As principais alterações urbanísticas no bairro da Mouraria iniciaram-se na segunda metade do século XIX. Uma das intervenções que mais contribuíram para a nova feição urbana da área foi a abertura da Rua Nova da Palma, alterando a malha e a dinâmica urbana da zona da Baixa da Mouraria. Para tal, foram destruídos um troço da Cerca Fernandina e a Ermida de Nossa Senhora da Guia (de 1759). Por detrás da antiga Igreja da Nossa Senhora do Socorro estava a famosa horta das Atafonas, expropriada em 1859.
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| Rua da Palma e Av. Alm. Reis |c. 1940| Procissão Nossa Senhora da Saúde. [vd. N.B] Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente |
Inicialmente, o novo trecho da rua chamou-se da Imprensa, mas no edital de 1859 “foi trocada em Rua Nova da Palma, e incorporada a nova artéria no primeiro troço quinhentista que já tinha esse nome. […] Em 1889 passou esta via pública, de extremo a extremo, a chamar-se Rua da Palma” (Silva: 1987). Contudo, as construções que deveriam “marginar a artéria” decorreram com lentidão, tendo tido início somente em 1852. Surgiram então o Teatro do Príncipe Real (1865) – depois chamado Teatro Apolo –, o Real Coliseu de Lisboa (de 1887), o Paraíso de Lisboa (local para realização de espectáculos) e o Circo Popular Lisbonense. [Menezes: 2023]
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| Rua da Palma, 238 |1927| Novo edifício das encomendas postais (o anterior ocupou o espaço do Real Coliseu de Lisboa, depois Garagem Liz. Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente |
N.B. A procissão da Saúde era dos mais curiosos espectáculos da Lisboa religiosa, com um carácter diverso da dos Passos e da do Corpo de Deus ou S. Jorge.
A primeira vez que se realizou foi em 20 de Abril de 1570. A última em 20 de Abril de 1910. Saia de manhã cedo da Mouraria, ia à Sé onde se cantava um Te-Deum, e depois a S. Domingos, onde havia sermão. Recolhia ao entardecer à Mouraria — e era de ver-se. [Araújo: 1989]


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