadá]
  Praça do Comércio, 25 de Abril de 1974
Alfredo Cunha, in Lisboa de Antigamente

11:30 - Salgueiro Maia comanda as forças da EPC (Escola Prática de Cavalaria), que vão cercar o Quartel da GNR no Largo do Carmo, em Lisboa.

Carro de combate selando o acesso ao Largo do Carmo, a partir da Calçada do Sacramento
Os blindados sobem com dificuldade as ruas íngremes da baixa lisboeta, rumo ao Largo do Carmo.
Fotógrafo não identificado, Jornal Diário de Notícias, in Lisboa de Antigamente

11:45 - O MFA informa o país, através do RCP, que domina a situação de Norte a Sul.

12:30 - As forças de Salgueiro Maia cercam o Largo do Carmo e recebem ordens do Posto de Comando para abrir fogo sobre o Quartel da GNR, para obter a rendição de Marcello Caetano.

Legenda de Adelino Gomes: Aceite a rendição de Marcelo Caetano, os portões abrem-se e iniciam-se os preparativos para o transporte até à Pontinha do Chefe do Governo e respectivos ministros, que abandonam o local num blindado Chaimite de nome "Bula" (...). Um coro gigantesco de assobios e palavras de ordem antifascistas acompanham a saída da coluna com os prisioneiros. (cerca das 19H30).
Largo do Carmo, 25 de Abril de 1974
Alfredo Cunha, in Lisboa de Antigamente

15:10 - Por ordem do Posto de Comando, Salgueiro Maia pega num megafone e faz um ultimato à GNR para que se renda, ameaçando rebentar com os portões do Quartel do Carmo, dizendo: «Atenção Quartel do Carmo, atenção Quartel do Carmo. Damos 10 minutos para se renderem. Todas as pessoas que ocupam o quartel devem sair desarmadas e com as mãos no ar. Se não saírem destruiremos o edifício.».

Largo do Carmo: Salgueiro Maia pega num megafone e faz um ultimato à GNR
25 de Abril de 1974
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
 
18:00 - Spínola chega ao Largo do Carmo e, acompanhado por Salgueiro Maia, entra no Quartel para dialogar com Marcello Caetano.

18:30 - A Chaimite Bula entra no Quartel do Carmo para transportar Marcelo Caetano à Pontinha.

23:30 - É promulgado o Decreto-Lei n.º 171/74, da Junta de Salvação Nacional, que extingue a PIDE/DGS , a Legião Portuguesa, a Mocidade Portuguesa e a Mocidade Portuguesa Feminina e o Secretariado para a Juventude e insere novas disposições relativas às atribuições da Polícia Judiciária e da Guarda Fiscal. A PIDE/DGS era somente extinta em Portugal Continental, sendo reorganizada em Polícia de Informação Militar «nas províncias»

Rua do Carmo, concentração popular
25 de Abril de 1974
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

(...) É promulgada a Lei n.º 1, da Junta de Salvação Nacional, que destitui das suas funções o Presidente da República, o Presidente do Conselho e o Governo e dissolve a Assembleia Nacional e o Conselho de Estado e determina que todos os poderes atribuídos aos referidos órgãos passem a ser exercidos pela Junta de Salvação Nacional.

Rua do Carmo, concentração popular
25 de Abril de 1974
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente
para o E.
com eterna gratidão

Wednesday, 25 November 2015

Palácio Linhares: Calçada de Arroios, 58

Instituto Militar de Arroios para a Reeducação dos Mutilados de Guerra, Palácio dos Condes de Linhares e antigo Convento dos Padres Lazariscas.


«Nos princípios do século XVIII denominavam-na Calçada de Alvalade (Corogr. Port., vol. III, pág.293), denominação ainda em uso ao tempo do terremoto. O nome era-lhe dado em razão da calçada comunicar com Alvalade (Campo Grande e Campo Pequeno)
(Luís Pastor de Macedo, «Lisboa de Lés-a-Lés», vol. I, p. 180, 1940)

Na Calçada de Arroios ficava a Capela de Nossa Senhora do Pópulo, pertença do Palácio dos Condes de Linhares. Por morte do último titular, foi vendido este edifício, à Casa Palmela, que o cedeu aos Padres da Congregação da Missão de São Vicente de Paulo, mais conhecidos por «Padres Lazariscas», que, na Páscoa de 1902, instalaram ali, provisoriamente, o seu colégio de preparatórios (Escola Apostólica). Por ocasião do movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910, estes padres foram bastante maltratados. Dois deles, O Estado tomou conta do edifício que albergou, por algum tempo, o Instituto Militar de Arroios dos Inválidos da Grande Guerra, e foi demolido em 1937, para dar lugar a uma rua e a construções modernas.
Por altura de obras efectuadas na igreja paroquial (1895-1897 ), celebraram-se lá, os actos de culto da freguesia.
Depois, na posse dos padres da mencionada congregação, a capela passou a ser dedicada a Nossa Senhora das Graças ou, melhor, à Virgem da Medalha Milagrosa, cuja Imagem estava na capela-mor. Nos altares laterais foram colocadas as de São Luís, Rei de França e da Virgem Poderosa, respectivamente do lado do Evangelho e da Epístola.

Calçada de Arroios, 58 [c. 1900]
Portão brasonado do antigo Palácio dos Condes de Linhares; ao fundo, a Rua Visconde de Santarém.
José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

O Instituto Militar de Arroios foi fundado em 11 de Abril de 1917 pela Comissão de Assistência aos Militares Mobilizados, da Cruzada das Mulheres Portuguesas. Regulamentado no mesmo ano e entregue à direcção do capitão-médico Alfredo Tovar de Lemosue fez a “modificação mais radical de esse labirinto de estreitos corredores, quartos, quartinhos em pisos diversos, verdadeiros remendos de construção, num edifício moderno, confortável, cheio de ar e luz”. O instituto destinava-se a receber, tratar e reeducar profissionalmente os mutilados de guerra, por forma a facilitar a sua reintrodução social e laboral. Concebido como organismo temporário, seria extinto em 1922. [Revista municipal Lisboa, 1960]

Calçada de Arroios, 58 [1917]
Portão brasonado do antigo Palácio dos Condes de Linhares; ao fundo, a Rua Visconde de Santarém.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 24 February 2019

Aeroporto Humberto Delgado (antigo da Portela)

Estivemos no ar outras nove horas e dez minutos e baixamos em Lisboa, no Aeroporto "Portela de Sacavém", distante cinco quilómetros da cidade. Sendo noite, apenas vimos a iluminação forte e profusa. Em terra, deparamos com uma pequena, porém bem apresentada, estação de embarque, com mobiliário moderno e cromado, várias folhagens junto às mesas e janelas, e muito asseio. Apenas descontentou-nos a deficiência de instalações sanitárias, e a morosidade em servir no restaurante, facto que se repetiu na volta.¹


Humberto Delgado nasceu a 15 de Maio de 1906 em Boquilobo, Torres Novas. Cedo ingressou na carreira das armas, frequentando o Colégio Militar entre 1917 e 1922 e a Escola do Exército, onde se formou em Artilharia em 1925. Participou no golpe militar de 28 de Maio de 1926 que depôs o regime republicano. Em 1928 optou pela carreira da Aeronáutica obtendo o curso de oficial piloto aviador. Em 1936 conclui o curso de Estado-Maior. 

Panorâmica sobre o Aeroporto da Portela de Sacavém [1958-09]
A partir de 15 de Maio de 2016 passou a designar-se Aeroporto Humberto Delgado
Na pista distinguem-se aviões Super Constellation.
Salvador de Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

Em 1944 é nomeado director do Secretariado de Aviação Civil. Em 1945 funda os Transportes Aéreos Portugueses (TAP) e cria as primeiras linhas aéreas de ligação com Angola e Moçambique, a chamada "Linha Imperial", inaugurada em 31 de Dezembro de 1946.
Em 1952 é nomeado adido militar na Embaixada de Portugal em Washington e membro do comité dos representantes militares da NATO. Promovido a general com 47 anos é o mais novo oficial daquela patente. Em 1956 o Governo Americano concedeu-lhe o grau de oficial da Legião de Mérito.
Em 1958, acedendo ao convite da oposição democrática, apresentou-se como candidato independente às eleições presidenciais. O mote da campanha eleitoral foi lançado pela célebre frase "Obviamente demito-o", numa conferência de imprensa no Café Chave d'Ouro em Lisboa , a 10 de Maio de 1958, em resposta a um jornalista da "France Press" que lhe pergunta qual o destino que daria a Salazar no caso de ganhar as eleições.

Aeroporto da Portela de Sacavém [1958-09]
A partir de 15 de Maio de 2016 passou a designar-se Aeroporto Humberto Delgado
Parque de estacionamento
Salvador de Almeida Fernandes, in Lisboa de Antigamente

O "General Sem Medo", como ficou celebrizado, teve de se exilar (primeiro no Brasil, depois na Argélia), nunca tendo no entanto deixado de dirigir acções contra o regime.
Foi assassinado pela polícia política (PIDE) em 1965, perto de Badajoz, apesar de o regime nunca ter assumido oficialmente as responsabilidades. Contudo, a sua luta não foi em vão: a opinião pública que o apoiava tornou-se num grave problema para a política de Salazar.
Em 1990, dezasseis anos após o 25 de Abril de 1974 que restaurou a democracia em Portugal, o general Humberto Delgado foi postumamente elevado a marechal da Força Aérea e os seus restos mortais trasladados para o Panteão Nacional.²

Aeroporto da Portela de Sacavém [1952]
A partir de 15 de Maio de 2016 passou a designar-se Aeroporto Humberto Delgado
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

N.B. O Aeroporto da Portela, projectado pelo Arq.º Francisco Keil do Amaral, sendo a direcção da obra do Eng.º Duarte Pacheco, foi inaugurado a 15 de Outubro de 1942.

Aeroporto da Portela de Sacavém [1952]
A partir de 15 de Maio de 2016 passou a designar-se Aeroporto Humberto Delgado
Varanda do bar do Aeroporto da Portela, na pista distinguem-se aviões Super Constellation. 
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ PEREIRA, Osny Duarte, Juizes brasileiros atrás da cortina de ferro, 1952.
²  bnportugal.pt.
Web Analytics