Friday, 8 April 2016

Rua do Arco do Marquês de Alegrete

Sigamos mestre Norberto de Araújo e «tomemos a Rua do Arco do Marquez do Alegrete. (...) Esta sim, na sua pobreza urbanista, tem qualquer coisa de pitoresco, vista em enfiamento, com o seu arco ao fundo, o estendal às janelas, e os estabelecimentos populares tão característicos. (...)
Ora aí temos o Arco do Marquez do Alegrete, no aspecto de 1674, ano em que foi transformada a velha porta de S. Vicente da Mouraria, assim chamada ainda em 1554. Intitula-se do Marquez do Alegrete, porque a êle se encostou o palácio construído pelo Conde de Vilar Maior, antecessor da Casa dos Alegretes, depois Penalvas e Taroucas (Teles da Sylva).»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. III, pp. 78-79)

Rua do Arco do Marquês de Alegrete [Início séc. XX]
Em 1946 o palácio foi demolido para dar lugar à actual praça Martim Moniz
Fotógrafo não identificado, in AML

A Rua do Arco do Marquês de Alegrete, (só terá adquirido esta denominação depois de 1801), .entre o Poço do Borratém e a Praça Martim Moniz tem este nome devido ao proprietário do palácio, o 1º Marquês de Alegrete.
O Arco sobre o qual assentavam dois andares unia dois prédios pertencentes à mesma família, e, como refere o olisipógrafo Vieira da Silva, foi construído por volta de 1674, por proposta da Câmara para que «se rompesse a Torre das Portas da Mouraria, com um arco que tenha capacidade de passarem coches.»

[Rua do] Arco do Marquês do Alegrete
Roque Gameiro, in Museu da Cidade

Thursday, 7 April 2016

Escola Municipal n.º 1, a escola mais antiga de Lisboa

A Escola Municipal n.º 1 é a escola mais antiga da capital, tendo sido inaugurada a 20 de Dezembro de 1875. No Largo da Escola Municipal, foi descerrada - em Abril de 1895 - uma lápide que representa um livro aberto, tendo gravado uma pena e as letras «ABC», acompanhado por folhas de hera atadas com uma fita com a legenda - «Instrucção do povo». Na lápide está gravada a seguinte inscrição: «Homenagem da cidade de Lisboa a José Elias Garcia - 1º vereador do pelouro da instrução municipal - Preponente, em sessão de 17 de Outubro de 1872, da criação desta escola - Abril de 1895»

Escola Municipal n.º 1, e Biblioteca Municipal de São Lázaro [Início do séc. XX]
Largo da Escola Municipal

Paulo Guedes, in AML

No dia 5 de Agosto de 1883, anexa à Escola Municipal n.º 1, dá-se então a abertura daquela que é hoje a mais antiga Biblioteca Municipal ainda em funcionamento, a Biblioteca Municipal de São Lázaro. Ocupa um edifício de arquitectura neoclássica erudita, patente nas proporções entre pisos, nas dimensões de portas e janelas, e nos capitéis. A sala de leitura, com capacidade para 36 leitores, tem o mobiliário integrado na arquitectura.
Objecto de melhoramentos, lê-se numa notícia publicada no Diário de Notícias, em 11 de Abril de 1916, que “Devido a importantes obras que sofreu, as comodidades oferecidas aos leitores aumentaram de forma a atrair ali imensa concorrência. (...) Nas estantes desta Biblioteca encontra-se um profuso número de livros que tratam de ciências matemáticas, naturais, orgânicas, inorgânicas, sociais, história, filosofia, geografia, medicina, agricultura, direito, pedagogia, administração, belas artes, literatura, linguística, poesia, teatro, romance, revistas, jornais, dicionários, etc.”

Escola Municipal n.º 1, lápide
Largo da Escola Municipal
Fotografia por Margarida Campos

Disponibilizou, desde a sua origem, leitura presencial (diurna e nocturna) e empréstimo domiciliário.
Em 1918, na sessão camarária de 19 de Setembro, surge a proposta de constituição de uma hemeroteca:
Quando, em 1926, se dá a queda da Primeira República, vai ser a única Biblioteca Municipal de Lisboa a manter-se em funcionamento, após remodelação. Todas as restantes foram encerradas.
A sua designação actual data de 1938, coincidindo com nova remodelação. No ano seguinte, terminado o inventário do seu acervo, avalia-se o seu fundo antigo em 8.335 volumes.

Escola Municipal n.º 1, entrada
Largo da Escola Municipal
Fotografia por Margarida Campos

Wednesday, 6 April 2016

Largo de Alcântara, ruas Maria Pia, Prior do Crato João de Oliveira Miguens

Originalmente, o topónimo foi aprovado como Rua Prior do Crato (Dom António) e passou a ter a grafia actual após uma decisão da reunião de Câmara de 14/12/1943. Também apesar de não constar na placa toponímica, foi o topónimo aprovado com a legenda O Glorioso vencido da Ponte de Alcântara em 25 de Agosto de 1580.

Rua João de Oliveira Miguens, Largo de Alcântara, linha de cintura; ruas Maria Pia e Prior do Crato [1914]
Joshua Benoliel, in AML

Após a implantação da República, a Câmara Municipal, perpetuou na memória de Lisboa o nome de João de Oliveira Miguens, comerciante de Alcântara que pertenceu ao directório do Partido Republicano Português e que em 1902, por ocasião do Convénio, organizou uma tentativa de levantamento armado em Alcântara. (cm-lisboa.pt)

Largo de Alcântara [sítio da ponte de Alcântara], cruzamento das ruas Maria Pia e Prior do Crato [1949]
Estúdio Mário Novais, in AML

Tuesday, 5 April 2016

Estrada Margina, Alto da Boa Viagem

O Restaurante Boa Viagem - do lado direito na foto - ficava localizado na Quinta da Boa Viagem, no alto do Jamor, na convergência da Av. Marginal com a auto-estrada de Monsanto. Foi levantado em 1948, nos terrenos pertencentes a Vasco Alcobia, sob risco do arq. João Faria da Costa. Encerrou portas em finais da década de 1970, encontrando-se actualmente (2014) ao abandono e em estado de absoluta ruína.

Estrada Marginal, Alto da Boa Viagem [c. 1950]
António Passaporte, in AML

Estrada Marginal, Alto da Boa Viagem [1970]
Nuno Barros da Silveira, in AML


Monday, 4 April 2016

Avenida Duque de Ávila

O edital de 29 de Novembro de 1902 veio definir a toponímia do grupo de arruamentos novos, situados nas freguesias de São Sebastião da Pedreira e de São Jorge de Arroios, a que se convencionou chamar Avenidas Novas. Os homenageados foram maioritariamente políticos, mas também encontramos entre eles escritores e poetas.

Avenida Duque de Ávila  [s.d.]
Aspecto da avenida com moradias; demolidas em meados do séc. XX

Mário Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

António José de Ávila, conde, marquês e duque de Ávila, nasceu no Faial a 8 de Março de 1806, e morreu em Lisboa a 3 de Maio de 1881. Foi conselheiro de Estado efectivo, ministro de Estado, par do reino e enviado extraordinário e ministro plenipotenciário junto das cortes de Paris e de Madrid.

Avenida Duque de Ávila  [s.d.]
Aspecto da avenida com moradias; demolidas em meados do séc. XX

Mário Novais, in Biblioteca de Arte da F.C.G..

Sunday, 3 April 2016

Igreja da Memória e chafariz da Memória

Também conhecida por Igreja de Nossa Senhora do Livramento e de S. José, a Igreja da Memória foi mandada construir por D. José I como agradecimento por ter escapado ao atentado sofrido em 1758.Para falarmos da Igreja da Memória temos de recuar até 3 de Setembro de 1758, quando o rei D. José I saiu do Palácio dos Condes da Calheta, após uma noite com a sua amante, Teresa de Távora, e sofreu um atentado. O facto de ir na carruagem de Pedro Teixeira - com o qual o Duque de Aveiro tinha um diferendo - deixa dúvidas que a intenção fosse um regicídio, mas foi a desculpa perfeita para se iniciar o processo contra os Távoras e a expulsão dos jesuítas de Portugal.
   Por se ter salvo, o rei promete erguer uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Livramento e a primeira pedra é colocada a 3 de Setembro de 1760, ficando a cargo do arquiteto e cenógrafo italiano Giovanni Carlo Bibienna. Com a sua morte, são abandonadas algumas ideias do projecto original, como as três colunas com três santos que ficariam na fachada principal. Mateus Vicente de Oliveira assume os trabalhos e é o responsável pelo piso superior, introduzindo as varandas em madeira de cerejeira e pau Brasil. O chão de mármore cor-de-rosa é proveniente de Vila Viçosa, os altares são do século XVIII e os castiçais e o sacrário são em ouro. O painel no altar-mor é da autoria de Pedro Alexandrino e representa o rei a agradecer a Nossa Senhora do Livramento, entregando-lhe o seu ceptro. Depois da morte do monarca, a construção da igreja perdeu certo sentido e foram muitas as demoras até que estivesse concluída. Em 1923 foram para aqui transladados os restos mortais do Marquês de Pombal.(documentaromundo.com; patrimoniocultural.pt)

Igreja da Memória e chafariz da Memória [c.1950]
Largo da Memória; Calçada do Galvão

António Passaporte, in AML

O Chafariz da Memória é uma obra do arquitecto régio Possidónio da Silva, de traço simples sobre uma base quadrada e obelisco central. Na Ajuda existia uma fonte no Palácio das Secretárias, sito na Calçada da Ajuda, onde se abasteciam os habitantes da zona. Aquando da vinda do pai do rei a Lisboa, a rainha D. Maria II ordenou a execução de obras no palácio, transformando-o em residência do seu sogro, o Duque Fernando da Saxóniaa-Coburgo-Gotha. A Vedoria da Casa Real negociou com a Câmara o aproveitamento das antigas bicas no Pátio das Vacas e na Memória para a construção de um novo chafariz. A Vedoria cedeu a cantaria que sobrou das obras do Palácio de Belém e encarregou o arquitecto régio Possidónio da Silva do encanamento das águas para a Calçada do Galvão. O Chafariz da Memória foi inaugurado em 13 de Junho de 1850. Os seus sobejos iam para a Quinta Real. Orçou a obra deste chafariz em 1 040$161 réis. (monumentos.pt)

Saturday, 2 April 2016

Igreja e chafariz de São Paulo

A zona de São Paulo sempre foi uma zona comercial preferencial e por isso mereceu particular atenção após o terramoto de 1755. A primitiva igreja de São Paulo que ficou destruída pelo incêndio do sismo, teve o seu projecto de reedificação realizado pelo arqº Remígio Francisco, que seguiu o traçado adoptado no Convento de Mafra. Aliás, aqui se formaram os principais engenheiros e arquitectos que foram responsáveis pela reconstrução da cidade após o terramoto.
A nova Igreja de São Paulo apresenta uma só nave com uma fachada virada para nascente. O corpo central é limitado por pilastras dóricas e ladeado por torres. No frontão triangular, um medalhão apresenta a conversão de São Paulo.
No interior do templo encontramos oito capelas laterais, sendo a nave revestida de mármores polícromos.

Igreja e chafariz de São Paulo [190-]
Praça de São Paulo
Paulo Guedes , in AML










 
O Chafariz de São Paulo, inaugurado a 29 de Outubro de 1849, era requisitado à muito pela população local, alegando que o Chafariz da Esperança era muito longe, viram os seus anseios concretizados somente em 29 de Outubro de 1849, dia em que foi inaugurado o Chafariz. O projecto deste chafariz deve-se ao arquitecto do Senado Malaquias Ferreira Leal, datando do ano anterior. Orçou em 3:204$895 réis. A partir de 26 de Fevereiro de 1850, uma das suas bicas foi destinada aos marinheiros que tinham de trazer o barril identificado com a letra e número do seu respectivo navio. Tinha quatro bicas, duas Companhias de Aguadeiros, dois capatazes e cabos, sessenta e seis aguadeiros e um ligeiro em 1851. (cm-lisboa.pt)

Igreja e chafariz de São Paulo, aguadeiros [1907]
Praça de São Paulo
Joshua Benoliel, in AML

Friday, 1 April 2016

Rua de São Paulo, Arco de São Paulo

Segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo, o sítio de São Paulo «Foi de seu princípio ribeirinho, sítio mercadejador, piedoso e turbulento. É coevo do Cata-que-farás e dos Remolares, vizinho actual da Ribeira Nova. (...) Remonta ao quinhentismo, extra-muros. Em 1550 não contava como freguesia; existia como formigueiro de mareantes. (...)

Rua de São Paulo (nascente), Arco de São Paulo [séc. XIX]
Carro «Americano», anterior à electrificação da linha que só ocorreu c.1901
Fotógrafo não identificado, in AML

 
Peço-te, antes de encerrarmos êste passo de jornada, que atentes bem na fisionomia dos prédios do lado Norte da Rua de S. Paulo, na ala paralela à linha do eléctrico. Têm ainda qualquer cousa de pitoresco e de ingénuo, integrada na fisionomia pura pombalina desta área; são relíquias modestas do primeiro período da reedificação da Rua de S. Paulo, cuja artéria, como aliás a Praça, não correspondem à topografia da primeira metade do século XVIII. E já agora, contempla o semblante das lojas dos adelos, em série, como em «rua direita» da provincia. Aspecto único em Lisboa. Pois bem curioso é êste sítio de S. Paulo - lisboetazinho puro.»
(Araújo, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIII, pp. 59-62)

Rua de São Paulo (nascente), Arco de São Paulo [190-]
Posterior à electrificação da linha, são visíveis os postes das catenárias junto ao arco
Paulo Guedes, in AML





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