Saturday, 6 February 2016

Embaixada Britânica. antiga residência do Embaixador do Reino Unido

Este palacete está integrado na propriedade que constituía a antiga Residência do Embaixador do Reino Unido, sito na Rua São Francisco de Borja, 63, tendo constituído a residência do embaixador britânico durante mais de 150 anos. Foi, entretanto, completamente renovado encontrando-se habitado.

Embaixada Britânica [ant. 1895]
Antiga residência do Embaixador do Reino Unido
Rua Arriaga, 2-4; Rua São Francisco Borja, 63
Francesco Rocchini, in AML

O edifício do palacete, tendo como data de início da construção o final do séc. XVIII, mantém ainda uma forte identidade pombalina, com as características construtivas típicas desta edificação.

Embaixada Britânica [ant. 1895]
Antiga residência do Embaixador do Reino Unido
Rua Arriaga, 2-4; Rua São Francisco Borja, 63
Francesco Rocchini, in AML
  
Acerca do sítio, refere o olisipógrafo Norberto de Araújo o seguinte: «Em S. Francisco Borja se ergue, desde há muitos anos, o Palácio da Embaixada de Inglaterra, no seu tom côr de rosa muito discreto, não deixando de ser gracioso, e cujos amplos jardins se prolongam para poente, defendidos pelo muro que acompanha o lado Norte da Rua da Arriaga. Continua isto a ter ainda um semblante de «Lapa» puro, ao qual se encostam reminiscências urbanas de setecentos (...)»
 
Embaixada Britânica [ant. 1895]
Antiga residência do Embaixador do Reino Unido
Rua São Francisco Borja, 63; Rua Arriaga, 2-4;
Francesco Rocchini, in AML
 
Quanto à razão do topónimo «Arriaga». adianta o mesmo autor que «Esta Rua da Arriaga que parece dever seu nome a uma senhora que há um século e pico aqui fez erguer o primeiro prédio da rua (D. Maria Joana Aniceta Francisca de Arriaga) tem o seu quê de curiosidade: apresenta uma correnteza de bons palacetes, pequenos, com frentes de jardins (...)»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 52)
 
Embaixada Britânica [ant. 1895]
Antiga residência do Embaixador do Reino Unido
Rua Arriaga, 2-4; Rua São Francisco Borja, 63
Francesco Rocchini, in AML
 

Friday, 5 February 2016

Hipódromo do Campo Grande Antigo campo do «Jockey Club»

As primeiras corridas de cavalos em Portugal ocorrem em Évora e datam de 1868. Em 1875, o Clube Equestre, fundado em 1873, muda o nome para Jockey Club. Em 1881, fazem-se as primeiras corridas nas Alamedas do Campo Grande, mas o entusiasmo popular é fraco. Dois anos depois extingue-se o Jockey Club. A «Sociedade Promotora de Apuramento de Raças Cavalares», que arrematara os bens do Jockey Club, ainda realiza algumas corridas, mas o público revela-se desinteressado.» (infopedia.pt)

Fotografia aérea da zona da Portela%20 de Sacavém e pistas do Aeroporto em construção; em baixo, o Hipódromo do Campo Grande [c. 1942]

Numa das suas crónicas, Ramalho Ortigão, com a sua habitual ironia e tom mordaz, descrevia assim o ambiente das corridas de cavalos no século XIX:
«As «corridas» do Campo Grande - Extraordinario successo de dandysmo!
Não assistimos, mas lêmos que esteve o high-life, o famoso high-life, com o qual temos sempre o infortunio de nos desencontrar. Estamos todavia daqui a vê-lo, a imaginá-lo, rico, elegante, belo, no Campo Grande, em volta o lago — o high-life...»

Hipódromo do Campo Grande  Antigo campo do «Jockey Club» [1933-01-05]
Festa da Cavalaria organizada pelo jornal O Século, no hipódromo
Ao fundo, onde se vê o casario,  passa hoje a Avenida Gen. Norton de Matos vulgo 2ª Circular
Fotógrafo não identificado, in AML

A aristocracia nos seus landeaux, com enormes cocheiros gordos, de barrigas de pernas phenomenaes e bizarras. A alta finança em carruagens de posta com os senhores na almofada, e os creados, recamados de galões de ouro, dentro da berlinda, immoveis, empoados, descobertos, com os tricornes na mão.
Os diplomatas, nedios, sorrindo na doce bestialidade espirituosa de quem sente no paladar os succos perfumados de uma aza de codorniz truffada, repimpados em daumonts, com uma carvajal nos beiços e uma marta zibelina debaixo dos pés.

Hipódromo do Campo Grande  Antigo campo do «Jockey Club» [1928]
«Aeroplanos no campo do Jockey Club, ao Campo Grande, onde se pretende estabelecer o aeroporto de Lisboa»
Ao fundo, onde se vê o casario,  passa hoje a Avenida Gen. Norton de Matos vulgo 2ª Circular
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Seculo

Respira-se entre as arvores um ar empregnado de fina perfumaria, como n'um salão.
Não se inscreveram no Derby lisbonense os Hamilton, nem os Lagrange, nem os Rothschild, nem os Mouchy, nem os Dudley Stuart. Inscreveram-se apenas, com os seus trens, o João Russo e o Chico Perfeito, cocheiros da praça. Alea jacta est! O Russo venceu o Chico com a distancia do comprimento de uma pileca. Hurrah!_
Tal é o perfil das «corridas»; tal é o high-life.»
(ORTIGÃO, Ramalho, As Farpas, pp. 165-168 1888)

Thursday, 4 February 2016

Quinta (Casal) do Mineiro

«Agora se seguem, dos n.ºs 79 a 83, com seu portão gradeado de quinta (o Casal do Mineiro, que sucedeu ao Casal Novo no nome, como êste sucedera ao antigo Casal ou Quinta do Tavares, do séc. XVIII e já XIX) as casas cor de rosa, à beira da antiga Rua de Entremuros [hoje Artilaria Um], propriedade de Manuel José Monteiro (...).
É esta uma propriedade das de maior área no sítio, que se prolonga como já vimos, à Rua das Amoreiras e à Travessa da Légua da Póvoa; possui no alto um magnífico palacete, que data de 1882 (...). Esta propriedade admirável, com estufas, jardins, e alguns terrenos ainda de cultivo, pertence ao filho daquele falecido capitalista (...).
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa», vol. XI, p. 96)

Quinta (Casal) do Mineiro [1931]
Palácio da Quinta do Mineiro, em cima à direita, na Rua de Artilharia Um; Aqueduto das Águas Livres, Rua das Amoreiras

Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Seculo

O palácio neo-colonial da Quinta do Mineiro foi construído em 1882 por Manuel José Monteiro, à imagem do palácio que tinha no Brasil. O Externato dos Maristas mudou-se para este palácio em 1953, onde ficou até 1989. Recentemente, na Quinta do Mineiro, foi erigido o empreendimento imobiliário «Nova Amoreiras», O palácio, depois de recuperado, foi transformado em centro de escritórios.

Hospital Real da Marinha

De acordo com o olisipógrafo Norberto de Araújo «Esta parte baixa do Campo de Santa Clara intitula-se desde há poucos anos Praça Dr. Bernardino António Gomes, que foi notável médico da Marinha de Guerra, e cujo busto, sôbre plinto, se ergue no centro da Praça, diante do Hospital, de que êle foi Director. Êste médico, verdadeiro homem de ciência, foi quem em Portugal aplicou pela primeira vez a anestesia pelo clorofórmio (1848)
E aí temos o «velho» Hospital da Marinha, e que parece novo, mercê de constantes remodelações, aperfeiçoamentos e desenvolvimento de seus serviços e instalações.» [1]
 
Hospital Real da Marinha [1932]
Praça Doutor Bernardino António Gomes
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

O Hospital da Real Armada (Hospital Real da Marinha), criado pelo Alvará do Príncipe Regente D. João de 27 de Setembro de 1797, é um dos mais antigos hospitais de Portugal. Foi construído de raiz para o efeito no local do antigo Colégio de S. Francisco Xavier — também conhecido como Hospício dos Jesuítas ao Paraíso (fundado em 1696). 

Hospital Real da Marinha [c. 1900]
Praça Doutor Bernardino António Gomes
Fotógrafo não identificado, in AML

Este edifício, na altura bastante moderno — dispunha de um sistema interno de águas correntes quentes e frias — projectado pelo arquitecto Francisco Xavier Fabri, foi inaugurado em 1 de Novembro de 1806, mantendo-se em funcionamento quase 206 anos. Em 2012 é considerado extinto, tendo encerrado definitivamente em Dezembro de 2013.

Hospital Real da Marinha [190-]
Praça Doutor Bernardino António Gomes, fachada voltada a S.

Paulo Guedes, in AML

Bibliografia
[1] (ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. VIII, p. 78)

Wednesday, 3 February 2016

Rua do Salitre

É uma via antiga cuja data de fixação na memória da cidade se desconhece com precisão. Sobre a história do sítio refere o olisipógrafo Norberto de Araújo o seguinte:
«No século XVI estes sítios por aqui, acima de Valverde [Av. da Liberdade], eram dos Ataídes, Condes da Castanheira, em prazos que se prolongavam do Sul (e já te disse que os Castelo Melhor adquiriram aos Castanheiras chãos e casas na zona actual dos Restauradores); uma dessas terras era chamada Horta da Palmeira, terreno que um Ataíde, D. Jorge, que foi bispo de Viseu e capelão-mór do Cardeal D. Henrique doou, antes de morrer (1611), aos frades brunos ou cartuxos do Convento de Laveiras, para neste sítio fazerem um hospício.

Rua do Salitre [1968] 
Avenida da Liberdade; à esq. o Palacete Lima Mayer
Artur Inácio Bastos, in AML

Este Hospício foi chamado dos Cartuxos (nome porque eram conhecidos os frades de S. Bruno), ou da Palmeira; «da Palmeira» foi mesmo a designação da Rua do Salitre no trôço que ainda existe. «Salitre» é toponímia que só apareceu em 1665, e que acompanhou, e venceu, a «de Palmeira» quando esta desapareceu da oralidade, aí por 1760.
Quanto a «Salitre» é uma denominação que derivou da circunstância de na Horta dos brunos existirem nitreiras que foram exploradas.»
(ARAÚJO, Norberto de , Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 32)

Rua do Salitre [1943] 
Ao fundo, o Largo do Rato e o Convento das Trinas do Rato
Eduardo Portugal, in AML

Tuesday, 2 February 2016

Casa Empis, Prémio Valmor de 1907

Moradia na Avenida Duque de Loulé, 73-77, propriedade de Ernesto Empis e arquitectura de António Couto de Abreu (1874-1946). Edificado em estilo Francisco I, inspirado na Renascença Francesa, lembrava o castelo de Blois e a casa de Diana de Poitiers. Foi o primeiro edifício premiado com Valmor a ser demolido, em 1954, ocupando actualmente o seu lugar um edifício de 7 andares. Em contrapartida, o «gaioleiro» na esquina em frente, ainda por lá continua. 

Casa Empis, Prémio Valmor de [1907]
Avenida Duque de Loulé com a Rua Luciano Cordeiro

José Artur Leitão Bárcia, in AML

Casa Empis, Prémio Valmor de [1907]
Avenida Duque de Loulé com a Rua Luciano Cordeiro

José Artur Leitão Bárcia, in AML

Monday, 1 February 2016

Quiosque da Praça Luís de Camões

Quer V. Ex.ª um copo de orchata?


A «orchata», era um dos mais populares refrescos lisboetas no séc XIX, apreciado por Eça de Queiroz, para acompanhar um «Bife a Marrare». É um refresco rico e cremoso, de gosto particular e requintado, feito à base de amêndoas e açúcar, dissolve-se em água, acrescenta-se de gelo e... «Vai de refresco!» [1]

O mais antigo quiosque da Praça Luís de Camões [1908]
Lisboa com «35º à sombra», segundo a crónica da Ilustração Portuguesa, N.º 129, 10 Agosto.

Joshua Benoliel, in AML

[1] Eça de Queirós, O Conde de Abranhos, 1878

Rua da Graça

O nome deriva do antigo Convento de Nossa Senhora da Graça, começado a construir em 1271 naquele local, então conhecido por Almofala, que era um pequeno arrabalde mourisco extramuros quando as tropas de D. Afonso Henriques aí acamparam durante o cerco de Lisboa.
A Almofala mourisca tornou-se no bairro da Graça lisboeta repetida na Rua, Largo e demais topónimos que invocam o Convento de Nossa Senhora da Graça.  (cm-lisboa.pt)

Rua da Graça [1953]
Entrada do lado do Largo da Graça

Eduardo Portugal, in AML

Eléctrico, carreira nº 10/11-GRAÇA (circulação). Esta carreira foi inaugurada em Julho de 1906, ligando o Rossio à Graça, via Rua do Ouro e Sé, com retorno por Sapadores e Anjos, sendo que a carreira 11 fazia o percurso inverso, chegando ao Rossio pela Rua Augusta.  Foi suprimida em 1984, por fusão com a carreira 28-B.
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