domingo, 8 de abril de 2018

Edifício Heron Castilho

Projectado em 1921 pelo arq. Norte Júnior, este edifício de gaveto e planta em L, com uma feição marcadamente ecléctica, associa elementos decorativos tardios ao gosto Arte Nova, patentes nas mísulas talhadas de carácter antropomórfico (figurando cabeças femininas), que suportam as varandas de grandes dimensões da fachada principal, a uma linguagem classicizante, patente nas balaustradas e no monumental arco de volta perfeita, que remata o corpo do gaveto, assim como nas pilastras, que marcam o ritmo e definem a espacialidade exterior do imóvel. Os planos das fachadas surgem rasgados por fenestrações, isoladas ou agrupadas pelos emolduramentos de cantaria e reboco, cuja verticalidade e grande dimensão acentuam a sua monumentalidade e volumetria. 

Edifício Heron Castilho [c. 1930]
Rua Braamcamp, 40-40D; Rua Castilho, 42-42B
F.S. Cordeiro, in Lisboa de Antigamente

Após um processo crescente de abandono e obsolescência, que culminou na sua quase total demolição, este edifício foi objecto de um projecto de reconstrução a partir de 1985, segundo o risco dos arquitectos Henrique Tavares Chicó, João Pedro Conceição Silva e Francisco Manuel Conceição Silva. Reabriu, em 1992, como centro de serviços terciários, conservando apenas os muros exteriores do primitivo imóvel, sendo que as características técnicas e formais de todo o edifício, incluindo dos 4 pisos novos, nada têm a ver com a construção inicial. Fenómeno bem visível nos alçados completamente envidraçados dos últimos pisos, com terraço de cobertura, que foram erguidos acima do remate da fachada, num plano ligeiramente recuado. [cm-lisboa.pt]

Edifício Heron Castilho [1960]
Rua Braamcamp, 40-40D; Rua Castilho, 42-42B
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Rua Ferreira Borges

Entramos agora no Bairro (novo) de Campo de Ourique — diz Norberto de Araújo — pela sua Rua mais representativa, a de Ferreira Borges, e que é a Avenida do sítio. Fica-nos à [direita] o muro da parada do Quartel de Sapadores de Caminhos de Ferro, cujo portão principal de ingresso se rasga, ao fundo de uma passagem entre muretes, na extrema nascente da Rua de Infantaria 16.¹

Rua Ferreira Borges  [c. 1940]
Antiga Avenida do Campo de Ourique, antes Rua do Campo da Parada
À direita, o antigo lanço do Aqueduto das Águas Livres, ramal da Estrela e, acima deste, o Quartel de Campo de Ourique, mandando construir em 1762 pelo Conde de Lippe, a pedido do Marquês de Pombal; ao fundo, as Amoreiras.
Eduardo Portugal. in Lisboa de Antigamente

Neste arruamento (1880) consagra-se José Ferreira Borges (1786-1838), jurisconsulto e político, formado em Cânones pela Universidade de Coimbra que foi o autor do primeiro Código Comercial Português.²

Rua Ferreira Borges  [post. 1952]
Antiga Avenida do Campo de Ourique, antes Rua do Campo da Parada
À direita, a Rua de Campo de Ourique; ao fundo, à esquerda, o «Lycée Français Charles Lepierre» (1952). À sua direita, a Estação da Carris, inaugurada em 1938 e demolida em 1981 para dar lugar ao Complexo das Amoreiras, inaugurado em 1985. Em frente, os terrenos da EPAL onde, em 1998, começou a ser construído o Clube de Golfe das Amoreiras, nunca utilizado e desde então ao abandono.
Judah Benoliel. in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, «Peregrinações em Lisboa», vol. XI, p. 74, 1939.
² cm-lisboa.pt.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Lojas de Antanho: fábrica de chapéus Jayme Pinto, Rua Áurea, 255

Com entrada pela escada n.º 259 — lê-se em A Capital de 1916 (mantida a ortografia da época) — cujo átrio foi há pouco transformado em montra, existe um prédio que essa escada serve a primeira fabrica de chapeus para senhora. que até hoje se tem fundado em Lisboa. O Jayme Pinto tem a gloria de ter sido, senão o iniciador d'essa nova industria, pelos menos o seu transformador. Todo o seu empenho intelligente tem consistido em radicar no espírito da sua clientela o principio de que nenhuma senhora deve contentar-se com os modelos que lhe apresentam quando pretende adquirir um chapeu. Compete-lhe crear uma moda para seu uso, dentro da moda geral. 

Fábrica de chapéus Jayme Pinto |c. 1920|
Rua Áurea, 255-259: Rua de Santa Justa (actual Torres Joalheiros)
Postal ilustrado, in Lisboa de Antigamente

E assim, quando se encontrar diante do fornecedor, ella deve levar já traçado na sua mente o feitio do chapeu que lhe serve e fazel-o executar. Comprehendendo-se, facilmente, quanto esta doutrina estética contribue para apurar o gosto das senhoras e para dar uma maior expansão à industria da especialidade. A exportação de chapeus que o Jayme Pinto faz para todo o Paiz, é já importantíssima, sendo manifesta a tendencia que ella acusa para se desenvolver. Com cerca de 100 operarias, trabalha só mechaanicamente por electricidade.==

Fábrica de chapéus Jayme Pinto |s.d.|
Rua Áurea, 255-259: Rua de Santa Justa (actual Torres Joalheiros)
Fotografia anónima

N.B. O Marco Postal que se observa na 1ª imagem  — um dos primeiros a ser colocado nas ruas da capital — é um modelo de 1895. Cilíndrico, em ferro fundido e fabricado em Portugal, era semelhante ao dos marcos que foram instalados em Lisboa, em 1882, e que mereceram um artigo na Revista “O Occidente”, no seu número do mês de Novembro. Nesse artigo relata-se a existência em algumas praças de “...Marcos de ferro, pintados de vermelho, muito vistosos com uma uma fenda horizontal na parte superior, por baixo da fenda uma porta fechando com segurança e por meio de chave, e um pequeno quadro indicando as horas das tiragens das correpondencias.”
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Bibliografia
A Capital  diário republicano da noite, 1916

domingo, 1 de abril de 2018

Chalet e Jardim da Condessa d'Edla

De vez em quando aparecia um bocado da serra, com a sua muralha de ameias correndo sobre as penedias, ou via-se o castelo da Pena, solitário, lá no alto.¹


Na segunda metade do século XIX, D. Fernando II e a sua futura segunda mulher, Elise Hensler, Condessa d’Edla, criaram no Parque da Pena um Chalet e um Jardim de carácter privado e sensibilidade romântica, espaço de refúgio e recreio do casal. Localizado de forma estratégica a poente do Palácio da Pena, o edifício segue o modelo dos Chalets Alpinos, então em voga na Europa. Da ecléctica decoração sobressaem as pinturas murais, os estuques, os azulejos e o uso exaustivo da cortiça como elemento ornamental. No exterior, o jardim que envolve o Chalet reúne vegetação autóctone e espécies botânicas provenientes dos quatro cantos do mundo, conformando uma paisagem exótica em que se destacam a Feteira da Condessa, o Jardim da Joina, o Caramanchão e os lagos. 

Chalet e Jardim da Condessa d'Edla [1869]
No alto da serra vê-se o Palácio da Pena

J. Laurent, in Lisboa de Antigamente

Entre 1864 e 1869 foi construído o denominado Chalet da Condessa d’Edla e desenvolvida uma forte intervenção paisagista na área envolvente. Influenciados pelo espírito romântico da época, D. Fernando e Elise Hensler, futura Condessa d’Edla, idealizaram uma das zonas mais idílicas e pitorescas dentro de aquele que é considerado o maior e mais emblemático parque romântico alguma vez concebido em Portugal.
O Chalet é um pequeno edifício de forte carga cénica, caracterizado no exterior pela marcação horizontal da pintura do reboco exterior, a simular pranchas de madeira, e pela cortiça que reveste balaústres, perfila beirados, emoldura vãos e finge trepadeiras.
A proximidade de um grupo de pedras de granito monumentais, inserido no jardim, e as vistas para o vale, o mar, o Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros e a Cruz Alta, acentuam o dramatismo, quer da construção, quer do conjunto paisagístico.

Chalet e Jardim da Condessa d'Edla [1869]
No alto da serra vê-se o Palácio da Pena

J. Laurent, in Lisboa de Antigamente

O Jardim integra uma colorida zona formal com camélias, rododendros e azáleas, e uma exótica intervenção na paisagem – composta por mais de duzentas espécies botânicas e repleta de recantos, caminhos, bancos e miradouros – que permite um passeio entre o Chalet e o Palácio da Pena. Os elementos ornamentais e de fruição da ambiência, presentes de forma quase inesperada, integram-se neste percurso ao longo da descida até à Feteira da Condessa. O vale situado a nascente foi o local escolhido para a criação da Feteira, primeira colecção de fetos no Parque da Pena, de que são especial exemplo os fetos arbóreos da Austrália e Nova Zelândia.
Adjacentes ao Jardim da Condessa encontram-se as estruturas da Quinta da Pena, que inclui a Abegoaria, novas cavalariças e um espaço para as charretes que realizam passeios no Parque da Pena.²
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Bibliografia
¹ QUEIROZ, Eça de,  Os Maias, p. 190, 1888.
² parquesdesintra.pt.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Avenida Fontes Pereira de Melo: solar Mayer e Palácio Sotto Mayor

A Avenida Fontes Pereira de Melo integra-se no projecto de crescimento da Cidade para Norte, aprovado em 1888, plano intitulado: "Avenida das Picoas ao Campo Grande" da autoria do Engenheiro Ressano Garcia. As terraplanagens nas ruas Fontes Pereira de Melo e António Augusto de Aguiar, iniciam-se cerca de 1897. Em 1900, a canalização de água para esta zona da Cidade, está praticamente concluída. A partir de 1902 começaram a circular os primeiros carros eléctricos — aqui descendo a avenida pela direita. Refira-se que o sentido da circulação em Portugal passou a fazer-se pela direita em 1 de Junho de 1928.

Avenida Fontes Pereira de Melo [entre 1902 e 1905]
Junto ao viaduto sobre a Rua de S. Sebastião da Pedreira/Largo Andaluz. O viaduto da Avenida Fontes Pereira de Melo começou a construir-se em 1898 e concluiu-se em 1900. À direita, o solar oitocentista da família Mayer que ali existia, até c. 1900, altura em que começou a demolir-se, para construção do Palácio Sotto Mayor.
Alberto Carlos Lima, 
in Lisboa de Antigamente

O topónimo foi atribuído como Rua Fontes, por deliberação camarária de 31/12/1887 e Edital de 10/01/1888. Mais tarde, o Edital municipal de 11/12/1902 mudou-lhe a categoria para Avenida, já como Fontes Pereira de Melo.  Tributo a um dos principais políticos portugueses e várias vezes primeiro-ministro António Maria Fontes Pereira de Melo (1819-1887) — cuja dinâmica de desenvolvimento e políticas públicas ficou conhecida como «Fontismo». — deu um grande impulso à criação de estradas e caminhos de ferro e montou a primeira linha telegráfica do País, tendo criado então pela primeira vez o Ministério das Obras Públicas que ele próprio assumiu.

Avenida Fontes Pereira de Melo [1912]
O edifício, à esquerda, no gaveto com a Avenida António Augusto de Aguiar já não existe, assim com, a moradia do lado nascente da avenida. Os dois prédios de rendimento, ao fundo, na esquina com Rua Martens Ferrão, foram recentemente reabilitados. O que ainda vai conferindo alguma elegância à avenida desenhada pelo eng.º Ressano Garcia é o
imponente e sumptuoso Palácio Sotto Mayor, edificado em 1902/06, segundo o risco inicial do arq. Ezequiel Bandeira, com a colaboração do arq. Carlos Alberto Correia Monção. Já nem o eléctrico — que ali se vê a descer avenida pela mão esquerda — lá passa.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 28 de março de 2018

Palácio Sotto Mayor

Esta Avenida Fontes Pereira de Melo — já o tens notado — ostenta propriedades de certo sentido aristocrático de arquitectura; lernbro-te [...] o grande Palácio do Dr. Cândido Sotto Mayor, filho, no n.° 14, construido em 1905, que ocupa um quarteirão entre esta Avenida, e as Ruas Martens Ferrão e Sousa Martins, e o Largo do Andaluz.¹


O Palácio Sotto Mayor foi edificado pelo banqueiro Cândido Sotto Mayor para lhe servir de residência nas Avenidas Novas. As obras iniciaram-se em 1900 com a demolição do solar oitocentista da família Mayer, que até então ocupava o local, e a construção de uma muralha de suporte do terreno sobre o Largo de Andaluz. 

Palácio Sotto Mayor [1966]
Avenida Fontes Pereira de Melo, 16; Largo de Andaluz, 13-13C; Rua Martens Ferrão, 1
Arnaldo Madureira, in Lisboa de Antigamente

A construção do palácio propriamente dito iniciou-se em 1902 e prolongou-se por quatro anos. Inicialmente projectada pelo arquitecto Ezequiel Bandeira, a obra viria a ser acompanhada pelo capitão de engenharia do exército Rodrigues Nogueira, que contou com a colaboração do arquitecto Correia Monção. Colaboraram ainda na obra vários outros artistas: os arquitectos João António Piloto (concepção da sala de jantar) e Evaristo Gomes (vestíbulo e sala de visitas); os pintores Domingos Pinto, Teixeira Bastos, Ribeiro Júnior e Ordonez; o escultor Jorge Neto e o entalhador António Pucche. 

Palácio Sotto Mayor [c. 1906]
Fachadas viradas ao Largo de Andaluz,
Avenida Fontes Pereira de Melo, 16; Largo de Andaluz, 13-13C; Rua Martens Ferrão, 1
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Em 1967 o edifício ficou devoluto e começou a entrar em ruína. Em 1989 foi adquirido por uma empresa imobiliária que encomendou um projecto de renovação. Passados vários anos de espera, e depois de um incêndio no interior, a Câmara Municipal de Lisboa e o IPPAR autorizaram a execução do projecto. Da autoria do arquitecto Gastão da Cunha Ferreira, o projecto de recuperação, que procurou não descaracterizar o casco exterior do imóvel, visou a sua reutilização como hotel, escritórios e lojas.
O palácio, que incluía anexos (cocheiras, casa de criados, lavadouro), insere-se num parque murado e gradeado onde outrora existia um jardim com um lago, estufa de vidro e gaiolas.²

Palácio Sotto Mayor [1967]
Perspectiva tomada da Rua Luciano Cordeiro
Avenida Fontes Pereira de Melo, 16; Largo de Andaluz, 13-13C; Rua Martens Ferrão, 1
 
Garcia Nunes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 81, 1939.
² Almeida e Duarte Belo – Portugal Património: Lisboa, Vol. VII, 2007.

domingo, 25 de março de 2018

Ermida de Nossa Senhora de Monserrate

Diz-nos alguma coisa de saboroso esta Ermida de Nossa Senhora de Monserrate, nas Amoreiras. Encravada no vão do quinto arco do Aqueduto, logo a nascer na Casa da Água, com o seu corpo saliente do altar-mor caindo sobre a velha «Rua do Rato para Campolide», a Ermida evoca-nos um pedaço da vida setecentista lisboeta, e um qua-drinho animado do século XIX.


Erigiram a Ermida neste sítio, em 1768, os fabricantes da seda, que tiveram o Rei D. José por seu lado. Na gracilidade do seu recheio e decoração, na singularidade da sua forma oitavada, na humildade rural em que se envolve — a Ermida das Amoreiras é uma estampazinha antiga.

Ermida de Nossa Senhora de Monserrate |1938|
Praça e Jardim das Amoreiras (Jardim Marcelino de Mesquita, vd. nota)

A arborização do antigo Largo dos Fabricantes, com amoreiras (331 pés) fez-se em 1771, plantando o próprio Marquês de Pombal a primeira árvore, que dava ainda sombra em 1863.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Ela viu o Marquês de Pombal, ele próprio, em 1771, plantar a primeira amoreira das trezentas que engrinaldaram a praça; viu subir, em 1767, o primeiro fumo dos fornos da Fábrica da Louça, de Tomás Brunetto e Salvador Inácio; assistiu ao alvoroço popular quando correu água, pela primeira vez, no chafariz do Rato; seguiu, dia a dia, o retalhar de quintas, o abrir de ruas, o crescimento do bairro nascido de um sítio por influência das «reais manufacturas», e viu, numa manhã de Abril de 1851, chegar aqui, vinda dos Prazeres, a Feira das Amoreiras — a avó das feiras de Belém, de Alcântara e de Santos — com o seu arraial, os seus teatrinhos pitorescos, as suas figuras de cera, os «robertos» e os irmãos Dallot.

Ermida de Nossa Senhora de Monserrate. traseiras |1959|
Corpo saliente da Ermida, cachorrada e Cruz de azulejo e uma data: 1768
Rua da Amoreiras; Praça das Amoreiras
Fernando de Jesus Matias, 
in Lisboa de Antigamente

E viu acabarem a Real Fábrica das Sedas, a Fábrica da Louça, a Fábrica dos Pentes, irem-se embora as amoreiras todas, ir-se embora a Feira, irem-se embora os frades oratorianos de S. Filipe Néri e as freirinhas endiabradas do convento do «Rato». De tudo, o que a ingénua ermida das Amoreiras mais pena teve foi dos seus fabricantes da seda, devotos da Senhora de Monserrate e dos arraiais da Senhora Santana, aqueles operários de mãos finas que lhe legaram, a ela, o terreno sob o Arco em domínio perpétuo.
Ela ali está, voltada ao jardim pequenino de tílias, robínias e tamarinas, mostrando a quem passa pela Rua das Amoreiras a sua cruz suspensa de azulejos do Rato. O ajardinamento desta Praça é posterior à sua construção; no tempo velho apenas as amoreiras, e depois os ulmeiros alegravam o largo, que fora dos fabricantes da seda.

Fábrica das Sedas |1961|
Actual Museu Arpad Szènes-Vieira da Silva
Tv. Fábrica dos Pentes (esq.); Praça das Amoreiras
Arnaldo Madureira, 
in Lisboa de Antigamente

Interiormente, a Ermida de Monserrate é simpática, a-pesar-de pequena. É de forma oitavada, cortado o tecto a meio pelo coro posterior, que assenta em um arco de volta abatida. A Capela-Mor, além de uma teia, apoia-se sobre o corpo saliente da Ermida, que ressalta, amparado a uma cachorrada, para a Rua das Amoreiras, e no qual, exteriormente se marca, sob Cruz de azulejo, uma data: 1768. 

Ermida de Nossa Senhora de Monserrate, altar |1938|
Praça e Jardim das Amoreiras

Na capela-mor, além do altar onde se ostenta a imagem de N. Senhora do Monserrate, há mais dois altares; no corpo da Ermida existem também o de N. Senhora das Dores e o do Coração de Jesus, e ainda uma imagem do Senhor dos Passos. 
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
 

O corpo do pequeno templo é revestido de silhares de azulejos, muito belos, da Fábrica do Rato, constituindo sete painéis com legendas latinas. Na capela-mór, além doaltar onde se ostenta a imagem de N. Senhora do Monserrate, há mais dois altares; no corpo da Ermida existem também o de N. Senhora das Dores e o do Coração de Jesus, e ainda uma imagem do Senhor dos Passos. 
No tecto em apainelados convergentes está uma pintura de Pedro Alexandrino, que representa o orago; na parte que assenta sobre o arco da capela-mor vêem-se as armas de D. José. 

Praça das Amoreiras |Início séc. XX|
Círio das Amoreiras saindo da Ermida de Monserrate durante a procissão do Círio de Nossa Senhora da Atalaia.
Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente

N.B. O nome deste jardim é uma homenagem a Marcelino de Mesquita, dramaturgo, poeta e escritor. Este espaço encontra-se rodeado por habitações setecentistas, que se destinavam na maioria ao alojamento dos fabricantes de seda actual Museu Arpad Szènes-Vieira da Silva.
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Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, pp. 110-111.
ibid, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 99-100, 1939.
cm-lisboa.pt.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Rua das Portas de Santo Antão

Mas era à boca de Santo Antão — refere o olisipógrafo Norberto de Araújo — que começava esta movimentada «rua dereyta» de palácios e jardins. conventos e igrejas, pátios e eirados. Neste pedacinho até à Anunciada [largo da] do Convento das dominicanas, erigido sobre a casa dos agostinhos de Santo Antão de 1400 — e eis a razão do nome da rua [...].¹ 


Rua das Portas de Santo Antão [1938]
Largo de S. Domingos; Teatro D. Maria
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Remotamente foi aqui, e por aí fora, «Corredoura» — que é como se dissesse «rua direita» — era então Lisboa, logo adiante do Rossio de Valverde, «terra de arrabalde». A «Corredoura» servia para corridas e s e, assim, logo no século XIV a designação passou a ser de «Carreira de Cavalos». Em 1373-1375 construiu-se a nova Cerca muralhada de D. Fernando, abrindo-se neste sitio uma das portas. primeiro chamada de «S. Domingos» e logo no principio do século XV «de Santo Antão». [...]

Rua das Portas de Santo Antão [191-]
Igreja de São Luís dos Franceses; ornamentações na antiga Rua de Santo Antão
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Depois do Terramoto a velha Porta, ou Arco, de Santo Antão sofreu demolição, como quási todas as da Cerca de D. Fernando, pois ficara muito arruinada. O dístico de Rua das Portas de Santo Antão não ia além de S. Luiz [igreja de], e perdurou até Setembro de 1859, entrando depois a artéria a chamar-se simplesmente Rua de Santo Antão até ao Largo da Anunciada. Em 3 de Agosto de 1911 o nome tradicional modificou-se para o de Rua Eugénio dos Santos [até 1956] (o arquitecto da nova Cidade).²
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Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 207, 1943.
² ibid., Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 103-104, 1939.
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