Friday, 5 August 2022

Palácio dos Condes da Ponte

Com um grande logradouro e um esplêndido terraço um outro palácio em que durante bastantes anos esteve a legação da Noruega, e em que o Ministro Frim Koren deu algumas belas festas. Fôra essa casa o Palácio dos Condes da Ponte, esteve ali residindo o Núncio Acciaiuoli. Agora está ali instalada uma secção da Administração-Geral do Porto de Lisboa. [Olisipo; 1955]


Este exemplar de arquitectura residencial ecléctica foi mandado edificar pelos Condes da Ponte [família Melo Torres, vd. N.B.], que no final do primeiro quartel do séc. XVIII já habitavam o espaço. Em 1762, o palacete foi adquirido pela família Posser de Andrade e manteve-se na sua posse até cerca de 1950. Precisamente nesta década, de 50, o imóvel passa para as mãos do Porto de Lisboa, que aí instala a sua Administração, datando desta época o alteado de um piso, assim como a alienação dos terrenos envolventes, com dependências da casa, a outras instituições. 

Palácio dos Condes da Ponte |c. 1865|
Rua da Junqueira, 94-96; Palácio Burnay
Fotografia Moreira
Palácio dos Condes da Ponte, jardim [1922-10-08]
Rua da Junqueira, 94-96
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

De planta longitudinal, o edifício desenvolve-se em três pisos, o último dos quais acrescentado em meados do séc. XX, reaproveitando a platibanda primitiva, de cantaria, desenhada em círculos intersectados.
A fachada principal, de composição simétrica, divide-se em três panos murários, delimitados por pilastras. Merecem destaque, no pano principal, o topo rematado por frontão triangular e o diálogo harmonioso entre o portal com moldura de recorte contracurvado e as janelas de sacada com guardas em ferro forjado do andar nobre [2.º piso]
O extenso alçado lateral, também estruturado em três pisos, surge animado pela abertura de 15 vãos [vd. 2.ª imagem] rectangulares por piso, que no andar nobre [2.º piso] correspondem a janelas de sacada com guardas em ferro, coroadas por verga recta saliente, de cantaria
No interior, apesar das alterações resultantes de obras de adaptação às novas funções, ainda podemos observar os painéis de azulejos, assinados por Jorge Colaço, onde figuram D. Dinis e a Rainha Santa, localizados no vestíbulo de entrada, duas outras composições azulejares da Fábrica Viúva Lamego e dois vitrais neo-Arte Nova, representando respectivamente motivos florais e uma alegoria ao Porto de Lisboa, localizados junto à escadaria principal. [cm-lisboa.pt]

Palácio dos Condes da Ponte [post. 1966]
Rua da Junqueira, 94-96; Palácio Burnay
Destaca-se o portal com moldura de recorte contracurvado e o 3.º piso acrescentado em meados do séc. XX.
Fotografia anónima

N.B. Francisco de Melo e Torres, 1.º conde da Ponte e 1.º marquês de Sande [c. 1610-1667]. Militar e diplomata português do século XVII. Foi-lhe ministrada uma cuidada educação por jesuítas, com destaque para a matemática e a geografia. Desempenhou funções de chefia militar na Batalha do Montijo, em 1664, e chegou a general. 
Fazia parte dos "Fidalgos conhecidos por Quarenta Conjurados e que depois se acharam na feliz Aclamação do Senhor Rei D. João IV, e restituição que se lhe fez deste Reino de Portugal", em 1640.
Foi também governador de Olivença. Iniciou a carreira diplomática durante a regência de D. Luísa de Gusmão. Negociou o casamento de Carlos II de Inglaterra com D. Catarina de Bragança, em 1661, e contratou depois o casamento de D. Afonso VI com D. Maria Francisca Isabel de Saboia, realizado em 1666. Foi assassinado em 1667.

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