Sunday, 4 September 2016

Avenida Almirante Reis, 2-2K

Em 1908, atribui-se pela primeira vez o Prémio Valmor a um edifício de rendimento cujo piso térreo era ocupado por estabelecimentos comerciais. Edifício de gaveto, com projecto de Arnaldo R. Adães Bermudes (1864-1948), propriedade de Guilherme Augusto Coelho, conforme legenda incisa numa pilastra da fachada principal.


Construído em 1908, segundo projecto do arq.º Arnaldo Adães Bermudes, trata-se de um edifício ecléctico, que congrega diversas correntes estilísticas, conforme foi usual nos meios mais académicos da viragem de século. O edifício termina, do lado sul, num corpo semicircular que define o gaveto voltado ao amplo espaço público formado pela ligação da Avenida Almirante Reis ao Largo do Intendente Pina Manique
Apresenta quatro pisos, separados por longas varandas nos registos inferiores, fazendo-se a animação dos alçados por panos alternadamente reentrantes e salientes nas faces principal e posterior. O piso térreo é ocupado por lojas que ocultam parcialmente a estrutura, arrancando dos arcos que definem as entradas principais os maciços que suportam os três panos salientes, que incluem silhares almofadados de gosto neoclássico. Os pisos superiores integram janelas de sacada, a maioria de vão recto, e as de mais cuidado tratamento a pleno centro ou de perfil abatido. 

Avenida Almirante Reis, 2-2K;  Largo do Intendente, 1-6 |c. 1908|
Antiga Avenida D. Amélia antes Avenida dos Anjos
 Prémio Valmor de 1908
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Ao nível dos segundo e terceiro andares existem varandas corridas protegidas por gradeamentos de ferro forjado, decorados ao estilo Arte Nova. No último registo, as varandas aplicam-se apenas às janelas dos panos salientes, sendo as restantes intercaladas por painéis de azulejos policromados, também Arte Nova, com motivos florais e animais. O coroamento inclui frontões de volutas cujos tímpanos são revestidos com azulejos Arte Nova, e segmentos de balaustrada simples. Sobre o corpo semicircular ergue-se uma cúpula de pendor neobarroco, assente sobre cachorrada e encimada por lanternim em forma de templete. 
Classificado Imóvel de Interesse Público pelo Dec. 28/82 de 26 de Fevereiro [de 1982].¹
Nota(s).: Actualmente (2016) tem projecto de reabilitação para reconversão em hotel.

Avenida Almirante Reis, 2-2K;  Largo do Intendente, 1-6 |c. 1930|
Antiga Avenida D. Amélia antes Avenida dos Anjos
 Prémio Valmor de 1908
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ˢALMEIDA, Álvaro Duarte de/BELO, Duarte, Portugal património: Lisboa, p. 199, 2007.

Saturday, 3 September 2016

Avenida Infante Santo

Conforme o Edital de 13 de Maio de 1949 «o arruamento em construção, que ligará a Avenida 24 de Julho à Estrela, compreende parte da Rua Tenente Valadim, desde o término da curva do prédio do Estado (Instituto Maternal); parte da Travessa dos Brunos prédios nºs 22 e 24 e, ainda, a Rua da Torre da Pólvora» passou a ser a Avenida Infante Santo. [1]

Início dos trabalhos de demolição do troço do Aqueduto para a abertura da Avenida Infante Santo [1949]
Este troço do Aqueduto abastecia, desde 1778, o Palácio das Necessidades, a Cova da Moura, a Fábrica Ratton
e a Fábrica da Pólvora em Alcântara. A abertura da Avenida Infante Santo vai implicar a sua destruição
em finais da década de 1940; Basílica da Estrela

Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Dom Fernando, o Infante Santo, oitavo filho de D. João I e de Dona Filipa de Lencastre, nasceu em Santarém, a 24 de Setembro de 1402, vindo a morrer em Fez, no ano de 1443.
Aparece ligado ao movimento defensor da presença portuguesa em Marrocos, perspectivando esta presença num misto de alargamento político da presença portuguesa e de alastramento da fé cristã. Sendo um defensor da conquista marroquina, é perfeitamente natural que pretendesse tomar parte na expedição, organizada já no reinado de D. Duarte, contra Tânger, e comandada pelo seu irmão Infante D. Henrique. Com o fracasso desta expedição e com a sua captura e abandono nos cárceres de Arzila e Fez, tornou-se num meio de pressão dos mouros junto dos portugueses para a sua troca pela cidade de Ceuta. No entanto, a importância de que Ceuta se revestia junto dos defensores da conservação daquela praça, leva a que o Infante D. Fernando seja sacrificado a este interesse, o que ele não entendia, dado o teor de uma carta que enviou da prisão ao seu irmão Infante D. Pedro, na qual se mostrava esperançado na sua libertação.
Com a sua morte, nascia a figura do Infante Santo, designação por que passou a ser conhecido. [2]

Avenida Infante Santo [1949]
Abertura da Avenida Infante Santo no local da antiga praceta do Aqueduto das Necessidades;
obras de urbanização e pavimentação

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
[1] cm-lisboa.pt.
[2] CAMPOS, Nuno/CARNEIRO, Isabel: O Padrão dos Descobrimentos – roteiro para visita de estudo, 1994.

Friday, 2 September 2016

Avenida João XXI

A Avenida João XXI, apresenta um perfil transversal, possuindo duas vias de tráfego em cada sentido, com um separador central. Esta é uma via importante no contexto da cidade de Lisboa, ligando a zona das Avenidas Novas à zona oriental.


O plano do Bairro do Areeiro data de 1938 e é da autoria do arq.º Faria da Costa e previa a construção de duas avenidas no sentido Este-Oeste: Av. de Paris e Avenida João XXI e de uma outra, de menores dimensões, no sentido Norte-Sul, a Av. Presidente Wilson. A primeira parte do plano teve início em 1940, com a construção dos edifícios da Avenida de Paris e Praça Pasteur. Mais tarde, a partir de 1948, surgiram os prédios da Avenida João XXI e Avenida Presidente Wilson.

Avenida João XXI, cruzamento com a Avenida de Roma [c. 1953]
Ao fundo, a Praça Dr. Francisco Sá Carneiro, antiga Praça do Areeiro.
António Passaporte,in Lisboa de Antigamente

A construção destes bairros foi calculada pelo município de Lisboa, através dos planos de expansão da cidade, afim de evitar o crescimento desordenado e a arquitectura de má qualidade. A Câmara era responsável não só pelos traçados urbanos, mas também pela venda de lotes de terreno. Os projectos de construção respeitaram sempre um princípio da harmonia de todo o plano. Os nomes das suas ruas, praças e avenidas surgiram por mão da Câmara Municipal que procurou dar algum cosmopolitismo e tornar Lisboa uma cidade mais europeia. [jf-areeiro.pt]

Avenida João XXI em construção [c. 1950]
Direcção Poente
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Este topónimoAvenida João XXIfoi atribuído em 1948 a partir de uma sugestão do Vereador Dr. Viegas da Costa, para perpetuar na memória da cidade o único Papa português, Pedro Julião «Hispano», terá nascido entre 1205 e 1220, em Lisboa, e veio a falecer que em 20 de Maio de 1277 , em Viterbo (Itália), após um pontificado de apenas oito meses. Mas, embora ocupando um cargo que virá a ter uma importância cada vez mais poderosa a nível político na escala mundial, a sua fama foi muito além do seu cargo na Santa Sé. A alcunha «Hispano» revelava a sua origem da velha província penínsular romana, já que a nação Portugal ainda era pouco conhecida. Pedro Hispano foi autor de vários livros que chegaram a ser literatura básica nas universidades europeias. Não escreveu nem uma única palavra sobre as experiências do seu Pontificado, mas sim muito sobre os seus estudos nas mais variadas áreas. [cm-lisboa.pt]

Prolongamento da Avenida João XXI para Poente (Campo Pequeno) [c. 1950]
Esquina da Rua Augusto Gil (dir.)
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 31 August 2016

Cine-Oriente: o Piolho da Penha

O Cine Oriente abriu portas ao público em 1931, no Caminho de Baixo da Penha (hoje Av. Gen. Roçadas). Uma sala "a preços populares", com "os melhores confortos e comodidades para o público".1


Em 1931, a revista «Cinéfilo» — suplemento semanal do jornal «O Século» — dedicava um artigo a uma nova sala de cinema da capital: o Cine-Oriente. Rezava assim:
Lisboa conta com uma nova sala de espectáculos cinematográficos, Cine-Oriente, assim se chama o cinema inaugurado. Fica situado na Penha de França.
É, quanto ao seu aspecto, um modesto salão, de construção simples mas alegre, comportando cerca de quinhentos lugares, cómodos e espaçosos e todos eles com excelentes condições de visibilidade, incluindo os do balcão. A cabina está apetrechada com uma máquina Pathé, o que garante uma boa projecção. A cabina está apetrechada com uma máquina Pathé, o que garante uma boa projecção.
Um quarteto musical, constituído por artistas de comprovado mérito, acompanhará todos os filmes que na sua tela forem apresentados.
Agora, que o populoso bairro da Penha de França possui um cinema para satisfazer as exigências dos admiradores da arte do silencio, é justo que eles avaliem os encargos provenientes da sua construção, que só podem ser compensa dos com uma assídua frequência. [2]

Cine-Oriente, Caminho de Baixo da Penha [c. 1950] 
Liga a Avenida General Roçadas à Rua da Penha de França; ao fundo, o Regimento de Transmissões à Rua dos Sapadores.
Judah Benoliel,in Lisboa de Antigamente

A história do Cine-Oriente começa em 1928 com António Joaquim Gonçalves, que pretendia adaptar para cinema um armazém que possuía no Caminho de Baixo da Penha. O projecto seria da responsabilidade do construtor civil João Tomás de Sousa. A obra ficaria concluída em 1930.
Era um típico cinema de bairro histórico, modesto mas bem construído, suportado por uma estrutura de aço e com o tecto forrado a chapa de ferro. As cadeiras eram de madeira e a sua  lotação era de 496 lugares distribuídos por 132 fauteuils, 168 nos balcões e 196 de geral.

Cine-Oriente, Caminho de Baixo da Penha [1963] 
Liga a Avenida General Roçadas à Rua da Penha de França
Artur João Goulart, in Lisboa de Antigamente

Em 1934, tendo Alfredo Bernardo Lucas como empresário e proprietário do terreno, seriam realizadas obras que tornariam este espaço mais acolhedor e mais cómodo para o seu novo público. No ano seguinte este cinema passou a ter como arrendatário António Ferrão Lopes, (empresário cinematográfico ligado à produção, distribuição e exibição de filmes), posição que ocupou até 1977, ano em que este espaço encerrou devido à falta de público originada pela febre dos centros comerciais.[3]

Cine-Oriente, Caminho de Baixo da Penha [c. 1970] 
Liga a Avenida General Roçadas à Rua da Penha de França
Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
1 CRUZ, José de Matos, Cinema português: o dia do século, p. 14, 1998.

2 CINÉFILO, Vol. 4, Edições 124-149 p.25, 1931.

3 cinemasparaiso.blogspot.com.

Sunday, 28 August 2016

Chafariz das Necessidades

Já agora observaremos neste pequeno Jardim das Necessidades, sobranceiro a Alcântara, o obelisco de mármore rosa, encimado por uma cruz de bronze, sobre esfera de espinhos, e que se eleva dum chafariz gracioso, num conjunto que se ajusta ao local, tendo por fundo a fachada da Igreja. Data de 1747 — recorda Norberto de Araújo — e é também obra de mandado de D. João V; as magníficas carrancas de pedra completam a singela decoração do chafariz e de seu tanque, muito século XVIII.1

Chafariz das Necessidades [1928]
Largo das Necessidades, Jardim Olavo Bilac
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Localizado no Largo das Necessidades no Jardim Olavo Bilac, fronteiro à Capela de Nossa Senhora das Necessidades, integra o conjunto do Palácio das Necessidades, classificado como Imóvel de Interesse Público. Este equipamento, datado de 1747, não foi construído com o objectivo de abastecer de água a população do local, mas sim, como resultado de um voto de D. João V, que em 1747 o consagrou à Virgem. A sua autoria tem sido atribuída a Caetano Tomás de Sousa, um dos mestres que acompanhou de forma continuada a construção do conjunto do Palácio das Necessidades.

Chafariz das Necessidades [1967]
Largo das Necessidades, Jardim Olavo Bilac; Capela de Nossa Senhora das Necessidades; pormenor das carrancas e golfinhos em pedra lioz.
Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente

Entre 1772 e 1791 foi objecto de transformações, possivelmente sob a orientação do arq.º Reinaldo Manuel dos Santos, que lhe conferiram a utilidade de fonte pública. O elemento central deste conjunto é um obelisco aquático, de mármore, assente num pedestal quadrangular e rematado por uma custódia de espinhos e uma cruz de bronze, evidenciando o sentido religioso da obra. Obelisco este, que se eleva do centro de um tanque quadrilobado, assente sobre três degraus, o qual recebe a água que jorra de quatro elementos escultóricos, de inspiração barroca, compostos por carrancas exteriores e por golfinhos em pedra lioz no verso, colocados por cada lóbulo do tanque, entre a borda deste e cada uma das faces do pedestal do obelisco. [cm-lisboa.pt]

Chafariz das Necessidades [1959]
Largo das Necessidades, Jardim Olavo Bilac
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IX, p. 20, 1939.

Saturday, 27 August 2016

Rua de S. Sebastião da Pedreira: Viaduto de Andaluz

Ora eis-nos sob o viaduto da Avenida Fontes Pereira de Melo  — diz Norberto de Araújo . É, como vês, um túnel, ou arco de passagem com certo interêsse de construção. Começado a construir em 1898 concluiu-se em 1900: desenhou--o e executou-o o condutor de obras públicas, ao serviço da Câmara Municipal, Henrique Sabino dos Santos.
Passado o Viaduto acaba S. Sebastião, e começa Andaluz."1

Viaduto de Andaluz [190-]
 Rua de S. Sebastião da Pedreira, Largo de Andaluz
Chaves Cruz, in Lisboa de Antigamente

A Rua de S. Sebastião da Pedreira — tradicional estrada seiscentista — é um topónimo que advém do padroeiro do local, S. Sebastião.
D. João IV, no seu reinado, dedicou uma igreja no largo do mesmo nome a S. Sebastião da Pedreira, em 1652. Nesta freguesia, desde 1590 denominada de S. Sebastião da Pedreira, já existia uma pequena ermida de invocação ao santo que naquela sitio tinham construído os moradores da Rua das Arcas da freguesia de S. Nicolau, que tomaram o Santo como protector contra o mal da peste, prometendo ir lá todos os domingos com um sacerdote para celebrar missa, festejando o orago no seu dia — 20 de Janeiro — e fazendo procissão, que se realizou sempre até 1755.2

Viaduto de Andaluz [c. 1950]
 Rua de S. Sebastião da Pedreira; Avenida Fontes Pereira de Melo; Largo de Andaluz
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa», vol. XIV, p. 85, 1939.
2 cm-lisboa.pt.

Friday, 26 August 2016

Santa Justa

Rua de Santa Justa. Assim se denominará a sexta, e ultima das referidas travessas, e nella se alojaráõ os mercadores de lã, e seda, que naõ tiveram bastante accomodaçaõ na Rua Augusta.1


A remodelação paroquial de 1770 menciona esta artéria ora como Travessa ora como Rua, já que a descrição da Freguesia de Nª Srª da Conceição e a de Santa Justa a referem como «nova traveça de S. Justa» e nas plantas dessas mesmas freguesias surge como «Rua de S. Justa». E finalmente, o Edital municipal de 12 Novembro de 1892 retomou as nomenclaturas pombalinas e passou as Travessas de Santa Justa, da Assunção, de São Nicolau e da Vitória a Ruas.
Luís Pastor de Macedo sublinha ainda que «os nomes de S. Julião, da Conceição, de S. Nicolau, da Vitória e de Santa Justa, foram dados às ruas que mais perto passavam das igrejas e ermidas que com aquela invocação, segundo o plano estabelecido, se haviam de erguer ou se estavam já construindo.» 3

Rua de Santa Justa [c. 1906]
Ao fundo, O elevador de Santa Justa ou do Carmoinaugurado em 10 de Julho de 1902.

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

De acordo com Norberto Araújo existiu aqui, à entrada das Escadinhas de Santa Justa na esquina da Rua dos Fanqueiros (vd. 2.ª imagem), a «paroquial de Santa Justa, uma das primeiras de Lisboa, fundada — crê-se — em 1166». Por sua vez, o Pe. João Baptista de Castro escreve, em 1870, que «Uma das tres freg«ezias primitivas, que formou, e instituiu n'esla cidade o bispo D. Gilberto, logo que o inclyto D. Afonso Henriques a conquistou aos mouros, foi a de Santa Justa: e segundo consta das nossas Historias correndo o anno de 1173, a primeira igreja, para onde foi conduzido o sagrado corpo do invicto martyr S. Vicente, assim que chegou do Promontório sacro do Algarve a este porto, foi para esta de Santa Justa, para cuja lembrança permanecia na porta principal da igreja um nicho de pedra da parte do Evangelho com a imagem do santo.» 2

Rua de Santa Justa [c. 1930]
Ao fundo, na Rua dos Fanqueiros antiga Nova da Princesa o prédio da «Companhia do Papel do Prado», mais tarde edifício da «Pollux», casa fundada em 1936
.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

A igreja sofreu um incêndio aquando do Terramoto. Pensou-se em construir outra, precisamente onde se ergueu depois o prédio da «Companhia do Papel do Prado», mais tarde edifício da «Pollux» (casa fundada em 1936),  mas com a transição da paroquial para igreja de S. Domingos a ideia gorou-se. Ainda segundo Norberto de Araújo, o edifício «converteu-se em teatro, o «Teatro de D. Fernando», que existiu até 1860. Só depois se realizou a urbanização do local (1863-1864).» 4
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Bibliografia:
1 CASTRO, João Baptista, Mappa de Portugal antigo e moderno, 1870, Vol. 3, Parte V, p. 57.
2 idem, p. 182.
3 cm-lisboa.pt.
4 ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 40-41, 1939.

Wednesday, 24 August 2016

Palácio Caldas

Recorda-nos o olisipógrafo Norberto de Araújo nas suas Peregrinações que «A origem do dístico "Caldas" procede deste grande edifício, na nossa frente para nascente, cuja fachada deita para o largo entre o Chão do Loureiro e a Rua de S. Mamede, e que foi levantado no terceiro quartel do século do Terramoto por João e Luís Rodrigues Caldas, homens abastados do sítio. (...) 
Por divagação, quero dizer-te, Dilecto, que este sitio teve outras designações. Antes de "Caldas" se chamou algum tempo "Praça da Bela Vista", e anteriormente, um pouco antes do Terramoto, "Largo do Conde de S. Vicente", titular que por meados do século XVIII aqui perto teve prédios e casa sua. O nome histórico do sítio, e mais recuado, foi, porém, o de "Terreirinho do Ximenes". É que no local, onde depois do Terramoto assentou o prédio Caldas, possuía no começo do século XVII, casas, chãos, e certamente moradia, uma opulenta família Ximenes, que de Castela, em 1476, tinha vindo para Portugal. Foi depois de 1755 que um Rodrigo Caetano Ximenes Pereira Coutinho Barriga e Veiga deu de aforamento ao citado João Rodrigues Caldas os terrenos onde este edificou seu palácio.
A designação "Largo do Caldas" data, pelo menos, de 1874e dura há século e meio. Não deve ter perdurado menos a denominação antiga de Terreirinho (ou Terreiro) do Ximenes.» 1

Palácio Caldas [c. 1940]
Largo Adelino Amaro da Costa, 2-7 (antigo do Caldas;
Rua de São Mamede; Rua do Chão do Loureiro, 8-18
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Traduzindo uma arquitectura residencial, pombalina, este palácio urbano pós-terramoto, foi edificado por iniciativa dos irmãos Rodrigues Caldas, entre 1765 e 1775, no local onde anteriormente ao terramoto se erguera o Palácio dos Ximenes. Apresenta planta em L irregular, articulada em redor de pátio rectangular, com capela no seu extremo NE, edificada em 1766 sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, característica do final do rococó. De concepção arquitectónica bastante simples e despojada, o edifício surge estruturado em quatro pisos e três frentes, com alçados animados pela abertura de vãos de tratamento simples, a ritmo regular, articulados, ao nível do último piso, com varanda corrida contígua a toda a frente do imóvel. No interior merece destaque o conjunto azulejar de alguma diversidade.

Palácio Caldas [1968]
 Largo Adelino Amaro da Costa
(antigo do Caldas);, 2-7; Rua de São Mamede;
Rua do Chão do Loureiro, 8-18
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Em 22 de Dezembro de 1980, uma proposta dos vereadores da Aliança Democrática foi aprovada na Câmara, por maioria, no sentido de serem atribuídos os nomes de Adelino Amaro da Costa e o de Francisco Sá Carneiro a artérias de Lisboa. A Comissão de Toponímia em 13 de Janeiro de 1981 sugeriu para o efeito as duas alamedas interiores do Campo Grande.
E foi o então Vereador da Cultura, Dr. João Martins Vieira que designou o antigo Largo do Caldas, onde se encontra a sede do CDS/PP para se homenagear Adelino Amaro da Costa (Lisboa/18/04/1943- 04-12-1980/Camarate), licenciado em Engenharia Civil pela Universidade Técnica de Lisboa que com Freitas do Amaral foi um dos fundadores do C.D.S.- Centro Democrático Social.
Foi presidente do grupo parlamentar do CDS, Ministro de Defesa no Governo presidido por Sá Carneiro e faleceu vítima do desastre de aviação, quando ambos se deslocavam ao Porto para um comício de campanha eleitoral. 2
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 Bibliografia:
1 ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa,, vol. II, pp. 12-13, 1938.
2 cm-lisboa.pt.
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