Palácio Azambuja / Palácio dos «Meninos de Palhavã» / Embaixada de Espanha
Pois, companheiro paciente, aí temos
um dos mais formosos especimes palacianos lisboetas, em arquitectura
nobre e equilibrada, documento seiscentista puro: o Palácio Azambuja,
hoje sede da Embaixada de Espanha.
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, p. 55)
«Esta propriedade, ainda não ha muitos annos, era celebre pela espessura de seus bosques, pela grandeza dos jardins e preciosa collecção das suas plantas, pela abundancia de estatuas e vasos de marmore que a decoravam, dentre as quaes algumas sobresaíam por excelencia d'arte, e finalmente pela bondade e frescura de suas aguas.
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Palácio de Palhavã [c. 1900] Avenida António Augusto de Aguiar, 39 Antiga estrada da Palhavã
Fotógrafo não identificado, in AML |
Esta quinta e palacio foram fundados na segunda metade do seculo XVII por D. Luiz Lobo da Silveira, segundo conde de Sarzedas. Seu filho, D. Rodrigo da Silveira, terceiro conde do mesmo título, fez-lhe muitos augmentos, entre outros o grande portão da entrada principal, onde avultam as armas desta antiga e illustre família, que vindo a extinguir-se no seculo passado, reverteram os seus bens para os condes da Ericeira, creados posteriormente marquezes de Louriçal; e pela extincção desta casa succederam nos seus morgados os srs. condes de Lumiares.
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Palácio de Palhavã, portão brasonado [c. 1900] Avenida António Augusto de Aguiar, 39 Fotógrafo não identificado, in AML |
No palacio de Palhavã morreu em 7 de dezembro de 1663 a rainha D. Maria Francisca Isabel de Saboya, filha do duque de Nemours, e mulher d'el-rei D. Pedro II, tendo ido para alli convalescer. Serviu tambem aquelle palacio de residencia aos principes D. Antonio, D. Gaspar, e D. José, filhos naturaes mas reconhecidos del-rei D. João V, (o segundo veiu a ser arcebispo de Braga, e o terceiro inquisidor geral de Lisboa), aos quaes o povo appellidava Meninos de Palhavã, epitheto que lhes conservou ainda mesmo na velhice.
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Palácio de Palhavã, pátio [c. 1900] Avenida António Augusto de Aguiar, 39 No centro do pátio, uma escultura com a representação figurativa de Hércules e 4 estátuas de temática alegorico-mitológica, da autoria do escultor genovês Bernardo Schiaffino
Beatriz Chaves Bobone, in AML |
Durante a longa residencia destes principes em Palhavã chegou a quinta ao seu maior esplendor, e mais esmerada cultura. Adornavam-se os seus jardins com a mais rica e bella collecção de plantas exoticas que então havia na capital. Depois da morte dos principes começou a decadencia da quinta, que aughentou posteriormente á invasão franceza de 1808. Porém a grande ruina desta propriedade foi causada pelas luctas durante o cerco de Lisboa de 1833, na guerra da restauração da liberdade.
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Palácio de Palhavã, pátio [c. 1900] Avenida António Augusto de Aguiar, 39 No
centro do pátio, uma escultura com a representação figurativa de
Hércules e 4 estátuas de temática alegorico-mitológica, da autoria do
escultor genovês Bernardo Schiaffino
Beatriz Chaves Bobone, in AML |
Foi theatro de um mortifero combate na tarde e noite de 5 de setembro d'aquele anno. Palacio e quinta tudo foi assolado. Desde então progrediu a devastação até ao ponto de reduzirem a terras de trigo os seus bosques, pomares, e jardins. Passado tempo alguns dos seus vasos e as figuras de marmore mais pequenas vieram ornar a varanda do jardim que se prolonga com o palacio do sr. conde de Lumiares, ao Passeio Publico.
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Palácio de Palhavã, portão brasonado [c. 195-]
Avenida António Augusto de Aguiar, 39 No centro do pátio, uma escultura com a representação figurativa de Hércules e 4 estátuas de temática alegorico-mitológica, da autoria do escultor genovês Bernardo Schiaffino
António Passaporte, in AML |
Porém ainda lá se conservam algumas estatuas colossaes, erguendo-se em meio de cearas, e lagos ornados de figuras, tudo feito em Italia, havendo entre estas obras de arte algumas producções do celebre esculptor Bernini. Felizmente esta propriedade foi comprada ha pouco pelos srs. condes de Azambuja, que se propõem a restaurar o palacio e quinta, conservando ao primeiro todas as suas feições primitivas.
(Archivo pittoresco, Vol. VI, pp. 81-82, 1863)
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Palácio de Palhavã, pátio [c. 1973] Avenida António Augusto de Aguiar, 39, Praça de Espanha
Artur Pastor, in AML |