Wednesday, 12 June 2019

Largo do Mitelo

Fosse como fosse, no fim dos exames do ano de 1871 José Valentim deixa o colégio — sem saudades, e passa a praticante de uma farmácia de Lisboa — a farmácia do Altinho ou da Peça — no Largo do Mitelo. O prédio da botica — em vez da botica está lá hoje uma espécie de baiúca ... — encontra-se no fundo do Largo e faz esquina para a Rua da Bempostinha. Ainda se lá vêem, por cima das portas da antiga farmácia uns azulejos com a palavra Altinho; e à esquina do prédio, que pertenceu aos herdeiros da marquesa de Pomares, está a peça que motivou o nome por que a farmácia era também conhecida.


Estamos no Largo do Mitelo — diz Norberto de Araújo. A designação e dístico municipal deriva da presença simpática dêste palácio de nobre aparência, fazendo esquina com o Largo do Mastro, e que «enche a rua», como diz o povo àcerca de uma coisa vistosa. É das edificações urbanas mais curiosa  do sítio da Bemposta.

Largo do Mitelo [1957]
Ao fundo vêem-se as casa do Altinho; à dir., a Rua da Bempostinha e (parte) do Palácio Mitelo
Armando Serôdio, in A.M.L.

Arruamento na confluência do Paço da Rainha, Rua da Bempostinha e Largo do Mastro que de acordo com Gomes de Brito, se refere ao desembargador Alexandre Metelo de Sousa Menezes (1687–1766) que faleceu no seu palácio erguido neste largo e por corruptela se transformou em Mitelo.
Ainda segundo Gomes de Brito, no mesmo palácio moraram o Conde da Lapa e o Marquês de Pomares, que foi Presidente da Câmara de Lisboa. A ermida do palácio do desembargador Metelo também foi o local de acolhimento do Santíssimo Sacramento da Igreja dos Anjos após 1755 e até à reconstrução do templo.

Largo do Mitelo [1900]
Casa do Altinho, observe-sea os azulejos com a palavra Altinho; à dir., a Rua da Bempostinha e (parte) do Palácio Mitelo
Machado & Souza, in A.M.L.

Bibliografia
PIMPÃO, Álvaro Júlio da Costa, Fialho, 1943.
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, p. 45, 1938.
cm-lisboa.pt.

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