sexta-feira, 21 de maio de 2021

Liceu Gil Vicente

Liceu fundado em 1914 como “secção oriental do Liceu Passos Manuel”, zona de S. Vicente. Em 1915 tornou-se autónomo com o nome de Gil Vicente, sendo o primeiro liceu criado pela República. A denominação inicial foi de Liceu Central e funcionou nos claustros do Mosteiro de São Vicente de Fora até 1949. Nesse ano, com o nome de Liceu Nacional, foram inauguradas as actuais instalações na antiga cerca deste mosteiro.

Rua da Verónica, 37 [1950]
À dir. a entrada do Liceu Gil Vicente
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

A Rua da Verónica, que segue à Graça — recorda o ilustre Norberto de Araújo — , deve o seu nome a uma Ermida deste nome, que ainda hoje existe.
(Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 75, 1938)

Vista aérea de Lisboa, vendo-se ao centro o novo liceu Gil Vicente [1953]
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

domingo, 16 de maio de 2021

Rua Joaquim Casimiro (Júnior)

A actual placa toponímica aponta o ano de 1802 para data de nascimento do compositor Joaquim Casimiro, Compositor e Organista 1802-1862. Curiosamente — em ampliando a 1.ª imagem e com alguma boa vontade, diga-se em abono da seriedade — o anterior dístico parece assinalar aquele acontecimento com a data de 1808. Para esta asserção contribuem sobremaneira dois registos, entre outros escritos:
O primeiro — e aquele que se nos afigura mais importante — é a autobiografia levada a cabo pelo próprio Casimiro e onde se pode ler: «Nasci no dia 30 de Maio do ano de 1808 em uma pequena casa da rua dos Galegos [actual do Duque]. Meu pai era o copista das músicas da casa real e do real teatro de S. Carlos; [...]»

Rua Joaquim Casimiro (Júnior) [1947]
Compositor e Organista 1802 1808-1862 
Perspectiva tirada da Rua do Olival.
Fernando M. Pozal, 
in Lisboa de Antigamente

 
O segundo registo que apresentamos é a inscrição gravada no jazigo que se encontra (?) no cemitério do Alto de S. João [vd. imagem mais adiante], construído por iniciativa do colega e amigo José Maria Christiano que ficou seu proprietário. A iniciativa teve logo apoio de muitos artistas, entre eles os componentes da orquestra de S. Carlos, por intermédio do maestro Angelo Frondoni.
Visto que o  sítio na da CML não refere a bibliografia consultada não foi possível apurar quais os escrito que sustentam o ano de 1802 como data de nascimento do homenageado na toponímia de Lisboa.
Em jeito de conclusão, esperamos ter contribuído para lançar alguma luz sobre este assunto.

Rua Joaquim Casimiro (Júnior) [1947]
Compositor e Organista 1802 1808-1862
Ao fundo a Rua do Olival.
Fernando M. Pozal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Filho de Joaquim Casimiro da Silva, copista da casa real e do Real Teatro de São Carlos, recebeu as primeiras lições de música na Sé de Lisboa em 1817, e ingressou na Irmandade de Santa Cecília no ano seguinte. Alguns meses mais tarde ganhou o concurso para soprano na Real Capela da Bemposta, tendo progredido rapidamente sob a orientação do mestre de capela Frei José Marques e Silva e vencendo em 1826 o concurso para organista. Desde esse ano até 1832 compôs muitas peças de música sacra, destacando-se entre elas as Matinas de Santa Luzia, as Matinas de Reis e a Missa e Credo para grande orquestra.
Durante o período das lutas entre liberais e absolutistas, manifestou-se partidário de D. Miguel, tendo escrito um Hino Militar Realista, oferecido ao comandante dos voluntários realistas, o Marquês de Pombal. Quando os constitucionais entraram em Lisboa, em Julho de 1833, fugiu da capital e escondeu-se algures dentro do país tendo regressado em 1837, dando início a um período muito produtivo da sua carreira. Para além de música sacra, que continuou a escrever durante estes anos, compõe dramas, comédias, operetas, mágicas e farsas para os Teatros do Salitre, da Rua dos Condes, do Ginásio, de D. Maria e Variedades. 
A obra de Casimiro é muito extensa, ele próprio declara ter escrito 97 peças de música sacra e 209 partituras para teatro. De todas essas composições as que nomeou como preferidas são as Matinas da Conceição, a Missa de Arruda, os Ofícios de quarta-feira santa, o Stabat Mater e o Credo sem acompanhamento.
Faleceu aos 54 anos de idade, pelas onze horas de 28 de Dezembro de 1862, na Rua do Telhal, 15, terceiro andar, freguesia de São José.

JAZIGO
DE
JOAQUIM CASIMIRO JUNIOR
INSIGNE COMPOSITOR E MESTRE DA CAPELLA
DA SÉ PATRIARCHAL.
NASCEU EM 30 DE MAIO DE 1808
E FALLECEU EM 18 DE DEZEMBRO DE 1862.
Q SEU VERDADEIRO AMIGO
JOSÉ MARIA CHRYSTIANO
LHE MANDOU ERIGIR ESTE JAZIGO
COM O PRODUCTO DE UMA SUBSCRIPÇÃO
FEITA ENTRE ALGUNS PROFESSORES DE MUSICA
E ADMIRADORES DO FINADO.
LISBOA, 25 DE AGOSTO DE 1864

Bibliografia
Ilustração popular, Vol. 2, 1868
SANTOS, Júlio Eduardo dos, Joaquim Casimiro. Algumas notas a propósito do centenário da morte do grande compositor, Amigos de Lisboa, 1963. 
bnportugal.gov.pt.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Rua Rosa Araújo, 49

Datam daquele ano de 1882 as designações dadas às artérias do bairro [Barata Salgueiro]: Alexandre Herculano, Passos Manuel, (logo convertida em Rosa Araújo) e Barata Salgueiro, no sentido Poente-Nascente, e Castilho, Mouzinho da Silveira e Castilho, Mouzinho da Silveira e Duque de Palmela (esta mais tarde) na orientação Norte-Sul. [Araújo: 1939]


O «Rosa Araújo 49», edifício Arte Nova, datado de 1905 — uma das últimas obras do famoso arquitecto italiano Nicola Bigaglia (1841-1908), diversas vezes distinguido com o prémio Valmor  — é representativo do período romântico do início do séc. XX e é um exemplo de habitação colectiva para a classe média/alta da época. O projecto de requalificação e ampliação da autoria dos arquitectos Frederico Raúl Tojal Valsassina Heitor e Manuel Rocha de Aires Mateus, foi distinguido com uma Menção Honrosa do Prémio Valmor e Municipal de Arquitectura de 2012.

Rua Rosa Araújo, 49-49B (ao centro) [1952]
[Rua Castilho]
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
Legenda da imagem no arquivo: «Chegada do Rally de Monte-Carlo»

N.B. O primeiro monumento de gratidão que a cidade devia a Rosa Araújo (1921-201) foi reduzido a um busto num recanto e se alguém repara no nome da Rua Rosa Araújo, ou naquela estátua, pouco ficará a saber sobre aquele homem e que enorme contribuição deu para deu para fazer de Lisboa uma cidade melhor. Finalmente, m 1946, o monumento do «criador» da Avenida da Liberdade foi transferido para a esta, frente à rua a que deu o nome.

Rua Rosa Araújo, 49-49B [1952]
Edifício «Rosa Araújo 49»
Fernandes, Augusto de Jesus, in Lisboa de Antigamente

domingo, 9 de maio de 2021

Largo Dr. Afonso Pena, actual Campo Pequeno (actualizado)

Do Largo Afonso Pena, pelo nascente, saem as Avenidas recentes de Sacadura Cabral e Óscar Monteiro Torres, que são atravessadas pelas transversais Ruas Capitão Ramires, David de Sousa e Augusto Gil, A Avenida de Berna [actual João XXI] será prolongada até à futura Avenida de Roma. [Araujo: 1939]

 
O sítio do Campo Pequeno no início do século XVI era um logradouro público, espaço a descoberto na periferia da cidade, no qual se realizavam exercícios militares, por vezes paradas e feiras improvisadas (onde se treinou o exército de D. Sebastião antes de ir para Alcácer-Quibir). Teve também, no século XVIII, uma Praça de Touros provisória.
Em 18 de Agosto de 1892 foi inaugurada a Praça de Touros definitiva, arquitectada por António José Dias da Silva. No Campo Pequeno existe também um edifício seiscentista de arquitectura civil portuguesa, o Palácio Galveias. [cm-lisboa.pt]
 
Largo Dr. Afonso Pena, actual Campo Pequeno [1939]
Campo Pequeno com a Rua do Arco do Cego; anterior ao prolongamento da Avenida João XXI — entre o Campo Pequeno e a Av. de Roma— concluído na por volta de 1950; Palácio Galveias. Actualmente, temos, à esq., o Hotel Alif e, à dir., o edifício da Caixa Geral de Depósitos.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

N.B. Na sessão de 1 de Outubro de 1908, ainda antes da vitória republicana da Câmara Municipal de Lisboa, o vereador Augusto César Clara da Rica, professor liceal que viria a falecer no ano seguinte, propôs que se passasse a chamar Largo Afonso Pena ao Campo Pequeno. O fundamento da proposta era de homenagem e agradecimento aos Estados Unidos do Brasil na pessoa do seu Presidente. . Afonso Pena, natural de Minas Gerais, candidato do Partido Republicano Mineiro, foi Presidente do Brasil, entre 1906 e 1909, não tendo completado o mandato. [MELO, Ana Homem de do Gabinete de Estudos Olisiponenses]

Largo Dr. Afonso Pena, actual Campo Pequeno [1965]
Campo Pequeno com a Rua do Arco do Cego; anterior ao prolongamento da Avenida João XXI — entre o Campo Pequeno e a Av. de Roma— concluído na por volta de 1950; Palácio Galveias. Actualmente, temos, à esq., o Hotel Alif e, à dir., o edifício da Caixa Geral de Depósitos.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Edifício do antigo Hotel Vitória (ou Victoria Hotel)

Inaugurado a 1 de Julho de 1936, propriedade de António Maria Lopes, esta obra do arq.º Cassiano Branco utiliza, de forma notável, os valores volumétricos do código modernista, em cuja fachada solucionou originalmente a conjugação de um sistema volumétrico paralelepipédico, cilíndrico, assim como de bandas horizontais, referências fundamentais de todo um período da Arte Moderna da década de trinta. Juntamente com o antigo Cinema Éden, esta obra poderá ser considerada uma das mais emblemáticas e originais da arquitectura portuguesa da época.

Edifício do antigo Hotel Vitória [c. 1936]
Avenida da Liberdade, 168-170
Antigo Lis-Hotel (esq,) e Palacete Lambertini (dir.).
Estúdio Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

De planta rectangular, este edifício de seis pisos, cave e composto por dois corpos totalmente revestidos a mármore, destaca-se pelos alçados rasgados por cinco janelas de vão rectangular em cada um dos pisos, com mainel em forma cilíndrica, cujas varandas possuem frisos metálicos. Para além deste aspecto, a cobertura é constituída por um terraço, onde um pilar central é encimado por uma consola, que vê a sua continuação ao longo do alçado lateral através de uma pala suportada por pilares. [DGPC]

Edifício do antigo Hotel Vitória ou Victoria Hotel [c. 1938]
Avenida da Liberdade, 168-170
Salazar Diniz, in Lisboa de Antigamente

N. B. Ralph Fox, jornalista inglês vindo a Portugal no Verão de 1936, refere que viu no bar do Hotel Vitória, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, inúmeros pilotos alemães que faziam escala em Lisboa, ao transportarem por via aérea, de Berlim para Espanha aviões de combate e material de guerra diverso.
Reza a história, que os seus luxuosos quartos foram frequentados por espiões alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

domingo, 2 de maio de 2021

Igreja de São João de Deus

No sítio onde hoje se encontra a Igreja de São João de Deus, erguia-se outrora uma vacaria  do abastado proprietário João do Outeiro — que deu nome a um arruamento na velhinha Mouraria desde 1552 [Araújo: 1938]. Era um espaço riscado pela Estrada das Amoreiras e Rua Alves Torgo e entremeadas de outros caminhos estreitos.

Inaugurada em 1953, sob projecto do arq. António Lino, destacam-se duas particularidades: a sua estrutura em três naves separadas, convergentes para o altar-mor, iluminado por uma torre central; e ter recolhido parte do espólio da antiga Igreja do Socorro, destruída aquando das demolições do Martim Moniz (várias alfaias de culto e mobiliário, incluindo o arcaz em uso na sacristia). 

Praça de Londres, à direita da imagem a Igreja de São João de Deus [post. 1953]
Praça de Londres; Rua Brás Pacheco
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Merece ainda referência, o seu acervo artístico contemporâneo composto pela escultura de Leopoldo de Almeida e de Soares Branco — várias estátuas, incluindo a do Santo Padroeiro e dois arcanjos suspensos na parede principal exterior — pela pintura de Domingos Rebelo (tríptico do altar-mor, com episódios da vida de S. João de Deus) e pela cerâmica de Jorge Barradas — relevo em cerâmica colorida sobre a pia baptismal, representando o baptismo de Cristo.

Igreja de São João de Deus [1959]
Praça de Londres; Rua Brás Pacheco
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

Na Época da construção, António Lino explicou o seu desejo de aproximar os fiéis do altar, vencendo a afastamento obrigatório que existia em relação à assembleia, circunstância que só foi alterada uma década depois com o Concílio Vaticano II. [paroquiasaojoaodeus.pt]

Igreja de São João de Deus [post. 1953]
Praça de Londres; Rua Brás Pacheco
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

sábado, 1 de maio de 2021

Primeiro de Maio de 1974

O primeiro Primeiro de Maio da democracia, em 1974, começou por se passear pela cidade, alegre e livre – como na foto, no Rossio. Depois, juntou-se na maior manifestação lisboeta de sempre.
Em 1911 foi atribuído o topónimo Primeiro de Maio à antiga Rua de São Joaquim, ao Calvário, consagrando na toponímia a festa universal dos trabalhadores determinada no Congresso Internacional dos Trabalhadores.

Primeiro de Maio de 1974
Praça D. Pedro IV 

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

N. B. 1 de maio é o Dia do Trabalhador, data que tem origem a primeira manifestação de 500 mil trabalhadores nas ruas de Chicago, e numa greve geral em todos os Estados Unidos, em 1886.
Três anos depois, em 1891, o Congresso Operário Internacional convocou, em França, uma manifestação anual, em homenagem às lutas sindicais de Chicago. A primeira acabou com 10 mortos, em consequência da intervenção policial.
Foram os factos históricos que transformaram o 1 de maio no Dia do Trabalhador. Até 1886, os trabalhadores jamais pensaram exigir os seus direitos, apenas trabalhavam. 
Em Portugal, os trabalhadores assinalaram o 1.º de Maio logo em 1890, o primeiro ano da sua realização internacional. Mas as acções do Dia do Trabalhador limitavam-se inicialmente a alguns piqueniques de confraternização, com discursos pelo meio, e a algumas romagens aos cemitérios em homenagem aos operários e activistas caídos na luta pelos seus direitos laborais. [pt.euronews.com]

Primeiro de Maio de 1974
Avenida Almirante Gago Coutinho com a antiga Praça do 
Areeiro em fundo.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Rua do Vale Formoso de Cima

Topónimo atribuído em data que se desconhece mas seguramente anterior a 1911, já que a informação municipal n.º 2610 da Repartição de Urbanização e Expropriações da DSUO (do processo 30278/42), mostra que pelo levantamento da planta da cidade concluído em 1911, o troço da Estr. de S. Cornélio com a extensão de cerca de 400 metros para sueste da Rua Conselheiro Dias Ferreira, fazia parte da Rua do Vale Formoso de Cima.

Rua do Vale Formoso de Cima, 77  |1966|
Artur Goulart,  in Lisboa de Antigamente
 
Também se sabe que a antiga Rua Direita do Vale Formoso de Baixo, por deliberação camarária de 18 de Maio de 1889 e respectivo Edital municipal de 8 de Junho de 1889 se passou a designar Rua do Vale Formoso.
Assim o que se pode inferir é que a toponímia local evoca a posição topográfica do sítio.
Nesta artéria foi erguida na segunda metade do século XIX a Quinta do Desterro e em 12 de Junho de 1935, foi fundado o Vale Formoso Futebol Clube. Por um ofício de 3 de Abril de 1937, sabe-se também que no nº 162 era a Quinta do Tim-Tim. [cm-lisboa.pt]

Rua do Vale Formoso de Cima, 1 |1966|
Augusto de Jesus Fernandes, in Lisboa de Antigamente
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