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domingo, 22 de dezembro de 2019

Lojas de Antanho: Casa dos Espartilhos

A fábrica de espartilhos a vapor« «os melhores espartilhos de Portugal», com loja na Rua do Ouro, foi fundada em 1892 pelos empresários Santos Mattos. Isso mesmo é comprovado por um prospecto antigo, exibido na exposição 100 anos-Amadora, na Casa Roque Gameiro. Um folheto mais recente situava na Porcalhota (actual Amadora) a fábrica da casa de espartilhos, cintas e soutiens  — «não tem, no genero, outra que a eguale».
 
Rua Áurea, 123 |1911|
A «Casa dos Espartilhos» à hora da expedição das vendas e encomendas.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente (IP)
 
A rua [do Ouro] tinha duas horas ao dia de um tal ou qual movimento: à entrada e à saída das secretarias. Depois, pelo dia adiante, uma carruagem de vez em quando, alguma traquitana de praça, o omnibus da companhia, e os clássicos carros chiando estridulamente pelos eixos. À noite uma necrópole, um hypogeu de Thebas. Todas as lojas fechadas, um ou outro transeunte a passo dobrado, o pregão soturno dos aguadeiros, a aparição lamentosa da patrulha... 
(Júlio César Machado (1835-1890), «Cláudio», citado por Luís Pastor de Macedo, Lisboa de Lés-a-Lés) 

Rua Áurea, 123 [1911]
A Casa dos Espartilhos ornamentada para o IV Congresso Internacional de Turismo.
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Loja das Meias

A Loja das Meias surgiu há mais de 100 anos, na esquina do Rossio com a Rua Augusta e durante muito tempo vendia somente meias e espartilhos. A história da Loja das Meias confunde-se muito naturalmente com a história da cidade de Lisboa. O local onde se situa o seu primeiro estabelecimento, no gaveto do Rossio com a Rua Augusta, tem sido o palco espontâneo do pulsar da capital. Todos os grandes acontecimentos, desde as visitas dos Chefes de Estado às manifestações políticas e sociais passaram à porta da Loja das Meias. 

Loja das Meias [1917]
Rua Augusta, 1-3; Praça Dom Pedro IV,  291-295
Fotógrafo não identificado, 
in Lisboa de Antigamente

Em 1925 ampliado o espaço por ocupação do primeiro andar, instalado o 1.º elevador em estabelecimentos comerciais e rasgadas as montras, introduzido o conceito de montra temática. Surgem os concursos de montras em que a Loja das Meias ganha numerosíssimos prémios.
Em 1938 realizaram-se obras de modernização da loja, sob o risco do arq.º Raúl Lino e colaboração dos artistas plásticos mais famosos da época, tais como Fred Kradofer e Tomás de Mello, são remodeladas as fachadas exteriores, ampliada a Loja e criadas novas secções, sendo considerado então o mais «parisiense» e luxuoso do Rossio.

Loja das Meias [1917]
Rua Augusta, 1-3; Praça Dom Pedro IV,  291-295
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Com o advento da 2.ª Guerra Mundial passaram por Lisboa, e são clientes da Loja das Meias, personalidades como Primo de Rivera, Duque de Windsor, Elsa Schiaparelli, Jean Renoir, Guillermina Suggia, Barão de Rotschild, rei Humberto de Itália, Carol da Roménia, entre outros.

Loja das Meias [c. 1939]
Rua Augusta, 1-3; Praça Dom Pedro IV,  291-295
Fotógrafo não identificado, 
 in Lisboa de Antigamente

sábado, 19 de dezembro de 2015

Rua Áurea: Iluminações de Natal

Por decreto de D. José, de 1760, ficaram definidos através deste decreto os topónimos dos arruamentos nucleares daquela a que se convencionou chamar Baixa Pombalina. «Nela se acomodarão os Ourives do Ouro, alojando-se nas acomodações que dele sobejaram os Relojeiros e Volanteiros». E é assim que a rua passa a ser identificada pelo vulgo como Rua do Ouro.

Rua da Prata, Rua Áurea. iluminações de Natal [195-]
[Casa dos Espartilhos] 
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

De salientar a existência anterior de uma Rua Nova dos Ourives, ou Rua dos Ourives do Ouro, ou ainda Rua da Ourivesaria do Ouro, topónimo da 2ª metade do séc. XVI, de traçado algo diferente, provavelmente situada na área hoje localizada entre as Ruas de São Nicolau e de São Julião.

Rua Áurea [1959]
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
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