Thursday, 5 May 2016

Passeio pedonal dos Arcos no Aqueduto das Águas Livres

O Aqueduto, construído entre 1731 e 1799, por determinação régia, desenvolve-se ao longo de 14.100 metros de comprimento com início nas nascentes localizadas no Vale de Carenque, até ao reservatório da Mãe de Água em Lisboa. No entanto, em toda a sua extensão, o aqueduto das águas livres tem 58.135 metros, incluindo nascentes, ramais e galerias subterrâneas. O seu nome deve-se ao facto de as águas correrem apenas pela força da gravidade, isto é, livremente.
Ao chegar a Lisboa, o aqueduto tem, no Vale de Alcântara, dois passeios pedonais de 941 metros, sobre 35 arcos, 14 em ogiva e os restantes de volta perfeita, «contendo o maior arco de pedra do mundo, com 65 metros de altura e 28 de largura».
Estes arcos resistiram ao terramoto de 1755, porque, segundo vários especialistas, as suas fundações estão assentes em dois maciços rochosos do Cretáceo Superior. Outras opiniões defendem que a resistência se deveu ao ângulo formado pelos arcos, que lhe terá permitido a mobilidade suficiente.

Passeio pedonal dos Arcos no Aqueduto das Águas Livres [c. 1912]
Vale de Alcântara, Campolide
Paulo Guedes, in AML
 
O Aqueduto das Águas Livres - projectado por Manuel da Maia - é um dos maiores «ex-libris» da cidade de Lisboa - reabriu em Março de 2014 ao público. Já pode visitá-lo entre Sábado e Terça-Feira, entre as 10h e as 17h30, até Novembro, segundo informação da EPAL.
 

Wednesday, 4 May 2016

Rua Conde de Sabugosa

A artéria perpetua a memória de António Maria José de Melo Silva César e Meneses (1854 - 1923), que foi o 5º Conde de Sabugosa.
Formado em direito pela Universidade de Coimbra, seguiu a carreira diplomática e chegou a ministro plenipotenciário; foi também Mordomo-Mor da Casa Real após a implantação da República e viveu alguns anos no exílio.
Foi também um escritor que integrou o Grupo dos Vencidos da Vida, abarcando a sua obra contos, crónicas, poesias, peças de teatro e monografias sobre casos e figuras históricas, sendo de destacar o seu romance histórico «O Marquês de Pombal». (cm-lisboa.pt)

Avenida Rio de Janeiro Rua Conde de Sabugosa [1960]
Esquina com a Avenida de Roma

Arnaldo Madureira, in AML

Tuesday, 3 May 2016

Rua Primeiro de Maio

A Rua Primeiro de Maio - antes Rua de São Joaquim, ao Calvário -. consagra na toponímia a festa universal dos trabalhadores determinada no Congresso Internacional dos Trabalhadores. Este topónimo foi atribuído em Agosto de 1911, após a proclamação da República em Portugal.

Rua Primeiro de Maio [1912]
Legenda da fotografia no arquivo: varinas em greve, pelo direito de comprar o peixe no novo mercado de Santos.
Joshua Benoliel, in AML

Os prédios à esquerda, a começar nos que ali se vêem entaipados com o número de polícia 46-52, até ao Convento das Flamengas - o sentido do trânsito à época fazia-se pela esquerda - ainda lá estão. Os primeiros prédios à esquerda, do nº 54 ao nº 90 foram demolidos e no seu lugar estão hoje os pilares da ponte 25 de Abril que sobrevoa a Rua Primeiro de Maio. Ao fundo, o último edifício do lado esquerdo o Convento das Flamengas, fundado em 1582 e dedicado a Nª Sra. da Quietação.

Monday, 2 May 2016

Rua Tomás Ribeiro, 4-6

 Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909

 

 «Tomemos pela Rua Tomaz Ribeiro (antiga do Sacramento), e que, como a das Picôas, foi anterior à urbanização do fim do século. Ainda, à esquerda, se lhe notam nalgumas pitorescas casas reminiscências do tempo velho.» [1]

Este edifício — com projecto da autoria do arqº António do Couto Abreu, propriedade de João António Marques Sena —. foi premiado com 4º Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909. Demolido em 1954, ocupando agora o seu lugar um edifício de escritórios.

Rua Tomás Ribeiro, 4-6 [c. 1909]
Esquina da Rua Viriato
Joshua Benoliel, in AML

Por edital da C.M.L. de 1907, a antiga Rua do Sacramento, que era a continuação da Estrada da Cruz do Tabuado, à esquerda indo da Rua Gomes Freire, que começava na esquina da Rua do Chafariz de Andaluz e findava no Largo de São Sebastião da Pedreira, passou a denominar-se Rua Tomás Ribeiro.
Este arruamento homenageia Tomás António Ribeiro (1831-1901), conselheiro do Partido Regenerador licenciado em Direito que foi parlamentar eleito por Tondela, onde nasceu; presidente das câmaras municipais de Tondela e do Sabugal; governador civil do Porto e de Bragança; ministro da Marinha (1878), da Justiça (1879), do Reino (1881) e das Obras Públicas; diplomata e ainda, poeta romântico e dramaturgo. (cm-lisboa.pt)

[1](ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p.827)

Sunday, 1 May 2016

«Pela Direita»

Na manhã de 1 de Junho de 1928 o trânsito em Portugal passou a fazer-se pela direita. Foram criados dísticos Pela Direita que foram espalhados um pouco por todo o lado, contribuindo assim para a boa ordem da circulação automóvel. Apesar destas medidas não tardaram os primeiros acidentes, como esta fotografia tão bem documenta.

Acidente automóvel no Largo do Chiado, esquina da Rua António Maria Cardoso [1928]
Ao fundo, podemos ver um dos sinais pendurado na Praça de Luís de Camões
Mário Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.

O primeiro código da estrada português publicado em 1928 era muito mais completo e apresentava outra estrutura relativamente ao regulamento para a circulação de automóveis de 1911, que revogou. Portugal acompanhava, assim, os restantes países europeus que publicaram, a partir dos anos vinte, os seus primeiros códigos da estrada, harmonizando-os com os regulamentos internacionais. Ao contrário do regulamento de 1911 que se aplicava apenas aos veículos automóveis, o código da estrada de 1928 aplicava-se também a todos os peões, animais e veículos que circulassem na estrada, integrando esse princípio da convenção para a circulação em estrada. Ainda incluiu o que era definido nessa convenção relativamente à necessidade de todos os veículos, mesmo os de tracção animal, terem um condutor e terem, pelo menos, uma luz branca na parte da frente para a circulação durante a noite. Integrou também o princípio da uniformização do sentido da circulação, definindo-o pela direita, de acordo com o que estava a ser uniformizado na Europa continental, e também a prioridade ter de ser dada aos veículos que viessem da direita (o mesmo lado do sentido de circulação). 

Início da circulação pela direita a 1 de Junho de 1928
Os sinais colocados pelo Diário de Notícias e pela Vacuum Oil Company

A discussão do sentido de circulação já tinha sido feita durante a Convenção de Paris de 1909, mas foi rejeitada em plenário, em parte porque os fabricantes de automóveis defendiam que a circulação deveria ser à esquerda, porque a maioria dos carros fabricados tinham volante à direita. Nos anos vinte começaram a ser fabricados na Europa carros fechados e carros com volante à esquerda. Portugal era dos poucos países que tinham ainda a circulação pela esquerda, alterada pela resolução do novo código da estrada que era consequente com a convenção de Paris de 1926, o que gerou alguma contestação. Com a censura em vigor, alguma imprensa aproveitou esta alteração do sentido da circulação para comentar a orientação política da Ditadura Militar. (Maria Luísa de Castro Coelho de Oliveira e Sousa, A mobilidade automóvel em Portugal. A construção do sistema sócio-técnico, 1920-1950)

“Pela direita”. Em 31/5/1928, o “Sempre Fixe” de Pedro Bordallo e o “Ecos da Semana” de Carlos Botelho contornavam a censura, comentando a orientação do regime em paralelo com a mudança do sentido de circulação

Saturday, 30 April 2016

Estrada Marginal da Costa do Estoril, Forte de São Julião da Barra

Foi a primeira estrada de turismo do País. Pelo menos foram essas as palavras do ministro das Obras Públicas, engº Duarte Pacheco, quando anunciou a construção da Estrada Marginal da Costa do Estoril (EN 6). O plano era ligar Lisboa a Cascais com uma via que realçasse a paisagem. Concluída em Junho de 1942, começou por ser usada pelos poucos portugueses que tinham automóvel e faziam passeios ao fim-de-semana. Mas depressa a estrada turística se tornou pequena para tanta procura.

Estrada Marginal Lisboa-S.João do Estoril [post. 1960] 
Carcavelos, ao fundo o Forte de São Julião da Barra
Estúdio Mário Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.

A baía em forma de cotovelo situada na margem da barra do Tejo, que Damião de Góis descreveu em 1554, foi o local escolhido por D. João III para edificar uma grande fortaleza que assegurasse a defesa, fundamental, da entrada marítima de Lisboa. As obras iniciaram-se entre 1553 e 1556 embora pouco tenham avançado até à morte do rei, no ano de 1559.
O projecto primitivo do Forte de São Julião é atribuído ao arqº Miguel de Arruda, e até 1579 registaram-se obras na estrutura fortificada. Na sua construção participaram os mais conhecidos militares e engenheiros ao serviço do reino, como Leonardo Turriano ou Capitão Fratino. Partindo de um núcleo de reduzidas dimensões, esta fortificação foi-se modificando, ampliando e adaptando às novas exigências que foram surgindo ao longo dos anos. 

Estrada Marginal Lisboa-S.João do Estoril [post. 1960] 
Ao fundo, o Forte de São Julião da Barra
Estúdio Mário Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.
 
Assim como outras fortificações, também São Julião da Barra serviu de prisão militar e política. Foi célebre o caso do General Gomes Freire de Andrade, que esteve detido em São Julião da Barra e foi executado no terreno anexo à fortificação.
A 22 de Agosto de 1951 perde a sua função militar para assumir a passagem a novas funções de estado e de recepção de eventos políticos. Aqui, além de outros, estiveram instalados, em 1951 o General Eisenhower e no ano seguinte o Marechal Montgomery.
São de salientar as esplanadas, as casamatas em abóbada e a cisterna onde com regularidade ocorrem iniciativas culturais. 

Forte de São Julião da Barra [c. 1910] 
Carcavelos, ao fundo o Forte de São Julião da Barra
Alberto Carlos Lima, in AML

Friday, 29 April 2016

Profissões de antanho: o moço de fretes

O moço de fretes ou moço de esquina, como também era conhecido, foi uma instituição de Lisboa. Normalmente eram homens oriundos da Galiza, embora entre eles se contassem muitos elementos das nossas Beiras. Gente pacífica, honrada e mansa no trato, a esses homens podia entregar-se, utilizando os seus serviços, uma carta confidencial que, pressurosos, iam levar ao seu destino; valores ao penhor, de gente de bom-tom que se escondia; transporte de mobílias e outros carregos e até puxar as pequenas bombas de incêndio pelas ruas estreitas dos bairros populares. 

Largo do Chiado, esquina com a Rua Nova da Trindade [1912]
Joshua Benoliel, in AML

Todavia, a sua maior actividade era transportar mobílias, de casa para casa, nas mudanças que os lisboetas então faziam com frequência, porque havia casas para alugar! Era vulgar ver-se escritos nas janelas, sinal de que as casas estavam devolutas, e os alfacinhas, sobretudo as senhoras, adoravam mudar de domicílio. Bons tempos!

Calçada do Combro [1907]
Joshua Benoliel, in AML

Os moços de fretes, os galegos como eram conhecidos, encarregavam-se desses serviços, desarmando em casa os móveis e acomodando-os nas padiolas, amarrados com boas cordas. Depois de tudo empoleirado, dois ou quatro homens, consoante o volume e o peso, a passo certo, cadenciado, mas alternado, seguiam com a tralha para a nova residência onde rearmavam tudo com muito cuidado, no que eram mestres. Só que quando algo se partia, logo tinha justificação: - Tenha paxiêrixia, acontexe!...

Rua Rodrigo da Fonseca com a Rua Barata Salgueiro  [1908]
Joshua Benoliel, in AML

Calçada do Carmo [entre 1903 e 1908]
Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House

Era curiosa a forma como se auxiliavam no transporte com a padiola: dois à frente e dois atrás, com um grosso pau de carga que eles suportavam aos ombros, adoçando o incómodo com chinguiços - pequenas almofadas em forma de ferradura que ajustavam ao pescoço - e assim aguentavam o peso bem equilibrado.

Rua do Comércio com a Rua dos Fanqueiros [1910]
Joshua Benoliel, in AML

Praça do Comércio |Terreiro do Paço|  [entre 1903 e 1908]
Charles Chusseau-Flaviens, in George Eastman House

Os moços de fretes ou de esquina agrupavam-se em vários locais da cidade nas praças principais, como o como o Rossio, Terreiro do Paço, Chiado, Graça, Alcântara e outros, e também pelas esquinas das ruas, onde eram procurados para ajustar os serviços que deles se pretendia

Largo do Chiado- A Ilha dos Galegos  [1908]
Joshua Benoliel, in AML

Rua do Arco do Marquês de Alegrete, Palácio do Marquês de Alegrete (Martim Moniz) [c. 1900] 
José Artur Leitão Bárcia, in AML

É de salientar um serviço que era sempre muito bem pago porque obrigava a discrição: levar cartas confidenciais, naquele tempo em que ter telefone era um luxo!
- Leva esta carta e entrega-a só à própria. Entendido?
- Xagrado! - respondia o Xoaquim.
 E pelo serviço cauteloso pagava-se cinco tostões de boa prata!
(DINIS, Calderon, Tipos e factos da Lisboa do meu tempo: 1900-1974, p. 216)

Largo de São Domingos  [190-]
Paulo Guedes, in AML

Thursday, 28 April 2016

Theatro Politeama

O Teatro Politeama foi construído a expensas de um «Brasileiro de torna-viagem», José António Pereira (à varanda na foto abaixo). Importa lembrar que nas primeiras décadas do século XX foi um teatro prestigiado e importante: Alfredo Cortez, Ramada Curto, D. João da Câmara, Raul Brandão, Júlio Dantas, Amélia Rey Colaço, Angela Pinto, Adelina e Aura Abranches, Palmira Bastos, Chaby, Vasco Santana, António Silva, Amália Rodrigues, Laura Alves, e tantos mais, foram nomes que aqui se afirmaram. Aliás, o Politeama começou a exibir cinema desde 1914 e fixou-se como sala popular de cinema e variedades de 1927 em diante. A partir de 1991, pela mão do encenador Filipe La Feria, recuperou uma presença sólida como sala de teatro e ao mesmo tempo, grande parte da traça primitiva e da decoração, incluindo o pano de boca primitivo.

Teatro Politeama [1912-1913]
Rua das Portas de Santo Antão
Joshua Benoliel, in AML

O empresário Luís António Pereira, que era um homem apaixonado pelas artes do espectáculo, sonhou dar a Lisboa uma nova sala, onde a música e o teatro pudessem servir o público.
Assim, nuns terrenos que comprou na Rua das Portas de Santo Antão, frente ao Coliseu dos Recreios, lançou em 12 de Maio de 1912 a primeira pedra do que viria a ser o Theatro Politeama. A inauguração aconteceu a 6 de Dezembro de 1913 com a opereta Valsa de Amor.

Teatro Politeama, sala de fumo [c. 1913]
 Alberto Carlos Lima, in AML
(clicar para ampliar)

Teatro Politeama, palco, pano de boca [1914]
 Alberto Carlos Lima, in AML

Foi o primeiro teatro construído em Lisboa na República, com projecto do prestigiado arqº Miguel Ventura Terra, com destaque para a dimensão decorativa da sua imponente janela, quase desproporcionada face ao espaço viário em que se implanta.
Das decorações do teatro - tecto e pano de boca - ocuparam-se o escultor Jorge Pereira e os pintores Benvindo Seia e Veloso Salgado.

Teatro Politeama [c. 1960]
Rua das Portas de Santo Antão
Arnaldo Madureira, in AML
 
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