Sunday, 17 December 2017

Chafariz da Praia de Alfama

Do chafariz dos Cavallos de Alfama [Chafariz de Dentro] — diz Mestre Castilho — saia agua que ia para a praia, onde a Camara entendeu, e muito bem, estabelecer outro chafariz, [...] e a que o povo chamou «da Praia».


Deste desaparecido Chafariz «N.º 20», dito «da Praia» ou «novo», já só nos restam imagens da sua primitiva localização, uma ou outra gravura [vd. 2ª imagem], cartas topográficas [vd, 3ª imagem] as memórias em livro e descrições dos estudiosos.  Aqui damos noticia dele.
Situado a poucos metros do Chafariz de Dentro, para o lado do mar,  visto a antiga muralha oriental de Lisboa passar pelo Largo, separando os dois chafarizes, um tinha que ficar, necessariamente, do lado de dentro — dai o seu nome — e o outro exteriormente à muralha, perto das águas do Tejo, ficava quase na praia., daí o povo se referir ao sítio como Largo do Chafariz da Praia,

Local do antigo Chafariz do Praia [1951]
O local deste chafariz corresponde actualmente ao recinto onde se ergue o Museu do Fado. sito no Largo Chafariz de Dentro, 1, edifício construido em 1888 como antiga Estação Elevatória do Chafariz de Dentro ou de Águas de Alfama
Eduardo Portugal, in AML
  
Já agora te digo — recorda-nos Norberto de Araújo — que era tal a abundância de água neste lugar que em 1640 1625 [Velloso de Andrade:1851], pouco mais ou menos, se construiu ali defronte, ao lado do pátio referido da Companhia das Águas [actual Museu do Fado], no fundo da reentrância que serve agora de depósito do serviço de limpeza da Câmara, um «Chafariz da Praia», que deu nome ao sítio, e cujos restos desapareceram em 1923. ==

Chafariz da Praia, nº- 20
Na placa superior lê-se na inscrição: À custa do foral do povo, 1625
 Gravura, in AML

Este Chafariz foi feito á custa do real do Povo, em 1625 — diz o douto  Velloso de Andrade — e melhorado [acrescentou.se-lhe mais uma bica], e afformoseado em 1836, dando-se de empreitada o acabamento da Obra por 170$000 réis. Recebe a agua do Chafariz N.° 19 [Chafariz de Dentro], e os sobejos correm para o mar. Faz frente ao Norte.
Este chafariz tinha 4 bicas [em 1850 mandou a Câmara construir uma nova bica na parede por traz do dito], 5 Companhias de Aguadeiros, 5 capatazes e cabos, 165 aguadeiros e 1 ligeiro.

Quanto às características especificas e qualidades da água que nele corria, diz-nos a Memória de Velloso de Andrade (bom livro, e bem feito),   que a fundo examinou o assunto:
Fica este Chafariz visinho dos mays em que temos fallado; corre na praia do Tejo por cinco bicas de agoa mays quente [c. 23º Celsius], que a dos outros; e he mays bem reputada, que todas ellas. Os seus mineraes são enxofre, e salitre, como os das outras agoas ; mas tem a differença de que as excede no enxofre e tem menos salitre que ellas. O excesso do enxofre, conhece-se no mayor calor com que nace. A diminuição do salitre: por que não passa tanto os cântaros de barro; nem assentão no fundo delles tantas impuridades, com que parece que he esta agoa mays delgada, e melhor, que as outras, ainda que todas constem dos mesmos mineraes. A que mays se parece com esta, he a do Chafariz dos páos. Todas cozem muyto bem os legumes; e lavão bem com sabão; mas para tudo isto prefere o povo sempre a deste Chafariz. Tem as mesmas virtudes, que a do Chafariz del-Rey; e pode ter os mesmos uzos, que he supérfluo repetir. ==

Levantamento topográfico de Lisboa fragmento [1856]Legenda: a vermelho, o antigo Chafariz da Praia; a verde, o Chafariz de Dentro e as linhas de água que abasteciam o Chafariz da Praia e o tanque das lavadeiras (a azul) no actual Cais da Lingueta; a laranja, o local onde se ergue o Museu do Fado
Levantamento topográfico de Lisboa, sob direcção do Eng.º Filipe Folque, in AML


N.B. Como curiosidade — e à laia de adenda ao verbete do Chafariz de Dentro — referir que este, além de fornecer água ao Chafariz da Praia, abastecia com os seus sobejos, o tanque das lavadeiras que foi feito em 1837. sito no actual Cais da Lingueta, antigo Boqueirão do Tanque das Lavadeiras [vd, 3ª imagem].
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Bibliografia
¹ ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 67-68, 1939.
² VELOSO DE ANDRADE, José Sérgio , Memória sobre Chafarizes, Bicas, Fontes e Poços Públicos de Lisboa, Belém e muitos lugares do Termo., 1851.

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