Thursday, 5 November 2015

Calçada da Glória

« Esta Calçada da Glória, (...) é muito antiga como serventia pública. Nos séculos velhos certamente não passaria de de uma Vereda na encosta, ladeando uma parte da cêrca dos frades de S. Roque; depois foi-se transformando em rampa, e, quando se urbanizaram S. Pedro de Alcântara e as Taipas, deu-se foros de Calçada, ligando a Avenida ao Bairro Alto, como dantes ligava as Hortas de Valverde  a Vila Nova de Andrade.

Calçada da Glória [c. 1910]
Joshua Benoliel, in AML

Da «Glória» se chama em razão de uma Ermida de N. S. da Glória que existiu ao fundo da rampa, erigida erm 1574, por Fernão Pais (...). Aquela ermida situava-se um pouco mais acima do fundo da Calçada de hoje, pois a rampa do meio para baixo tinha outra orientação; na Travessa da Glória, esquina sul junto à Avenida, seria o seu lugar, e ainda há uns dez anos havia dela vestígios.
Os ascensores - e estamos a ver o que seriam os dois «maxibombos» há cinqüenta anos - datam de 1884.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. V, p. 79)

Calçada da Glória [c. 1940]
Ferreira da Cunha in AML

Wednesday, 4 November 2015

Casas da Moeda

Falemos então da Casa da Moeda, que temos ainda à vista, e digo «ainda» porque não tarda (fins de 1940) que êste importante estabelecimento de Estado seja transferido para novo edifício, na Avenida António José de Almeida, no Arco no Arco do Cego. [Araujo, 1939]


A Casa da Moeda de Lisboa é talvez o mais antigo estabelecimento fabril do Estado português, com uma laboração contínua desde, pelo menos, o final do século XIII. As mais antigas notícias da sua existência como estrutura oficinal fixa datam do reinado de D. Dinis, quando ela se localizaria perto da «Porta da Cruz», a Santa Apolónia.

Casa da Moeda [c. 1910]
Rua de São Paulo
Joshua Benoliel, in AML

No século XIV foi mudada para o local onde mais tarde esteve a cadeia do Limoeiro, junto à Sé, e no reinado de D..João I vamos encontrá-la na Rua Nova [dos Ferros, hoje Rua de São Julião], defronte da ermida de Nossa Senhora da Oliveira.
Em meados do século XVI terá sido transferida um pouco mais para ocidente e funcionaria na Rua da Calcetaria [dos Calceteiros ou da Sapataria], não longe do Paço da Ribeira, onde permaneceu até 1720.


Casa da Moeda [séc. XIX]
Rua de São Paulo e Rua da Boavista
Fotógrafo não identificado, in AML

Nessa data, mais precisamente em 16 de Setembro [de 1720], foi transferida para a Rua de São Paulo, conforme se lê numa «lembrança» registada a fls. 253 v do livro 2º do Registo Geral, que informa que nessa data «se fes mudança da fabrica e mais materiaes e o cofre da Caza da Moeda desta cidade de Lisboa a qual estava situada em a rua da Calsetaria pª o chão em q. estava situada a Junta do Comercio Geral, em o qual chão se adeficou noua Caza da Moeda.».

Casa da Moeda, entrada principal [c. 1941]
Rua Dona Filipa de Vilhena, 7  com a Av. João Crisóstomo
Paulo Guedes, in AML

permaneceu até 1941, quando mudou para o novo edifício projectado pelo arq. Jorge Segurado, onde ainda hoje se encontra.
A Casa da Moeda viu os seus serviços reestruturados sucessivamente em 1911, 1920, 1929 e 1938, fundindo-se finalmente, em 1972, com a Imprensa Nacional..(in incm.pt)

Casa da Moeda [c. 1952]
Avenida António José de Almeida esquina com a Avenida Cinco de Outubro
António Passaporte do, in AML

Tuesday, 3 November 2015

Cemitério dos Ingleses

« (...) o Cemitério dos Ingleses, cujo chão foi concedido aos súbditos britânicos de Lisboa em 1771 por efeito de uma das cláusu-las do Tratado de 1655 entre Portugal e a Inglaterra; os enterramentos começaram em 1725. O cemitério tem ingresso pelo portão n.° 2 da Rua, e também pela Rua Saraiva de Carvalho, em cujo prédio, n.° 49, contíguo ao cemitério, existe um Hospital Britânico. O Cemitério dos Ingleses é o mais antigo de Lisboa, e assim se compreende a exuberância de vegetação, em verdadeiro parque que, a despeito da característica fúnebre, constitue uma mancha vegetal a quebrar a monotonia da Rua Saraiva de Carvalho.» (in Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, vol. XI, p. 54)

Rua da Estrela, Cemitério dos Ingleses [c. 1910]
Joshua Benoliel, in AML

O túmulo  mais famoso do cemitério, é o de Henry Fielding (1707-1754), considerado o fundador da tradição realista que predominou no romance inglês até o fim do século XIX. Com a saúde arruinada por excesso de trabalho e  por várias maleitas, Fielding apanha em 1754 um veleiro com destino a Lisboa, na esperança de que um clima mais ameno lhe devolva a saúde perdida. Esta viagem foi a última que fez, já que aqui viria a morrer passados dois meses.

Igreja do Cemitério dos Ingleses [c. 1900]
Após a ampliação do recinto, nasceu na nova parcela, a igreja de São Jorge em 1822 entretanto encerrada.
Autor não identificado, in AML

Publicado postumamente, «Diário de Uma Viagem a Lisboa» descreve a sua viagem à capital, rematando com um parágrafo final onde ele diz que foi transportado para «a cidade mais nojenta da Terra» e onde lhe foi cobrado por um jantar «uma conta tão longa como a mais comprida das estradas.».

Jazigo do escritor Henry Fielding (1707-1754) [ant. 1895]
Francesco Rocchini, in AML

Rua Áurea, 280-286

Rouparia Central de J. Nunes Godinho


A 5 de Novembro de 1760 foi iniciada em Lisboa a prática de atribuição de nomes de ruas por decreto. Neste diploma D. José estabelece a denominação dos arruamentos localizados entre a Praça do Comércio e o Rossio, bem como regulariza a distribuição dos ofícios e ramos do comércio no mesmo local.

Rua Áurea, 280-286 [c. 1910] 
Joshua Benoliel, in AML

Sobre esta rua ficou decidido: Nela se acomodarão os Ourives do Ouro, alojando-se nas acomodações que dele sobejaram os Relojeiros e Volanteiros. E é assim que a rua passa a ser identificada pelo vulgo como Rua do Ouro.(cm-lisboa.pt)

Rua Áurea, 280-286 [c. 1910] 
Joshua Benoliel, in AML

Monday, 2 November 2015

Lisboa e Madrid começam a conversar pelo telefone

Sobre o Terreiro do Paço, operários na torre da Central Telegráfica, a 16 de maio de 1928. No dia seguinte, às 10H30, o Presidente Carmona e o Rei Afonso XIII, fazem o primeiro telefonema entre Lisboa e Madrid.

Terreiro do Paço, Praça do Comércio [1928]
Lisboa e Madrid começam a conversar pelo telefone
in DN
 

Campo de Santa Clara

«(...) a velha Feira da Ladra alfacinha, das velharias e das utilidades, do que não presta e pode vir a prestar um dia, [...] é um ingénuo repositório de ferro-velho, de trapo velho, de bagatelas velhas, de tudo quanto já serviu um dia e enferrujou, e se cobriu de azebre, ou ficou numa renda poída, numa «migalha de cousa nenhuma».  
(in Norberto de Araújo, «Peregrinações em Lisboa», vol. VIII, p. 73)

Campo de Santa Clara,  Feira da Ladra [s.d.]
Fotógrafo não identificado, in AML

Sunday, 1 November 2015

Leitaria Lvso Central

«No n.° 27 a 29 está a Leitaria Luso Central (a «Leitaria das Vacas›, por ter três cabeças bovinas, douradas por tal sinal, sôbre os portais); foi fundada em 1911 e ampliada, tal qual está, em 1914 [no frontispício  pode ler-se a data MCMXVI] por Norte Júnior.  Antes de ser leitaria era um estabelecimento de modas de J. Mouta, e uma Tabacaria Gusmão.

Praça Dom Pedro IV, 27-29 [1930]
Ferreira da Cunha, in AML

De acordo com Norberto de Araújo, nas suas Peregrinações em Lisboa, neste local existiu um dos mais antigos botequins do Rossio: «O «Parras›, do Pedro das Luminárias-José Pedro da Silva, que foi grande amigo de Bocage -, assentava onde está hoje a citada Leitaria Luso-Central, e datava do fim de setecentos, isto é: quási do comêço urbanizado do Rossio pombalino.

Praça Dom Pedro IV, 27-29 [1930]
Interior da Leitaria Luso Central e as curiosas cadeiras com desenho de uma cabeça de vaca no espaldar.

Ferreira da Cunha, in AML

O Pedro da Silva fôra, antes, gerente do Nicola, e quando fundou o «Parras» (ainda não tinha a alcunha de Luminárias), arrastou uma parte da freguesia atrás dele, poetas e não poetas, os árcades livres e os arregimentados. Chamavam ao botequim o ¢Parras› porque interiormente se adornava de pinturas de fôlhas de videira; chamavam ao Pedro o «das Luminárias» porque, ferrenho patriota, eram célebres as iluminações exteriores do botequim quando se dava algum facto favorável à causa real portuguesa, contra os franceses de Junot. O Parras extinguiu-se no meado do século passado; o Pedro, liberal dos quatro costados, que aos 75 anos ainda era soldado no «batalhão da Carta», morreu em 1862, com 90 anos.»
(ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa,, vol. XII, p. 72)

Praça Dom Pedro IV, 27-29 [1940]
Kurl Pinto, in AML

Convento da Ordem Terceira de Jesus e Igreja de Jesus

A igreja foi construída em 1615 sendo o Convento de Jesus inaugurado em 1632. A sua reconstrução, pós-Terramoto, foi efectuada imediatamente, superintendida por frei Manuel do Cenáculo e ajudada pelo marquês de Pombal. 

Panorâmica sobre o convento da Ordem Terceira de Jesus [1945]
Convento da Ordem Terceira de Jesus e Igreja de Jesus
Eduardo Portugal, in AML
 
A igreja, de fachada setecentista, apresenta no seu interior uma só nave com capelas laterais voltadas ao centro, podendo observar-se alguns vestígios da antiga reconstrução seiscentista. Inicialmente a classificação como Imóvel de Interesse Público estava atribuída somente à Igreja de Nossa Senhora de Jesus.
 
Largo de Jesus [séc. XIX/XX]
Convento da Ordem Terceira de Jesus e Igreja de Jesus
José Artur Leitão Bárcia, in AML
 
A partir de Dezembro de 2010 a classificação de Conjunto de Interesse Público foi atribuída ao conjunto constituído pelo antigo Convento de Nossa Senhora de Jesus, e restos da cerca conventual, incluindo a Igreja de Nossa Senhora de Jesus/Igreja Paroquial das Mercês, a Academia das Ciências, o Museu Geológico do Instituto Geológico e Mineiro, a Capela da Ordem Terceira de Nossa Senhora de Jesus e o Hospital de Jesus. (in DGPC)







Convento da Ordem Terceira de Jesus, interior da igreja [1945]
Eduardo Portugal, in AML
(clicar para ampliar)
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