Saturday, 5 December 2015

Rua Braamcamp, 5 e 7

O topónimo homenageia Anselmo Braamcamp Freire (1849-1921). Político, foi ministro da Fazenda (1862), da Marinha e Ultramar (1866) e da Marinha (1868). Foi ainda líder do Partido Progressista (1875), ministro dos Negócios Estrangeiros (1879), para além ter orientado com Oliveira Martins, em 1885, o movimento político Vida Nova, de oposição a Fontes Pereira de Melo.

Rua Braamcamp, 5 [Início séc. XX]
Palacete «Casa da Cerâmica»

Paulo Guedes, in AML

 Na esquina com a Rua Mouzinho da Silveira, a «Casa da Cerâmica», um palacete a fazer lembrar a Lisboa da «Belle Époque», demolido por volta de 1950.

Rua Braamcamp, 7 com a Rua Castilho [Início séc. XX]
Neste local encontra-se actualmente o Edifício Braamcamp ou Franjinhas, prémio Valmor de 1971
Fotógrafo não identificado, in AML

Na imagem acima, além da Rua Braamcamp, vê-se ao fundo, a Rotunda — hoje Praça Marquês de Pombal — e a Avenida Fontes Pereira de Melo, e no começo da mesma, do lado direito, o palácio Sabrosa e o palacete Gabriel José Ramires.

Friday, 4 December 2015

Rua Camilo Castelo Branco, 33-37

A passagem do quartel da Rua das Flores nº 95, para a Av. Duque de Loulé nº 111-113 acontece em 4 de Janeiro 1914, onde as condições de instalação terão melhorado; em 27 de Dezembro de 1912 tinha sido doado à Associação pela CML um terreno para a construção do quartel na rua Gomes Freire, mas nunca foi aproveitado pela sua pequena dimensão e localização), até que em 30 de Agosto de 1921 foi assinada a... escritura da compra do terreno na rua Camilo Castelo Branco, cujas instalações foram inauguradas em 10 de Maio de 1925. (bvlisbonenses-pmacieira.blogspot.pt)

Rua Camilo Castelo Branco, 33-37 [c. 1925]
Sede dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses
Ferreira da Cunha, in AML

Camilo Castelo Branco (1825– 1890) é um dos expoentes máximos da Literatura Portuguesa. Órfão de pai e mãe ainda criança, instalou-se no Porto em 1844 para estudar Medicina. Em 1845, estreou-se na poesia e no teatro. Em 1855, tornou-se o principal redactor de O Porto e de Carta. Em 1858, foi eleito sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa. Dirigiu a Gazeta Literária do Porto em 1868. Das suas obras, destacam-se: A Queda de um Anjo (1866); Mystérios de Lisboa (1854); Amor de Perdição (1862); A Queda dum Anjo (1865) e A Brasileira de Prazins (1882).

Café Chave d’Ouro

O Café Chave d’Ouro — um dos maiores cafés da capital no seu tempo — foi fundado em 1916 e conquistou a preferência dos lisboetas. Na fachada ostentou cerca de 20 anos um anjo esculpido em pedra de lioz e ferro, projecto da responsabilidade de Fausto Fernandes, passou depois a um estilo mais moderno quando da remodelação em 1936, dirigida pelo arquitecto Norte Júnior.

Café Chave d'Ouro, Praça Dom Pedro IV [c. 1930]
Enqudramento, lado ocidental do Rossio
Estúdio Mário Novais, in AML

Nas décadas de 40 e 50, O Café Chave d’Ouro fazia parte do quotidiano dos intelectuais e oposicionistas ao regime de Salazar. Ai se realizou a conferência de imprensa que lançou a candidatura de Humberto Delgado à presidência, em Maio de 1958. Respondendo à pergunta do correspondente da «France Press» sobre que destino daria ao dr. Oliveira Salazar caso ganhasse as eleições, proferiria a histórica frase: «Obviamente, demito-o!»

Café Chave d'Ouro, Praça Dom Pedro IV [c. 1930]
Ferreira da Cunha, in AML

Diz-se que Salazar mandou fechar o café no ano seguinte (1959), pois acreditava que este era um centro de «ódio e dissolução».
«Em 1916 foi construído o Café Chave d'Ouro. Já tinha sido uma pastelaria durante o período sidonista. O café era o "habitat" dos não-democráticos. Nele se lia o câmbio do dia, e, quando as lojas fechavam, os comerciantes reuniam-se na cave do café.»  (in Rocio/Rossio, Terreiro da Cidade)

Café Chave d'Ouro, Praça Dom Pedro IV [post. 1936]
Frontaris após remodelação em 1936
Fotografia anónima
Café Chave d'Ouro, Praça Dom Pedro IV [1941]
Galeria; relógio de parede
Kurl Pinto, in AML
Café Chave d'Ouro, Praça Dom Pedro IV [1941]

 Kurl Pinto, in AML

Thursday, 3 December 2015

Rua Augusta com a Rua da Betesga

O ângulo E. do Rossio dá passagem para a Rua da Betesga antigamente muito estreita (de onde o prolóquio meter o Rossio na Betesga), mas alargada e regularizada após 1755, e a qual, limitando ao S. a Praça da Figueira, vai ter, pelo lado E., ao Poço de Borratém.

Pelo decreto régio de D. José de 5 de Novembro de 1760 - que também regulava a distribuição de ofícios e ramos do comércio - fico estipulado que na Rua Augusta deviam alojar-se os mercadores da seda e da lã.

Rua Augusta com a Rua da Betesga [1911]
Camisaria Confiança; Hotel Internacional
Comemorações do 1º aniversário da República Portuguesa
António Novaes, in AML

A «Camisaria Confiança», sucursal da Fábrica Confiança, foi fundada em 1883, com sede na Rua de Santa Catarina, Porto. Actualmente é um hotel de charme, o Internacional Design Hotel, antes «Hotel Internacional» que sucedeu a um antigo «Hotel Camões», do qual aproveitou a belíssima fachada. Este edifício foi projectado pelo arqº. J. C. P. Ferreira da Costa em 1909.

Rua Augusta com a Rua da Betesga [1914]
Camisaria Confiança; Hotel Internacional
Joshua Benoliel, in AML

Rua da Betesga com a Rua Augusta: Hotel Camões

No local daquele prédio de gaveto, provavelmente o antigo «Hotel Camões», viria mais tarde a surgir o edifício projectado pelo arquitecto J. C. P. Ferreira da Costa em 1909, onde se instalaria a «Camisaria Confiança» e o «Hotel Internacional» — antes Hotel Camões —, com entrada pelo nº 3 da Rua da Betesga. (v. próximo artigo)

Rua da Betesga com a Rua Augusta [Início séc. XX]
Antigo Hotel Camões depois Hotel Internacional; Venda ambulante de refrescos

Nota(s): local da foto não se encontra identificado no arquivo.
Augusto Bobone, in AML

Refere Castilho (Lisboa Antiga) que «Betesga é uma ruasinha ou beco sem saída, que faz saco, ou fundo de saco; daí deriva o verbo etnbetesgar. Esta viela é antiga, e já se encontra nos escritores do século XVI.»
«A Betesgua, como se escrevia no tempo em que também se escrevia “Postiguo” e Santiaguo”, isto é, nos séculos XV e XVI, é um dos sítios de Lisboa de mais antiga denominação de que há noticia.» (BRITO, Ruas de Lisboa, 1935

Rua da Betesga [Início séc. XX]
Junto ao antigo Hotel Camões depois Hotel Internacional; capelista ambulante

Nota(s): local da foto não se encontra identificado no arquivo.
Augusto Bobone[?], in AML

Wednesday, 2 December 2015

Igreja e Antigo Convento de Nossa Senhora da Estrela

Hospital Militar Principal

O edifício do actual Hospital Militar Principal foi, na sua origem, um convento beneditino dedicado a Nossa Senhora da Estrela, cuja data de fundação remonta ao ano de 1572, devendo-se a sua iniciativa a frei Plácido de Vila-Lobos, que foi depois o primeiro abade. Oriundo do Mosteiro de Tibães, de onde vieram os restantes frades fundadores, o novo mosteiro foi erguido na Quinta de Campolide. As obras correram céleres, pois um ano mais tarde, a 24 de Dezembro de 1573, foi celebrada a primeira missa na igreja.
A vida desta casa foi depois objecto de grandes alterações, uma vez que a fundação de um novo mosteiro beneditino na cidade, em 1615, num local mais acessível, em São Bento da Saúde, significou a redução da Estrela a colégio e casa de estudo para o noviciado. O Terramoto de 1755 provocou danos consideráveis no edifício, que foi rapidamente recuperado.

Igreja e Antigo Convento de Nossa Senhora da Estrela [1911]
Calçada da Estrela, Praça da Estrela
Panorâmica da Estrela tirada do zimbório da Basílica da Estrela
Joshua Benoliel, in AML

O antigo convento viu modificada a sua vocação inicial em 1797, data que, de alguma forma, antecipou o resultado da extinção das ordens religiosas do século seguinte, passando para a posse do Estado e recebendo, ainda nesse ano, as tropas auxiliares britânicas. Desde então, e apesar de em 1817 ainda residirem nas instalações alguns monges beneditinos, o edifício não mais deixou de ser hospital, acompanhando as vicissitudes da história dos hospitais militares de Lisboa. Em 1818 acolheu a secretaria dos Hospitais Militares e a Botica Geral do Exército e, em 1834, passou a intitular-se Hospital Militar de Lisboa. A partir de 1851 reuniu, sob o título de Hospital Militar Permanente de Lisboa, todos os Hospitais Regimentais da capital. Conserva, desde 1926, a designação de Hospital Militar Principal.
O convento/hospital traduz uma arquitectura religiosa e civil hospitalar barroca e rococó. No interior destacam-se a escadaria que distribui os espaços, os revestimentos azulejares, o retábulo em talha dourada e os túmulos da capela-mor. Igreja e o antigo Convento estão classificados como Monumento de Interesse Público.

Hospital Militar Principal [1941]
Calçada da Estrela, Praça da Estrela
Eduardo Portugal , in AML

Calçada e Elevador da Glória

O topónimo advém da Ermida de Nossa Senhora da Glória que se situava na Rua da Glória, fundada em 1574 por Fernão Pais. Cerca de 1626, aí se estabeleceram os Padres Irlandeses, do Seminário fundado em 1593. Em 1755, era seu proprietário D. Luís de Portugal da Gama, 2º Conde da Vidigueira.

Calçada e Elevador da Glória [séc. XIX] 
Este elevador apresentou, em tempos,  a particularidade de se poder viajar no tejadilho.
Fotógrafo não identificado

Segundo elevador projectado pelo engenheiro Raul Mesnier du Ponsard (o primeiro foi o do Lavra) e fabricado pela Nova Companhia de Ascensores de Lisboa, a qual obteve licença camarária de construção em 1875, sendo esta consecutivamente prorrogada, iniciando-se a obra em 1883. A construção deste ascensor foi muito atribulada, sendo alvo de protestos, embargos, exigências de indemnizações avultadas e desastres. Foi, por fim, inaugurado a 24 de Outubro de 1885. Locomovia-se através do contrapeso de água. Necessitava de 400 m3 diários de água para funcionar. A água era fornecida pelo depósito das Amoreiras. À noite, o interior do elevador era iluminado com velas de estearina. Durante um período foi movido a vapor, estando a caldeira numa casa no Largo da Oliveirinha. Passou a funcionar por tracção eléctrica a partir de 1 de Agosto de 1914. Este elevador apresentava a particularidade de se poder viajar no tejadilho, em dois bancos corridos de costas com costas, a chamada imperial, à qual os passageiros acediam por uma escada de caracol. A sua viagem custava um vintém. Passa a ser propriedade da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, em 15 de Dezembro de 1926. No ano de 2002 foi classificado Monumento Nacional.

Calçada e Elevador da Glória [1926]
Fotógrafo não identificado

Tuesday, 1 December 2015

Viaduto ferroviário de Entrecampos

Até 1950 - ano da inauguração do novo viaduto ferroviário de Entrecampos - o trânsito automóvel e pedonal na Avenida da República, processava-se através de pequenos túneis sob a Linha Férrea de Cintura de Lisboa. 

Obras no Viaduto ferroviário de Entrecampos [1950]
Avista-se o Mercado Geral de Gados datado de 1888 com risco do arquitecto Parente da Silva

 Firmino Marques da Costa, in AML

Segundo afirma Norberto de Araújo («Peregrinações em Lisboa, vol. XIV, pp. 63-64») «A linha férrea foi aqui assente em 1890, e inaugurada a 11 de Junho; êste viaduto e o da Avenida Cinco de Outubro, são posteriores, e do nosso século. Devo dizer-te, porém, que já em 1873 (inaugurada em 1 de Outubro), corria aqui uma linha pelo sistema Larmanjat, que pouco tempo durou.»

Viaduto ferroviário de Entrecampos [1950]
Avenida da República

Fernando Martinez Pozal, in AML

Assim, em 17 de Novembro de 1950, foi inaugurada a passagem inferior da Av. da República, depois de removidas as terras do antigo aterro ferroviário, resolvendo deste modo um problema que se arrastava desde a construção da Av. Ressano Garcia (hoje Av. República) no início do século XX.
As principais remodelações do Viaduto de Entrecampos sobre a Avenida da República datam do período do Estado Novo (1944) e da década de setenta (1970) que se ligam directamente às necessidades de maior fluidez do tráfego automóvel na Avenida da República.

Viaduto ferroviário de Entrecampos [1973]
Avenida da República
Novo tabuleiro da autoria do engº. Edgar Cardoso

Armando Serôdio, in AML

O Larmanjat - de que fala Norberto Araújo - era um sistema de caminho de ferro monocarril, idealizado pelo francês J. Larmanjat, composto por um carril central ladeado de duas passadeiras de madeira.  A locomotiva, a vapor, e as carruagens tinham rodas centrais, que rodavam pelo carril, e rodas laterais que rodavam pela passadeira.
Explorada pela companhia inglesa «Companhia dos Tramways a Vapor», foi inaugurada a 4 de Setembro de 1873 a ligação Lisboa - Torres Vedras. Esta linha tinha as seguintes estações: Lisboa, Campo Pequeno, Lumias, Nova Cintra, Santo Adrião, Loures, Pinheiro de Loures, Lousa, Venda do Pinheiro, Malveira, Vila Franca do Rosário, Barras, Freixofeira, Turcifal e Torres Vedras.
Uma passagem entre Lisboa e Torres Vedras custava 900 réis em 1ª classe e 700 réis em 3ª classe, não havendo 2ª classe.

PAR IS-TROCADERO-CH FER ESSAI SYSTEM LARMANJAT-1871

O primeira viagem efectuada demorou 4h e 20m, tempo esse que representava um autentico 'record' se comparado com o tempo normal de uma viagem de diligencia que rondava as 6h. No entanto este novo meio de transporte inaugurou um novo tipo de acidente: o descarrilamento. Este facto, que tudo indica seria frequente, aliado a sucessivas avarias mecânicas, fazia, com frequência, dilatar o tempo alcançado pela viagem inaugural e tornar a viagem de diligencia mais segura e, por vezes, mais rápida.
Este meio de transporte foi abandonado em 1877 por falência da empresa que o explorava.
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