quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Avenida Guerra Junqueiro: Iluminações de Natal

Abílio Manuel Guerra Junqueiro nasceu em 17 de Setembro de 1850 em Freixo de Espada à Cinta e faleceu em 7 de Julho de 1923, em Lisboa. Licenciou-se em Direito em Coimbra, durante um período que coincidiu com o movimento de agitação ideológica em que eclodiu a Questão Coimbrã. Foi deputado, escritor e poeta. Manteve uma intensa escrita poética, aderiu ao partido Republicano e regressou à política com a implantação da República, tendo sido nomeado Ministro de Portugal em Berna.
A vida rural inspirou-lhe «Os Simples» (1892), a sua simpatia pelos pobres continua em «Os Pobrezinhos», escreveu «A Velhice do Padre Eterno», uma obra de sátira anticlerical e ainda dentro da sátira política «Finis Patriae» (1890). Destaque ainda para «A Morte de D. João» (1874), poema simultaneamente panfletário, satírico e religioso e «Oração à Luz» (1904). [cm-lisboa.pt]

Avenida Guerra Junqueiro [c. 1970]
«Poeta 1850-1923»
Antiga Avenida do Dr. António José de Almeida, antes Avenida 12 do Novo Bairro no seguimento da Avenida Almirante Reis
Estúdio Mário Novais,
in Lisboa de Antigamente.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Praça João do Rio

Este topónimo surgiu na sequência de uma sugestão de 1945 do Vereador Luís Teixeira no sentido de que fosse colocado na esquina de uma das novas artérias da cidade um medalhão consagrando João do Rio.
De seu nome Paulo Barreto (1881-1921) adoptou o pseudónimo de João do Rio.
Cronista, teatrólogo e contista. Notabilizou-se como o primeiro homem de imprensa brasileira que teve o senso de reportagem de crónica social modernas. Sua estreia no jornalismo se deu no jornal Cidade do Rio (1899). 
 
Praça João do Rio \c. 1953|
Avenida Almirante Reis
António Passaporte, 
in Lisboa de Antigamente
Biblioteca municipal ao ar livre, no jardim da Praça João do Rio |194-|
Avenida Almirante Reis
Horácio Novais, in Lisboa de Antigamente

Fundou o Rio Jornal, A Pátria (1926) e a revista Atlântica (1915), esta última com o escritor português João de Barros. Colaborou também em outros periódicos do Rio de Janeiro, São Paulo e Portugal. Foi fundador e primeiro director da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (1917).

Praça João do Rio, lago|c. 1978|
Avenida Almirante Reis
Gonçalves, 
in Lisboa de Antigamente

Ermida do Senhor Jesus dos Navegantes

Aqui temos no topo da Bela Vista a Ermida dos Navegantes, no prédio n.º 7 e 9, com sua fachada modesta, as suas duas cruzes (de «passo» ou de «estação») em azulejo recortado na fachada.

Havia no Convento da Esperança — recorda o ilustre Norberto de Araújo — desde quase o seu começo, uma Irmandade do Senhor Jesus dos Navegantes e de Nª Sr.ª da Caridade, com capela própria.

Ermida do Senhor Jesus dos Navegantes |1945|
Rua dos Navegantes, 7-9, à Lapa
Segundo Norberto de Araújo — nas suas «Peregrinações» — , o topónimo advém da Ermida do Senhor Jesus dos Navegantes, sendo que a «Rua dos Navegantes — cujo nome data já desde 1715».
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

 

Sobreveio o Terramoto, e os irmãos, tudo gente do mar, como o eram os da Irmandade de N. S. da Esperança, levaram as suas imagens, em grande procissão, para o Campo das Trinas — descampado como a palavra o diz. Só em 1757 se fez erguer esta pequena Ermida, logo objecto de devoção dos marítimos.
À entrada da Ermida, de ambos os lados da porta, vêem-se legendas contando a história da irmandade e a da transferência das imagens para este sítio.

Ermida do Senhor Jesus dos Navegantes, estações da Via Sacra |1945|
Rua dos Navegantes, 7-9, à Lapa
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
 
No altar vêem-se a pequena imagem de e N. S. da Caridade, primitiva, e o Senhor dos Navegantes, esta moderna, pois a autêntica, tosca de factura mas expressiva, carcomida pelas idades, e talvez anterior à constituição da irmandade—respeitável relíquia de arte imaginária — encontra-se na sacristia, A Ermida, que foi restaurada em 1898.⁼⁼
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VII, p. 38, 1938)
 
Ermida do Senhor Jesus dos Navegantes, altar-mor |1945|
Rua dos Navegantes, 7-9, à Lapa
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Rua do Carmo: Iluminações de Natal

«Espreita-me a Rua Nova do Carmo, a nossos pés, e a pique.
Esta Rua Nova do Carmo - o princípio do «Chiado», que hoje por extensão designativa começa logo à saída do Rossio - é relativamente moderna. Ela não existia até ao Terramoto, nem assenta sôbre qualquer caminho ou traçado de pé pôsto, que houvesse antes de 1755.»
(ARAÚJO,
Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VI, p. 82,1938)
Rua do Carmo [1959]
Antiga Nova do Carmo, Iluminações de Natal
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
 

Biblioteca municipal ao ar livre do Jardim Nuno Álvares no Largo de Santos

Assim denominado em homenagem ao ilustre guerreiro português, o jardim situa-se na Madragoa, um dos bairros típicos de Lisboa. É especialmente frequentado pelos moradores do bairro, que lhe chamam Jardim dos Gatos. No seu interior, entre o arvoredo, encontra-se a estátua do escritor português Ramalho Ortigão. De realçar ainda um exemplar de olaia com mais de 7m de altura, perto do máximo de crescimento da espécie
O topónimo Santos-o-Velho, existente neste Largo e na freguesia, advém do Mosteiro de Santos-o-Velho, onde se encontravam as relíquias de três irmãos Santos Mártires (Veríssimo, Máxima e Júlia).
 

Largo de Santos |1949|
Biblioteca municipal ao ar livre do Jardim Nuno Álvares
Mário Novais, in Lisboa de Antigamente
 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Chafariz do Largo do Calvário

Construído em 1852, em calcário branco, tem dois tanques, sendo um utilizado pela população e o outro destinado ao gado.  De desenho muito simplificado e caracterizado pela ausência de decoração, é composto por uma arca de água paralelepipédica, de base quadrada, onde surgem encostadas as duas faces opostas, uma taça assente sobre um pé e uma bacia semicircular. O único motivo de interesse deste fontanário reside no vaso alto, gomeado, com elementos marinhos, búzios e conchas, que surge a coroar o conjunto. muito semelhante ao existente no chafariz do Largo da Princesa 

Largo do Calvário [c. 1940]
Chafariz do Largo do Calvário e, ao lado esq., o Lactário nº 3.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

Encontra-se actualmente na Travessa Teixeira Júnior, chamado também do Largo da Casca, mas inicialmente estava no Largo do Calvário.
(FLORES, Alexandre M.-Chafarizes de Lisboa, 1999)
 
N.B. Depois de uma estadia de décadas no obscuro Largo da Casca, foi recolocado, em 2017, no seu lugar de origem, o Largo do Calvário. 
 
Chafariz do Largo do Calvário [194-]
Largo do Calvário
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Jardim Roque Gameiro

É simpático este Jardim, que evoca hoje na sua placa de mármore o grande mestre da pintura olisiponense que foi Roque Gameiro.
A Estação da Parceria dos Vapores Lisbonenses ainda rudimentar, deve dizer-se — data neste sitio de 1904 e substitui uma primitiva ponte, com seu barracão, e cujos restos ainda ali vês, cem metros a nascente, junto ao terreno marginal das «carreiras» do antigo Arsenal de Marinha. [Araújo, XIII, 1939]

Assim chamado a partir de 1934, e apesar das dimensões reduzidas é possível aqui encontrar alguns exemplares de lódão, jacarandá e tipuana. Nas imediações do jardim existem dois quiosques, um dos quais [em cima à dir.] merece destaque devido à peculiaridade da sua arquitectura — apresenta seis painéis de azulejos Arte Nova, datados de 1915, da autoria de José Pinto. Ao centro do jardim, encontra-se a escultura do pescador «Ao Leme», de Francisco Santos.

Jardim Roque Gameiro, Praça Duque da Terceira [c. 1940]
Estação fluvial 'Parceria dos Vapores Lisbonenses' (dir.).
Eduardo Portugal. in Lisboa de Antigamente

Concebida em 1913, foi inaugurada em 1915. Pensou-se inicialmente em colocar ali a estátua de Camões, mas em seu lugar ficou esta obra de Francisco Santos, decisão que foi tomada depois do aterro ter sido concluído até ao local onde o rio corre actualmente.

Jardim Roque Gameiro, Praça Duque da Terceira [entre 1930 e 1940]
Ao centro, a Estátua «Ao Leme»
Ferreira da Cunha, in Lisboa de Antigamente

De realçar a boa qualidade figurativa que apresenta a obra, assim como o forte sentido de movimento que o tema exibe: a força física do marinheiro firmada na orientação do leme deixa antever a determinação do homem perante os caprichos do rio, ainda selvagem, cruzado até épocas recentes à força de braços. Ali subjacente está o tema do confronto do homem face ao ímpeto dos elementos, personificados pela inclemência do Tejo. (lisboapatrimoniocultural.pt)

Jardim Roque Gameiro, Praça Duque da Terceira [1945]
Estátua «Ao Leme»
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

domingo, 20 de dezembro de 2015

Rua da Beneficência

 (Hospital Curry Cabral)


A homenageada é a 3ª Duquesa de Palmela — e às preocupações beneméritas que sempre teve ao longo da sua vida — , de seu nome Maria Luísa Domingas de Sales de Borja de Assis de Paula de Sousa Holstein (1841-1909) cuja filantropia lhe marcaram um lugar único, nomeadamente, na Assistência Nacional aos Tuberculosos, nos Socorros a Náufragos, em asilos, missões ultramarinas, institutos de protecção à infância e ainda, com sua prima Maria Isabel Saint-Lèger, na fundação das Cozinhas Económicas, de que foi a 1ª presidente. A primeira cozinha foi inaugurada em 1893, na Travessa do Forno (na antiga freguesia dos Prazeres) e surgiram depois as dependências do Regueirão dos Anjos (1894), Alcântara (1895) e de S. Bento (1896).

Rua da Beneficência, antes Largo do Rego à Palma de Cima [1945]
À esquerda a antiga capela do Hospital Curry Cabral, demolida na década de 1950, antigo «Convento das Convertidas de Nossa Senhora do Rosário»; à direita, o Instituto de Reumatologia e a Capela de N. Senhora de Conceição, do Rego. Ao fundo a Avenida de Berna

Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente





 
Maria Luísa Sousa Holstein foi também dama da Rainha D. Amélia, dedicou-se à escultura, havendo trabalhos seus no Museu do Chiado e na Sociedade de Geografia de Lisboa, assim como se interessou pela cerâmica e juntamente com a Condessa de Ficalho fundou a Fábrica do Ratinho no seu próprio palácio. Foi distinguida com a Ordem de Santiago, a Ordem de Santa Isabel, a Ordem de Maria Luísa (Espanha) e a Académica de Mérito da Academia Nacional de Belas-Artes. (cm-lisboa.pt)

Hospital Curry Cabral, demolição da capela [1956]
Cruzamento da Avenida de Berna com a Rua da Beneficência

Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo no sitio onde está actualmente o Hospital Curry Cabral «assentou o Convento das Convertidas de Nossa Senhora do Rosário, de religiosas franciscanas, fundado depois de 1768 por D. Margarida das Mercês de Maré, dama francesa e mais tarde chamado do Rosário e das Dores (...) Deve-se a D. Maria I a ampliação do Real Recolhimento do Rêgo e a construção da Igreja, da qual aí tens apenas a fachada, cujo pórtico é sobrepujado pelas armas reais da «Piedosa».
Extintas as ordens religiosas e morta a última freira, o Recolhimento conventual na aparência e na missão, esteve muitos anos abandonado. Em 1905 foi transformado (Hintze Ribeiro) em Hospital para doenças infecciosas (tuberculose, principalmente), por diligências do prof. Curry Cabral.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 58-59, 1939)

Hospital Curry Cabral [191-]
Rua da Beneficência, antes Largo do Rego à Palma de Cima
Alberto Carlos Lima, in Lisboa de Antigamente
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