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Friday, 23 September 2016

Praça do Duque de Saldanha

Com esta bela Praça do Duque de Saldanha, que data da última década do século passado [séc. XIX], se deu testa à grande artéria mãe das Avenidas Novas, em correspondência paisagista com a Praça Mouzinho de Albuquerque [actual Rotunda de Entrecampos]. Na Praça, em rotunda, estrela de cinco pontas, confluem as Avenidas Fontes Pereira de Melo, Casal Ribeiro, Praia da Vitória [dois ramos] — estas duas já deste século — e da República (...) ¹


A Praça do Duque de Saldanha — antigamente chamada Rotunda de Picoas — nasceu do plano das Avenidas Novas concebido, no fim do século XIX, por Frederico Ressano Garcia, engenheiro da Câmara Municipal de Lisboa. A Praça tinha uma fisionomia mais simples do que a que lhe conhecemos na actualidade. Tinha uma tipologia de rotunda; era circular, com acesso radial, trânsito de atravessamento e envolvente. 

Praça do Duque de Saldanha |c. 1940|
Antiga Praça Mouzinho de Albuquerque, antes Rotunda das Picoas
; Avenida da República
Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

Para responder ao crescente aumento do trânsito automóvel nas décadas de 1950-60, é rasgado um novo arruamento na  Praça em 1969. Trata-se de quebrar a forma circular de rotunda da Praça, «o espaço molusco cuja viscosidade, espraiando-se fez perder a clareza da forma geométrica pur2, para dar lugar a um novo desenho. Se se comparar a fotografia dos anos 40 com outra de finais da da década de 60, pode ver-se que a pavimentação concêntrica central foi cortada dos dois lados para favorecer o tráfego automóvel. Ficou uma faixa de betume ou “ilha” em forma de “banana” [vd. 2.ª imagem] que vem separar os dois sentidos de circulação, entre a Avenida da República e a Avenida Fontes Pereira de Melo. 3

Praça do Duque de Saldanha |1969|
Antiga Praça Mouzinho de Albuquerque, antes Rotunda das Picoas; Avenida da República

Artur Bastos, in Lisboa de Antigamente

A Avenida de Fontes Pereira de Melo termina na rotunda da Praça do Duque de Saldanha, cercada de heterogéneas edificações, e a meio da qual se ergue o Monumento ao Duque de Saldanha. A pedra fundamental do monumento, cuja parte escultural é de Tomás Costa e a arquitectónica de Ventura Terra, foi lançada em 1904, tendo-se inaugurado em 1909. A estátua, que representa o marechal de pé, com a mão direita apontando na direcção do S., assenta sobre um pedestal dórico de base quadrangular flanqueado de colunas com capitéis canelados. À frente da estátua, na base, a figura alegórica da Vitória, de bronze, nas outras faces panóplias ornamentais pendem da boca de leões, tudo de bronze. 4

Praça do Duque de Saldanha |c. 1950-60|
Antiga Praça Mouzinho de Albuquerque, antes Rotunda das Picoas; Avenida da República

Fotógrafo não identificado, postal Ed. Lifer [s.d.]

Bibliografia
1 ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 79, 1939.
2 BESSA, J. P., Saldanha – Edifício MASP e Helena Rubinstein, Análise urbana da Praça do Saldanha, 1986.
3 FRÉTIGNÉ, Hélène, Uma Praça Adiada: Estudo de Fluxos Pedonais na Praça do Duque de Saldanha, vol. I, pp. 23-29, 2005.
4 PROENÇA, Raul, Guia de Portugal: Generalidades: Lisboa e arredores, vol. I, p. 434, 1924.

Monday, 22 June 2015

Cine-Teatro Monumental

O Cine-Teatro Monumental foi projectado pelo arq.º Raúl Rodrigues Lima e inaugurado em 8 de Novembro de 1951, imediatamente resultando «num autêntico centro de atracções», oferecendo, para além dos mais modernos e famosos espectáculos da Capital, lugares de descanso e lazer apreciados pelo público: um café-restaurante e uma sala de chá. Se, de início, o Monumental era «considerado como um teatro fora de portas», o valor e a fama das estrelas que ali actuam – Laura Alves, João Villaret, Paulo Renato – iria fazer com que o público «esquecesse as distâncias e alargasse as fronteiras da cidade» (G. Oliveira, 1999). O edifício era marcado por gigantescas estátuas no seu exterior e o «o seu átrio de entrada comum ao teatro, como uma espécie de galeria urbana, era um lugar de encontro, quase de “estar”, naquela Rotunda fechada dos anos 50-60». (J. M. Fernandes 1989) 
Os lustres e mármores aglomeravam-se na decoração do interior da sala e das galerias. A sala de cinema era composta por 2170 lugares, distribuídos por plateia e dois balcões,  e a de teatroparalela à Avenida Praia da Vitória, era composta por 1182.
Para rentabilizar melhor o espaço da sala do teatro, o arquitecto introduziu três balcões que se prolongavam lateralmente até ao palco e ainda dois camarotes “avant-scène” ricamente decorados. A revista cinematográfica Imagem fala, em 1950, dum «dos mais arrojados empreendimentos [desses dias]».

Cine-Teatro Monumental [c. 1952]
Praça do Duque de Saldanha
O Monumental abriu as suas portas a 8 de Novembro de 1951, no teatro, com a opereta “As Três Valsas” (1951), com Laura Alves e João Villaret, e o filme “O Facho e a Flecha”, de Jacques Tourneur, com Burt Lancaster e Virginia Mayo nos papéis principais, inaugurava a sala de cinema. As estátuas exteriores, bem como as figuras que decoravam alguns pisos no interior, ficaram a cargo do escultor Euclides Vaz.
António Passaporte,
. in Lisboa de Antigamente
Cine-Teatro Monumental, Sala do teatro com 3 balcões e 2 camarotes [c. 1952]
Praça do Duque de Saldanha
O Teatro Monumental foi arrendado pelo empresário Vasco Morgado, marido de Laura Alves, com o intuito de ali apresentar espectáculos de teatro declamado, operetas, revistas e atracções musicais, incluindo mesmo artistas estrangeiros. Foi aqui que Laura Alves protagonizou os maiores êxitos da sua carreira teatral.
Horácio Novais,
. in Lisboa de Antigamente

Tendo em vista grandes produções teatrais e musicais, foi criado um palco enorme, sobre o qual ficava a tela em formato gigante e por onde passaram todos os grandes clássicos do cinema em «Cinemascope» entre as décadas de 50 e 80, como: «20 000 Léguas Submarinas», «West Side Story», «El Cid»», «My Fair Lady», «Ben-Hur», «2001- Odisseia no Espaço» e o incontornável «Star Wars - Guerra das Estrelas». Por aqui passaram também os grandes nomes portugueses do teatro e da música.

Cine-Teatro Monumental [post. 1951]
Praça do Duque de Saldanha
Revestido de pedra e ornamentado numa das suas esquinas com uma grande coluna encimada por uma esfera armilar (um símbolo caro ao Estado Novo) e estátuas em cada um dos lados da frontaria. A entrada principal do público, orientada para a Praça Duque de Saldanha, tinha sete portas em forma de arco com acesso directo ao átrio principal (onde se situavam as bilheteiras) e aos vestíbulos que antecediam as salas.
Postal
. in Lisboa de Antigamente
Cine-Teatro Monumental, Sala do cinema [c. 1952]
Praça do Duque de Saldanha
A sala de cinema, que impressionava com os seus 2170 lugares, abrigava dois grandes painéis – que ladeavam o gigantesco ecrã – da autoria da pintora Maria Keil.
Horácio Novais,
. in Lisboa de Antigamente

Em 25 de Fevereiro de 1971, abriu uma nova sala no último piso do edifício. Era o Satélite, uma sala mais pequena, com 208 lugares, que oferecia ao público mais exigente da capital um tipo de filme de autor, um pouco na linha do Estúdio do Império. Um projeto do arquiteto Rodrigues Lima, em parceria com os engenheiros Ângelo Ramalheira, Barroso Ramos e Bustorff Silva, que foi inaugurado com “Les choses de la vie”, de Claude Sautet, com Romy Schneider na protagonista.
Foi exemplo dos grandes cine-teatros de Lisboa, representando um dos marcos da arquitectura desta tipologia em Lisboa e em Portugal, e uma verdadeira atracção turística para muitos portugueses de todo o país, que ainda hoje lamentam a sua demolição em 1982.

Cine-Teatro Monumental, demolição [c. 1982]
Praça do Duque de Saldanha
A salvo ficaram as estátuas e a esfera armilar que se encontram ainda em locais públicos da cidade.
Carlos Lopes. in Lisboa de Antigamente

Bibliografia:
FRÉTIGNÉ, Hélène, Uma Praça Adiada: Estudo de Fluxos Pedonais na Praça do Duque de Saldanha, vol. I, pp. 27-28, 2005.
cinemaaoscopos.pt.
O velho Cine-Teatro Monumental - crónica de Lauro António, 2013.

Tuesday, 25 August 2015

Inauguração do Monumento ao Duque de Saldanha

No ano de 1889, no reinado de D. Luís, foi decretado pelas Cortes Gerais o “levantamento” de um "monumento" em homenagem a João Carlos Gregório Domingos Vicente Francisco de Saldanha de Oliveira Daun (1790-1876), 1.º conde, marquês e duque de Saldanha.
Esta estátua colossal foi inaugurada apenas em 1909, pelo rei D. Manuel II, na presença de descendentes do duque de Saldanha, do vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Anselmo Braamcamp Freire, de vereadores, dos membros da comissão encarregue de erigir a obra e outras individualidades.
Esta peça, cuja parte escultural é de Tomás Costa e a arquitectónica de Ventura Terra, é composta por um pedestal quadrangular concebido em calcário de lioz, ladeado por colunas com capitéis canelados. Na parte superior desta estrutura assenta a estátua pedestre, em bronze, do marechal e duque de Saldanha, representado em uniforme militar completo, numa postura enérgica e vigorosa, própria de um chefe militar.

Praça Duque de Saldanha |1909|
Inauguração do monumento ao Duque de Saldanha
Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente

Na face frontal do pedestal está colocada uma estátua alegórica “vitória alada”, em bronze, empunhando uma espada. Nas outras faces existem outros elementos decorativos, entre eles, o Brasão Real, rodeado por uma coroa de ramos de louro e carvalho; três medalhões simbólicos, referentes à vitória na Guerra Peninsular (1808-1814), às Campanhas de Montevideu (1816-1823) e às Campanhas da Liberdade (1826-1834); assim com três festões de folhas.
As esculturas e todos os elementos ornamentais em bronze foram executados na fundição de canhões do Arsenal do Exército entre 1904 e 1907. [cm-lisboa.pt]

Praça Duque de Saldanha |1909|
Inauguração do monumento ao Duque de Saldanha
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 4 August 2024

Praça do Duque de Saldanha: Avenidas Novas

Com esta bela Praça do Duque de Saldanha, que data da última década do século passado [XIX], se deu testa à grande artéria mãe das Avenidas Novas, em correspondência paisagista com a Praça Mousinho de Albuquerque, que vimos já, no começo do Parque do Campo 28 de Maio (Campo Grande). 

Na praça em rotunda, estrela de cinco pontas — diz Norberto de Araújo, a quem vamos sempre seguindo — , confluem as Avenidas Fontes Pereira de. Melo, Casal Ribeiro e Praia da Vitória, estas duas já deste século- e da República e confluirá dentro de um ano a Rua António Enes, que se está prolongando já através de um talhão da da muito velha Rua das Picôas. Desaparecerá esse oitocentista Palácio, a sudoeste, que foi da Condessa de Camarido [depois Cine Teatro Monumental - 1ª imagem à esq.].¹

Praça Duque de Saldanha e Av. da República |194-|
À esq. nota-se o muro do Palácio Camarido demolido para dar lugar ao Cine Teatro Monumental
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

 

Avenida de Fontes Pereira de Melo termina na rotunda da Praça do Duque de Saldanha, cercada de heterogéneas edificações, e a meio da qual se ergue o monumento ao Duque de Saldanha. A pedra fundamental do monumento, cuja parte escultural é de Tomás Costa e a arquitectónica de Ventura Terra, foi lançada em 1904, tendo-se inaugurado em 1909. A estátua, que representa o marechal de pé, com a mão direita apontando na direcção do S., assenta sobre um pedestal dórico de base quadrangular flanqueado de colunas com capitéis canelados. À frente da estátua, na base, a figura alegórica da Vitória, de bronze, nas outras faces panóplias ornamentais pendem da boca de leões, tudo de bronze.²

Praça Duque de Saldanha e Av. Fontes Pereira de Melo |1952|
Em cartaz no Cine-Teatro Monumental o filme "A Paz Voltou à Cidade" com a participação de  Gary Cooper - no original "Dallas" - e a peça de teatro "Lisboa Nova" com a actriz Laura Alves, ambos estreados em 1952.
Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto d, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 79-80, 1939.
² PROENÇA, Raul, Guia de Portugal, Generalidades: Lisboa e arredores, Biblioteca Nacional, 1924.

Sunday, 6 September 2015

Praça Duque de Saldanha e Avenida da República

A Praça Duque de Saldanha era designada de Rotunda das Picoas em 1897, passando nesta data a chamar-se Praça Mouzinho de Albuquerque. Em 1902, é aprovado o topónimo de "Duque de Saldanha". Por decisão da CML em 6 de Outubro de 1910, a Avenida Ressano Garcia passou a denominar-se Avenida da República.
O monumento ao Duque de Saldanha (João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun (1790-1876), 1º duque de Saldanha), é obra do escultor Tomás Costa e do arquitecto Ventura Terra, inaugurado a 13 de Fevereiro de 1909.

Praça Duque de Saldanha e Avenida da República |28 de Janeiro de 1934|
Cortejo histórico de viaturas, organizado pela Câmara Municipal de Lisboa
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente


Saturday, 25 January 2020

Palacete da Praça do Duque de Saldanha, 28-30 com a Avenida da República, 1 e 1-A

Este edifício começou a ser construído em terrenos que eram propriedade de Maria Luiza Salazar Correia. Após o falecimento de seu marido, e estando o prédio ainda nos alicerces, foi comprado por Engrácio Supardo que, em 25 de Julho de 1906, apresentou novo projecto à Câmara Municipal de Lisboa, correspondendo à habitação unifamilar que hoje conhecemos. 
 
Palacete da Praça do Duque de Saldanha, 28-30 com a Avenida da República, 1-1-A |1926-10-05|
À esq. está o Monumento ao Duque de Saldanha (1909); legenda no arquivo: «Aspecto da parada militar comemorativa do 16º aniversário da implantação da República»
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está «identificado no arquivo.

Edificado entre 1907 e 1908, com risco atribuído ao arq.º José Luís Monteiro, trata-se de um edifício de gaveto, estruturado em dois pisos e águas furtadas, composto por um corpo central, dois laterais e outro de menores dimensões adossado ao lado esquerdo da construção, rematado superiormente por platibanda em balaustrada ritmada por plintos, interrompida por três frontões curvos esculpidos nos tímpanos. Em Vias de Classificação, traduz um exemplar de arquitectura residencial ecléctica, combinando elementos de inspiração classicizante, neo-renascentista, neo-maneirista e Arte Nova.

Palacete da Praça do Duque de Saldanha, 28-30 com a Avenida da República, 1-1-A |c. 1940|
Monumento ao Duque de Saldanha (1909)
Amadeu Ferrari, 
in Lisboa de Antigamente

Na sua fachada merecem destaque: os atlantes que suportam as varandas do segundo piso; o revestimento azulejar policromático e o trabalho de ferro forjado em malha sinuosa do corpo de menor dimensão; a porta principal, em arco de volta perfeita, com emolduramento em cantaria, ladeada por duas colunas rematadas por capitéis compósitos e encimada por frontão em arco abatido, decorado no tímpano com temática vegetalista; e o recurso ao festão como elemento decorativo do conjunto, localizado no piso superior e no vértice do edifício, composto por dois óculos e três janelas, que se abrem para varanda de planta semicircular e balaustrada. [cm-lisboa.pt]

Palacete da Praça do Duque de Saldanha, 28-30 com a Avenida da República, 1-1-A |c. 1909|
Monumento ao Duque de Saldanha (1909)
Chaves Cruz, 
in Lisboa de Antigamente


Tuesday, 14 July 2015

Palácio Camarido (actualizado)

Na praça [do Duque de Saldanha] em rotunda, estrela de cinco pontas, confluem as Avenidas Fontes Pereira de. Melo, Casal Ribeiro e Praia da Vitória — estas duas já deste século — e da República e confluirá dentro de um ano a Rua António Enes, que se está prolongando já através de um talhão da da muito velha Rua das Picôas.

Palácio Camarido [1939]
Praça Duque de Saldanha, Colégio Normal de Lisboa, depois Cinema Monumental
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Palácio Camarido [1939]
Fachada sobre troço antigo da Rua das Picoas vista do lado da Av. Cinco de Outubro.
Praça Duque de Saldanha, Colégio Normal de Lisboa
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Desaparecerá esse oitocentista Palácio, a sudoeste, que foi da Condessa de Camarido, D. Maria Isabel Freire de Andrade e Castro descendente do primeiro conde — o Morgado das Picoas — pois por aqui possuiu longos tratos de terrenos — D. Nuno Freire de Andrade e Castro de Sousa Falcão, do qual dependia uma Ermida, exterior, ainda hoje aberta ao culto [já demolida] na Rua das Picoas. O Palácio Camarido, no qual até 30 de Novembro de 1929 esteve instalada a Nunciatura é propriedade do Estado do Vaticano, ao qual a Condessa o legou. Mais tarde foi o edifício ocupado, até 1938, pelo Colégio Normal de Lisboa.

Demolição do Palácio Camarido (para prolongamento da Avenida Praia da Vitória)  [1945]
Praça Duque de Saldanha
Roiz,
in Lisboa de Antigamente
Levantamento da Planta de Lisboa [excerto], 1911
Legenda:
Vermelho - Palácio Camarido; Azul - Av. da República; Verde - Av. Fontes Pereira de Melo
Laranja - Avenida Praia da Vitória
Pinto, Júlio António Vieira da Silva,
in Lisboa de Antigamente
 
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto d, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 79-80, 1939.

Thursday, 12 May 2016

Praça do Duque de Saldanha

A Avenida de Fontes Pereira de Melo termina na rotunda da Praça do Duque de Saldanha, cercada de heterogéneas edificações, e a meio da qual se ergue o monumento ao Duque de Saldanha. A pedra fundamental do monumento, cuja parte escultural é de Tomás Costa e a arquitectónica de Ventura Terra, foi lançada em 1904, tendo-se inaugurado em 1909. [Araújo: 1939]

Praça do Duque de Saldanha |c. 1909|
Antiga Praça Mouzinho de Albuquerque, antes Rotunda das Picoas; Avenida da República
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A estátua, que representa o marechal de pé, com a mão direita apontando na direcção do S., assenta sobre um pedestal dórico de base quadrangular flanqueado de colunas com capitéis canelados. À frente da estátua, na base, a figura alegórica da Vitória, de bronze, nas outras faces panóplias ornamentais pendem da boca de leões, tudo de bronze.»
(in Guia de Portugal, coord. de Raul Proença, Generalidades: Lisboa e arredores, Biblioteca Nacional, imp. 1924. 1º vol., p. 434)

Praça do Duque de Saldanha |c. 1909|
Antiga Praça Mouzinho de Albuquerque, antes Rotunda das Picoas; à esq., a Avenida Casal Ribeiro; à dir., tornejando a Avenida Fontes Pereira de Melo, o edifício de habitação conhecido por «prédio do anjo».
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 22 March 2026

Rua das Picoas com a Av. da Praia da Vitória

 A Rua das Picoas, embora só tinha sido oficializada por deliberação camarária de 12 de Julho de 1906, era anterior à urbanização que o local sofreu no final do século XIX, como Estr. das Picoas. Diz-se que entre os proprietários da quinta se contaram duas senhoras de apelido Picão, a quem o povo chamou «as Picôas», e assim foi baptizado o sítio.

Picôas (estrada das) fica á direita no largo da Cruz do Taboado, indo para a porta do novo Matadouro e finda na barreira, que precede a rua das Cangalhas, freguezia de S. Sebastião da Pedreira 2 a 20 e 1 a 15. [Velloso: 1869]

Rua das Picoas com a Av. da Praia da Vitória |1943-01|
Este antigo troço da Rua das Picoas (velhinha Estr. das Picoas) que desapareceu depois da construção do Cine-Teatro Monumental (e prolongamento da Av. Praia da Vitória) e após demolição do Palácio Camarido que se vê à direita.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Avenida Praia da Vitória no cruzamento com a Rua das Picoas |1943-01|
Ao fundo, em fase de demolição, observa-se o Palácio Camarido e a Avenida 5 de Outubro.
Roiz, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): imagem corrigida, invertida no abandalhado amL.

O nome desta avenida surgiu em 1906 como Avenida «da» Praia da Vitória mas, em 1951, a partícula «da» foi retirada, após parecer da Comissão Municipal de Toponímia de 13 de Abril aprovado pelo Vice-Presidente da Câmara no dia 16. Inicialmente, estendia-se da Rua de Dona Estefânia à Praça Duque de Saldanha, sendo que, a partir de 1945, passou a prolongar-se até à Avenida 5 de Outubro.

Rua das Picoas vista tomada da com a Av. Fontes Pereira de Melo |1938|
Este antigo troço da Rua das Picoas (velhinha Estr. das Picôas) desapareceu depois da construção do Cine-Teatro Monumental (vd. fotografia aérea abaixo); à dir. nota-se o muro do extinto Palácio Camarido.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): imagem corrigida, invertida no abandalhado amL.
Fotografia aérea da zona da Praça Duque de Saldanha e Picoas |1934|
Pinheiro Corrêa, in Lisboa de Antigamente
Legenda (clicar para ampliar):
Edifícios/Monumentos:
1Palácio Camarido (demolido c. 1945)  2Praça Duque de Saldanha  3Mercado 31 de Janeiro que foi Matadouro Municipal   4Maternidade Doutor Alfredo da Costa  6Hotel Aviz (Palacete Silva Graça, demolido em 1962)
Arruamentos:
Vermelho —Antiga Estr. das Picoas (o troço tracejado foi extinto);  Verde — Rua Engenheiro Vieira da Silva;  Azul — Avenida Fontes Pereira de Melo;  Laranja — Avenida 5 de Outubro;  Roxo —Av. Duque de Ávila

Sunday, 12 May 2024

Rua Marechal Saldanha com a Rua do Almada

A Rua do Marechal Saldanha é um topónimo atribuído por edital de 31 de Dezembro de 1885 à antiga Rua da Cruz de Pao, e que assim se chamava por haver, dizem, no Alto de S.ta Catarina uma grande cruz de madeira, que servia de guia aos` navegantes até fora da barra.

Nesta artéria é homenageado o ilustre militar Duque de Saldanha (1790-1876), de seu nome João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun que era neto materno do Marquês de Pombal. Notabilizou-se na luta contra as invasões francesas e nas guerras liberais tendo em 1833, sido nomeado por D. Pedro chefe do Estado-maior do Exército. Também se revelou como político tendo sido chefe de governo em 1835, 1846-47, 1851 e 1870.
Mais tarde, por deliberação camarária de 21 de Agosto de 1902, foi também homenageado com a Praça do Duque de Saldanha.

Rua Marechal Saldanha com a Rua do Almada |post. 1948|
Antiga da Cruz de Pau e Largo da Cruz de Pau
À dir. nota-se parte da fachada lateral do Palácio Valada-Azambuja na direcção da Calçada do Combro. 
Amadeu Ferrari, in Lisboa de Antigamente

Almada (Rua e Travessa do) — Há duas vias públicas desta denominação; uma no 3.º Bairro, freguesia de Santa Catarina [hoje Misericórdia]; outra no 2.º Bairro, freguesias de S. Julião, Conceição e Mártires [hoje Santa Maria Maior].
Quanto à origem do topónimo "Almada" as opiniões dos estudiosos dividem-se. Mestre Castilho refere que a Rua do Almada, ao Calhariz, comemora o nome do valente guerreiro, Álvaro Vaz d'Almada (Conde de Avranches), amigo dedicado e companheiro nas lides bélicas, do infante D. Pedro, duque de Coimbra, filho de el-rei D. João I, e mortos ambos cobardemente na batalha d'Alfarrobeira, próximo de Coimbra, em 20 de Maio de 1449. Os olisipógrafos Norberto de Araújo e Gomes de Brito refutam a opinião de Castilho e alegam que é Fernão Rodrigues de Almada que dá o seu apelido á rua e que foi senhor por estes sítios quinhentistas, ascendente dos Almadas-Carvalhais, provedores da Casa da Índia, que tiveram Palácio à Boa Vista  Conde-Barão).  
Como quere que seja — remata Gomes de Brito — no Arquivo da Câmara há prova de que em 1565 já esta rua se denominava «de Almada». Escolha o estimado leitor a que mais fundo lhe calhar.

Rua do Almada com a Rua Marechal Saldanha |c. 1900|
Antiga da Cruz de Pau e Largo da Cruz de Pau
Como quer que seja — remata Gomes de Brito — no Arquivo da Câmara há prova
de que  em 1565 já esta rua se denominava «de Almada»
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, p. 69, 1939.
BRITO, Gomes de) Ruas de Lisboa. Notas para a história das vias públicas, 1935.
CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antiga, 1885.

Friday, 6 October 2023

Praça Duque de Saldanha, 31: Prémio Municipal de Arquitectura de 1945

Foi distinguido com o Prémio Municipal de Arquitectura, do ano de 1945, um edifício de habitação situado na Praça Duque de Saldanha, 31, um projecto do arquitecto João Simões (1908-?) para José Alexandre Matos, enquadrado dentro do estilo da época.

Edifício na Praça Duque de Saldanha, 31 |1959|
Prémio Municipal de Arquitectura de 1945
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 14 June 2017

Monumento a Luiz de Camões

Pela Carta de Lei de 10 Agosto de 1845 foi o governo autorizado a expropriar por utilidade publica o respectivo terreno, que estava compreendido entre o Largo das Duas Igrejas, Rua do Loreto, Travessa dos Gatos [que se foi com os Casebres do Loreto] e Rua da Horta Seca, e a entregá-lo à Câmara Municipal, para nele se formar uma grande praça, que se pensou aproveitar para a construção do futuro Teatro Nacional.

Por ocasião do 3º centenário de Camões (1880) resolveu-se colocar no Largo do Loreto a estátua do Épico, dando ao largo, devidamente disposto, nivelado e gradeado, o nome de Praça Luiz de Camões.


Pensando-se então em erguer uma estátua em honra do imortal autor de Os Lusíadas, para a qual se indicara o Passeio Público, foi decidido, pela respectiva Comissão, presidida pelo duque de Saldanha, solicitar, para o efeito, a nova praça em construção, e que à mesma fosse dado o nome do grande épico. Procedeu-se à colocação da primeira pedra, em 29 de Junho de 1862, com a presença de Sua Majestade. 

Monumento a Luiz de Camões [c. 1870]
Observe-se o gradeamento em volta do monumento e que tanta celeuma causou à época
Praça de Luís de Camões.
Francesco Rocchini, 
in Lisboa de Antigamente

Não cessavam os comentários, enquanto durou a construção da praça, como este que aqui damos:
«Parece que um mau fado persegue a Praça de Luís de Camões. Que gradaria que hoje ali começaram a colocar! Não se pode imaginar coisa de mais mau gosto. São uns grossos varões de ferro atravessados e com flores amarelas.
«Dir-se-ia que o gradeamento fora feito para uma jaula de animais ferozes, tão possante é.
«Na verdade, custa a crer como a Câmara não concebeu que aquele gradeamento é impróprio da praça. O desenho não é elegante; porém, se ao menos fosse de mais ligeira fábrica, se não tivesse tão grossos varões, poderia passar com menos reparo; como fizeram o tal gradeamento, era objecto das censuras de toda a gente e censuras justificadas, pois que ali fica um padrão do mau gosto no governo da cidade.»¹

Praça Luís de Camões  [c. 1900]
Assistência à passagem do cortejo das festas
de homenagem a Luís de Camões
Fotógrafo não identificado, in LdA
Monumento a Luiz de Camões [Início séc. XX]
 Estátuas em pedra lioz
Praça Luís de Camões
Fotógrafo não identificado, in LdA






















 
 
A inauguração da estátua, no meio de delirante entusiasmo, teve lugar em 9 de Outubro de 1867, muito antes da data em que se completou o tricentenário do passamento do cantor das nossas glórias². O custo da obra, paga ao escultor Vítor Bastos, foi de trinta e oito contos. A figura principal é de bronze, tem quatro metros de altura e está assente num pedestal octogonal de sete metros e quarenta e oito centímetros de altura, rodeado de oito estátuas em pedra lioz, de dois metros e quarenta, representando Fernão Lopes, Pedro Nunes, Gomes Eannes de Azurara, João de Barros, Fernão Lopes de Castanheda, Vasco Mouzinho de Quevedo, Jerónimo Corte Real e Francisco Sá de Miranda.

 A Praça de Luís de Camões, na tarde da inauguração da estátua do Poeta [1867]
Na janela do centro do 1.° andar, do prédio do lado Oeste, que foi de Carvalho Monteiro
armou-se a tribuna real 
in Archivo Pitoresco. Vol. X, 1867

Em 10 de Junho de 1880, uma grande multidão, entusiasmada, formada em cortejo, desfilou perante o monumento, irmanando-se com a massa compacta de portugueses, que enchia os passeios do Chiado, na ânsia de vitoriar a memória do poeta.
Por ocasião do Ultimatum inglês (1890), quando o monumento foi coberto de crepes pelos estudantes universitários, ainda o rodeava o gradeamento que a crítica alfacinha não perdoou.

¹ Jornal do Comércio, de 30 de Setembro de 1862
² Nessa noite, por iniciativa do rei D. Luís, efectuou-se um «baile campestre» nos jardins do palácio de Belém (A Dança no Estrangeiro e em Portugal, de Eduardo de Noronha, pág. 333)
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Bibliografia
COSTA, Mário, O Chiado pitoresco e elegante, pp. 68-70, 1987.

Wednesday, 5 June 2019

Avenida Casal Ribeiro

A Avenida Casal Ribeiro integra o plano de expansão da cidade iniciado em 1879 com a demolição do Passeio Público para dar lugar ao leito da avenida da Liberdade, iniciativa posteriormente consolidada e desenvolvida através do projecto da “avenida das Picoas ao Campo Grande e ruas adjacentes” .


A Avenida Casal Ribeiro nasceu por via do Edital municipal de 29 de Novembro de 1902, para ser o topónimo da via pública que existia entre a Praça Duque de Saldanha e o Largo de Dona Estefânia. Entre Setembro de 1900 e Agosto de 1906 encontramos diversos documentos municipais relacionados com a execução da «Avenida do Conde de Casal Ribeiro», nomeadamente que foram expropriados e trocados terrenos para o efeito, como Espinhaço de Cão e Terra do Alto.

Avenida Casal Ribeiro [1926]
Cruzamento com a Avenida Defensores de Chaves (à dir.) e Rua Actor Taborda (à esq.)
Os dois edifícios na Avenida Casal Ribeiro — tornejando para a Rua Actor Taborda — nos números 35 (de onde é tomada a fotografia) e 37, ainda lá estão. Em último plano a Praça Duque Saldanha.
Fotografia atribuída a Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

O homenageado é José Maria do Casal Ribeiro (1825--1896), conde de Casal Ribeiro por decreto régio de 28 de maio de 1870, que foi um político do rotativismo português dos finais do séc. XIX e como tal foi deputado, para além de ter desempenhado os cargos de Ministro da Fazenda (de 16 de Março de 1859 a 20 de Julho de 1860), dos Negócios Estrangeiras (de 24 de Abril a 4 de Junho de 1860 e de maio de 1866 a 4 de Janeiro de 1868), e ainda das Obras Públicas, Negócios e Indústria (de 9 de maio a 6 de Junho de 1866), de Conselheiro de Estado bem como de embaixador em Paris e Madrid.

Avenida Casal Ribeiro, sul [1964]
Cruzamento com a Avenida Defensores de Chaves (à esq.) e Rua Actor Taborda (à dir.)
Ao fundo encontra-se o Largo de D. Estefânia.
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
Cadernos do Arquivo Municipal, 2016.
cm-lisboa.pt.
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