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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O segredo do Obelisco (da Praça) dos Restauradores

Não há em Lisboa quem não pergunte o que significa o obelisco no centro da Praça dos Restauradores, além do seu significado imediato como monumento patriótico inaugurado em 28 de Abril de 1886 como projecto do arquitecto António Tomás da Fonseca. Terá algum significado esotérico ou escondido este monumento? Será obra secreta da Maçonaria Portuguesa? Afinal, o que significa este obelisco e porque está aqui?

Inauguração do Monumento aos Restauradores |28 de Abril de 1886|
 Praça dos Restauradores, vendo-se na tribuna o Rei  D. Luiz
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Por causa do seu formato, o obelisco é o símbolo do raio do Sol, ligando-se ao mito da ascensão solar e à «luz do Espírito penetrante» por causa da sua posição erecta e da ponta piramidal em que termina. Tendo tido uma importância excepcional na religião do Antigo Egipto que cultuava o Espírito do Sol, representativo de Deus Supremo, o simbolismo do obelisco veio a ser importado daí para a Europa pelas antigas confrarias de construtores-livres reunidas sob o nome genérico Maçonaria. Talhado num único bloco de pedra (monólito), o obelisco condiz até no nome com o seu significado solar, pois deriva do grego obeliskos como diminutivo de óbelos significando «agulha», como referência ao seu término pontiagudo.

Monumento aos Restauradores |1888|
Anjo da Vitória, por Simões de Almeida
Praça dos Restauradores e Avenida da Liberdade, ao cimo, os pavilhões da Exposição Industrial e Agrícola
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O obelisco era considerado com a petrificação do raio solar, acreditando-se que a Divindade animava ou existia dentro da estrutura. Esta crença egípcia seria adoptada pela Maçonaria depois de 1717, chegando a dizer o maçom Albert Pike no seu livro Dogma e Moral: «Daí a importância do obelisco, erguido como um emblema da ressurreição da Divindade enterrada». Foi assim que os maçons passaram a ter o obelisco como símbolo da Fraternidade Interna Invisível ou Espiritual, a mesma que a Igreja chama Comunhão dos Santos e outros de Grande Fraternidade Branca
.
Monumento aos Restauradores |séc. XIX|
Anjo da Luz, ou Génio da Independência, por Alberto Nunes
Praça dos Restauradores e Avenida da Liberdade
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

O simbolismo solar deste obelisco nos Restauradores, com 33 metros de altura, é ainda representado pelo Anjo da Luz, que vai bem com a natureza astrolátrica [adoração dos astros] do monumento, ou seja, o Génio da Independência, [voltado para a Avenida da Liberdade], obra do escultor Alberto Nunes, e que é o próprio Prometeu liberto dos grilhões que o escravizavam, neste caso particular, incarnando a alma liberta de Portugal do jugo Filipino no século XVII. Essa estátua de bronze é completada no significado por outra no lado oposto, a Vitória [1ª e 2ª imagens], escultura de Simões de Almeida. A escolha do metal bronze é também muito significativa, pois entre os antigos egípcios era considerado como a “carne dos deuses”, juntamente com o ouro que aqui figura só no Sol de Lisboa. Fica assim revelado o segredo deste singular Obelisco dos Restauradores.
[Simbolismo esotérico, Mistérios de Lisboa. por Vitor Manuel Adrião, historiador]

Monumento aos Restauradores |ant. 1892|
Anjo da Luz, ou Génio da Independência, por Alberto Nunes
Praça dos Restauradores; à direita, o Hotel Avenida Palace em construção.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Palácio Castelo Melhor — Palácio dos Marqueses da Foz

Ora estamos defronte do Palácio Foz — como por muito tempo se chamará — , e dele cumpre completar actualmente a notícia histórica.


Em 1755 o Palácio primitivo dos Castelo Melhor, do lado oposto, ruiu e ardeu. A Cidade, no plano de Pombal, comprou (1764) àqueles nobres o chão da quinta para abrir o Passeio Público, e o Marquês de Castelo Melhor julgou, e bem, azado o momento para fazer um belo palácio novo, derrubando para tanto (1777) as casas que haviam sido dos Condes de Castanheira [vd. última imagem]. Deve dizer-se, porém, que as obras foram suspensas, não sei porquê, e que só em 1845 recomeçarpm e se concluíram já em tempo do 4.” Marquês, D. António de Vasconcelos e Sousa (também Faro em seu apelido). Foi o risco do Palácio dado por Francisco Xavier Fabri; morreu no periodo da suspensão das obras (1807) e outros mestres ou arquitectos seguiram o seu plano.

Palácio Castelo Melhor |1891|
Palácio Foz — alteado de mansarda e pavilhões, coroado por esculturas de de Simões de Almeida — ou Palácio dos Marqueses da Foz
Praça dos Restauradores, 25-45; Calçada da Glória vendo.se o campanário da antiga capela derribada em 1902.
M. Caetano de Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Em 1889 a Casa Castelo Melhor desfez-se destas propriedades e terrenos, adquirindo-os o capitalista Tristão Guedes de Queiroz Correia Castelo Branco, 1.º Marquês da Foz (1886), filho do 1.º Barão l.º Visconde e 1.º Conde do mesmo título — Gil era o seu nome próprio — , que fora militar ilustre, marechal de campo por seus feitos.  
O novo proprietário ordenou obras radicais no interior do Palácio, levadas a efeito pelo arquitecto José António Gaspar, tendo a seu lado o notável artista Leandro Braga; da antiga casa palaciana só ficou o exterior, esse mesmo alteado de mansarda, e a capela, logo desfigurada também. O Marquês da Foz converteu os salões num verdadeiro Museu, no qual se ostentavam obras primas de todas as artes, desde a escultura e pintura à ourivesaria e mobiliário, quer portuguesas quer de mestres estrangeiros; um tecto, por exemplo, que pertenceu à «Sala dos Reis» do Convento dos Jerónimos, encontrava-se neste palácio.

Palácio Castelo Melhor |1891|
O Salão Nobre — antiga Sala do jogo — , ou Sala de baile (do antigo palácio) desenvolve-se no estilo Luiz XV, ou da Regência, e o entablamento é sustentado por dezasseis pilastras; a moldura forma uma curiosa elipse. A cúpula remata com uma pintura do século XVII, escola holandesa, atribuída a Weenix. As pinturas das sobreportas e dos medalhões são do pincel de Columbano.
Palácio Foz ou Palácio dos Marqueses da Foz
Praça dos Restauradores, 25-45
M. Caetano de Portugal, in Lisboa de Antigamente

Viste como se fez o Palácio Castelo Melhor, no qual em 1858 foi construída uma famosa Capela de Nossa Senhora da Pureza, em sucessão de outra, demolida naquele ano, situada na Calçada da Glória do lado oposto ao do palácio, e que fora erguida em 1581 por Manuel de Castro, a cujos herdeiros os Marqueses compraram em 1711 o direito. Entre ela e o palácio havia um passadiço de ligação, desaparecido em 1858.
A Capela citada do interior do Palácio desapareceu em 1902, sendo a histórica imagem de N. Senhora da Pureza transferida em 5 de Fevereiro daquêle ano para a Igreja de S. Lourenço, pertencente à Casa Castelo Melhor, a cuja Marquesa, D. Helena, o Marquês da Foz a ofereceu. Situava-se onde é o átrio do actual Salão Central, a um piso superior; era do risco de Cinatti e Rambois.
É necessário dizer-te que, a sul do Palácio, não havia nessa época prédios construídos mas um muro, por trás do qual subiam os magníficos jardins Castelo Melhor [vd. foto abaixo], que haviam feito parte da cerca dos Padres jesuítas de S. Roque, em parte cedida àquele fidalgo depois da extinção da Companhia de Jesus.



Palácio Foz, capela |1891|
M. Caetano de Portugal, in Lisboa de Antigamente





Palácio Foz, jardins |1891|
M. Caetano de Portugal, in Lisboa de Antigamente



Tudo, porém, quanto o Marquês da Foz fêz reunir, entrou logo em 1901 em dispersão, pela derrocada da Casa Foz. O Palácio foi alugado a Manuel José da Silva proprietário do «Anuário Comercial» e acabou por ficar hipotecado ao Crédito Predial, ao qual o adquiriu o Conde de Sucena em 1914.
O 2.° e actual Conde de Sucena não viu coroados de êxito moral e material os seus esforços no levantamento do «Eden»; não podendo satisfazer os seus compromissos perante a Caixa Geral de Depósitos, todos os seu bens na Avenida foram postos em almoeda.

Palácio Castelo Melhor [1891]
A Sala de jantar [da época Luís XVI] e depois também de jogo, é igualmente muito bela, ostentando sete molduras de Malhoa; todo o seu desenho e ornamentação são do risco de Leandro Braga. O tecto, em estuque, deve-se ao artista português Meira.
Praça dos Restauradores, 25-45
M. Caetano de Portugal, in Lisboa de Antigamente
Palácio Castelo Melhor [1891]
A Sala de jantar [da época Luís XVI] e depois também de jôgo, é igualmente muito bela, ostentando sete molduras de Malhoa; todo o seu desenho e ornamentação são do risco de Leandro Braga. O tecto, em estuque, deve-se ao artista português Meira.
Palácio Foz ou Palácio dos Marqueses da Foz
Praça dos Restauradores, 25-45

M. Caetano de Portugal, in Lisboa de Antigamente

No primeiro leilão, a 12 de Julho deste ano de 1939, a Caixa Geral arrematou por 8.098 contos o Palácio Foz, e mais chamou a si os dois prédios contíguos, da Calçada da Glória, onde esteve o Salão Foz e onde está desde 1868 a sociedade de recreio «Matinha». No segundo leilão, realizado a 25 do mesmo mês, a Caixa Geral arrematou o Éden, com seu recheio, por 6.000 contos, o prédio n.° 13 da Praça dos Restauradores, por 3.200 contos, e um prédio na Avenida, no n.°' 183 a 187 por 1.200 contos. 


Palácio Foz, vista da Escadaria principal  |1891|
Estilo Luiz XVI
M. Caetano de Portugal, in Lisboa de Antigamente


Palácio Foz, galeria da Escadaria principal |1891|
Estilo Luiz XVI
M. Caetano de Portugal, in Lisboa de Antigamente


Palácio Castelo Melhor |1891|
Vista do vestíbulo do palácio
Palácio Foz ou Palácio dos Marqueses da Foz
Praça dos Restauradores, 25-45
M. Caetano de Portugal, in Lisboa de Antigamente

Em 1908 José Nunes Ereira alugara o Palácio, que estava então arrendado a Manuel José da Silva, e nele instalou nesse mesmo ano o Club Restauradores (Maxim's), que ainda hoje [1939] se mantém. Em parte do edifício (entrada pelo n.° 27) instalou-se em 1915 um Ritz Club, desde 1935 sede do Sporting Club de Portugal, agremiação desportiva.

domingo, 29 de julho de 2018

Cinema Éden

O novo Éden, enfim, foi inaugurado, com solenidade invulgar, em 1 de Abril de 1937; representou-se a peça «Bocage», na qual o protagonista foi interpretado por Estêvão Amarante. 

O Éden novo não resistiu à crise do teatro em Portugal, e pouco tempo depois de inaugurado começou a explorar cinema. [Araújo: 1939]


Classificado como Imóvel de Interesse Público, tem projecto inicial do arq. Cassiano Branco, terminado pelo arq. Carlos Dias. Esta construção típica do início dos anos 30 do séc. XX — veio substituir o primeiro Éden Teatro — foi considerada uma das mais importantes obras da arquitectura modernista em Portugal. Inaugurado em 1937, constitui-se como um animado pólo de diversão, com a sua grande sala de espectáculos, bares e espaços comerciais no piso térreo. De planta rectangular, evidencia uma acentuada horizontalidade e cobertura em terraço. 

Cinema Éden  [c. 1943]
Praça dos Restauradores, 17-24
Em cartaz, o filme «Fátima, Terra de Fé» do realizador Jorge Brum do Canto que chegou às salas de cinema em 2 Junho de 1943.

Estúdio Mário Novais,in Lisboa de Antigamente

O exterior destaca-se pelo original jogo de formas e volumes da fachada, desenvolvida simetricamente em relação a um corpo central, evidenciando-se a utilização do vidro e do ferro nas janelas e os painéis do friso superior, com baixos-relevos evocativos das artes representadas no interior da sala de espectáculos, que foi o Éden.

Cinema Éden  [1935]
Praça dos Restauradores, 17-24
Éden em construção.
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente
Cinema Éden  [1936]
Praça dos Restauradores, 17-24
Publicidade nos tapumes do cinema Éden em construção.
Fotografia anónima, in Lisboa de Antigamente
Cinema Éden  [1937]
Praça dos Restauradores, 17-24
A fachada do Éden (Teatro) no dia da inauguração com a peça «Bocage».
Alexandre Cunha, in Lisboa de Antigamente

O interior merece destaque pelo jogo dinâmico dos seus acessos, favorecendo uma animada circulação, através de escadarias suspensas que se cruzam, assim como pelos vários pormenores decorativos. Desactivado como sala de espectáculos em 1989, o edifício foi objecto de profundas obras de remodelação e reconversão, em 1995, segundo projecto dos arqs. Frederico Valssassina e George Pancreach, passando a acolher uma unidade hoteleira nos pisos superiores. [cm-lisboa.pt]

Cinema Éden  [c. 1937]
Praça dos Restauradores, 17-24
Plateia e Balcão

 Mário Novais, in Lisboa de Antigamente
Cinema Éden  [c. 1937]
Praça dos Restauradores, 17-24
Escadaria, entrada

 Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Hotel Avenida Palace

O Hotel Avenida Palace — o único Palace no centro de Lisboa — foi projectado nos finais do séc. XIX (1890-1892), pelo arq.º José Luís Monteiro, um dos mais distintos arquitectos portugueses, que também projectou a Estação do Rossio (ao fundo). Foram utilizados na sua construção os mais avançados conhecimentos da técnica e os melhores materiais à época. Foi construído para apoio à estação de comboios do Rossio por encomenda Real Companhia dos Caminhos-de-Ferro Portugueses. Inaugurado em 1892 com o nome de Grande Hotel Internacional, só no ano seguinte se passou a chamar Avenida Palace Hotel.

Hotel Avenida Palace [entre 1906 e 1908]
Praça dos Restauradores
 Frequentado por individualidades do mundo da Finança, da Política, da Igreja e das Artes, assistiu à implantação da República Portuguesa, à Guerra Civil de Espanha e às duas Grandes Guerras, tendo então sido palco activo da intriga política e da espionagem.
Charles Chusseau-Flaviens, in Lisboa de Antigamente

A Waggons Lits, companhia ligada à exploração ferroviária, apresentou à Real Companhia uma proposta para que o novo edifício fosse aproveitado para um grande hotel de estação, semelhante aos Palaces de outras capitais europeias. A exploração ficaria a seu cargo, tal como o direito de preferência, em caso de venda. 
Em vez de um novo edifício de linguagem neo-manuelina, que tanto polémica suscitou, surge uma construção de estilo boulevardier do Segundo Império, composição classizante influenciada pela arquitectura francesa tão ao gosto beaux-arts de José Luís Monteiro, traquejado nas construções de Paris. A fachada principal, por exemplo, apresenta um janelão que não deixa de evocar a arquitectura do ferro da Gare du Nord, em Paris. Nada é deixado ao acaso. A Praça D. Pedro IV, junto ao hotel, foi ornamentada em 1889 com duas fontes de bronze fabricadas em França.

Hotel Avenida Palace [1895]
Praça dos Restauradores e 
Rua do Príncipe  hoje 1.º de Dezembro
Augusto Bobobe, in Lisboa de Antigamente
Hotel Avenida Palace [post. 1911]
Rua 1.º de Dezembro; ao fundo entrevê-se a Praça dos Restauradores
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

O objectivo é conseguir um hotel de luxo digno da melhor aristocracia europeia e da burguesia endinheirada de todo o mundo. Porque o Rossio se tornara já o ponto de encontro dos proeminentes e o centro político do país — o Café Martinho, das tertúlias políticas e literárias, ficava mesmo em frente.
O projecto original — com menos um piso — estabelecia uma interessante ligação directa entre a Estação e a Praça dos Restauradores, através de uma galeria interior, retirada mais tarde.
A vista era mágica: a Norte, a Avenida imensa, baptizada com o nome de Liberdade, seis anos antes, por altura do casamento do príncipe D. Carlos com D. Amélia de Orleães; a Sul, o Tejo e Baixa Pombalina; a Este o velho casario do Castelo a impor-se no recorte de uma colina.
 
Hotel Avenida Palace [1895]
Praça dos Restauradores
Este simbólico Hotel foi inaugurado em 1892, considerado, sobretudo na Belle Époque, um dos melhores hotéis da Europa pelo seu glamour, localização e serviço. 
Augusto Bobobe, in Lisboa de Antigamente
 
A decoração interior era requintada, estilo Belle Époque. Os tapetes, reposteiros e estofos das otomanas eram do mais distinto no mercado de qualidade. A mobília foi adquirida directamente da casa Maple, um dos armazéns mais elegantes de Londres. Os quartos primavam, quase todos, pelo forro de seda ou papel de couro. As paredes da sala de jantar estavam revestidas por um veludo de ramagens, interrompido por um lambri em madeira de carvalho. Todos os quartos dispunham de aparelhos de aquecimento e ventilação e, em quase todos, havia já uma casa de banho. Os hóspedes tinham à disposição um elevador hidráulico para se deslocarem de piso e a cozinha do Hotel era reconhecida como uma das melhores de Lisboa.
Uma orquestra privativa inundava os salões de música durante os célebres bailes de sábado e, enquanto os pares desafiavam amores, espiões de várias proveniências “espreitavam” conspirações. Um Serviço Especial de Noite, marcado por uma requintada cozinha francesa, “à la carte”, entretinha as horas e
“temperava” as emoções mais aguerridas. Os aromas das essências de Paris deixavam no ar um travo adocicado de uma monarquia decadente. [in hotelavenidapalace.pt]
 
Hotel Avenida Palace [1892]
Rua 1.º de Dezembro; Praça D. João da Câmara, Estação do Rossio e Café Martinho
Em 1893, o Grande Hotel Internacional passa a chamar-se Avenida Palace, tal como os seus congéneres europeus. Os Palaces simbolizavam o esplendor da corte, numa época em que a aristocracia de berço começava a ser ultrapassada pelo dinheiro da burguesia.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Grande Hotel d'Inglaterra

lnstalara-se o Grande Hotel de Inglaterra no vasto prédio a esquina da Rua do Jardim do Regedor para os Restauradores, com a sua sala de jantar de estilo D. João V, como o salão de visitas. Foi inaugurado em 15 de Abril de 1906, por ocasião do décimo quinto Congresso de Medicina, que se realizou na capital. Era proprietário do hotel o senhor Abel de Barros, também dono da Pension Hotel, da Rua da Glória, centro de hospedagem preferido pelos portugueses que regressavam do Brasil. No novo estabelecimento havia pessoal português, inglês, alemão e francês.

Grande Hotel de Inglaterra |1912|
Praça dos Restauradores e Rua Primeiro de Dezembro (antiga do Príncipe)

Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

No prédio do lado oposto [da Rua 1.º de Dezembro], esquina da Rua do Jardim do Regedor — recorda Norberto de Araújo — , existiu até 1936 o Hotel de Inglaterra, que teve categoria. A Companhia, proprietária do Avenida Palace, comprou então o prédio para construir um grande Hotel, mas, como surgissem dificuldades, desfez-se do imóvel, o qual foi em 1937 adquirido pela «Ribatejana», sociedade de comércio agrícola; do Hotel novo, ou da reabertura do Hotel de Inglaterra, mais se não falou.

Grande Hotel de Inglaterra |1910|
Praça dos Restauradores e Rua Primeiro de Dezembro (antiga do Príncipe)

«Funeral do almirante Cândido dos Reis e do doutor Miguel Bombarda (1910-10-16)»
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
 

GRANDE HOTEL DE INGLATERRA Praça dos Restauradores, 53 O mais central da capital Todo conforto, aquecimento central Agua corrente quente e fria, em todos os quartos Linda vista da Avenida da Liberdade PREÇOS MODERADOS Optimo serviço de cosinha.
(Roteiro ilustrado de Lisboa e arredores. Ed. do Guia de Portugal Artístico, Lisboa, 1935)

 



A parte decorativa das salas e dos quartos foi dirigida pelo sr. Augusto Pina, um consumado artista no Género como se pode pelo gosto com que decorou a sala de entrada como se pode ver pelo gosto com que decorou a sala de entrada em estylo Luiz XV e a sala de visitas no mesmo estylo, o gabinete de leitura, em estylo imperio, a grande sala de jantar que podemos classificar epoca. D. João V, onde se vêem lindos panneaux em tons suavissimos, pintura do sr Antonio Baeta, entre os apainelados de molduras em graciosos relevos, sobresaindo das paredes, classicas cariátides, obra do sr. Pina. Ao fundo d'esta sala ha uns bellos vitraes com pinturas, trabalho do atelier. Julio.
O quarto Luiz XV que se encontra no 3.º andar é tambem bellamente decorado, sendo digno de apreço o seu mobiliario e tapeçarias, assim como um outro quarto decorado em estylo Arte Nova.
Todos os pavimentos são cobertos por oleados ingleses de lindo gosto, vindos expressamente de Londres, assim como as tapeçarias vieram de Paris.
O estabelecimento do Grande Hotel d'Inglaterra sob os pontos de vista d'arte, hygiene e commodidade, é um grande melhoramento para a nossa capital. (O Occidente: 1906)

Grande Hotel de Inglaterra |1933|
Praça dos Restauradores e Rua Primeiro de Dezembro (antiga do Príncipe)

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N.B. A inauguração fez-se no dia 15 de Abril de 1906, tendo sido tomados todos os quartos para alojamento de uma parte dos congressistas estrangeiros, que em numero superior a dois mil vieram a Lisboa tomar parte no XV Congresso de Medicina.
O edifício onde se encontrava o Grande Hotel de Inglaterra foi demolido em 1952.

Grande Hotel de Inglaterra, demolição |1952|
Praça D. João da Câmara e Rua Primeiro de Dezembro (antiga do Príncipe)
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia

MARTINS, Rocha, Lisboa: História das suas Glórias e Catástrofes, 1947.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p.  15, 1939.

O Occidente: 1906.

domingo, 10 de novembro de 2019

Cinema Restauradores

Localizado nos Restauradores  — nos baixos do Éden — em pleno coração de Lisboa esta sala de cinema iniciou a sua actividade em 28 de Outubro de 1911. Inicialmente tinha o nome de «Salão Chantecler» ou «Galo». Os seus proprietários, Júlio Augusto Estevens e António Moreira Gaspar, acabariam mais tarde por mudar o nome da sala para o tornar mais apelativo, passando deste modo a ser designado como Cinema Restauradores. 
O Cinema Restauradores tinha capacidade para 499 espectadores. Até 1927 os filmes mudos que lá passaram tiveram grande sucesso devido essencialmente a algo que ficou conhecido como fono-cinema e mais popularmente como fitas faladas.

Cinema Restauradores |1966|
Praça dos Restauradores
Sessão Dupla: A Cortesã do Oriente (1953) e Os 3 Magníficos (1961).
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

A 20 de Dezembro de 1935, ao mesmo tempo que são levadas a cabo obras de remodelação e modernização, assume o nome de Restauradores e assim ficaria conhecido nos próximos 30 anos.
Na década de 60 a sua popularidade tinha diminuído consideravelmente e acabaria por encerrar em 1968, dando lugar a um estabelecimento pertencente à Companhia União Fabril. Actualmente o edifício alberga um hotel.

Praça dos Restauradores |1914|
Ao lado esq. da entrada  para a antiga Topografia «Anuário-Comercial» observa-se o velho Animatographo Chantecler, com o famoso Galo na frontaria, antecessor do Cinema Restauradores (clicar para ampliar); Cinema Éden Teatro.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
  
Pela passagem entre o Éden e o Palácio Foz — recorda o ilustre Norberto de Araújo — se faz entrada, hoje [1939], para o Anuário Comercial, importante estabelecimento gráfico, desde 1914 propriedade de uma sociedade anónima. O «Anuário», fundado por Carlos Augusto da Silva Campos, começou a publicar-se em 1880 sob o nome de «Almanaque Comercial de Lisboa» título que prevaleceu até 1887. Em 1893 era «Anuário-Almanaque Comercial», propriedade de Manuel José da Silva, tendo por capitalista o Conde de Bumay.
Neste Pátio esteve, há anos, instalada a esquadra da policia, que depois passou à Rua de Santo Antão e hoje está na Praça da Alegria.

 Tipografia do anuário Comercial |post. 1911|
  Praça dos Restauradores
Ao lado esq. vê-se a entrada  para o velhinho Animatographo Chantecler vulgo Galo.
Em cartaz, o filme  de 1911, «Sangue siciliano»
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
RIBEIRO, M. Félix, Os Mais Antigos Cinemas de Lisboa 1896-1939, 1978- 
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa, 2017.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 18, 1939.

domingo, 28 de julho de 2024

Monumento aos Restauradores

Não há em Lisboa quem não pergunte o que significa o obelisco no centro da Praça dos Restauradores, além do seu significado imediato como monumento patriótico inaugurado em 28 de Abril de 1886 como projecto do arquitecto António Tomás da Fonseca. Terá algum significado esotérico ou escondido este monumento? Será obra secreta da Maçonaria Portuguesa? Afinal, o que significa este obelisco e porque está aqui?
Descubra o segredo que esconde o obelisco aqui.
 
Monumento aos Restauradores, manutenção |1945|
Praça dos Restauradores; antigo Largo do Passeio Público.
O pedestal é encimado, na face sul, pela estátua da Victoria, de Simões de Almeida.
Mário Tavares Chicó, in Lisboa de Antigamente

O Monumento aos Restauradores que se eleva ao meio da praça do mesmo nome e consagra a revolução de 1640, foi erguido por subscrição pública promovida por uma comissão parlamentar, inaugurou-se em 28 de Abril de 1886, como acima se disse, sendo o projecto de António Tomás da Fonseca e a construção de Sérgio Augusto de Barros. Compõe-se de envasamento, pedestal e obelisco , numa altura total de 30 m.
 
Monumento aos Restauradores |1947|
Praça dos Restauradores; antigo Largo do Passeio Público. Vista nocturna da Avenida da Liberdade e do Castelo de São Jorge.
O pedestal é encimado, na face norte, pela estátua do Génio da Independência de Alberto Nunes.
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

domingo, 12 de junho de 2016

Fernando de Bulhões, Santo António de Lisboa

Comemoração do VII centenário do nascimento de Santo António


Fernando de seu nome de baptismo, Santo António de Lisboa, (ou Santo António de Pádua), nasceu por volta de 1195, em Lisboa, perto da Sé episcopal, no lugar onde agora está a igr. de Santo António e morreu a 13 de Junho de 1231, em Pádua, na Itália.
Fernando de Bulhões, foi um dos santos mais amados e celebrados do mundo – e não admira que seja o seu nome, como Santo António de Lisboa ou Santo António de Pádua, aquele que aparece no livro dos Guinness World Records como «santo mais rápido de sempre». [Borges: 2017]
 
Rua do Príncipe |13 de Junho 1895|
 Setecentista Rua de Valverde (hoje de Primeiro de Dezembro); Praça dos Restauradores; «Choras»
 Comemoração do VII centenário do nascimento de Santo António (1195-1231).
 Chaves Cruz,
in Lisboa de Antigamente

Nascido em berço rico e nobre — filho de Martim de Bulhões e de D. Maria Teresa Taveira — «gente de bom sangue», «era um pequenito, por vezes traquinas, outras meditativo, muito dado a cismar, ficando, nestes momentos, a olhar as águas do Tejo, onde se reflectiam as grandes velas fenícias dos barcos.» (in Arquivo Nacional, Vol. 6)
Aos vinte anos professou a vida religiosa entre os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de S. Vicente de Fora. Ordenado sacerdote em 1220, fez-se frade franciscano no eremitério de Santo Antão dos Olivais, partindo depois para Marrocos em missão de apostolado aos muçulmanos.

Rua do Príncipe |13 de Junho 1895|
 Praça dos Restauradores (lado ocidental); Hotel Avenida Palace
 Comemoração do VII centenário do nascimento de Santo António (1195-1231).
 Chaves Cruz, in Lisboa de Antigamente

Foi dos mais categorizados representantes da cultura cristã no período de transição da pré-escolástica para a escolástica. Figura notável pela sua erudição, impôs-se também pelo exemplo na pregação solene e doutrinal, na discussão com os hereges e no ensino nas escolas conventuais. Por isso, é ainda hoje considerado uma das personalidades franciscanas mais significativas.
Foi canonizado pelo papa Gregório IX, em 30 de Maio de 1232. Em Pádua foi erigida uma conhecida basílica em sua memória, e lá se encontram as suas relíquias. (infopedia)

Rua do Príncipe |13 de Junho 1895|
Praça dos Restauradores (lado oriental); Rua do Jardim do Regedor
 Comemoração do VII centenário do nascimento de Santo António (1195-1231).
 Chaves Cruz, in Lisboa de Antigamente

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