Sunday, 13 September 2020

Palacete da Quinta dos Lilases

O edifício integrado num espaço amplo e funcional apresentava em 1902 todo um conjunto de equipamentos característicos das quintas de recreio agrícola: cocheira, cavalariças, capoeiras e vacarias, celeiros, estufa, lagos, casa para caseiros, hortas e mata.  


O edifício de cariz romântico, apresenta uma simetria rigorosa na sua fachada virada á Alameda das Linhas de Torres, sendo o seu revestimento de azulejo de fabrico industrial, num interessante tom verde – água, que contrasta com o branco dos elementos em cantaria e do reboco. 
Começou por ser uma pequena casa de habitação em 1886, pertencente a Francisco César Batalha. Na transição dos séculos XIX-XX, Francisco Mantero e Velarde — notável empresário colonial na província ultramarina de São Tomé e Príncipe, onde viveu muitos anos — decidiu comprá-la. Segundo refere Julieta da Cunha Gonçalves: «Com alguns terrenos que foram desanexados da «Quinta das Flores». além de outros que comprou e mais uma faixa de terreno que foi buscar à sua «Quinta das Conchas», Francisco Mantero fez em 1897 a «Quinta dos Lilazes», que durante um quarto de século não parou de engrandecer e alindar. A quinta confronta a poente com a então chamada Rua do Lumiar (também chamada Estrada do Lumiar e Alameda do Lumiar), a norte com a «Quinta das Flores», e com a Quinta de Pimentel Leão, a nascente com a vinha de Aurora Francisca Ribeiro Ferreira e a sul com a «Quinta das Conchas» que também pertencia a Francisco Mantero.

Palacete da Quinta dos Lilases [1968]
Alameda das Linhas de Torres, 198-220
Armando Serôdio, in AML

Na parte traseira do imóvel, destaca-se a intervenção do arq-º Norte Júnior, que em 1916 realizou um curiosa galeria em ferro que, ao nível do 1º andar, une o corpo principal da habitação ao que terá sido um jardim de Inverno ou estufa.
No jardim um lago de formas curvilíneas apresenta ao centro duas pequenas ilhas arborizadas com a forma das ilhas de São Tomé e Príncipe, numa ilusão ás colónias onde Francisco Mantero fizera fortuna. Ladeiam o lago quatro pavilhões em ferro destinados originalmente um para merendas, outro para ginásio, um com baloiço e um com poço para mergulhos.

Palacete da Quinta dos Lilases, jardim [1968]
Alameda das Linhas de Torres, 198-220
Vasco Gouveia de Figueiredo, in AML

N.B. No edifício da quinta, propriedade municipal, encontra-se hoje sedeada a Academia Portuguesa da História e na zona envolvente o Parque das Quintas das Conchas e dos Lilases, que constitui o 3º maior espaço verde da cidade de Lisboa depois de Monsanto e do Parque da Bela Vista. Encontra-se Em Vias de Classificação.
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Bibliografia
Os palácios de Lisboa; lisboapatrimoniocultural.pt.

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