Saturday, 3 December 2016

Café Áurea Peninsular, antigo Café do Nóbrega

Achava n'aquelle café, do antigo Nobrega, hoje Áurea Peninsular, rua do Ouro, grandes vantagens para as propriedades sanitarias e digestivas. Em indo a outro, ficava doente. Quando ha sete annos o botequim fechou, elle acabou de jantar, foi muito lepido pela rua do Ouro, dirigindo-se ao seu cafesinho, — encontrou as portas fechadas, e morreu. [1]


Em 1898, Pinto de Carvalho (Tinop), escrevia sobre este café de grande nome na Lisboa da segunda metade do século XIX; antes de 1885 fôra um Café do Nóbrega, e para trás — crónica de Lisboa.

   Cabe a vez de falar d'um café dos mais conhecidos de Lisboa — o café Aurea Peninsular. Esta antiga loja de bebidas da rua do Ouro leve como predecessora urna casa de jogos de bilhar, carias o gamão, pertencente a José Manoel d'Aguiar, que, em 11 d'agosto de 1819, foi preso por não ter licença para jogos, mas, pouca depois, mandado soltar, pagando 38$354 réis de multa. O estabelecimento linha então os números 92 e 93[hoje n.ºs 201-203].

Café Áurea Peninsular [c. 1910]
Rua Áurea, 195-203
Neste local já tinha funcionado um outro café, fundado em 1801, por Domingos Ardição, ou Ardisson. 
Encerrado c. 1820
Alberto Carlos Lima, in AML
Nota(s): imagem catalogada no AML: [Café Áurea Peninsular na rua dos Sapateiros]

   Em 1827 era dono d'essa casa o José Joaquim da Nobrega, que Ihe poz o nome de café do Nobrega. Este novo proprietario tomou mais duas portas, e a loja ficou assim occupando de numero 89 a 93 [hoje n.ºs 195-203] . (...)
   O antigo café do Nobrega terminou em 28 de junho de 1855, dia em que foi feito leilão do mobiliario constituido por dois bilhares, mezas com pedra, ditas de madeira para jogo de cartas, com seus pannos, cadeiras, candeeiros de gaz e de azeite, relogio, etc.
   O café pertenceu a novo proprietario que o reformou de fond en comble, supprimindo-lhe as antigas sobre-lojas e chrismando-o em café Aurea Peninsular.

Café Áurea Peninsular [c. 1910]
Rua Áurea, 195-203
Neste local já tinha funcionado um outro café, fundado em 1801, por Domingos Ardição, ou Ardisson. 
Encerrado c. 1820
Alberto Carlos Lima, in AML
Nota(s): imagem catalogada no AML: [Café Áurea Peninsular na rua dos Sapateiros] 
  
   O Jornal do Commercio de 16 de outubro de 1855 participava a inauguração do botequim nos seguintes termos: — «Hontem abriu-se no antigo botequim do Nobrega um café denominado café Aurea Peninsular; pertence ao proprietario do do largo de Santa Justa. É  um estabelecimento dos mais decentes de Lisboa. Parece ter pouca luz em consequencia de ser bastante escuro o papel que forra a sala e a casa do bilhar. A cozinha está bem arranjada e com exemplar aceio». 
   Tal era o café Aurea Peninsular que acabava de soffrer, pela terceira vez, outra reforma.[2]

´Publicidade ao Café Áurea Peninsular [1908]

Bibliografia

[1] (Julio Cesar Machado, a sua vida e a sua obra, Diario de Noticias, 1926) 

[2](CARVALHO, Pinto de, Lisboa d'outros tempos II, Os Cafés, pp. 210-211, 1898)

(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol.XII)

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