Sunday, 15 November 2015

Rua do Carmo, 87-A e 87-B

Luvaria Ulisses e Joalharia do Carmo


A Joalharia do Carmo foi fundada em 1924, por Alfredo Pinto da Cunha. A fachada em meio-arco, decorada a ferro forjado, e os interiores em art déco recordam o Chiado de outros tempos.
A Luvaria Ulisses foi fundada em 1925 por Joaquim Rodrigues Simões.

Rua do Carmo, 87-A e 87-B [Início séc. XX]
Luvaria Ulisses e Joalharia do Carmo
Ferreira da Cunha. in AML

Saturday, 14 November 2015

Convento e Igreja (Hospital) de Nossa Senhora da Conceição de Arroios

Construído em 1705 a partir do financiamento de D. Catarina de Bragança, filha de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão, funcionou até 1755 nesse espaço conventual o colégio de formação dos Jesuítas, tomando o nome de colégio de São Jorge de Arroios.
Resistiu ao terramoto de 1755 mas não à expulsão dos Jesuítas em 1759, altura em que Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal (1769), determinou a ocupação do convento pelas freiras Concepcionistas Franciscanas, ficando o espaço a ser conhecido por convento de Nossa Senhora da Conceição de Arroios.

Panorâmica do Convento de Nossa Senhora da Conceição de Arroios [s.d.]
Ao longe, o cabeço da Penha de França

Fotógrafo não identificado, in AML

O convento ficou devoluto em 1890, ano em que morreu a última freira e em 1892, o Estado decidiu que o seu espaço fosse convertido em hospital e ficasse sob a administração do Hospital Real de São José. Foi então determinado que funcionasse um hospital de isolamento para doentes com peste bubónica, cólera, varíola, lepra e tuberculose.

Convento de Nossa Senhora da Conceição de Arroios [séc. XIX]
Rua Quirino da Fonseca, antiga Estrada de Sacavém

Fotógrafo não identificado, in AML

A partir de 1898, o antigo convento tomou o nome de Hospital Rainha Dona Amélia e destinou-se somente ao tratamento e prevenção da tuberculose, para em 1911 após a Implantação da República se passar a chamar Hospital de Arroios. Funcionou até 1993, altura em que foi definitivamente desactivado, encontrando-se actualmente devoluto.
 
Hospital de Arroios [1961]
Avenida Almirante Reis; Praça do Chile

Arnaldo Madureira, in AM

A fachada principal da igreja, desenvolvida em 3 andares, rasgada por portal armoriado com as armas de Portugal e Inglaterra, é rematada por uma estrutura tripartida de frontão axial com nicho exibindo a imagem de Nª Senhora da Conceição, ladeada por duas torres sineiras.

Igreja do Convento de Nossa Senhora da Conceição de Arroios [c. 1930]
Rua Quirino da Fonseca, antiga Estrada de Sacavém

Eduardo Portugal, in AML

Foi na igreja do convento que permaneceram os restos mortais do Marquês de Pombal trasladados do convento de Santo António de Coimbra, antes de serem transportados para a Igreja de Nossa Senhora das Mercês. (SANTANA, Francisco e SUCENA, Eduardo (dir.), Dicionário da História de Lisboa, 1994, pp. 93, 441-442)

Igreja (Hospital) de Nossa Senhora da Conceição de Arroios, brasão [1964]
As armas que sobrepujam o pórtico são as da Rainha protectora D. Catarina

F. Gonçalves, in AML
 

Estrada das Laranjeiras

Grupo de senhoras passeiam escondidas do sol debaixo dos guarda-solinhos, calcorreando a Estrada das Laranjeiras - local pontuado por palacetes, hortas e casas da pasto - provavelmente na direcção do antigo sítio chamado Palhavã (actual Praça de Espanha), ou, quiçá, regressando do Jardim Zoológico na Quinta das Laranjeiras.

Estrada das Laranjeiras [190-]
Paulo Guedes,
in AML

O topónimo «Laranjeiras» neste local está indubitavelmente ligado à Quinta das Laranjeiras, de Estêvão Augusto de Castilho, cuja referência mais antiga data de 1671.

Estrada das Laranjeiras [190-]
(Local não identificado no arquivo)
Paulo Guedes, in AML
 

Esta noite, Lisboa de Antigamente é parisiense.

Paris Photographs, World Fair Exhibition, 1900.

Friday, 13 November 2015

Palácio Geraz do Lima (Condes da Folgosa)

Sobre a origem do topónimo «Rua da Palma», refere o olisipógrafo Norberto de Araújo o seguinte: 
«Esta Rua, desafogada, hoje constituindo uma única artéria, das trazeiras de S. Domingos ao Intendente, divide-se em dois troços. O primeiro chega só à Guia [Martim Moniz] e é muito antigo, havendo sido nos séculos velhos arruamento dos comerciantes alemães que cultivavam religiosamente a lenda da palma que florira na sepultura do cavaleiro cruzado Henrique, sacrificado na Tomada de Lisboa, em 1147; (...) O segundo trôço, «Rua Nova da Palma», data de 1862, e chegava até aqui ao Socorro, começando gradualmente a prolongar-se até ao Intendente; a Câmara começara a comprar terrenos de hortas e campos, que por aqui existiam, desde o ano de 1776.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. IV, pp. 24-25)

Palácio Geraz do Lima (Condes da Folgosa), Rua da Palma [1930]
Anterior à demolição parcial

Fotógrafo não identificado, in Arquivo do jornal O Seculo

Sobre o sítio do Socorro e o palácio que aqui existiu no século XIX, citamos o olisipógrafo Júlio de Castilho, que, por volta de 1900, afirmava o seguinte:
« (...) O palacio dos Porcilles, Porsili, ou Possilli (que assim, por estas variadas formas, se escrevia e pronunciava no publico esse apellido) ficava na freguesia do Socorro. (...) É o actual palácio que pertenceu ao Barão de Folgosa, depois a sua filha a snrª. Condessa de Geraz do Lima, e hoje [1903] ao 3º. viuvo d'esta senhora. Para este palacio, cuja entrada era por um portão defronte da egreja parochial do Socorro, antes da abertura do 2º. lanço da rua Nova da Palma foi transferido em 1813 o Collegio de Miguel Bourdiec, francez (...) O Collegio francez mudou-se em Julho de 1819 para a rua direita de S. Paulo, no. 5, e o palacio do Socorro alugava-se ou inteiro, ou em quartos separados.»
(CASTILHO, Júlio de, Lisboa antiga, 1903, vol. III, p. 15)

Palácio Geraz do Lima (Condes da Folgosa), Rua da Palma [1932]
Fotógrafo não identificado, in Arquivo do jornal O Seculo

O palácio Folgosa foi mandado construir, em 1891, por António de Sousa e Sá, Conde da Folgosa. Após a sua morte, o Palacete foi adquirido pela Câmara Municipal, que mandou demolir parte do edifício para rectificação e alinhamento da Rua da Palma, cerca de 1930.

Palácio (dos Condes da) Folgosa, Rua da Palma [1939]
Eduardo Portugal, in AML



Thursday, 12 November 2015

Praça Dom Pedro IV

 Vendedor ambulante de castanha assada

«Quentes e boas!
Apregoa-se a castanha,
Desde o Rossio ao Saldanha,
Os pregões são sempre assim.»

Praça Dom Pedro IV [1907]
Vendedor ambulante de castanha assada

Joshua Benoliel, in AML

O segredo de como são assadas e como ficam com a cor «branca» está na temperatura do forno que é aquecido por brasas de carvão vegetal; as castanhas são colocadas num assador metálico (antigamente era em barro e ainda há quem use) com forma de cone em que a ponta de cima foi cortada de maneira a servir de «boca» e o fundo é perfurado por vários orifícios e encaixa perfeitamente no forno, de maneira a aproveitar o calor ao máximo. As castanhas antes de irem para o assador são cortadas com um único e profundo golpe e durante a assadura são repetidas vezes polvilhadas com sal grosso e mexidas.

Travessa da Palmeira

 Vendedoras ambulantes de queijos

«Méérca ô quêi-jo sa-lôôio! Quem n´ô quér salôôio!»
 Foi um topónimo atribuído por Edital do Governo Civil de 1 de Setembro de 1859, ao arruamento até aí designado por Travessa de S. Francisco de Paula.
A origem do topónimo Rua das Palmeiras é desconhecida e a antiga denominação do arruamento evocando S. Francisco de Paula refere-se a uma das Congregações que se sediaram em Lisboa, sendo esta concretamente nas proximidades da actual Rua das Janelas Verdes.(cm-lisboa.pt)

Travessa da Palmeira [séc. XIX-XX]
Vendedoras ambulantes de queijos

Joshua Benoliel, in AML

Wednesday, 11 November 2015

Cinema São Jorge

Construido no local onde antes se erguia o Palácio do Barão de Samora Correia,  foi considerado um dos mais emblemáticos cinemas de Lisboa, O São Jorge foi inaugurado em 24 de Fevereiro de 1950, com a exibição do filme «Os Sapatos Vermelhos». Era, na época, a maior sala de espectáculos do País, com capacidade para 1.827 pessoas (913 na plateia, 914 nos três balcões), mas, também, um espaço equipado com inovações tecnológicas pouco habituais para a época, designadamente o ar condicionado, um sistema central de aspiração interna, um piano eléctrico e o memorável órgão elevatório no palco.

Cinema São Jorge [1959]
Avenida da Liberdade, 175-175B; Rua Júlio César Machado, 8-8A

Armando Serôdio, in AML

Construído com capitais luso-britânicos, no período de apenas um ano (entre 1949 e 1950), era dotado de um palco, dois foyers, sala de projecção, instalações para a Administração e salas de apoio técnico. Dispunha de uma excelente acústica e proporcionava aos visitantes um cenário de grande beleza e conforto, ou seja, Lisboa reconhecia, no Cinema São Jorge, uma obra superior, quer pela qualidade dos materiais quer pela modernidade das linhas, facto que valeu ao seu arquitecto, Fernando Silva, o Prémio Municipal de Arquitectura em 1951. {v. artigo anterior para saber o que aqui existia antes]

Cinema São Jorge [1961]
Avenida da Liberdade, 175-175B; Rua Júlio César Machado, 8-8A

Armando Serôdio, in AML

Web Analytics