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domingo, 14 de junho de 2026

Rua dos Anjos e a Avenida que também o foi

Anjos (rua direita dos) principia no largo do Intendente, indo da rua do Bemformoso e finda no largo de Santa Barbara, freguezia dos Anjos 2 a 244 e 1 a 215. [Velloso: 1869]

Luís Pastor de Macedo, na sua obra Lisboa de Lés-a-lés, descreve do seguinte modo o remoto historial deste topónimo:
Nome por que actualmente é conhecida parte da antiga estrada de Santa Bárbara. Em 1712 Carvalho da Costa designa-a por rua acima da Igreja até o lugar de Arroios, incluindo também nesta designação a actual rua de Arroios. Passando depois a ser denominada rua Direita dos Anjos, fixou-se a sua extensão por edital do governador civil de 1 de Setembro de 1859, a qual ficou compreendida entre os largos do Intendente e de Santa Bárbara. (...).

Rua dos Anjos |1907-07|
Antiga Rua Direita dos Anjos; ao fundo vislumbra-se a Av. Almirante Reis [vd 2º imagem]
onde continuavam os trabalhos de desmantelamento da antiga igreja dos Anjos. 

Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): A primeira referência que se faz a uma Avenida que "ligasse a Igreja dos Anjos (a antiga) e as portas de Sacavém (em Arroios)" pertence a Ressano Garcia, numa sessão da Comissão de obras da Câmara no ano de 1877.
Assim, em 1903, foi aberta a Avenida dos Anjos (1895) — troço da Palma até à Alameda — depois Avenida Dona Amélia (1903-1910), que viria a ser mais tarde designada por Avenida Almirante Reis (05/11/1910). Foram destruídos vários quarteirões nesta área permitindo por outro lado, a construção de novos e mais modernos edifícios o longo da recente e ampla avenida. (Unidade Projecto Mouraria, 2009).

Rua dos Anjos no cruzamento Avenida Almirante Reis |1940|
A antiga igreja dos Anjos situava-se na esquina da Rua dos Anjos e em parte do leito onde assenta hoje a Av. Almirante Reis [onde se vêem os carros eléctricos]. À dir. nota-se parcialmente o edifice que albergou a afamada Pharmácia Bezelga.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Rua do Benformoso

Norberto Araújo caracteriza da seguinte forma este arruamento vizinho da Mouraria: 

Antes de existir a Rua (Nova) da Palma, que data de 1862, no troço da Guia ao Socorro, e de há cerca de setenta anos do Socorro ao Intendente era por aqui, pelo Bemformoso, que todo o trânsito se fazia.
Em verdade o sítio e a rua não são do Benformoso mas do 'Boy Formoso', designação primitiva, cuja origem deve estar, como em todas do velho tempo, num desses acidentes fortuitos ou vagas particularidades episódicas, mas que 'ficam'; numa das quintas ou restos por aqui existentes, teria havido um lindo boi, a que se poderia chamar uma 'estampa', e, corrida fama, já depois do animal haver desaparecido, o sítio ficou o de 'Boy Formoso'.

Rua do Benformoso [1950]
Antiga do Boy Formoso, antes Rua Direita da Mouraria (séc. XVI)
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Quero dizer-te, apenas, que nos séculos velhos, antes de êste sítio ser chamado do «Boy Formoso» foi conhecido por «Benfica» — a razão não ta sei dar; talvez porque fôsse ridente de hortas e de boa situação. O Bemformoso ainda há trinta anos mostrava pitorescas casas, modestas, seiscentistas, de empena de bico, andar de ressalto, conjunto alfacinha velho e puro. Pedacinhos de Alfama limpa no Bemformoso, paredes meias com a Mouraria.

Rua do Benformoso |1902-05|
Antiga do Boy Formoso, antes Rua Direita da Mouraria (séc. XVI)
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente
 
Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 12, 1938.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Rua da Mouraria

O olisipógrafo Norberto Araújo caracteriza da seguinte forma este arruamento do vetusto Bairro da Mouraria, onde, até aos fins do séc. XIII chegavam as águas do Tejo:
A Rua da Mouraria é o troço —  a Avenida bairrista —  que começa no Arco Marquês do Alegrete e termina na Rua Fernandes da Fonseca, no ponto de convergência da Rua do Bemformoso, Rua dos Cavaleiros e Calçada da Mouraria. (...) Os grandes edifícios urbanos da Rua são quási todos do segundo e terceiro quartéis do século passado. (...) 

Rua da Mouraria |1918|
Embocadura da Rua do Capelão (dir.), vendo-se ao fundo a Calçada da Mouraria. Os edifícios do lado esquerdo foram demolidos para construção do ominoso Centro Comercial da Mouraria
Legenda da fotografia: «A Obra da Assistência 5 de Dezembro, o Presidente Sidónio Pais agradece as manifestações que lhe são feitas no largo da Guia, onde foi inaugurar a distribuição da sopa aos pobres».
 Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Repara, Dilecto, no conjunto desta Rua, de fachadas que não oferecem antiguidade e desenho bizarro, mas que, exactamente pelo conjunto, são o mais típico possível de post-Terramoto: os prédios são altos e estreitissimos (alguns pouco mais têm do que quatro metros), como por exemplo, defronte do Capelão, os dos n.°” 39-41, 53-55, 57-59. Vê-se' que as construções ganhavam na vertical o que perdiam na largueza.==
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 71-74, 1938)

Rua da Mouraria (S→N) |1949|
Ao fundo, o antigo Arco do Marquês do Alegrete, demolido 
em meados de 1950 para dar lugar à actual Praça do Martim Moniz.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
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