sábado, 6 de fevereiro de 2016

Largo das Portas do Sol

Largo das Portas do Sol, topónimo evocativo da porta da Cerca Moura que ali se abria, é uma reminiscência da cidade medieval.
Porta ou Portas do Sol! Cá temos o lanço da muralha, e uma torre ainda erguida — recorda Norberto de Araújo — , que bem se admira da banda de Alfama, e, em muito boa perspectiva, do interior do desprezado jardim da «Casa dos Arcos», aqui na Adiça. Vale uma aguarela. Desta Porta vetusta da Cerca Moura - nada mais há à vista. É gracioso este Largo — Portas do Sol — do qual descem a Calçada de S. João da Praça [hoje Rua Norberto de Araújo], e o evocativo Beco de Santa Helena.

Largo das Portas do Sol [1939]
Ao fundo, a entrada da Rua de São Tomé (antiga do Infante Dom Henrique) e, à direita (depois do muro). o Beco de Santa Helena.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O Palácio da esquina [com o Largo de Santa Luzia] — enorme casarão que se estende até à Travessa de Santa Luzia, já a tocar o Largo do Contador-Mor — foi pertença dos Viscondes de Azurara.==
(ARAÚJO, Norberto de , Peregrinações em Lisboa, vol. II, p. 71, 1928)

Largo das Portas do Sol [1952]
Largo das Portas do Sol, visto do miradouro do Largo de Santa Luzia
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Palácio da Embaixada de Inglaterra: antiga residência do Embaixador do Reino Unido

 Este palacete está integrado na propriedade que constituía a antiga Residência do Embaixador do Reino Unido, sito na Rua São Francisco de Borja, 63, tendo constituído a residência do embaixador britânico durante mais de 150 anos. Foi, entretanto, completamente renovado encontrando-se habitado.

Embaixada Britânica [ant. 1895]
Antiga residência do Embaixador do Reino Unido
Rua da Arriaga, 2-4; Rua São Francisco Borja, 63
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente

O edifício do palacete, tendo como data de início da construção o final do séc. XVIII, mantém ainda uma forte identidade pombalina, com as características construtivas típicas desta edificação.

Palácio da Embaixada de Inglaterra [ant. 1895]
Antiga residência do Embaixador do Reino Unido
Rua da Arriaga, 2-4; Rua São Francisco Borja, 63
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente
  
Acerca do sítio, refere o olisipógrafo Norberto de Araújo o seguinte: «Em S. Francisco Borja se ergue, desde há muitos anos, o Palácio da Embaixada de Inglaterra, no seu tom cor de rosa muito discreto, não deixando de ser gracioso, e cujos amplos jardins se prolongam para poente, defendidos pelo muro que acompanha o lado Norte da Rua da Arriaga. Continua isto a ter ainda um semblante de «Lapa» puro, ao qual se encostam reminiscências urbanas de setecentos (...)»

Palácio da Embaixada de Inglaterra, [ant. 1895]
Antiga residência do Embaixador do Reino Unido
Rua de São Francisco Borja, 63; Rua da Arriaga, 2-4
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente

Quanto à razão do topónimo «Arriaga». adianta o mesmo autor que «Esta Rua da Arriaga que parece dever seu nome a uma senhora que há um século e pico aqui fez erguer o primeiro prédio da rua (D. Maria Joana Aniceta Francisca de Arriaga) tem o seu quê de curiosidade: apresenta uma correnteza de bons palacetes, pequenos, com frentes de jardins (...)»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 52, 1938)

Palácio da Embaixada de Inglaterra [ant. 1895]
Antiga residência do Embaixador do Reino Unido
Rua da Arriaga, 2-4; Rua de São Francisco Borja, 63
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Hipódromo do Campo Grande: antigo campo do «Jockey Club» (actualizado)

As primeiras corridas de cavalos em Portugal ocorrem em Évora e datam de 1868. Em 1875, o Clube Equestre, fundado em 1873, muda o nome para Jockey Club. Em 1881, fazem-se as primeiras corridas nas Alamedas do Campo Grande, mas o entusiasmo popular é fraco. Dois anos depois extingue-se o Jockey Club. A «Sociedade Promotora de Apuramento de Raças Cavalares», que arrematara os bens do Jockey Club, ainda realiza algumas corridas, mas o público revela-se desinteressado.» (infopedia.pt)

Fotografia aérea da zona da Portela de Sacavém e pistas do Aeroporto em construção; em baixo, o Hipódromo do Campo Grande |c. 1942|
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente

Numa das suas crónicas, Ramalho Ortigão, com a sua habitual ironia e tom mordaz, descrevia assim o ambiente das corridas de cavalos no século XIX:
As «corridas» do Campo Grande — Extraordinário sucesso de dandysmo!
Não assistimos, mas lemos que esteve o high-life, o famoso high-life, com o qual temos sempre o infortúnio de nos desencontrar. Estamos todavia daqui a vê-lo, a imaginá-lo, rico, elegante, belo, no Campo Grande, em volta o lago — o high-life...

Hipódromo do Campo Grande  Antigo campo do «Jockey Club» |1933-01-05|
Festa da Cavalaria organizada pelo jornal O Século, no hipódromo,
Ao fundo, onde se vê o casario,  passa hoje a Avenida Gen. Norton de Matos vulgo 2ª Circular.
Fotógrafo não identificado
, in Lisboa de Antigamente
Hipódromo do Campo Grande  Antigo campo do «Jockey Club» |1933-01-05|
Situado no lado ocidental do Campo Grande (actual Cidade Universitária), funcionou como hipódromo e recinto para eventos comemorativos, chegando até a ser considerado o sítio ideal para a localização do novo Aeroporto de Lisboa; perspectiva para Sul.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A aristocracia nos seus landeaux, com enormes cocheiros gordos, de barrigas de pernas phenomenaes e bizarras. A alta finança em carruagens de posta com os senhores na almofada, e os creados, recamados de galões de ouro, dentro da berlinda, immoveis, empoados, descobertos, com os tricornes na mão.
Os diplomatas, nédios, sorrindo na doce bestialidade espirituosa de quem sente no paladar os succos perfumados de uma aza de codorniz truffada, repimpados em daumonts, com uma carvajal nos beiços e uma marta zibelina debaixo dos pés.

Hipódromo do Campo Grande  Antigo campo do «Jockey Club» |1928|
«Aeroplanos no campo do Jockey Club, ao Campo Grande, onde se pretende estabelecer o aeroporto de Lisboa»
Ao fundo, onde se vê o casario,  passa hoje a Avenida Gen. Norton de Matos vulgo 2ª Circular.
Fotógrafo não identificado
, in Lisboa de Antigamente

Respira-se entre as árvores um ar impregnado de fina perfumaria, como n'um salão.
Não se inscreveram no Derby lisbonense os Hamilton, nem os Lagrange, nem os Rothschild, nem os Mouchy, nem os Dudley Stuart. Inscreveram-se apenas, com os seus trens, o João Russo e o Chico Perfeito, cocheiros da praça. Alea jacta est! O Russo venceu o Chico com a distancia do comprimento de uma pileca. Hurrah!_
Tal é o perfil das «corridas»; tal é o high-life.==
(ORTIGÃO, Ramalho, As Farpas, pp. 165-168, 1888)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Quinta (Casal) do Mineiro

Agora se seguem, dos n.ºˢ 79 a 83, com seu portão gradeado de quinta (o Casal do Mineiro, que sucedeu ao Casal Novo no nome, como este sucedera ao antigo Casal ou Quinta do Tavares, do séc. XVIII e já XIX) as casas cor de rosa, à beira da antiga Rua de Entremuros [hoje Artilharia Um], propriedade de Manuel José Monteiro (...).
É esta uma propriedade das de maior área no sítio — recorda Norberto de Araújo — , que se prolonga como já vimos, à Rua das Amoreiras e à Travessa da Légua da Póvoa; possui no alto um magnífico palacete, que data de 1882 (...). Esta propriedade admirável, com estufas, jardins, e alguns terrenos ainda de cultivo, pertence ao filho daquele falecido capitalista (...).
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa», vol. XI, p. 96, 1939)

Quinta (Casal) do Mineiro [1931]
Palacete da Quinta do Mineiro, em cima à direita, na Rua de Artilharia Um; Aqueduto das Águas Livres, Rua das Amoreiras e Ermida de N. S. de Monserrate.

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O palácio neo-colonial da Quinta do Mineiro foi construído em 1882 por Manuel José Monteiro à imagem do palácio que tinha no Brasil. O Externato dos Maristas mudou-se para este palácio em 1953, onde ficou até 1989. Recentemente, na Quinta do Mineiro, foi erigido o empreendimento imobiliário «Nova Amoreiras», O palácio, depois de recuperado, foi transformado em centro de escritórios.
 
Palacete da Quinta do Mineiro [1939]
Perspectiva tomada
do Aqueduto das Águas Livres sobre o Jardim das Amoreiras.
Eduardo Portugal in Lisboa de Antigamente

Hospital Real da Marinha

De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo «Esta parte baixa do Campo de Santa Clara intitula-se desde há poucos anos Praça Dr. Bernardino António Gomes, que foi notável médico da Marinha de Guerra, e cujo busto, sôbre plinto, se ergue no centro da Praça, diante do Hospital, de que êle foi Director. Êste médico, verdadeiro homem de ciência, foi quem em Portugal aplicou pela primeira vez a anestesia pelo clorofórmio (1848). 
E aí temos o «velho» Hospital da Marinha, e que parece novo, mercê de constantes remodelações, aperfeiçoamentos e desenvolvimento de seus serviços e instalações.» [1]
 
Hospital Real da Marinha [1932]
Praça Doutor Bernardino António Gomes
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

O Hospital da Real Armada (Hospital Real da Marinha), criado pelo Alvará do Príncipe Regente D. João de 27 de Setembro de 1797, é um dos mais antigos hospitais de Portugal. Foi construído de raiz para o efeito no local do antigo Colégio de S. Francisco Xavier — também conhecido como Hospício dos Jesuítas ao Paraíso (fundado em 1696). 

Hospital Real da Marinha [c. 1900]
Praça Doutor Bernardino António Gomes
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Este edifício, na altura bastante moderno — dispunha de um sistema interno de águas correntes quentes e frias — projectado pelo arquitecto Francisco Xavier Fabri, foi inaugurado em 1 de Novembro de 1806, mantendo-se em funcionamento quase 206 anos. Em 2012 é considerado extinto, tendo encerrado definitivamente em Dezembro de 2013.

Hospital Real da Marinha, fachada voltada a S.[190-]
Praça Doutor Bernardino António Gomes
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
[1] ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 78, 1938.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Rua do Salitre

É uma via antiga cuja data de fixação na memória da cidade se desconhece com precisão. Sobre a história do sítio refere o olisipógrafo Norberto de Araújo o seguinte:
«No século XVI estes sítios por aqui, acima de Valverde [Av. da Liberdade], eram dos Ataídes, Condes da Castanheira, em prazos que se prolongavam do Sul (e já te disse que os Castelo Melhor adquiriram aos Castanheiras chãos e casas na zona actual dos Restauradores); uma dessas terras era chamada Horta da Palmeira, terreno que um Ataíde, D. Jorge, que foi bispo de Viseu e capelão-mór do Cardeal D. Henrique doou, antes de morrer (1611), aos frades brunos ou cartuxos do Convento de Laveiras, para neste sítio fazerem um hospício.

Rua do Salitre [1968] 
Avenida da Liberdade; à esq. o Palacete Lima Mayer
Artur Inácio Bastos, in Lisboa de Antigamente

Este Hospício foi chamado dos Cartuxos (nome porque eram conhecidos os frades de S. Bruno), ou da Palmeira; «da Palmeira» foi mesmo a designação da Rua do Salitre no troço que ainda existe. «Salitre» é toponímia que só apareceu em 1665, e que acompanhou, e venceu, a «de Palmeira» quando esta desapareceu da oralidade, aí por 1760.
Quanto a «Salitre» é uma denominação que derivou da circunstância de na Horta dos brunos existirem nitreiras que foram exploradas.»
(ARAÚJO, Norberto de , Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 32)

Rua do Salitre [1943] 
Ao fundo, o Largo do Rato e o Convento das Trinas do Rato
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Casa Empis, Prémio Valmor de 1907

Moradia na Avenida Duque de Loulé, 73-77, propriedade de Ernesto Empis e arquitectura de António Couto de Abreu (1874-1946). Edificado em estilo Francisco I, inspirado na Renascença Francesa, lembrava o castelo de Blois e a casa de Diana de Poitiers. Foi o primeiro edifício premiado com Valmor a ser demolido, em 1954, ocupando actualmente o seu lugar um edifício de 7 andares. Em contrapartida, o «gaioleiro» na esquina em frente, ainda por lá continua. 

Casa Empis, Prémio Valmor de [1907]
Avenida Duque de Loulé com a Rua Luciano Cordeiro

José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente
Casa Empis, Prémio Valmor de [1907]
Avenida Duque de Loulé com a Rua Luciano Cordeiro

José A. Bárcia, in Lisboa de Antigamente

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Rua da Graça

O nome deriva do antigo Convento de Nossa Senhora da Graça, começado a construir em 1271 naquele local, então conhecido por Almofala, que era um pequeno arrabalde mourisco extramuros quando as tropas de D. Afonso Henriques aí acamparam durante o cerco de Lisboa.
A Almofala mourisca tornou-se no bairro da Graça lisboeta repetida na Rua, Largo e demais topónimos que invocam o Convento de Nossa Senhora da Graça.  (cm-lisboa.pt)

Rua da Graça [1953]
Entrada do lado do Largo da Graça
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

Eléctrico, carreira nº 10/11-GRAÇA (circulação). Esta carreira foi inaugurada em Julho de 1906, ligando o Rossio à Graça, via Rua do Ouro e Sé, com retorno por Sapadores e Anjos, sendo que a carreira 11 fazia o percurso inverso, chegando ao Rossio pela Rua Augusta.  Foi suprimida em 1984, por fusão com a carreira 28-B.
 
Rua da Graça [1953]
Junto ao n.º 66; os casebres à dir. foram entretanto demolidos para alargamento da via.
Eduardo Portugal, 
in Lisboa de Antigamente

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