domingo, 30 de agosto de 2026

Beco da Cardosa

Cardoza (beco da) primeiro á esquerda na rua de S. Miguel, indo do largo de S. Miguel e finda na rua do Castello Picão, freguezia de S. Miguel 2 a 36 e 1 a 49. [Velloso: 1869]

Cardosa (Beco da) Vide História Genealógica, tomo XI, pág. 388, onde se fala numa tal Cardosa, Irmã de Justa Rodrigues Pereira, a célebre concubina do bispo D. Fr. João Manuel, filho Ilegítimo d'el- rei D. Duarte e casada com Gonçalo Cardoso "o Velho", de Lamego. [Brito: 1935]
Reza assim o texto do autor — o Pe. António Caetano de Sousa — referido atrás pelo olisipógrafo Gomes de Brito:
«Era Irmãa de Maria Rodrigues Pereira, muIher nobre, de quem D. Antonio de Lima, diz fer huma Dona, de bons parentes, a qual fe efcreve fer fegunda mulher de Gongalo Cardofo, o Senhor do Morgado da Taipa, Vedor da Fazenda do Infante D. Fernando, & qual alguns Nobiliários: deraõ
oappellido de Pereira , e outros o de Cardofa [...]»
Seria esta Cardosa, já conhecido no século XVIII, que viu o nome dela aplicado ao beco? Quem souber que responda.

Beco da Cardosa, 9 |c. 1900|
Nada mais curioso do que este enfiamento da Cardosa.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

Este Beco da Cardosa — recorda o ilustre Norberto de Araújo — é cheio de outros becos, nele integrados, e de reentrâncias. Nada mais curioso do que este enfiamento da Cardosa, a lembrar certos pormenores de águas-fortes medievais. Abre por escadinhas, e logo ao cimo delas se nos depara um singular panorama de telhados, empenas amarelas, azuis, rosa, canteiros floridos, janelinhas, sobrelanços que nenhum artista era capaz de conceber: cenografia do acaso urbanista de quinhentos vestido de setecentismo; enfrenta a rua, nascendo do plano inferior, além da cortina gradeada, um. típico prédio de ressalto único, sobre a esquina, e que é um exemplar representativo das casas alfamistas da transição.

Beco da Cardosa, 33-35 |c. 1900|
Ao centro — embebido na parede — observa-se o oratório referido por Norberto de Araújo.
Machado & Souza, in Lisboa de Antigamente

 

Nas escadas topam-se logo à esquerda três espécimes de certo interesse, e ao cabo, à direita entra-ae num recanto, cheio de originalidade, e no qual, se a bizarria bairrista não se ufana de galas, sobram os motivos decorativos, em quatro casas, que não são famosas de gracilidade e numa das quais, n.ꟹ 33-35, existe um nicho ou oratório do Cristo Senhor do Bomfim, embebido na parede, e sobre o qual dança ao vento uma lâmpada de azeite - testemunho de devoção antiga a N. Senhora da Alfama. Mais três prédios pequenos nos chamam a atenção até chegarmos de novo a S. Miguel. Na esquina nascente do Beco e da Rua outro exemplar de edificação típica se nos mostra, para que os olhos não repousem.==

 

Beco da Cardosa, 41 |1960|
A esq. observa-se o Pátio da Parreirinha.
Armando Serôdio, in Lisboa de Antigamente
Beco da Cardosa, 45 |1961|
Arco da Cardosa.
Armando Serôdio, in Lisboa de
Antigamente























Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 59, 1939.

14 comentários:

  1. Linda a cidade de Lisboa 🤩 pena algumas zonas estarem vandalizadas ! Saudades de alguns anos atrás... Obrigada amiga pela partilha

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  2. Meu rico bairro nasci na rua s.miguel rua da galé.

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  3. Adoro o pitoresco de Alfama, Lisboa tem algo que encanta qualquer pessoa que a visite.

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  4. O Beco onde fui criada e k frequentei até aos 45 anos enquanto os meus pais viveram. Saudades.🤗

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  5. Encontrei este blog por acaso quando procurava imagens de Lisboa de arquitetura e construções dos anos 50 até aos anos 70. Triste é verificar que o que de mais bonito foi construido em Lisboa não o foi/é atualmente. Por incrivel que pareça a maioria das estruturas que suportam o dia a dia dos portugueses, incluindo hospitais, ministérios, edíficios públicos, têm dezenas de anos. Houve uma altura, um tempo em que havia dinheiro para investir em obra pública (durante o estado novo construiu-se muito), para urbanizar com nexo, com gosto como se vê em zonas como a avenida de Roma e muitas semelhantes. Existia uma visão arquitetónica, hoje é tudo a cortar as unhas a aproveitar cada mm2 para faturar e bem. Este blog devia fazer parte de pesquisa de estudantes de arquitetura. Não sou de Lisboa nem sou arquiteto, sou matemático, saí da Figueira da Foz para Lisboa em 1993 para estudar e por influência do meu pai que trabalhou no LNEC nos anos 60/70 como desenhador. Sempre adorou a zona de Alvalade, Av. de Roma e proximidades, sempre adorou Lisboa. Fiquei por Lisboa até hoje. Já testemunhei muitas mudanças na cidade desde então mas confesso que já sinto saudades da Lisboa dos anos 90 e gostava de ter vivido a Lisboa dos anos 60, 70, 80. Apesar de não existir EMEL e de se estacionar em qualquer sítio, sinto que era muito menos confusa nos anos 90 do que é hoje, apesar de tudo mais familiar e menos cosmopolita dado que a quantidade de turistas nem se aproximava do que se tem hoje. E sim, apesar de ter casas caras, eram casas acessíveis à maioria das pessoas de classe média/média .... hoje em dia confesso que não me vejo continuar a viver dentro de Lisboa muito mais anos. E hoje em dia certamente não conseguiria comprar casa dentro de Lisboa. É triste ver para onde a cidade caminha ... devia promover-se um equilibrio na dimensão das cidades a nível nacional. Devia fomentar-se o desenvolvimento das cidades do interior.

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    1. Grato pelo apreço mas se não se identificar o sou comentário será apagado.

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    2. Alfama Já não é a nossa Alfama de antigamente, já não cheira a mercados ,já não cheira a peixe

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  6. Très bon souvenir ! c'est ici que nous avions pris le tuk.tuk pour visiter Alfama

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  7. Sem querer ser saudosista e já sendo, bons tempos aqueles hein!!

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  8. Fui muito feliz ai cresci ai brinquei .

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  9. Colorful houses with narrow streets. Hehe. Challenging but it's worth it

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