Saturday, 16 January 2016

Avenida da República

A Avenida da República, na época em que os eléctricos - nesta imagem a carreira 27(?) Campolide-Poço do Bispo -  faziam meia-volta no cruzamento com a Avenida Duque de Ávila.

Avenida da República [1967]
Ao fundo, a Pç. Duque de Saldanha, com o «prédio do anjo» e o Cine-Teatro Monumental
João Brito Geraldes, in AML

Refira-se que a Avenida da República antes de ser Avenida Ressano Garcia pelo edital de 3 de maio de 1897 foi a Avenida das Picoas por referência à Quinta das Picoas que existia no local, domínios do 1º Conde de Camarido e Morgado das Picoas. O Palácio Camarido ocupava o espaço onde se encontra o Edifício Monumental.

Friday, 15 January 2016

Palácio Távora-Galveias

« À esquina da Rua do Arco do Cego levanta-se um interessantissimo especime seiscentista de arquitectura civil portuguesa: o Palácio Galveias. Estão nele instalados o Arquivo, Biblioteca e Museu Municipais.
  Delicia-te, Dilecto, na contemplação do portal nobre, até há oito anos armoriado dos Melo e Castros, cujo brazão foi substituido em 1930 pelo das armas da Cidade.

Palácio Távora-Galveias [c. 1915]
Campo Pequeno
José Artur Bárcia, in AML

O Palácio Galveias, que possuia uma vasta quinta anexa, desaparecida na urbanização dos últimos trinta anos, pertencia no século XVII aos Távoras. O Palácio com seu logradoiro, foi confiscado em 1759, e passou a novo dono, e no princípio do século passado (1801) ia à praça por dívidas à Fazenda; adquiriu-o D. João de Almeida de Melo e Castro, mais tarde 5.° Conde das Galveias, do qual transitou em 1814 para seu irmão D. Francisco, 6.” Conde, continuando na posse dos Galveias, até que uma sobrinha que o herdou, já no final do século passado, o vendeu ao capitalista Braz Simões.

Palácio Távora-Galveias [1928]
Campo Pequeno
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

 O Palácio caiu então em abandôno de nobreza, e tornou-se, como tantos palácios no coração de Lisboa, um albergue de desvalidos. Não passava de um pardieiro, quando em Março de 1927 se começou a pensar na sua expropriação, com vistas aos seus terrenos da formosa e, então, abandonada quinta, chãos indispensáveis pana o remate oriental das Avenidas Barbosa du Bocage e Elias Garcia, o edifício seria destinado a tribunais e conservatórias. 

Palácio Távora-Galveias, portal principal [c. 1940]Campo Pequeno
O portal, de feição heráldica, detém uma traça maneirista, sendo ladeado por duas colunas sobre plintos com anéis envolventes. No entablamento, evidencia-se um friso dórico, dispondo ao centro o escudo heráldico de Lisboa (1930), que substituiu o brasão da família Melo e Castro. O remate das colunas relevado, dispõe de cada lado uma pequena peça de artilharia de pedra, presumivelmente evocativas da participação dos Távoras nas guerras da Restauração
António Castelo Branco. in AML


Em Janeiro de 1928 a Câmara acordou negociações com os proprietários dêste resíduo rústico-urbano seiscentista, e que eram os sócios da firma Simões & Simões (Braz Simões, o homem que fundou o Bairro do seu nome a nascente de Almirante Reis).  Em 1929 estava assente que o Palácio, que muitas e quási radicais obras teria de sofrer, seria sede de Arquivo, Biblioteca e Museu. Foi o vogal da Comissão Administrativa da Câmara Municipal, comandante Quirino da Fonseca, o animador e realizador da idéia. E restaurou-se o Palácio, beneficiando de pintura e decorações, mais ou menos felizes; o jardim, trecho do antigo, foi organizado em parque-museu.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XI,V, pp. 69-70)

Palácio Távora-Galveias, jardim [c. 1939]
Jardim virado à Rua do Arco do Cego e Avenida Barbosa Du Bocage

Eduardo Portugal, in AML

 Em 5 de Julho de 1931, pelas 18.00 horas, era inaugurada no Campo Pequeno (Largo Dr. Afonso Pena) a nova Biblioteca Central, numa cerimónia solene, com a presença do Presidente da República, Óscar Carmona, ministros, e outros altos dignitários. Juntamente com a Biblioteca, era inaugurado no mesmo espaço o Museu Municipal, com secções numismática e oriental.

Thursday, 14 January 2016

O «Café Marrare do Pulimento»


«(...)
    
Numa tarde, estando no Marrare, vira parar defronte, à porta de Madame Levaillant, uma caleche azul onde vinha um velho de chapéu branco, e uma senhora loura, embrulhada num xale de Caxemira.
     O velho, baixote e reforçado, de barba muito grisalha talhada por baixo do queixo, uma face tisnada de antigo embarcadiço e o ar goche, desceu todo encostado ao trintanário como se um reumatismo o tolhesse, entrou arrastando
perna o portal da modista; e ela voltando devagar a cabeça olhou um momento o Marrare.» (...)
    (QUEIROZ, Eça de, Os Maias», 1888)
O café Marrare «do Polimento» situado na Rua Garrett, em meados do século XIX, gravura

   O Café mais antigo e, sem dúvida, o de maior nomeada em Lisboa, foi o Café Marrare «do Polimento» a que Tinop chamou o «príncipe dos botequins». Era «do Pulimento» porque «estava forrado com silhares de madeira pulida, e ainda por oposição aos outros «Marrares» (ARAÚJO, 1939)
   O seu proprietário e fundador foi António Marrare que viera para Lisboa como copeiro do Marquês de Nisa, italiano de berço, estabeleceu-se primeiramente no Largo de S. Carlos, mudando daqui, em 1820, para o edifício da Rua do Chiado que tinha então os números 25 e 26, hoje Rua Garrett, 58-60
   Desde logo, o Marrare foi uma «espécie de café-clube, frequentado de dia e de noite por uma sociedade, o high-life, que era com certeza a fina flor da nossa aristocracia e da alta burguesia lisboeta. Júlio de Castilho sintetizou assim o Marrare: «Lisboa era o Chiado; o Chiado era o Marrare; e o Marrare ditava leis.» 

  Todos os escritores contemporâneos enalteceram a simpatia do seu ambiente e as qualidades do serviço, desde o magnífico infuso, em que entrava o genuíno «Moka», às bebidas das melhores marcas e aos excelentes sorvetes e chocolates de fama. Além da sala de bilhar, tinha ainda um pequeno pátio coberto por uma clarabóia envidraçada onde, no Verão, as senhoras podiam comer os melhores gelados da cidade. Polido era também o atendimento: criados de libré serviam excelente café em cafeteiras de prata.

Prédio setecentista onde existiu o «Café Marrare do Polimento» [c. 1910]
  Rua Garrett, 54-64
Joshua Benoliel, in AML

   Bulhão Pato disse muito categoricamente: «Em 1848 o Marrare do Polimento, no Chiado, tornara-se o ponto de reunião de todos os elegantes e homens superiores de Lisboa». E, logo a seguir: ««Foi notável aquele café; assumiu um carácter literário e político, que hoje pertence à história. Ali só entravam pessoas que andassem em certa roda; as outras não se sentiam à sua vontade em semelhante convivência, ou em tal meio. como agora se diz. O Marrare possuía uma casa de numerosos hóspedes, todos parentes, mais ou menos próximos.»
Encerrou portas em 1866.

Poço do Borratém

O Poço do Borratém, que deu o nome ao Largo onde está situado, era conhecido no tempo antigo, e teve até grande nomeada, confirmada por Curvo de Semedo na sua obra Polyanthea Medicinal.
Diz este autorizado autor das excelências comprovadas desta água em curar «achaques do fígado, impigens, bostelas e outros males cutâneos». Segundo as suas declarações, «Pedro Castilho, juiz do Terreiro,  Álvares Rocha, inquisidor, e a rainha D. Luísa de Gusmão, esposa de D. João IV, dela fizeram uso com satisfatório êxito em quenturas do fígado, costras e outras misérias ».

Poço do Borratém [194-]
António Castelo Branco, in AML

«Em Lisboa Ocidental, chegado às Casas do couto dos Marquezes de Cascaes, está o grande poço do Borratem, muy abundante de agoa, de que bebe a mayor parte da sua vizinhança; a qual he comuummente reputada por boa para os que padecem achaques de calor, assim bebendoa, como tomando banhos nela, do que fez algumas observações o doutor João Curvo Semedo.»
(in Aquilegio medicinal, p. 2651726)


Poço do Borratém, transformado em chafariz [ant. 1927]
Chafariz do Poço antes da última remodelação. Vê-se a bomba manual, 

entretanto desaparecida
José Artur Leitão Bárcia, in AML

Por volta de 1927, novas obras transformam o poço num chafariz — depósito  com três torneiras, enchido pela pressão da água, correndo o excesso a nível do chão para três bacias (estrutura que se conserva).
                                        «Muita água há no Borratém
                                         E no poço do tinhoso
»
                                       (Gil Vicente, «Pranto de Maria Parda»)
Poço do Borratém [1927] 
O chafariz do Poço do Borratém ao ser reaberto ao público, depois das importantes modificações que sofreu
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do Jornal O Século

Em 1986 inicia-se a recuperação do espaço sobre orientação da arqueóloga Ana Rolo. Em 1996 o edifício é transformado no Hotel Lisboa–Tejo, que conserva anexo à recepção, o velho Poço do Borratém.

Poço do Borratém [1951]
Eduardo Portugal, in AML

Wednesday, 13 January 2016

Calçada Patriarcal, Escadas da Rua da Mãe de Água

O topónimo advém da Basílica Patriarcal (antigo Largo da Cotovia, hoje do Príncipe Real) que foi inaugurada em 1756 e destruída por incêndio em 1769. O autor do fogo posto, Alexandre Franco Vicente - que detinha a chave e era responsável pela administração de todas as armações da Igreja bordadas e... guarnecidas com franjas de ouro - foi julgado, em 1773, por mais dois incêndios, além daquele ateado na Patriarcal, um em São Bento da Saúde, e outro, em São Vicente de Fora, tudo para ocultar os roubos efectuados nas armações. Foi condenado por sentença, a ser arrastado com baraço e pregão, preso à cauda de um cavalo, açoitado e conduzido ao sítio e largo da Cotovia onde, preso a um poste seria queimado vivo. O lugar ficou conhecido pelo nome de Largo da Patriarcal Queimada.
 
Escadas da Rua da Mãe de Água [1945] 
Calçada Patriarcal, anteriormente Calçada Nova da Patriarcal Queimada [Largo da Patriarcal Queimada]
Fernando Martinez Pozal, in AML

Tuesday, 12 January 2016

Mercado da Ribeira, a «Mesquita do Nabo»

O Mercado 24 de Julho foi construído após a demolição em 1864 do Forte de S. Paulo sito na Ribeira do mesmo nome. O novo Mercado da Avenida 24 de Julho ou Mercado da Ribeira Nova, como também ficou conhecido, foi projectado pelo engenheiro Ressano Garcia e a ele se devem alguns aspectos inovadores para a época: edifício de estrutura em ferro e no interior um amplo corredor central onde os vendedores dispunham de água em abundância, o que permitiu pela primeira vez em Portugal cuidados de higiene num mercado abastecedor. 

Mercado 24 de Julho, interior [post. 1901]
 Mercado da Ribeira Nova
Fotógrafo não identificado, in AML

Tinha 10 mil metros quadrados de área coberta e foi inaugurado em 1 de Janeiro de 1882. O espaço era pontuado por mais de uma centena de telheiros, utilizados como bancas pelos vendedores de peixe, legumes e flores da cidade de Lisboa. Em 1893 foi parcialmente destruído por um incêndio e acabou por ser demolido em 1926. 

Mercado 24 de Julho, interior [post. 1901]
 Mercado da Ribeira Nova
Alberto Carlos Lima, in AML

A reconstrução, ficou a cargo do arquitecto João Piloto e ficou concluída em 1930, com a instalação da cúpula com um lanternim. tal como ainda hoje existe (v. última foto).

Mercado 24 de Julho, corpo central [entre 1882 e 1893]
 Mercado da Ribeira Nova
Fotógrafo não identificado, in AML

Os lisboetas ficaram tão espantados ao verem uma cúpula num mercado decorado com frescos com motivos hortícolas pintados pelo italiano Gabriel Constanti que lhe chamavam a Mesquita do Nabo.

Mercado 24 de Julho, interior [ant. 1893]
 Mercado da Ribeira Nova
Fotógrafo não identificado, in AML

Foi revestido a azulejo por fora e o tecto pintado por dentro; na entrada foram colocados silhares de azulejos do pintor Vitórai Pereira e outros painéis de Jorge Colaço, representando fainas marítimas.

Mercado 24 de Julho, interior [Inicio séc. XX]
 Mercado da Ribeira Nova
Fotógrafo não identificado, in AML

No corpo central foi instalado um relógio «fabricado em França, na empresa Horloges Bodet, considerado revolucionário para a época. Mas a sua importância não impediu que a máquina estivesse parada quase 20 anos. Só em 1998 a Câmara Municipal de Lisboa decidiu contratar um dos mais prestigiados relojoeiros portugueses. António Franco foi chamado para inspeccionar o relógio da torre. Em menos de um ano, o sistema mecânico foi restaurado e o mostrador teve de ser feito de novo. Um mostrador que guarda a assinatura do homem que permitiu que os cacilheiros voltassem a guiar-se pelo relógio da torre do mercado». (lisboanoguiness.blogs.sapo.pt)

Mercado 24 de Julho, interior [post. 1930]
 Mercado da Ribeira Nova
Eduardo Portugal, in AML

O Mercado voltou rapidamente a ser o centro do comércio grossista e retalhista. No ano de 2001 o espaço estreou um novo aspecto social, cultural e recreativo. Desde 2014 é gerido pela revista «Time Out Lisboa», que apresentou um projecto que inclui bancas dedicadas à restauração, juntamente com atracções culturais.

Monday, 11 January 2016

Cinema Roma

«E Lisboa conta, desde ontem, com mais um agradável cinema a que deram o nome de Roma, certamente porque na Avenida de Roma se encontra,uma acolhedora casa de espectáculos de linhas simples mas elegantes. Não se trata de um cinema de Bairro, porque não fica mal numa cidade como a nossa e não destoa comparado com os outros que se encontram em vários pontos da nossa capital.»
(in Jornal República, 16 de Março de 1957)

Cinema Roma [c. 1957]
Avenida de Roma, 14
Salvador de Almeida Fernandes, in AML

O Cinema Roma abriu portas em 1957, pela mão do empresário Joaquim Ribeiro Belga e segundo risco do arqº Lucínio Cruz. Tinha uma capacidade de 1107 lugares, sendo um dos maiores cinemas de Lisboa na década de 1950. Encerrou em 1988 e durante algum tempo foi utilizado como armazém até ser comprado pela Câmara Municipal.

Sunday, 10 January 2016

Rua Bernardino Costa

«Ora vejamos esta Rua Bernardino Costa (1922) antiga Rua do Corpo Santo, e que foi de seu cômeço a Rua Larga da Ribeira das Naus. (...) dá-nos no trôço contíguo à Praça a particularidade dos bars, de tipo inglês, que bem se casam com o semblante dos prédios (...) O «English Bar», nos nºs 42 e 44 data, neste aspecto actual, de 1937, pois havia desaparecido, como «bar» em 1921, quando José Tavares, que estava à frente da casa, foi fundar no nºs 52 e 54 o «British Bar»; o «English» era relativamente antigo.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol.XIII, p.38)
 
Rua Bernardino Costa, «Valoroso Bombeiro Português (1836-1908)» [1909]
 Praça do Duque da Terceira; Varinas na venda ambulante
Joshua Benoliel, in AML

Bernardino Costa, Patrão do Corpo de Bombeiros Municipais que em 20 de Julho de 1871 efectuou dois heróicos salvamentos, na Rua do Corpo Santo, ao subir pela empena do prédio em chamas e resgatar duas mulheres que se encontravam num dos andares superiores e, assim, lhe juntou a legenda «Valoroso Bombeiro Português 1836–1908», a qual foi suprimida da placa por parecer da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia na sua reunião de 17/11/1947. {cm-lisboa.pt]

Rua Bernardino Costa, «Valoroso Bombeiro Português (1836-1908)» [5 de Outubro de 1911]
 Ornamentações por ocasião da comemoração do 1º aniversário da República Portuguesa
  António Novais, in AML

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