A actual placa toponímica aponta o ano de 1802 para data de nascimento do compositor Joaquim Casimiro, Compositor e Organista 1802-1862. Curiosamente — em ampliando a 1.ª imagem e com alguma boa vontade, diga-se em abono da seriedade — o anterior dístico parece assinalar aquele acontecimento com a data de 1808. Para esta asserção contribuem sobremaneira dois registos, entre outros escritos:
O primeiro — e aquele que se nos afigura mais importante — é a autobiografia levada a cabo pelo próprio Casimiro e onde se pode ler: «Nasci no dia 30 de Maio do ano de 1808 em uma pequena casa da rua dos Galegos [actual do Duque]. Meu pai era o copista das músicas da casa real e do real teatro de S. Carlos; [...]»
Rua Joaquim Casimiro (Júnior) [1947] Compositor e Organista Perspectiva tirada da Rua do Olival. Fernando M. Pozal, in Lisboa de Antigamente |
O segundo registo que apresentamos é a inscrição gravada no jazigo que se encontra (?) no cemitério do Alto de S. João [vd. imagem mais adiante], construído por iniciativa do colega e amigo José Maria Christiano que ficou seu proprietário. A iniciativa teve logo apoio de muitos artistas, entre eles os
componentes da orquestra de S. Carlos, por intermédio do maestro Angelo
Frondoni.
Visto que o sítio na da CML não refere a bibliografia consultada não foi possível apurar quais os escrito que sustentam o ano de 1802 como data de nascimento do homenageado na toponímia de Lisboa.
Em jeito de conclusão, esperamos ter contribuído para lançar alguma luz sobre este assunto.
Rua Joaquim Casimiro (Júnior) [1947] Compositor e Organista Ao fundo a Rua do Olival. Fernando M. Pozal, in Lisboa de Antigamente |
N.B. Filho de Joaquim Casimiro da Silva, copista da casa real e do Real Teatro de São Carlos, recebeu as primeiras lições de
música na Sé de Lisboa em 1817, e ingressou na Irmandade de Santa
Cecília no ano seguinte. Alguns meses mais tarde ganhou o concurso para
soprano na Real Capela da Bemposta, tendo progredido rapidamente sob a
orientação do mestre de capela Frei José Marques e Silva e vencendo em
1826 o concurso para organista. Desde esse ano até 1832 compôs muitas
peças de música sacra, destacando-se entre elas as Matinas de Santa
Luzia, as Matinas de Reis e a Missa e Credo para grande orquestra. Durante o período das lutas entre liberais e absolutistas, manifestou-se partidário de D. Miguel, tendo escrito um Hino Militar Realista,
oferecido ao comandante dos voluntários realistas, o Marquês de Pombal.
Quando os constitucionais entraram em Lisboa, em Julho de 1833, fugiu
da capital e escondeu-se algures dentro do país tendo regressado em
1837, dando início a um período muito produtivo da sua carreira. Para
além de música sacra, que continuou a escrever durante estes anos,
compõe dramas, comédias, operetas, mágicas e farsas para os Teatros do
Salitre, da Rua dos Condes, do Ginásio, de D. Maria e Variedades. A obra de Casimiro é muito extensa, ele próprio declara ter escrito 97 peças de música sacra e 209 partituras para teatro. De todas essas composições as que nomeou como preferidas são as Matinas da Conceição, a Missa de Arruda, os Ofícios de quarta-feira santa, o Stabat Mater e o Credo sem acompanhamento. Faleceu aos 54 anos de idade, pelas onze horas de 28 de Dezembro de 1862, na Rua do Telhal, 15, terceiro andar, freguesia de São José. Bibliografia Ilustração popular, Vol. 2, 1868 SANTOS, Júlio Eduardo dos, Joaquim Casimiro. Algumas notas a propósito do centenário da morte do grande compositor, Amigos de Lisboa, 1963. bnportugal.gov.pt. |
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