domingo, 2 de julho de 2017

Profissões de Antanho: o rendeiro

É  considerado vendedor ambulante, o indivíduo que por conta própria ou alheia, vende pelos lugares do seu trânsito os objectos do comércio que exerce, a quem .aparece a comprá-los, e não um indivíduo que, por conta própria ou alheia, distribui os objectos do seu comércio por clientes certos e determinados, conforme instruções recebidas do respectivo estabelecimento comercial. 

(Portaria n.º 4.887 de 6 de Maio de 1927)


A classe de mais valor, era noutro tempo, a dos profissionais, da qual faziam parte: vendedores, que numa giga traziam vários cestos pequenos, com boa fruta., e na outra, boa. hortaliça, isto é, tudo o que traziam, era bom, pelo que, vendiam mais caro.

Profissões de Antanho: o rendeiro [1907]
Rua dos Caetanos
Largando para o negócio
Joshua Benoliel, in Arquivo Municipal Lisboa

Uma outra, a dos rendeiros (espanhóis de origem) — que eram o encanto das noivas e das donas de casa — que também se dividia em duas partes. A primeira composta por vendedores de bordados, rendas, mantilhas, écharpes, sedas, etc., que eram transportadas em fardo, a dorso, e a segunda, composta por vendedores (homens ou rapazes) portugueses que apenas vendiam, uma ou duas qualidades de rendas ou fitas, que traziam estendidas em um dos braços, apregoando o preço de cada metro, acompanhando sempre o ·pregão, da frase: «é p'rácabar, ou «é mais barato que na «loje»

Profissões de Antanho: o rendeiro [1907] 
— A vintém o metro, mais barato não há!
— Que tentação...
— Quantos metros vão ser, freguesa?

Joshua Benoliel, in Arquivo Municipal Lisboa
Profissões de Antanho: o rendeiro [1907]
Travessa dos Inglesinhos com a  Rua Luz Soriano; ao fundo a Rua da Atalaia
— Então? Vendeste muito?
Joshua Benoliel, in Arquivo Municipal Lisboa

O espanholito passa, curvado, sob o fardo coberto de riscado azul e enfiado no metro. Aos bandos pelas ruas, os pequenos espanhóis da Extremadura, com a mão espalmada ao canto da boca, atiravam o pregão "Saiotes, manas, saiotes!", "a vintém o metro não há nada mais barato". É um delírio cor-de-rosa afogado num oceano de rendas. "Rendas! Rendas! Rendas baratas!".

Profissões de Antanho: o rendeiro [1907]
Rua dos Caetanos
Já se pode descansar «un rato!»
Joshua Benoliel, in Arquivo Municipal Lisboa

Bibliografia
(Illustração Portugueza, 1907)
(LOPES, Alfredo  Augusto,  Boletim do Grupo «Amigos de Lisboa», 1943)

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