Wednesday, 25 September 2019

Rua dos Capelistas que foi d'El-Rei

Aos comerciantes que tinham as suas lojas no Pátio da Capela Real (depois elevada a Igreja Patriarcal de D. João V), pátio com suas arcadas e galerias [vd. Planta de Lisboa anterior ao Terramoto], chamava-lhe o povo os capelistas, e às suas lojas capellas.
As «capelas» e tendas, ou tendas da Capela — explica Norberto de Araújo — onde se «acha tudo o que de mais precioso é no mundo», foram depois do Terramoto armadas nas lojas dos prédios edificados na Rua do Comércio, e daí o chamar-se a essa artéria «Rua dos Capelistas», da mesma forma que os pequenos estabelecimentos «que vendem tudo» por êsses bairros de Lisboa, são conhecidos ainda por «capelistas», casas de «artigos de capela». Fenómenos da evolução dos vocábulos.

Rua do Comércio vulgo dos Capelistas [c. 1890]
Praça do Município e Paços do Concelho que ocupa o espaço que era o do Pátio da Capela Real
Fotógrafo não identificado, in A.M.L.

Após o terramoto e a restauração da Baixa, estabeleceram-se os mesmos comerciantes na rua mais próxima do Terreiro do Paço, então designada Rua Nova de El-Rei, mas o povo chamava-lhe Rua dos Capelistas, até que, em 1910, passou a chamar-se Rua do Comércio.
Pela primeira regulamentação toponímica, o decreto régio de 05/11/1760 que consagra as denominações da Baixa Pombalina, foi atribuído o topónimo Rua Nova de El Rei. Depois, por deliberação camarária de 18/05/1889 e edital de 08/06/1889 passou a denominar-se Rua de El Rei. A última denominação desta artéria e que se mantém até aos nossos dias, Rua do Comércio, foi fixada pelo primeiro edital da vereação republicana na edilidade lisboeta, com data de 5 de Novembro de 1910, ou seja, um mês após a implantação da República em Portugal, e nesse edital se procurou substituir os topónimos

Planta de Lisboa anterior ao Terramoto
A vermelho a Capela Real e a azul o respectivo Pátio; a verde a  Rua dos Capelistas (clicar para ampliar)
«Por baixo d'estas arcadas ou galerias, em toda a circumferencia, ha muitas tendas e lojas onde se acha tudo que mais precioso ha no mundo, ouro, diamantes e outras pedras preciosas». [Serrão, 1993]
in B.N.P.

Bibliografia
ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, vol. XII, pp. 13-14, 1939.

SENOS, Nuno, O Paço da Ribeira: 1501 - 1581, 2002.

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