sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Praça de D. Pedro, 94-95, loja de ferragens Viúva Thiago da Silva

Na Praça D. Pedro IV (vulgo Rossio) tornejando para a Rua do Amparo, situava-se a antiga casa Viúva Thiago da Silva & Cª. Lda, denominação de 1850, estabelecimentos de ferragens nacionais e estrangeiras e talheres, cutelarias e utensílios caseiros, «casa de muito crédito e freguesia».

Praça de D. Pedro IV, 94-95 [c. 1910]
Esquina com a Rua do Amparo
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Praça de D. Pedro IV, 94-95 [c. 1910]
Esquina com a Rua do Amparo
Joshua Benoliel,
in Lisboa de Antigamente

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Cabeleireiro da Saúde, à Mouraria

A Rua da Mouraria é um topónimo que faz referência à zona da Mouraria. Este foi local onde ficavam encerrados entremuros os muçulmanos. Com a extinção de judiarias e mourarias decretada por D. Manuel em 1496, a Mouraria de Lisboa tornou-se um arrabalde aberto e cristão onde já em 1551, segundo noticia Cristóvão Rodrigues de Oliveira havia artérias que persistiram até os nossos dias, como é o caso da Rua da Mouraria.

Cabeleireiro da Saúde [195-]
Rua da Mouraria, junto à Ermida de Nossa Senhora da Saúde
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Avenida da República, 74

Este edifício da Avenida da República com traça Art Deco é característico da nova malha urbana, que surgiu ao longo das duas primeiras décadas do séc. XX. Com data de construção de 1920, este prédio sofreu uma intervenção, em 2002, ao abrigo do programa «Recria». Sem esta recuperação o destino do prédio teria sido igual a muitos outros cuja derrocada foi acontecendo pela cidade.

Avenida da República, 74 [c. 1935]
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Avenida Almirante Gago Coutinho

Esta artéria quando da sua construção foi designada por prolongamento da Avenida Almirante Reis (Edital de 17/02/1947). Depois, como consta na informação municipal datada de 23/07/1956, passou a ser conhecida como Avenida do Aeroporto.
O Aero-Club de Portugal sugeriu em 23/07/1956 a atribuição do nome «Avenida Gago Coutinho - Sacadura Cabral» à Avenida do Aeroporto, mas a Comissão Municipal de Toponímia discordou porque « deverá seguir-se a orientação até agora adoptada de só se consagrarem na toponímia da cidade nomes de individualidades que tenham falecido há alguns anos, lembrando, entretanto, que o nome de Sacadura já se encontra atribuído a uma avenida da capital». 

Avenida do Aeroporto |c. 1940|
Actual Avenida Almirante Gago Coutinho
Kurt Pinto, in Lisboa de Antigamente

Gago Coutinho faleceu em 18 de Fevereiro de 1959 e no dia seguinte o Vereador Dr. Baêta Henriques interveio na reunião de Câmara, no sentido de se dar o nome de Gago Coutinho à Avenida do Aeroporto. A Comissão foi de parecer de que « o nome de Gago Coutinho seja atribuído a uma praça ou avenida de maior projecção do que a Avenida do Aeroporto e, possivelmente, junto ao Tejo, na freguesia da Ajuda ou Alcântara, onde aquele ilustre homem de ciência nasceu e viveu a maior parte da sua vida e partiu para a grande viagem que lhe deu renome Universal.» Mais tarde, na sua reunião de 23-06-1959 a Comissão de Toponímia acrescentou que «no entanto deixa ao superior critério do Excelentíssimo Presidente da Câmara a resolução do assunto.”»

Avenida do Aeroporto |1944|
Actual  Avenida Almirante Gago Coutinho
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Assim, desde 2 de Janeiro de 1960, esta via pública que detêm a legenda «Sábio e Herói da Navegação Aérea», homenageia Carlos Alberto Viegas Gago Coutinho (1869-1959), alfacinha que viveu na Rua da Esperança e foi um almirante pioneiro da aviação. 

Avenida Almirante Gago Coutinho |post. 1966|
Estúdio Horácio Novais. in Lisboa de Antigamente

A partir de 1917 tentou adaptar à aeronavegação os processos e instrumentos da navegação marítima, tendo criado em 1919, o famoso sextante que ostenta o seu nome. Publicou «A Náutica dos Descobrimentos» e com Sacadura Cabral realizou, de 30 de Março a 17 de Junho de 1922, a 1ª travessia aérea do Atlântico Sul, entre Lisboa e o Rio de Janeiro.
Por edital de 09/12/1989, o troço desta Avenida compreendido entre a Praça do Aeroporto (vulgo Rotunda do Relógio) e o Edifício do Aeroporto de Lisboa, passou a denominar-se Alameda das Comunidades Portuguesas.[cm-lisboa.pt]

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Praça de Touros do Campo Pequeno

O olisipógrafo Norberto de Araújo caracteriza da seguinte forma este emblemático monumento da capital:
«É uma Praça bonita, decorativa, com suas cúpulas, janelas rasgadas, e a sua patina de tijolo mouro».[2]

A Praça do Campo Pequeno, no gosto árabe peninsular, não é um padrão — é uma reconstituição. Salvaguarda de costumes. Ela grita, exulta, guisalha, estoira foguetes, soa clarins, estridula fanfarras, por todas aquelas que a precederam: as arenas de Xabregas, de Belém, da Junqueira, do Rossio, do Terreiro do Paço; as praças do Salitre, do Campo de Santana, do Campo Pequeno velho. As touradas resistem.  
 
A Praça do Campo Pequeno é o torreão das pitorescas evocações alfacinhas, o testemunho de um pequeno elo que ligou a realeza, a nobreza e o povo na mesma exaltação de garbosidade e de valentia, do brio e do sangue escaldante da nossa gente. Lisboa sem uma praça de touros coxeava nas tradições.» [1]

Praça de Touros do Campo Pequeno [c. 1940]
Judah Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente

«Este sítio do Campo Pequeno, que desde há séculos foi logradouro público, vasto eirado arrabaldino, no qual se realizavam exercícios militares, por vezes paradas, e feiras improvisadas, teve também praça de touros (século XVIII) por pouco tempo, rudimentar, de madeira, é claro, e que não dá crónica suficiente na história da tauromaquia, não passando de um episódio. De resto, em Lisboa «brincou-se aos touros» em todos os sítios, do oriente a ocidente, onde havia terreno livre; quatro tábuas, e estava pronta uma praça. [2]

Praça de Touros do Campo Pequeno [post. 1892]
Regimento de infantaria em exercícios

Chaves Cruz, 
in Lisboa de Antigamente

São de 1741 as primeiras referências à realização de corridas de touros na zona do Campo Pequeno. Aqui foi inicialmente construída uma praça de Madeira, mas como tinha pouca capacidade começaram também a aparecer outras praças em diferentes pontos da cidade. 

Praça de Touros do Campo Pequeno [c.1892]
Francesco Rocchini, 
in Lisboa de Antigamente

Foi então cedido, pelo Município de Lisboa, um terreno baldio na zona do Campo Pequeno onde, já no século XVIII, se tinham efectuado corridas de toiros. As obras de construção da Praça iniciaram-se no principio de 1891 tendo sido projectada pelo arquitecto António José Dias da Silva (1848-1912) e, em 18 de Agosto de 1892 a Praça de Toiros do Campo Pequeno - com a presença da Família Real - abriu as suas portas com uma gala, com pompa e a circunstância adaptada à exigência deste momento alto para a cidade de Lisboa. Actuaram os cavaleiros Fernando Tinoco e Fernando d'Oliveira com touros de Infante da Câmara. Desde então a sua monumentalidade e beleza são emblemas da cidade de Lisboa.

Praça de Touros do Campo Pequeno  [post. 1892]
Chaves Cruz, 
in Lisboa de Antigamente

Este notável edifício foi concebido em estilo neo-árabe pelo arquitecto António José Dias da Silva. Tem uma estrutura circular toda em tijolo, com 4 cúpulas bolbosas de inspiração turca. O redondel tinha 80 m. de diâmetro, coberto com areia, vedado por uma cerca em madeira separada das bancadas por um corredor; estas estão dispostas em círculo, divididas em catorze talhões com 4000 lugares, e duas bancadas superior de cinco filas com estrutura de ferro, tendo, respectivamente, 2100 e 860 lugares. 

Praça de Touros do Campo Pequeno  [c. 1951]
António Passaporte, 
in Lisboa de Antigamente

São encimadas por camarotes e galerias, tendo capacidade para 8438 espectadores que se distribuíam pelas duas ordens dos 165 camarotes e galerias. Encerrada ao público em Junho de 2000, devido ao seu avançado estado de degradação, foi objecto de obras de remodelação, segundo projecto do arq. José Bruschy, com a colaboração dos arquitectos Pedro Fidalgo, Filomena Vicente, Lourenço Vicente, João Goes Ferreira e Gonçalo Teixeira, concluídas em 2006. 

Fotografia aérea da Praça de Touros do Campo Pequeno e arredores [c. 1940]
Judah Benoliel, 
in Lisboa de Antigamente

N.B. O Campo Pequeno foi inaugurado com um espectáculo de Filipe La Féria a 16 de Maio de 2006 e a 18 do mesmo mês com uma corrida de touros tradicional. Actualmente, o Campo Pequeno acumula a sua valência inicial, como praça de touros, com a de sala de espectáculos multiusos com capacidade para: 8770 pessoas., integrada num centro de lazer, que conta também com uma moderna galeria comercial e um parque de estacionamento subterrâneo.
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[1] ARAÚJO, Norberto de, Legendas de Lisboa, p. 83, 1943.
[2] ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 68, 1939.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Beco do Quebra Costas

«Subamos o Quebra Costas. As janelas e frestas que vês, à direita, são as do fundo das capelas do nascente do Claustro de D. Deniz [capelas da ala oriental do Claustro da Sé].»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 40, 1939)

Beco do Quebra Costas [c. 1945] 
A Rua de São João da Praça deve o seu nome a aí estar localizada a Igreja de São João da Praça.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

O Beco do Quebra Costas - assim denominado desde 1823 - teve várias designações ao longo do tempo, a saber: «Beco q atraveça p.las costas da see (1565), Calçada detrás dos Paços do s.or Arcebispo (1651), Calçada detrás da Sé (1652), Calçadinha da Costa (adiante das Cruzes da Sé) (1727), Travessa do Quebra Costas (1801) e finalmente Beco do Quebra Costas (1823).»
(MACEDO, Luís Pastor de, Lisboa de Lés a Lés) 

domingo, 17 de janeiro de 2016

Campo Grande, 78, esquina da Avenida da Igreja, 65

Chamado anteriormente de Campo de Alvalade, Campo 28 de Maio anteriormente Rua Ocidental do Campo Grande, este sítio foi escolhido, durante séculos, para a edificação de solares nobres e algumas vezes destinado a concentração de tropas, como as que D. Sebastião levou para Alcácer Quibir. O arvoredo que transformou o Campo Grande num dos parques mais aprazíveis de Lisboa foi mandado plantar no reinado de D. Maria I.
Só na década de quarenta do século XX, por edital de 23/12/1948, (...) voltou a denominar-se como Campo Grande, designação que se manteve até à actualidade.[cm-lisboa.pt]

Campo Grande, 78, esquina da Avenida da Igreja, 65 [c. 1958]
António Passaporte, in Lisboa de Antigamente

Avenida da República, 36: Casa Branco Rodrigues

Palacete situado frente ao Palacete Valmor, propriedade de José Cândido Branco Rodrigues, da autoria do arqº Manuel Joaquim Norte Júnior, premiado com uma Menção Honrosa pelo júri do Prémio Valmor de 1908. Foi demolido nos anos 1949-1950, dando lugar a um prédio de habitação com 8 andares e lojas no piso térreo.

Avenida da República, 36  [post. 1908]
Esquina da Av. Visconde de Valmor, 27
Antiga Avenida Ressano Garcia (1910)
Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente

Diplomado pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962) é uma figura de enorme importância na construção da imagem arquitectónica de Lisboa e do país, contando com uma imensa produção edificada, dentro da qual vários Prémios Valmor. 
Arquitecto da Casa de Bragança, é também autor de vários projectos, entre os quais os da casa e atelier Malhoa, em Lisboa, o pavilhão D. Carlos no Buçaco, o Palace Hotel da Cúria, o Grande Hotel do Monte Estoril, o Hotel Paris no Estoril e o Palácio Fialho em Évora. A Sociedade a Voz do Operário em Lisboa e a Associação dos Empregados do Comércio em Lisboa, entre muitos outros edifícios e remodelações são também esboços deste importante arquitecto.
As suas obras desenvolveram-se por décadas - desde as de expressão Arte Nova às da fase Art Déco e Modernista – e o seu legado estende-se a outras cidades e vilas portuguesas, nomeadamente aos Açores, Azeitão, Bombarral, Buçaco, Cascais, Curia, Estarreja, Faro ou Sintra.

Avenida da República, 36 e 38 [post. 1908]
Esquina da Av. Visconde de Valmor 
Palacete Valmor, Prémio Valmor de 1906; à direita, palacete  Casa Branco Rodrigues Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1908.
Paulo Guedes, 
in Lisboa de Antigamente
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