Sunday, 12 June 2016

Fernando de Bulhões, Santo António de Lisboa

Comemoração do VII centenário do nascimento de Santo António


Fernando de seu nome de baptismo, Santo António de Lisboa, (ou Santo António de Pádua), nasceu por volta de 1195, em Lisboa, perto da Sé episcopal, no lugar onde agora está a igreja de Santo António e morreu a 13 de Junho de 1231, em Pádua, na Itália.

Rua do Príncipe [13 de Junho 1895] 
 Setecentista Rua de Valverde (hoje de Primeiro de Dezembro); Praça dos Restauradores
 Comemoração do VII centenário do nascimento de Santo António (1195-1231)
 Chaves Cruz, in AML

Nascido em berço rico e nobre — filho de Martim de Bulhões e de D. Maria Teresa Taveira«gente de bom sangue», «era um pequenito, por vezes traquinas, outras meditativo, muito dado a cismar, ficando, nestes momentos, a olhar as águas do Tejo, onde se reflectiam as grandes velas fenícias dos barcos.» (in Arquivo Nacional, Vol. 6)
Aos vinte anos professou a vida religiosa entre os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, no Mosteiro de S. Vicente de Fora. Ordenado sacerdote em 1220, fez-se frade franciscano no eremitério de Santo Antão dos Olivais, partindo depois para Marrocos em missão de apostolado aos muçulmanos.

Rua do Príncipe [13 de Junho 1895] 
 Praça dos Restauradores (lado ocidental); Hotel Avenida Palace
 Comemoração do VII centenário do nascimento de Santo António (1195-1231)
 Chaves Cruz, in AML

Foi dos mais categorizados representantes da cultura cristã no período de transição da pré-escolástica para a escolástica. Figura notável pela sua erudição, impôs-se também pelo exemplo na pregação solene e doutrinal, na discussão com os hereges e no ensino nas escolas conventuais. Por isso, é ainda hoje considerado uma das personalidades franciscanas mais significativas.
Foi canonizado pelo papa Gregório IX, em 30 de Maio de 1233. Em Pádua foi erigida uma conhecida basílica em sua memória, e lá se encontram as suas relíquias. (infopedia)

Rua do Príncipe [13 de Junho 1895] 
Praça dos Restauradores (lado oriental); Rua do Jardim do Regedor
 Comemoração do VII centenário do nascimento de Santo António (1195-1231)
 Chaves Cruz, in AML

Saturday, 11 June 2016

Convento de Sant'Anna, sepultura de Luiz de Camões

Diz-se que as ossadas de Luíz Vaz de Camões, que se encontram no Mosteiro dos Jerónimos, foram retiradas de um túmulo da Igreja do antigo Convento de Sant'Anna (vd. Fig. 1), onde terá estado depositado o corpo do poeta de 1595 a 1737. Na tentativa de encontrar os ossos do grande épico foram  criadas duas comissõoes: a primeira em 1836 e a  segunda em 1856. Ambas asseguraram ter descoberto os restos mortais de Camões, se bem que em diferentes locais do convento.(vd. Fig 2). Subsistem dúvidas sobre se serão mesmo do autor de "Os Lusíadas", já que não foi encontrado no local qualquer inscrição que o indicasse.

Convento de Sant'Anna, igreja [ant. 1900]
Antiga Rua do Convento de Sant'Anna [actual Rua do Instituto Bacteriológico]
com a antiga Travessa do Convento de Sant'Anna [Rua Câmara Pestana]
Fotógrafo não identificado, in AML

O Convento pertencia à Ordem dos Frades Menores (Ordem de São Francisco), estava situado junto ao  antigo Campo de  Sant'Anna (hoje Campo dos Mártires da Pátria), na freguesia da Pena. Foi extinto em 4 de Maio de 1884, por morte da última religiosa madre Maria da Conceição, tendo sido demolido em 1899 para a construção do Instituto Bacteriológico de Câmara Pestana.

Convento de Sant'Anna [ant. 1900]
Antiga Rua do Convento de Sant'Anna [actual Rua do Instituto Bacteriológico]
Fotógrafo não identificado, in AML

Em 1561, «vinte freiras penitentes que habitavam, em  regra religiosa de Santo Agostinho, um Recolhimento no Castelo, fundado — diz a tradição — por uma prêta chamada simplesmente Ana» (ARAÚJO, 1939), acordaram com a Real Irmandade dos Escravos do Santíssimo Sacramento de edificar o mosteiro junto às paredes da pequena Ermida de Sant'Anna, de que aquela se dizia proprietária, sob a protecção da rainha D. Catarina, mulher de D. João III, lavrando-se escritura da concordata, em 21 de Julho de 1561.

Fig. 1 - Carta topográfica de Folque, Filipe, 1858 [Fragmento ]
Legenda (clicar para ampliar):
Vermelho: Convento de Santana, igreja
in AML

Quando se instalaram as freiras, surgiram discórdias de parte a parte, dissolvidas pelo Terramoto de 1755, visto que destruiu a ermida e desmoronou parte do Convento, obrigando as religiosas a abrigarem-se em barracas feitas na cerca, indo os irmãos de Sant'Anna para São Crispim, à Sé, onde trataram de reedificar a capela com a mesma invocação.

Fig. 2 - Planta do Convento de Santana, igreja, [30 Out. 1899]
Legenda (clicar para ampliar):
Azul: O local das ossadas de Luiz de Camões determinado pela segunda comissão em 1836
Vermelho: O local das ossadas de Luiz de Camões determinado pela segunda comissão em 1856
in O Occidente

Friday, 10 June 2016

Casa de Camões

« Nesta casa, segundo tradição documental, faleceu a 10 de Junho de 1580 Luiz de Camões». O actual proprietário, Manuel José Correia mandou pôr esta lápide em 1867. (...)»

De acordo com Norberto de Araújo «não se pode garantir, em ciência de academia, que «nesta casa morreu Camões», mas pode manter-se, sem perigo de ofender a razão, que «é tradição Camões ter vivido e morrido nesta casa».
E eis, Dilecto, porque não concordo com o parecer (1934) de dois eminentes erúditos e arqueólogos, do meu respeito e amizade — Augusto Vieira da Silva e Gustavo Matos Sequeira — que alvitram que a lápide fôsse apeada; vou, antes, pelo modesto arrazoado de Nicolau Pinto Correia, actual proprietário do prédio, que no mesmo ano replicou, em representação à Câmara Municipal de Lisboa, e pedia «Justiça».»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 29-30, [1939])
 
Calçada de Santana [10 de Junho de 1911]
Descerramento da lápide comemorativa na casa onde morreu Luiz de Camões

Joshua Benoliel, in AML

[...]
Vivo em lembranças, morro de esquecido
De quem sempre devera ser lembrado,
Se lhe lembrara estado tão contente.

Oh quem tornar pudera a ser nascido!
Soubera-me lograr do bem passado,
Se conhecer soubera o mal presente.
(Luiz Vaz de Camões, in "Sonetos")

Calçada de Santana [c. 1960]
Casa onde morreu Luiz de Camões

Arnaldo Madureira, in AML

Thursday, 9 June 2016

Theatro da Trindade

Numa noite de sábado, 30 de Novembro de 1867, o Theatro da Trindade abria pela primeira vez as suas portas, nascendo assim aquele que viria a ser, e permaneceu ao longo destes 140 anos, um dos mais importantes e belos Teatros de Lisboa. Alguns anos depois, em 1888, foi tornada pública a 1.ª edição de «Os Maias», talvez o mais notável romance de toda a literatura portuguesa. Nele, o seu autor, Eça de Queiroz, imaginou uma significativa cena passada neste teatro, «O Sarau do Teatro da Trindade».
« Carlos sossegou: e Ega voltou a falar dos inundados do Riba-Tejo e do sarau literário e artístico que em beneficio deles se «ia cometer» no Salão da Trindade... Era uma vasta solenidade oficial. Tenores do parlamento, rouxinóis da literatura, pianistas ornados com o habito de S. Tiago, todo o pessoal canoro e sentimental do constitucionalismo ia entrar em fogo. Os reis assistiam, já se teciam grinaldas de camélias para pendurar na sala.»
(QUEIROZ. Eça de, Os Maias, 1888)
Theatro da Trindade [1866]
 Largo da Trindade; Rua da Misericórdia; Rua Nova da Trindade
 Francesco Rocchini, in BNP
 
Foi no lugar onde antes do Terramoto de 1755 se situava o Palácio dos Condes de Alva — quando o centro social e cultural da cidade se situava exactamente nesta área, entre o Chiado e o Bairro Alto —  que se ergueu este Salão (de Bailes) da Trindade. Abriu no Carnaval de 1867 com baile de máscaras, mas o Teatro propriamente dito só foi inaugurado em 30 Novembro do mesmo ano, numa estreia de gala a que compareceu a família real para ver a nata dos actores da época representar um drama “A Mãe dos Pobres, de Ernesto Biester) e uma comédia  em  1 acto “O Xerez da Viscondessa”
O Teatro da Trindade deve a sua existência à iniciativa do empresário, homem de letras e director teatral Francisco Palha (1824-1890). Foi ele que em 1866 constituiu uma Sociedade, de que faziam parte o Duque de Palmela, Ribeiro da Cunha, Frederico Biester e outros, destinada à construção do novo teatro, que viria a ser desenhado pelo arq.º Miguel Evaristo de Lima Pinto. As pinturas do, tecto são de José Procópio, discípulo de Cinatti. Os bustos na fachada do Largo da Trindade são os de Gil Vicente, António Ferreira, Damião de Góis e Sá de Miranda.O Teatro, incluindo edifício, salões e materiais, custou 120 contos. [1]

Theatro da Trindade [c. 1910]
Rua Nova da Trindade; Largo da Trindade; Rua da Misericórdia
Joshua Benoliel, in AML
 
Desde então, a história deste teatro está ligada a alguns dos acontecimentos culturais mais marcantes na cidade de Lisboa: foi no salão da Trindade que, em 1879, foi apresentado aos lisboetas o fonógrafo de Edison ou o relato do explorador Serpa Pinto sobre a sua travessia de África, foi aqui que actuaram, anos mais tarde, intérpretes do calibre do violinista Sarrazate e do pianista Viana da Mota (que no Salão da Trindade deu o seu primeiro concerto público, com apenas 12 anos de idade), foi ainda neste salão que, a partir de 1909, se apostou forte na exibição de cinema, sendo de registar, em 1914, a exibição da (à época) superprodução, "Quo Vadis", de Enrico Guazzoni (1912).
 
Teatro da Trindade [[1960]
Rua Nova da Trindade; Largo da Trindade; Rua da Misericórdia
Arnaldo Madureira, in AML
 
Testemunho de outras épocas, o Trindade transporta consigo a memória de um tempo em que a burguesia alfacinha ia às soirées ao Chiado, a um dos três teatros que ainda hoje se mantêm nessas poucas ruas: o S. Carlos, O S. Luís (então chamado Rainha D. Amélia) e o Trindade. Mas, provavelmente devido à novidade e aos requintes de decoração e apetrechamento, que incluíam um engenhoso sistema de ventilação da sala, o balcão — o primeiro a aparecer numa sala de espectáculos do país — e uma plateia que podia subir até ao nível do palco e assim permitir a realização de bailes, o Trindade rapidamente se transformou no teatro mais chique da capital. [2]

[1](ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VI, p. 66)
[2](teatrotrindade.inatel.pt)

Tuesday, 7 June 2016

Rua de Santo António à Estrela: demolição de um arco do Aqueduto das Águas Livres

Este arco sito na do Rua de Santo António à Estrela era parte do Aqueduto do Convento da Estrela, ramal subsidiário do Aqueduto das Águas Livres ou Galeria das Necessidades, que conduzia a água para os chafarizes de Campo de Ourique, da Estrela, da Praça de Armas e das Terras. 

Convento do Santíssimo Coração de Jesus e Arco do Aqueduto sobre a Rua de Santo António à Estrela [ant. 1885]
Em 1885, as dependências conventuais são entregues à Fazenda Nacional, para instalação dos Serviços Geodésicos, depois Instituto Geográfico e Cadastral
Fotógrafo não identificado, in AML


Partia do Arco do Carvalhão terminando na Tapada das Necessidades, onde nascia outro ramal à superfície, que atravessava o Vale da Cova da Moura, actualmente a Avenida Infante Santo, até às Janelas Verdes, abastecendo o respectivo chafariz; a abertura da Avenida implicou a sua demolição. 

Rua de Santo António à Estrela: demolição de um arco do Aqueduto [10 de Abril de 1897]
O último prédio alto à esquerda, com portal abobadado, era o edifício utilizado para recolha
dos elevadores Estrela-Camões; à direita, a antiga Cerca do Convento da Estrela
(ou Sagrado Coração de Jesus,hoje pavilhão do Hospital Militar);
ao fundo, a Igreja e Antigo Convento de Nossa Senhora da Estrela (Hospital Militar Principal)

Fotógrafo: não identificado, in AML

Foto, inscrição no original: «Demolição do Arco Grande do Aqueduto, na Rua de Santo António à Estrela, arriado em 10 de Abril de 1897 pelos operários da secção de obras da Exma Câmara Municipal de Lisboa, foram entregues no depósito do Edificio da Estrela em 10 de Agosto do mesmo anno duas torneiras de bronze que pezavam a 1.ª 117,0 Kilos e a 2.ª 115,0 Kilos no total de 232,0 kilos.»

Levantamento topográfico de Francisco Goullard, (1882)]: n.º 163
Planta referente ao estado da rua de Santo António à Estrela, em Outubro de 1890. Localização do Arco Grande do Aqueduto do Convento da Estrela
(Clicar para ampliar)


Recolha dos elevadores Estrela-Camões, demolido em finais de 1941
Praça da Estrela; a esq., a Rua Domingos Sequeira e, à dir., a Rua da Estrela

(Este prédio é aquele que se pode observar do lado esquerdo na 2.ª foto) 
Eduardo Portugal, in AML

Sunday, 5 June 2016

Chafariz da Armada

Este chafariz era o chafariz das Necessidades construído em 1845-46, estando previsto a sua transferência para a Calçada do Livramento, mas acabou por ficar em Alcântara, em frente ao Quartel do Marinheiros. A sua construção, em cantaria de calcário lioz, iniciou-se em Julho de 1845, sendo encanado no canto do muro da Quinta das Necessidades, prosseguindo pela frente do Palácio, descendo até à Praça da Armada.

Chafariz da Armada  ou Chafariz de Alcântara [c. 1950]
Praça da Armada 
A Praça da Armada foi denominada Largo de Alcântara,
Praça de Armas e da Marinha, e vulgarmente Largo dos Marinheiros;
não oficialmente, era conhecido por Praça do Baluarte

António Passaporte, in AML

Crê-se que as carrancas que ostenta pertenciam ao Chafariz do Campo de Sant'Ana. Foi concluído em 28 de Março de 1846 e orçou em 3:115$961 réis. O chafariz tem planta circular, ladeado por dois tanques para o gado e por quatro bacias com as respectivas bicas para o povo no nível superior para o qual se sobe uma escada de três degraus. No topo tem uma estátua de Neptuno que se diz pertencer ao demolido Chafariz do Campo Grande após a sua demolição em 1850.

Chafariz da Armada  ou Chafariz de Alcântara [1968]
Praça da Armada 
A Praça da Armada foi denominada Largo de Alcântara,
Praça de Armas e da Marinha, e vulgarmente Largo dos Marinheiros;
não oficialmente, era conhecido por Praça do Baluarte

Armando Serôdio, in AML

Os apainelados da face frontal possuem, no painel superior, as armas da cidade, surgindo, no inferior, uma inscrição pintada a preto: N.º 10. CAMARA MUNICIPAL 1845. Em 1846 tinha ao serviço 2 companhias de aguadeiros e 66 aguadeiros.

Chafariz da Armada  [entre 1903 e 1908]
Praça da Armada
A Praça da Armada foi denominada Largo de Alcântara,
Praça de Armas e da Marinha, e vulgarmente Largo dos Marinheiros;
não oficialmente, era conhecido por Praça do Baluarte

Charles Chusseau-Flaviens, in GEH
* O local não se encontra identificado pelo fotógrafo

Saturday, 4 June 2016

Os alfacinhas vão a banhos: praia de Algés

Invocando aquilo que consideravam ser a «decência pública», o Estado Novo preconiza o condicionamento dos comportamentos permitidos nas zonas balneares através de uma série de regulamentações que surgiam no Decreto-Lei nº 31.247, de 5 de Maio de 1941, incluindo penalizações pecuniárias entre os trinta escudos (0.15€) e os cinco contos (25€) para os prevaricadores, uma verdadeira fortuna para a época. De acordo com o referido decreto, eram estas as «condições mínimas» a que deviam obedecer os fatos de banho, específicas para homens e mulheres:

Praia de Algés [1912]
 «Um salto custoso!»
Joshua Benoliel, in AML
  
Homens: «Fato inteiro em que o pano anterior se prolonga cobrindo toda a frente do calção, de costura a costura lateral. O calção deve ser justo à perna, de corte direito e terá um comprimento de perna mínimo de dois centímetros. A frente do fato, qualquer que seja a forma do decote, deve cobrir a parte anterior do tronco, tapando os mamilos. As costas podem ser decotadas até à cintura.
(...) Não é permitido o uso de fatos que se tornem imorais pela sua transparência e pela excessiva elasticidade do tecido. (…)

Praia de Algés [1912]
«Agora é que vai!»
Joshua Benoliel, in Ilustração Portuguesa

Mulheres: «O fato de banho para senhoras deve ser inteiro e ter saiote fechado. O calção interior é justo à perna, de corte direito e deve ter o comprimento de perna mínimo de dois centímetros.
O saiote, que pode ser independente do corpo do fato, terá o comprimento necessário para exceder, pelo menos de um centímetro, a extremidade inferior do calção depois de vestido.
A frente do fato deve cobrir a parte anterior do corpo, não podendo o decote ser exagerado, a ponto de descobrir os seios. As costas poderão ser decotadas até dez centímetros acima da cintura, sem prejuízo do corte das cavas que devem ser, quanto possível, cingidas às axilas.»

Praia de Algés [1912]
«Nada como um banho revigorante
Joshua Benoliel, in AML

Friday, 3 June 2016

Rua de Arroios: a Fábrica de Cervejas «Leão» e a Escola Estephania

 « O sítio de Arroios — que já é senhor da categoria de bairro — e do qual nos aproximamos, ainda hoje possue, se bem te avisares ao passeiá-lo, um certo ar de subúrbio urbanizado.
   Do lado direito da Rua, ou seja na linha do nascente, as edificações correspondem na sua grande maioria  ao século actual [o autor escreve em 1938/39].  (...) Dilecto, em menos de oitenta anos esta Rua — que é-apesar-de tudo a a única artéria resistente de toda a área dos Anjos ao Areeiro — muito se tem modificado.

Fábrica de Cervejas Peninsular, Rua de Arroios, 46-48 [1908?]
Neste local existiu a Fábrica de Cerveja Leão
fundada em 1878 por José Varela e Jacinto Franco; ao fundo os prédios da então Av. D. Amélia hoje Av. Almirante Reis; à direita, a antiga Tv. do Forno do Tijolo, hoje Rua Frei Francisco Foreiro, e, onde se vê a placa toponímica identificando o «Regueirão dos Anjos», o muro do Palacete Villa Braz Fernandes onde funcionava.a Escola Estephania.
Machado & Souza, in AML

   Vês este prédio moderno na esquina da Rua Francisco Foreiro (também nova) e da Rua de Arroios onde tem os n.ºs 46 a 48, e que é hoje uma serração de madeiras? Pois foi, até 1916(?), a famosa Fábrica de Cervejas «Leão», que refrescou não apenas nossos pais mas também nossos avós. Tinha então um pátio grande, que ainda hoje se desenha, alterado na fisionomia; eram casas e terrenos dos Condes de S. Miguel.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 79-81)

Na outra esquina da Rua Francisco Foreiro, defronte à Fábrica de Cervejas Peninsular (sucessora da «Leão»?), ficava o Palacete Villa Braz Fernandes que albergava a Escola Estephania. Vale a pena a leitura do anúncio publicado no Almanak de "O Mundo" de 1908. Fica aqui um excerto para aguçar o apetite.
«[...] As línguas, no curso commercial são ensinadas praticamente. A alimentação dos alumnos internos e semi-internos é abundante, variada e preparada com generos de primeira qualidade; [...] O actual proprietário encontra-se, a toda a hora do dia ou da noite, no edifício da Escola, salvo caso de força maior; [...]»

Escola Estephania [c. 1908]
Adjacente à fábrica de cervejas ficava o Palacete Villa Braz Fernandes, Regueirão dos Anjos
Perspectiva tirada da Rua de Arroios; à esquerda a antiga Tv. do Forno do Tijolo, hoje Rua Frei Francisco Foreiro

Fotógrafo não identificado, in AML

[Fragmento] Planta Topográfica de Lisboa: 1911, Pinto, Júlio António Vieira da Silva, in AML
Legenda (clicar para ampliar):
Vermelho: Rua de Arroios
Verde: Rua Frei Francisco Foreiro (antiga Tv. do Forno do Tijolo)
Laranja: Regueirão dos Anjos
Amarelo: Fábrica de Cervejas «Leão» (Peninsular)
Azul: Escola Estephania
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