Sunday, 17 April 2016

Cinema Império by night

Edifício de traço arquitectónico modernista, projectado por Cassiano Branco em 1947, foi terminado em 1952. Estrutura-se através de planta rectangular, bloco único, cujo alçado principal, que se encontra virado a Norte (precedido de escadaria) é definido espacialmente através de uma ampla estrutura envidraçada que acompanha o primeiro registo da construção. A gramática decorativa da fachada traduz-se em linhas verticais coroadas por esferas armilares em ferro forjado. O espaço interno orienta-se em torno de corredores de passagem, que fazem ligação entre os três pisos e a sala de espectáculos. A corroborar a linguagem plástica, modernista, patente nesta obra, destaca-se o painel cerâmico de Jorge Barradas, que decora o restaurante do piso térreo. Actualmente, é a sede da Igreja Universal do Reino de Deus. [DGPC]

Cinema Império [1957]
Alameda Dom Afonso Henriques, 35-35D; Avenida Almirante Reis, 205-205 E;
Rua Quirino da Fonseca, 28-28
Estúdio Mário Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.

A datação das fotografias foi viável porque na 1ª imagem é possível ler-se o título do filme: Com Quem Andam as Nossas Filhas [Con quién andan nuestras hijas, 1956] de Emilio Gómez Muriel que estreou em Portugal em 10 Julho de 1957

Cinema Império [1957]
Alameda Dom Afonso Henriques, 35-35D; Avenida Almirante Reis, 205-205 E;
Rua Quirino da Fonseca, 28-28
Estúdio Mário Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G.

Saturday, 16 April 2016

Palacete do Chafariz d'El-Rey, ou Palacete das Ratas

Mandado construir a partir de 1907, no local do antigo Palácio do Marquês de Angeja, destruído pelo terramoto de 1755, a propriedade foi partilhada pelos «brasileiros» João António e Augusto Vítor dos Santos. A partir de 1933, a posse do palacete passou para a família de Armando Dias da Cruz, até que, em 1980, com Francisco da Cruz, então proprietário, o imóvel deixou de ser habitado pela família e foi arrendado.

Palacete do Chafariz d'El-Rey, ou Palacete das Ratas [c. 1963]
Rua Cais de Santarém; Travessa do Chafariz, n.º 4 - 4 A
Armando Serôdio, in AML

Em Vias de Classificação, trata-se de um exemplar de arquitectura residencial romântica e ecléctica, de gosto revivalista, implantado em declive, sobranceiro ao Rio Tejo e assente parcialmente sobre as estruturas hidráulicas do Chafariz d'El-Rey e sobre vestígios da Cerca Moura. Este palacete, de planta compacta rectangular, volumetria escalonada, telhado de 4 águas perfurado por clarabóia, destacando-se um mirante, terraço e pequeno coruchéu, surge articulado em 2 corpos, de 5 pisos (2 deles parcialmente enterrados).
Este palacete-castelinho é hoje um pequeno hotel com seis quartos e salão de chá.

Palacete do Chafariz d'El-Rey, ou Palacete das Ratas [c. 1930]
Rua Cais de Santarém; Travessa do Chafariz, n.º 4 - 4 A
Eduardo Portugal, in AML

Crê-se que a origem do Chafariz d'El-Rey remonta a tempos muçulmanos. É certamente um dos mais antigos chafarizes da cidade. A sua fisionomia foi sendo alterada ao longo dos séculos resultante das diversas obras de que foi alvo. No reinado de D. Afonso II é chamado Chafariz de São João da Praça dos Canos e é a partir do reinado de D. Diniz que passa a ser designado por Chafariz d'El-Rey. No século XVI o chafariz era um recinto com muro, estando por baixo de três arcadas sobre colunas ornadas com o escudo régio e duas esferas armilares. [vd. imagem abaixo]

Chafariz d’el Rey in the Alfama District [c. 1570–80]
View of a Square with the Kings Fountain in Lisbon
Anonymous, in Berardo Collection Museum

O seu aspecto actual obteve-o no século XIX. Este chafariz inicialmente tinha três bicas, depois passou a ter seis e por fim passaram a nove. Sendo o chafariz mais importante da cidade presenciou muitos motins e desacatos e até mortes, impondo-se a regulamentação da sua utilização pelo Senado, tendo sido estipulado que cada bica teria um destinatário: uma era para os negros forros; outra para os moiros das galés; outra para as moças brancas; outra para os homens brancos; outra para as índias, pretas, escravas e lacaios.

Chafariz d'El-Rey [1909]
 Rua Cais de Santarém
Joshua Benoliel, in AML

Em 1851, este Chafariz tinha nove bicas, dez Companhias de Aguadeiros, dez capatazes, trezentos e trinta aguadeiros e dois ligeiros. Os seus sobejos iam para o mar. Este chafariz também é designado por Chafariz n.º 18. (cm-lisboa.pt)

Chafariz d'El-Rey [s.d.] 
Rua Cais de Santarém
Fotógrafo não identificado, in AML

Quadra popular alusiva ao abastecimento público do Chafariz de El-Rey:
Os meus olhos se obrigaram
Ao que eu nunca me obriguei:
A dar água todo o ano
Para o Chafariz d'El-Rei.
(Agostinho de Campos e A. de Oliveira, Mil Trovas,  1917, p. 225, n.° 707)

Friday, 15 April 2016

Rua do Vigário

O olisipógrafo Norberto Araújo descreve do seguinte modo este arruamento da velha Alfama:
«Quem fôsse o Vigário que se celebra nesta velha artéria de Santo Estêvão, ignoro. À direita [esquerda na imagem], até aos Remédios, tôda a rua se desdobra em prédios de dois tipos: século XVIII e século passado [XIX], estes renovados de anterior tessitura construtiva. É cheia de bizarria, policroma, aguarelada de seu natural, esta face norte da muito antiga serventia, que do lado sul, á nossa direita, beneficiou de demolições já no actual século, e que dão largueza à rua.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, p. 89)

Rua do Vigário [c. 1900]
À esquerda, o Beco do Vigário
José Artur Leitão Bárcia, in AML

Em ternos documentais, a Rua do Vigário surge nas descrições paroquiais anteriores ao terramoto de 1755 na freguesia de S. Estevão de Alfama e nas plantas após a remodelação paroquial de 1780, bem como em 1858 no Atlas da Carta Topográfica de Lisboa de Filipe Folque, e a partir da 2ª metade do século XIX encontra-se na documentação municipal prova de bastantes prédios a ruir nesta artéria e consequentes pedidos de reconstrução dos mesmos ou de construção de novos prédios. Encontramos ainda com data de 25 de maio de 1897 a indicação de uma propriedade a expropriar para alargamento da Rua do Vigário e um plano para o seu alargamento, da autoria do arqº José Luís Monteiro , de 7 de Julho de 1907. (cm-lisboa.pt)

Rua do Vigário [c. 1900]
Ao fundo,a Ruua dos Remédios
Eduardo Portugal, in AML

Thursday, 14 April 2016

Palácio dos Senhores de Trofa

O edifício que foi o Palácio dos Senhores de Trofa (Carvalhos e Lemos), veio mais tarde à posse de Francisco Barbosa, que o herdou de um seu familiar com o mesmo nome. Estendendo-se ao longo de três grandes blocos entre a Calçada da Graça e a Travessa das Mónicas, forma um pátio, conhecido como Pátio do Barbosa. 

Calçada da Graça, 18-18F  [1939]
Palácio dos Senhores de Trofa
Eduardo Portugal, in AML
 
Este imóvel do séc. XVII, rasgado por portais e janelas em cantaria trabalhada, mantém ainda hoje uma fachada seiscentista, sobre o jardim, que não corresponde nada ao seu aspecto interior. que, de acordo com Norberto de Araújo, «é uma verdadeira ilha, justificando a designação pela qual é conhecido: Ilha das Cobras[1]».
Actualmente está alojado neste edifício um hostel.

Calçada da Graça, 18-18F  [194-]
Palácio dos Senhores de Trofa
 Paulo Guedes, in AML

[1] (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 49)

Wednesday, 13 April 2016

Largo do Salvador: Convento de São Salvador e Palácio dos Condes dos Arcos

Estamos no Largo do Salvador — diz .Norberto de Araújo E do Salvador — porquê? 
Neste sítio, que no comêço da Lisboa era de todo silvestre, em encosta que acompanhava pelo exterior uma parte da muralha moura, apareceu—segundo rezam as lendas—em certa manhã, espetado no chão do matagal, um crucifixo, e perto dêle uma imagem de N. Senhora com o Menino. Milagre era; naquêle tempo devoto, primeiros anos após a conquista, a notícia correu célere por Lisboa. Logo se ergueu uma ermidinha a Jesus Salvador «da Mata», porque mata cerrada era tudo isto por aqui. A ermida teve, pouco depois de erguida, grande concorrência de mulheres penitentes que junto dela fizeram um Recolhimento, já levantado em 1240. O sítio foi-se desbravando, povoando, dando uma pequena freguesia, o que se explica, porque a Ermida era do priorado.

Largo do Salvador [c. 1900]
Arco do Salvador e Convento de São Salvador, fundado em 1392
José Artur Leitão Bárcia, in AML
   
   Em 1392 o Bispo do Porto, D. João Esteves, da Azambuja chamado por ser natural desta vila, mais tarde (1402) arcebispo de Lisboa, e cardeal (1411), resolveu com autorização do Rei e do Papa fazer do pequeno Recolhimento um mosteiro de religiosas dominicanas; a Igreja fôra confirmada paroquial no ano anterior. Era o tempo de D. João I que cousa. alguma negava ao tratar-se de ampliar Lisboa; o mosteiro, cuja primeira abadessa se chamava Margarida Anes, foi construído com lentidão, pois só é dado por concluído em 1478, a esforços da princesa, depois Rainha D. Leonor, mulher de D. João II.

Largo do Salvador [c. 1900]
Convento de São Salvador, fundado em 1392
Fotógrafo não identificado, in AML

   O Terramoto destruiu o velho mosteiro, que houve de ser reedificado de alto a baixo, não estando as obras concluídas em 1762, e havendo passado a paroquial para o Menino de Deus, para só voltar, mais tarde, à sua antiga sede.
    Pela extinção das Ordens, o Mosteiro conservou-se até à morte da última freira (1884), mantendo-se depois ainda o culto na Igreja, cuja paroquial, porém, como a de S. Tomé, se uniu à de S. Vicente em 1836. 
   Em Outubro de 1910, quando se proclamou a República, o antigo Convento era ocupado por um Colégio religioso, cuja patrona era D. Tereza Saldanha.
   Depois tudo acabou — Colégio e Igreja; esta foi profanada, recebeu obras do Estado, nela se instalando, pouco depois o Centro Republicano Magalhãis Lima, com sua escola infantil.

Largo do Salvador [c. 195-]
Convento de São Salvador, fundado em 1392 e Palácio dos Condes dos Arcos, ou de S. Miguel (ao fundo). Observe-se o brasão de armas coberto por panos.
Judah Benoliel, in AML

   Aí temos, à nossa esquerda, o Palácio dos Condes dos Arcos (de Val-de-Vez), hoje dos Condes de S. Miguel, cuja Condessa (Noronha) é ainda Arcos. Êste Palácio histórico, n.°s 14 a 25 do Largo, é o único representativo de tôda a Alfama, aquêle que, a despeito de não estar ocupado pelos seus ilustres proprietários senão no andar nobre, se mantém de pé. Relíquia alfamense na nobreza, com pergaminhos e crónica fidalga, êle sobrevive à evolução do tempo e dos costumes, como os raros, seus vizinhos, de S. Vicente. O Palácio, na sua formação primitiva, data dos fins do século XVI (...)

Largo do Salvador [c. 1900]
Palácio dos Condes dos Arcos, ou de S. Miguel. Observe-se o brasão de armas coberto por panos.
José Artur Leitão Bárcia, in AML

   O brasão que avulta sobrepujando o pórtico nobre é o dos Arcos, com as armas de Portugal no primeiro e terceiro quartel, e as do antigo reino de Castela, com dois leões batalhantes, no segundo e quarto.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. X, pp. 73-78, 1939)

Pórtico nobre do Palácio dos Condes dos Arcos, ou de S. Miguel [1955]
Largo do Salvador (*)
Brasão dos Condes dos Arcos com as armas de Portugal e as do antigo reino de Castela
António Passaporte, in AML

(*) Mais uma imagem de baixa qualidade, digitalização com chancela do Arquivo Municipal de Lisboa.

Tuesday, 12 April 2016

Avenida da República, 49-49D

 Prémio Valmor de 1923

 

Com projecto do arqº Porfírio Pardal Monteiro, este edifício de habitação foi mandado construir por Luís Rau, um comerciante de ferro e carvão, no início dos anos 20 do século passado. Viu reconhecida a sua qualidade com a atribuição do Prémio Valmor de 1923

Avenida da República, 49-49D [1923]
Prémio Valmor de 1923

Ferreira da Cunha, in AML
 
De grande verticalidade, por se encontrar implantado num lote estreito, desenvolve-se em... sete pisos, onde os dois últimos são amansardados. Apresenta uma linguagem oitocentista patente na rica ornamentação da fachada, assim como na pesada volumetria da mesma, traduzida por um jogo de volumes que desenha um pórtico saliente e suspenso até ao primeiro piso, não possuindo qualquer apoio estrutural visível ao nível do piso térreo. Surge, ainda, pontuado por alguns traços da linguagem pombalina visíveis nas varandas corridas, que rasgam transversalmente a fachada principal. Como referência ao Prémio Valmor recebido, o imóvel exibe a seguinte legenda incisa num bloco de cantaria da fachada à direita da porta e sob uma das mísulas: «PRÉMIO VALMOR / MCMXXIII / ARQUITECTO / PARDAL MONTEIRO»

Avenida da República, 49-49D [c. 1952]
Prémio Valmor de 1923

Joaquim Germano de Matos Sequeira, in AML

Monday, 11 April 2016

Jardim das Francesinhas

A sua denominação tem origem na presença do Convento do Santo Crucifixo das Capuchinhas Francesas, conhecido como das Francesinhas, era uma construção seiscentista (1667) que, entre os anos de 1911 e 1935, foi demolida. 

Jardim das Francesinhas [c. 1959]
Entre a Rua Miguel Lupi e a Rua das Francesinhas. ao sul do Palácio de São Bento
António Passaporte, in AML

Nesta data, por ocasião das Festas da Cidade, nasceu aqui em miniatura um bairro de Lisboa Antiga, de reconstituição imaginada por Gustavo de Matos Sequeira. Em 1949 é inaugurado o Jardim das Francesinhas do risco do arqº Cristino da Silva. Desenvolvido em vários patamares, a sua frente organiza-se a partir das escadarias, para a lateral do Palácio de S. Bento, paralela ao rio, na axialidade de uma avenida ajardinada, centrada na peça, A Família, da autoria do escultor Leopoldo de Almeida, que um espelho de água recepciona como símbolo da origem da criação.

Jardim das Francesinhas [c. 1959]
A Família, grupo escultórico da autoria do escultor Leopoldo de Almeida
António Passaporte, in AML

Sunday, 10 April 2016

Igreja de São Brás e de Santa Luzia

Igreja implantada sobre a cerca moura, intimamente ligada aos Cavaleiros da Ordem de Malta, cuja origem parece remontar ao séc. XII. Primitivamente, era uma igreja-fortaleza avançada sobre os arrabaldes da zona oriental da cidade. Objecto de várias reedificações, este templo traduzia, após o terramoto de 1755, uma arquitectura chã com uma fachada principal de linhas simples e inspiração clássica, exibindo, na sua fachada lateral virada para o miradouro, dois painéis de azulejos, representando a conquista de Lisboa e a Praça do Comércio antes do terramoto, executados na Fábrica Viúva de Lamego

Igreja de Santa Luzia, Largo de Santa Luzia [1959]
Jardim Júlio de Castilho; painel de azulejos
representando a conquista de Lisboa e a Praça do Comércio
António Passaporte, in AML

O interior, de planta em cruz latina e nave única, destacam-se por conservar 10 sepulturas, em forma de lápides ou monumentos funerários, com inscrições em português ou latim, distribuídas pela capela-mor, transepto e nave, as quais estão classificadas como Monumento Nacional.


Igreja de Santa Luzia, Largo de Santa Luzia [1949]
Jardim Júlio de Castilho

Eduardo Portugal, in AML
 
Nas paredes exteriores da Igreja de São Brás, orladas de flores, existem dois painéis de azulejos, um muito pormenorizado, mostrando o Terreiro do Paço nos começos do século XVIII, antes do terramoto de 1755, e outro relatando a façanha de Martim Moniz, durante os combates pela conquista de Lisboa em 1147: "Quando os mouros fechavam a porta do Castello precipitadamente, Martim Moniz, portuguez destemido, atravessou-se nellas, para dar passagem, morrendo gloriosamente." 
No jardim encontra-se um modesto busto de Júlio Castilho, historiador da Lisboa antiga.

Panorâmica sobre Alfama, tirada do Miradouro de Santa Luzia [1949]
Jardim Júlio de Castilho; à dir., a Igreja de Santo Estêvão

Eduardo Portugal, in AML
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