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Sunday, 26 April 2026

Beco de Santa Helena

Helena (beco de Santa) primeiro à esquerda na rua do Castello Picão, indo da calçadinha de S. Miguel e finda no largo das Portas do Sol, freguezias de S. Miguel 1 a 13, S. Vicente 2 a 12 e 15 a 25. [Velloso: 1869]

Enfiemos por este Beco de Santa Helena na companhia. mais uma vez, do olisipógrafo Norberto de Araújo.
No seu primeiro lanço este beco nada tem de especial, mas no seu segundo, de escadarias, passado o Beco do Garcês, a perspectiva é já repousada, com o ambiente que advém, à direita, dos jardins do Palácio do Conde de S. Miguel (dos Arcos ou do Salvador).

Beco de Santa Helena |c. 1960|
Perspectiva tomada das Portas do Sol antes da remodelação do sítio. Ao fundo
nota-se a 
Igreja de São Vicente de Fora.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Não se desdenha de ser Alfama, mas uma Alfama tranquila, sem gatos nem mulherio, um sítio que não oferece pano para mangas aos escritores que só encontram gracilidade urbanista onde o carácter é plácido e onde não existe nem um cunhal, nem uma gelosia, nem um sinal de povo, nem uma garatuja de nobreza, nem um sopro religiosidade..==

Panorâmica sobre o Beco de Santa Helena |c. 1960|
Perspectiva tomada junto ao nª 21 onde se vêem os frades de pedra. Do lado esq. observa-se o muro do Palácio do Conde de S. Miguel (dos Arcos ou do Salvador) que desemboca no Beco do Garcês.
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Nota(s): Embora se desconheça a data de atribuição do topónimo sabe-se que esta designação é anterior ao Terramoto.
Na Idade Média e na Idade Moderna, os topónimos apareciam de forma natural, inspirados numa atividade, num acidente geográfico, numa propriedade, no nome do proprietário mais importante, numa direção ou, até, em nomes de santos, igrejas, conventos e ordens religiosas.

Beco de Santa Helena |962|
Perspectiva tomada junto ao nª 21 — próximo do Mural História de Lisboa (dir.).
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

N.B. Santa Helena, de família plebeia e pagã, nasceu em meados do século III na Turquia); essa cidade, mais tarde, foi chamada Helenópolis, em sua honra, pelo seu filho e futuro imperador Constantino, o primeiro imperador cristão. Muito piedosa, Santa Helena partiu em peregrinação para a Terra Santa, onde se diz que encontrou a verdadeira Cruz do Salvador.

Beco de Santa Helena |1945|
Perspectiva tomada da Rua do Castelo Picão na direcção do Beco do Garcês.
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 59, 1939.
BACKHEUSER,Everardo, Toponímia: (Suas regras — Sua evolução), 1049.

Friday, 13 March 2020

Cruz de Santa Helena

É um arruamento do qual se desconhece a data de atribuição. Está em São Vicente esta Cruz de Santa Helena, entre o Largo do Outeirinho da Amendoeira e a Calçada de São Vicente, designação que deverá ser anterior ao Terramoto de 1755. 

Cruz de Santa Helena [194-]
Perspectiva tirada da Calçada de S. Vicente
Fernando Martinez Pozal, in Lisboa de Antigamente

Tal como o Beco de Santa Helena, a Cruz de Santa Helena referem-se a uma viúva beatificada como Santa Helena, a quem um oficial romano, de nome Constâncio Cloro, se uniu e assim nasceu Constantino, o primeiro imperador cristão. Diz-se também que Santa Helena foi em peregrinação à Terra Santa e que encontrou a verdadeira Cruz do Salvador.[cm-lisboa.pt]

Cruz de Santa Helena [1899]
Perspectiva tirada da Calçada de S. Vicente
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Saturday, 6 February 2016

Largo das Portas do Sol

Largo das Portas do Sol, topónimo evocativo da porta da Cerca Moura que ali se abria, é uma reminiscência da cidade medieval.
Porta ou Portas do Sol! Cá temos o lanço da muralha, e uma torre ainda erguida — recorda Norberto de Araújo — , que bem se admira da banda de Alfama, e, em muito boa perspectiva, do interior do desprezado jardim da «Casa dos Arcos», aqui na Adiça. Vale uma aguarela. Desta Porta vetusta da Cerca Moura - nada mais há à vista. É gracioso este Largo — Portas do Sol — do qual descem a Calçada de S. João da Praça [hoje Rua Norberto de Araújo], e o evocativo Beco de Santa Helena.

Largo das Portas do Sol [1939]
Ao fundo, a entrada da Rua de São Tomé (antiga do Infante Dom Henrique) e, à direita (depois do muro). o Beco de Santa Helena.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

O Palácio da esquina [com o Largo de Santa Luzia] — enorme casarão que se estende até à Travessa de Santa Luzia, já a tocar o Largo do Contador-Mor — foi pertença dos Viscondes de Azurara.==
(ARAÚJO, Norberto de , Peregrinações em Lisboa, vol. II, p. 71, 1928)

Largo das Portas do Sol [1952]
Largo das Portas do Sol, visto do miradouro do Largo de Santa Luzia
Judah Benoliel, in Lisboa de Antigamente

Friday, 28 September 2018

Travessa das Parreiras

Em suma — diz Mestre Júlio de Castilho — : a Rua do Carvalho, a Rua do Loureiro, a Rua dos Jasmins, a Rua da Era, a Travessa da Era (ou Hera), a Travessa das Chagas Velhas, a Travessa da Laranjeira, ou das Laranjeiras, como dantes se chamou, a Rua das Parreiras, a Rua das Flores, e talvez a Praça das Flores, são risonhas amostras de um quadro que se perdeu, um grande quadro variegado, painel muito florido, a que talvez se apegassem, aqui, ali, nalgum canteiro, nalgum alegrete, nalgum caramanchão, memórias desconhecidas das lindas mãos de Brites ou de Helena de Andrada; e digo lindas, porque Miguel Leitão lá confessa, com ar malicioso, que havia então parentas suas bem formosas.

Travessa das Parreiras [1908]
Perspectiva tomada da Calçada de Santo António na
direcção sa Rua de Santa Marta
Machado & Souza,
in Lisboa de Antigamente

Como refere Castilho, este topónimo de “parreiras” inscreve-se numa antiga tradição popular de designar topónimos indo buscar a sua identidade às disposições dos terrenos ou do local, às circunstâncias naturais, à fauna ou à flora.
Este arruamento — que era uma antiga zona rural — tem início na Calçada de Santo António e finda na Rua de Santa Marta.

Travessa das Parreiras [1908]
Ao fundo a Rua de Santa Marta
Machado & Souza,
in Lisboa de Antigamente

Bibliografia
CASTILHO, Júlio de, Lisboa Antiga, vol. I, p.28.
cm-lisboa.pt.

Friday, 24 March 2023

Calçada de São Vicente

Dizia-se : «este é muito S. Vicente», como agora se diz, com menos razão: «é muito Lapa». Em verdade o sítio de S. Vicente, como expressão dum ambiente alfacinha, característico e simpático — à beira do povo da Alfama — vai muito modificado. [Araújo, VIII, 1938]

O topónimo São Vicente (além da freguesia existe um Largo, um Telheiro, uma Rua, uma Travessa e uma Calçada na toponímia de Lisboa) está indubitavelmente ligado à Igreja que aí se situa.
Este magnifico edifício [Igreja de S. Vicente] foi primitivamente erguido por D. Afonso Henriques para comemorar a tomada de Lisboa em 1147, e por ser em sitio extramuros dela, se denominou de Fora, dedicando-a esse rei ao mártir S. Vicente, que desde então ficou sendo o patrono de Lisboa. [Lacerda: 1874]

Calçada de São Vicente |1899|
Antiga Direita de São Vicente junto à Cruz de Santa Helena
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Sunday, 15 February 2026

A S. Miguel de Alfama

Largo de S. Miguel de Alfama ao centro, recamada de talha de ouro, na sumptuária sacra de seiscentos, esplende a paroquial, templo bairrista cuja primeira fábrica remontava ao século XIII. S. Miguel de Alfama!

Sobem por aí acima até à Adiça e a Santa Helena, em escadarias contorcidas de presépio bíblico, o Beco das Curvinhas (ou da Corvinha), as Calçadas da Figueira e de S. Miguel. Não seria possível a um pintor conceber cousa assim, se ele quisesse criar originalidade de cenário e construir planos de inverosímil lógica urbanística. É arrojo, na Alfama, destacar, dentro do pitoresco, uma gracilidade de outra gracilidade.

Largo e Calçadinha de S. Miguel |c. 1910|
Fachada lateral da Igreja de S. Miguel.
José A .Bárcia, in Lisboa de Antigamente

Eis um alfobre de fantasias que ficaram dos meandros mouriscos. Mas este sitiozinho modelo do génio truculento do acaso é um padrão.
O Largo esmalta-se de casitas excêntricas, como outras não há, tão de sua índole seiscentista, salientes do fundo da fatalidade dos tempos.

Rua do Castelo Picão (N-S) junto ao Beco do Garcês |c. 1910|
O Castelo Picão é uma artéria, relativamente longa - emula da Regueira — que desenhando uma curva, quási em ângulo recto, nos traz do Salvador a S. Miguel». [Araújo: 1939]
Joshua Benoliel, in Lisboa de Antigamente
Nota(s): o local da foto não está identificado no abandalhado amL
Rua do Castelo Picão |1953|
Alfama teve durante os anos de 1950/60, o Concurso de janelas floridas, incluído nas Festas da Cidade.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente

De largo ressalto, janelas minúsculas, beirais engrinaldados de ervas, nascidas do sol e da chuva, cor-de-rosa, maneirinhas — as casas de S. Miguel são cousas de copiar, moldar com dedos de ternura, e colocar como espécimes sobre as mesas de artistas inspirados na humildade. Uma delas, a da esquina do Largo sobre sobre a Rua, semelha uma torre, imposta sobre uma base estreita, que mal pode com ela. Em todas mora a alegria, que nem sequer carece do condimento da resignação. A cantar o «passarinho trigueiro» as mulheres de Alfama, maliciosas e inocentes, redimem o bairro da sua melancolia atávica. E são às dezenas, pela redondeza, os exemplares desta construção, imaginada por oleiros de presépio.

Cai a noite em Alfama: Largo e Beco de S. Miguel visto das Escadinhas do mesmo nome |1961|
«Alfama é, com certeza, uma cousa única nas cidades com consciência do que se devem.
A sua beleza é muito subjectiva. Ali não há possibilidade de se fazer um Museu aberto. O
que se lhe exige é limpeza» [Araújo: 1939]
Artur Pastor, in Lisboa de Antigamente

Muros tisnados sobre os quais caem arbustos. Traseiras, absurdas de branco, que moram no Castelo Picão. Mil janelinhas de roupa estendida, os píncaros da Regueira, o perfil esbelto de uma chaminé, um gato espreguiçado num banho de sol.
Um pregão, uma cantiga vinda de um tugúrio. O voo de uma pomba!
A S. Miguel de Alfama ... 
(ARAÚJO, Norberto de Araújo, Legendas de Lisboa, pp. 60-61, 1943)

Calçadinha de S. Miguel |c. 1940|
R. do Castelo Picão
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente
Calçadinha de S. Miguel |c. 1913|
(Colecção Afonso Lopes Vieira)
Roque Gameiro (1864-1935)







                                         






Sunday, 28 April 2024

Rua Dom João V

Este arruamento foi rasgado no meado da década de 1940 [vd 2ª imagem] na anterior «Rua A à Rua das Amoreiras». O topónimo foi atribuído pela edilidade em 22 de Junho de 1948.
O Edital de 22 de Junho de 1948 veio confirmar a proposta da Comissão de Toponímia datada de 8 de Junho do mesmo ano, que atribuía os topónimos aos novos arruamentos à Rua das Amoreiras, homenagem que incidiu nas seguintes personalidades: Dom João V (Rua A), Custódio Vieira (Rua B), Dom Tomás de Melo Breyner (Rua C) e Cláudio Gorgel do Amaral (Rua D). 

Rua Dom João V |195-|
Perspectiva tomada a partir do terraço do reservatório da Mãe de Água das Amoreiras. 
Helena Corrêa 
Barros, in Lisboa de Antigamente

Dom João V (1689-1750) foi o vigésimo quarto rei de Portugal, e o seu reinado, 1707-1750 (ano da sua morte), foi um dos mais longos da História portuguesa. Nasceu a 22 de Outubro de 1689, e foi aclamado rei a 1 de Janeiro de 1707. Adquire o cognome de «Magnânimo» devido à promoção de obras grandiosas como o Convento de Mafra edificado para agradecer o nascimento do seu primeiro filho varão.
O monarca marcou Lisboa com a construção do imponente Aqueduto das Águas Livres. A ele se deveu também a construção do Convento das Necessidades e da Igreja de Santa Engrácia, transformada no século XX em Panteão Nacional.

Panorâmica tirada da Mãe de Água sobre a Quinta do Biaggi vendo-se a abertura da futura Rua Dom João V |1943-06]
Atalaia (ou mirante?) existente na Quinta do Biaggi.
Eduardo Portugal, in Lisboa de Antigamente

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