domingo, 4 de outubro de 2026

Escola Politécnica — Casa do Novlclado, Colégio dos Nobres Faculdade de Ciências e Jardim Botânico


Estamos diante de um edifício e estabelecimento de ensino superior do qual derivou o nome a esta artéria . 
A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa — recorda Norberto de Araújo — sucedeu à Escola Politécnica como esta substituiu o Colégio dos Nobres, instalado na Casa que fôra do Noviciado da Companhia de Jesus. Só meia dúzia de notícias.
A primeira Casa do Noviciado da Companhia de Jesus existiu Casa do Noviciado em Campolide, numa desaparecida quinta que se situava abaixo da actual Penitenciária, a poente do Parque [Eduardo VII] de hoje; datava de 1595. 
Dois anos depois Fernão Teles de Menezes fez doação aos Padres da Companhia de uns terrenos neste sítio da Cotovia, e que eram da sua Quinta do Monte Olivete. A primeira pedra do edifício do Noviciado foi lançada em 26 de Abril de 1603; concluída em 1616 a Casa, do risco de Baltazar Álvares, entraram os primeiros noviços em 1619. 
A casa do Noviciado, relativamente pequena, possuía uma cerca enormíssima, que ia até ao Rato e ao fundo do Salitre. 

Escola Politécnica |c. 1945|
Rua da Escola Politécnica, 56 (vista para o nascente); Museu Nacional de História Natural.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

A Companhia de Jesus foi extinta em 1759, e logo em 7 de Março de 1761 era criado o Real Colégio dos Nobres, inaugurado em 19 de Março de 1766 pelo Rei D. José, família real e Cardeal Saldanha. O Terramoto fez estragos no edifício, que foi reparado poucos anos depois. 
Em 10 de Janeiro de 1837 foi abolido o Colégio dos Nobres, e no dia seguinte criada a Escola Politécnica dependente do Ministério da Guerra, que foi instalada no velho edifício do Colégio dos Nobres, bem como a Escola do Exército.
Em 22 de Abril de 1843 um incêndio devorou em poucas horas a Escola Politécnica, ficando de pé apenas as paredes. 
Pensou-se logo em levantar um novo edifício, para o que se venderam bens que haviam pertencido ao Colégio dos Nobres e se contraíram empréstimos, funcionando entretanto a Escola Politécnica em instalações provisórias junto do prédio ardido. 
O risco do novo edifício foi do general Silva Costa e do professor Pezarat. O edifício é este que está à vista, e cujas colunas monolíticas pertenceram ao Convento de S. Francisco da Cidade (hoje Faculdade de Belas-Artes de Lisboa) destruído pelo Terramoto. Só em 1878 as obras se concluíram, mas a Escola, que perdera o carácter militar restrito em 1859, funcionava já.

Escola Politécnica |c. 1945]
Rua da Escola Politécnica, 56 (vista para o pente); entrada de acesso para o Jardim Botânico.
Fotógrafo não identificado, in Lisboa de Antigamente

Quando foi criada a Universidade de Lisboa (Março de 1911) a designação de Escola Politécnica desapareceu, passando o estabelecimento a constituir a Faculdade de Ciências de Lisboa, com jardim e institutos anexos. O Jardim Botânico, um dos raros parques naturais dentro da Cidade, foi começado a plantar em 1873, por iniciativa dos professores Conde de Ficalho e Andrade Corvo, e sucedeu ao da Ajuda (1877); ocupa a encosta que desce a norte. Divide-se em duas partes, separadas por uma vistosa escadaria . É considerado por botânicos estrangeiros como uma das maravilhas do sul da Europa. São notabilíssimas as suas espécies, entre elas as palmeiras, na «Rua das Palmeiras», plantada em 1880, de cactus, de cedros, de araucárias, de chorões e bem assim as colecções de plantas de todas as partes do mundo. As estufas e os viveiros constituem uma atracção científica deste jardim. 


Jardim Botânico |1911|
Observatório Astronómico
O chorão, sobre o tanque grande
Joshua Benoliel. in LdA

Jardim Botânico |ant. 1945|
Pormenor da Estufa notando.se ao fundo o
Observatório Meteorológico Infante D. Luís
Estúdio Mário Novais., in LdA



O Observatório Meteorológico, intitulado do Infante D. Luiz, data de 1863, ficando-lhe anexo um Observatório Astronómico, de fundação de Mariano de Carvalho. Uma das instituições mais consideradas da Faculdade de Ciências é o Museu «de Barbosa du Bocage», de História natural, transferido para esta Escola Politécnica da Academia das Ciências em 1858, no qual há magníficas colecções de peixes, de crustáceos, de répteis, de aves, de insectos (em número de 50.000), de conchas, etc. São notáveis alguns dos grandes mamíferos e peixes expostos. As instalações científicas e. jardins de Faculdade de Ciências merecem demorada visita, que te recomendo quando vieres só, e não tiveres tanto a jornadear.

Escola Politécnica |c. 1907]
Rua da Escola Politécnica
Lago construído na sequência da abertura do túnel do Rossio.
Paulo Guedes, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, pp. 27-28, 1939.

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