Sunday, 5 July 2015

Antiga Igreja de N. S. dos Anjos

A extinta Igreja dos Anjos  datava de 1568 e foi reedificada em 1758, devido a danos causados pelo Terramoto. Segundo o olisipógrafo Luís Pastor de Macedo, «A paroquial dos Anjos que como se sabe deu o nome à rua, levantava-se num dos seus lados, no sítio onde a rua é cortada pela avenida Almirante Reis [antiga Avenida Dona Amélia e antes Avenida dos Anjos. vd planta mais adiante]
A paróquia fora fundada no tempo em que o cardeal D. Henrique era arcebispo de Lisboa e teve por sede uma ermida dedicada aos Anjos, ermida que alguns anos depois, com o dinheiro havido do imposto de 5% lançado sobre os alugueres das casas existentes na freguesia, se transformou no tempo de Filipe III, em «hum dos mais lindos, & ornados Templos da Corte» no dizer de fr. Agostinho de Santa Maria». 

Primitiva igreja dos Anjos [post. a 1901 e ant. a 1908]
Rua dos Anjos e, à direita, o Regueirão dos Anjos
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente
Primitiva igreja dos Anjos [post. a 1901 e ant. a 1908]
Rua dos Anjos e, à direita, o Regueirão dos Anjos com alguns edifícios já demolidos.
José Artur Leitão Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco António Carlos de Oliveira, em 1756. é referido que a igreja é de uma só nave, com capela-mor, onde se integra tribuna de talha dourada, fechada pro painel dos Anjos, envolvendo Nossa Senhora da Glória, surgindo, no lado do Evangelho, São Miguel e, no lado oposto, São Pedro; o altar colateral do Evangelho é o de Nossa Senhora dos Anjos, com as imagens de Santo André, Santa Catarina e Santo António; no lado oposto, Nossa Senhora da Conceição com tribuna ricamente ornada, tendo o Santíssimo e as imagens de São Sebastião, São Brás e São João Baptista; sobre o arco triunfal, a imagem de Cristo; o tecto da igreja é apainelado; tem a igreja de Nossa Senhora dos Anjos um capelão que recebe 50$000 anuais em esmolas.
O seu interior foi integralmente recuperado e transferido para o actual templo, por exemplo, os sete altares de talha dourada e o tecto com apainelado de caixotões de pintura com cenas da Vida da Virgem e alegorias bíblicas atribuíveis a Marcos da Cruz.

Localização da antiga igreja dos Anjos [1901]
A planta [fragmento] inclui [...] a rua e a igreja dos Anjos, a Rua Andrade, a Rua Maria Andrade, a Rua Palmira e a Avenida dos Anjos 
[actual Av. Almirante Reis], in Lisboa de Antigamente

Foi demolida em 1908 para abertura da Avenida Dona Amélia (actual Av. Almirante Reis), foi de seguida reconstruída no lado ocidental deste arruamento [vd. planta], conforme às exigências da cidade, tendo o arquitecto José Luís Monteiro, todavia, respeitado proporções e valores da primitiva igreja seiscentista, sem deixar de lhe conferir um carácter neoclássico, que lhe adoçou as proporções.

Antiga Igreja dos Anjos, fachada lateral 
e a imponente torre sineira virada à Rua dos Anjos [1901]
Machado & Souza., in Lisboa de Antigamente

Saturday, 4 July 2015

Praia da Ribeira de Cascais (actualizado)

Sem vocação balnear, a praia da Ribeira, mais conhecida por praia do Peixe, da Baía ou dos Pescadores, deve o seu nome ao facto de ali desaguar a Ribeira das Vinhas, situa-se na zona mais frequentada de Cascais, coroando a Baía.
Tradicionalmente uma praia de pescadores, tem por isso menos vocação balnear, uma vez que é ainda ali, e ao porto de pesca localizado ao lado, que acorrem os barcos dos pescadores de Cascais. Durante as festas da vila, é nesta praia que se fazem as famosas largadas de touros.

Vista Panorâmica da Praia da Ribeira |1900|
Um dos epicentros do quotidiano das gentes de Cascais localizou-se na Praia da Ribeira, ou Praia do Peixe, como será mais conhecida localmente.
Ao fundo nota-se o Casino da Praia e a Muralha do Cavaleiro.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A presença sazonal da Família Real em Cascais, a partir de 1870, em função da moda dos banhos de mar, transformou a vila de Cascais na rainha das praias portuguesas, obrigando os pescadores a cederem aos banhistas parte da Praia da Ribeira.

Passeio Dom Luís I |séc. XIX|
Praia da Ribeira de Cascais

Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Foi a partir deste areal, hoje conhecido por Praia dos Pescadores, que D. Carlos impulsionou a prática da vela, do remo e da natação, transformando Cascais no mais prestigiado campo de regatas em Portugal, onde se disputou, por exemplo, em 1893, a primeira Corinthian Race nacional, regata em que as embarcações correm tripuladas apenas por amadores ou, em 1898, a primeira regata internacional nas nossas águas.

O Rei Dom Carlos e a Rainha Dona Amélia e comitiva na praia da Ribeira |1906|
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Friday, 3 July 2015

Rua dos Condes de Monsanto que foi da Bitesga

Por Edital de 28-08-1950 a Rua da Betesga ficou limitada pela Praça da Figueira e de Dom Pedro IV. Até então, a antiga Rua da Betesga — vulgo da Bitesga — , estendia-se desde a Praça Dom Pedro IV até ao Poço do Borratém. Este  troço da Rua da Betesga —  entre a Rua dos Fanqueiros e Poço do Borratém  — passou a denominar-se Rua dos Condes de Monsanto.

Pelo mesmo edital, a Rua dos Fanqueiros, antiga da Princesa antes Rua Nova da Princesa, que até 1950 se prolongava até à Rua da Palma, passou a terminar na actual Praça da Figueira. Confuso? Para melhor compreensão ver carta topográfica aqui.

Rua dos Condes de Monsanto, 5 de Outubro de 1910
Antigo troço da Rua da Betesga; ao fundo, o Poço do Borratém e a Rua da Madalena.
Artur Benarus, in Lisboa de Antigamente

Toda esta área — recorda-nos o ilustre Norberto de Araújo — hoje contida entre a Rua dos Álamos, o princípio da Velha Rua dos Canos, a Rua da Praça da Figueira toda até à Betesga e daí ao Poço do Borratém e Marquez do Alegrete (no encontro com os Áamos) pertencia, com excepção de alguns pedaços, à Casa dos Condes de Monsanto e Marqueses de Cascais descendentes e herdeiros de D. Leonor da Cunha, mulher do famoso jurisconsulto João das Regras; [...] [Araújo: 1938]

Rua dos Condes de Monsanto, 5 de Outubro de 1910
Antigo troço da Rua da Betesga com a Rua dos Fanqueiros [troço integrado, desde 1910, na actual Praça da Figueira; ao fundo, o Poço do Borratém e a Rua da Madalena.
Artur Benarus, in Lisboa de Antigamente

Cine-Teatro Tivoli

O Cine-Teatro Tivoli, situado na Avenida da Liberdade, esquina com a Rua Manuel Jesus Coelho, foi projectado pelo arquitecto Raúl Lino em 1919, e mandado construir por Frederico Lima Mayer sob a égide do luxo e requinte, num estilo neoclássico. Inaugurado em 1924 com o filme francês "Violetas Imperiais", a sua capacidade em albergar 1114 espectadores faziam dele a sala de Lisboa de maior lotação. O primeiro filme sonoro — «A Parada do Amor» — foi apresentado em Novembro de 1930 [vd. 4ª imagem].

Cine-Teatro Tivoli |c. 1942|
Avenida da Liberdade
Estúdio Horácio Novais, iin Lisboa de Antigamente
Cine-Teatro Tivoli |c. 1938|
Avenida da Liberdade
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente
* A foto está datada de 1929 no  (AML)

N.B. O filme em cartaz na 1ª foto, estreou em Portugal a 2 Novembro de 1942 , com o título O Ídolo, no original The Pride of the Yankees, integrando o elenco actores como Gary Cooper e  Babe Ruth.
O filme em cartaz na 2ª foto, estreou em Portugal a 24 de Outubro de 1938, com o título A Oitava Mulher do Barba Azul, no original Bluebeard's Eighth Wife, integrando o elenco actores como Gary Cooper e  Claudette Colbert.
O filme em cartaz na 3ª foto, estreou em Portugal a 16 de Outubro de 1939, com o título O Grande Milagre, no original The Story of Alexander Graham Bell; no elenco constavam nomes como o de  Don Ameche, Loretta Young e Henry Fonda.

Cine-Teatro Tivoli [post. 1939]*
Avenida da Liberdade
Mário Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.
* Foto s.d. no arquivo
 
Cine-Teatro Tivoli [c. 1930]*
Avenida da Liberdade
Horácio Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.
* Foto s.d. no arquivo

Thursday, 2 July 2015

Rua da Madalena

A Rua da Madalena, como o nome indica, advém da proximidade à Igreja de Santa Maria Madalena, que já existia seguramente em 1164, mandada edificar por D. Afonso Henriques junto à Cerca Moura, em terrenos onde existiu um templo romano dedicado a Cibeles, a deusa-mãe. 
 
Rua da Madalena [Poço do Borratém] [5-10-1910]
Arthur Benarus,in Lisboa de Antigamente

Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos

Nesta estação terminava o Aqueduto do Alviela, que trazia a água para Lisboa das nascentes dos Olhos de Água a 10 Km de Pernes e a 2 km do sítio de Amiais. Esta água era conduzida para o reservatório da Verónica e para a cisterna do Monte. Esta estação foi inaugurada pelo Rei D. Luiz em 3 de Outubro de 1880.

Edificações da Companhia das Águas na cerca dos Barbadinhos - Chegada do Alviela no dia 3 do corrente 1880
Desenho do natural por Isaiais Newton, in O Ocidente: revista ilustrada de Portugal e do estrangeiro, 15 Out. 1880

Permitiu abastecer as zonas altas e baixas da cidade através de um sistema de sifões. Funcionava através de máquinas a vapor fabricadas nas oficinas de E. W. Windsor, em Ruão. Tinha cinco caldeiras. Esta estação esteve activa até 1928. Foi depois substituída por uma Estação Elevatória Eléctrica. Actualmente funciona neste espaço o Museu da Água, inaugurado em 1 de Outubro de 1987. Este Museu estando sediado na Estação dos Barbadinhos engloba também o Aqueduto das Águas Livres, a Mãe de Água das Amoreiras e o Reservatório da Patriarcal. Em 1990, o Museu da Água recebeu o prémio do Museu do Conselho da Europa.

Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos [1880]
Rua do Alviela
Estabelecimento das machinas da Companhia das Águas de Lisboa, fachada principal, Sul.
Francesco Rocchini, in Lisboa de Antigamente

 

A capacidade do tanque deste Reservatório — magnífica construção abobadada em quadrilongo com arcadas de volta abatida — é de 12.000 metros cúbicos; o fundo do tanque está 28 metros abaixo do nível do mar. Os engenheiros que dirigiram esta obra foram José Joaquim de Paiva Cabral Couceiro e Joaquim Pires de Sousa Gomes.
(ARAÚJO,  Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XV, p. 26, 1939)
 
Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos [1906]
Rua do Alviela
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente

Wednesday, 1 July 2015

Avenida da Liberdade: Quiosque Tivoli

A vida da época, em Lisboa, por volta de 1870, processava-se predominantemente nas ruas, à custa dos estratos sociais mais baixos: o proletariado e a pequena burguesia.
A grande burguesia e os aristocratas pouca vida de rua faziam. Frequentavam antes os botequins, considerados muito caros já na altura. Foi, pois, com aqueles «alfacinhas» que os Quiosques começaram a proliferar aqui e além, nos pontos mais movimentados da cidade: no Rossio - como em todos os Rossios — , no Passeio Público — depois da Avenida da Liberdade — , na zona ribeirinha, nos jardins e noutros locais da Lisboa antiga, igualmente centrais, onde fervilhava a vida.
Era em redor do balcão destas casinhas que os Lisboetas conversavam e bebiam, amenizando um dia de trabalho, à ida ou à vinda do emprego, antes de irem para casa, ou aos domingos e dias festivos em descuidados passeios com a família. [Caeiro: 1987]

Quiosque Tivoli |c. 1940|
Avenida da Liberdade
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

Estrutura
Base quadrangular, com as faces decoradas. Balcão todo à volta. Corpo com janelas de taipais de correr, encimadas por um semicírculo envidraçado. Cúpula quadrangular aos gomos terminando com um pequeno zimbório, decorado com lâmpadas esféricas. Protecção com bordos trabalhados recortados para cima. Toldo de lona curto todo à volta.

Particularidades
Particular. Muito procurado pela lotaria e pelos jornais. Foi inaugurado em 1925 pelo Diário de Notícias. Deve o nome ao cinema inaugurado um ano depois.

Quiosque Tivoli |1981|
Avenida da Liberdade
José Neves Águas, in Lisboa de Antigamente

Terreiro do Paço

Lisboa, o Tejo E Tudo


Outra vez te revejo — Lisboa e Tejo e tudo —,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver..
Álvaro de Campos
LISBON REVISITED (1926
)

A Praça do Comércio vista do Rio Tejo [c. 1930]
Estúdio Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente
 
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