Friday, 12 July 2019

Hotel Bragança ou Braganza Hotel

E numa luminosa e macia manhã de Janeiro de 1887, os dois amigos, enfim juntos, almoçavam num salão do Hotel Bragança, com as duas janelas abertas para o rio.

— QUEIROZ, Eça de, Os Maias, 1888


O Hotel Bragança ficava perto do Chiado, à esquina da Rua Vitor Cordon (outrora Ferragial de Cima) com a Rua dos Duques de Bragança (veio a chamar-se Rua da Luta, para de novo voltar a ser dos Duques de Bragança), não distante da Baixa. Era o Hotel Bragança o mais belo hotel lisboeta da época. Nele hoje funciona uma dependência da Universidade Livre. Pertence o edifício à Fundação D. Manuel II.

Hotel Bragança visto do Largo do Corpo Santo [1856]
No cimo vê-se a fachada que deitava para este Largo; situado na Rua Vítor Cordon (antiga rua do Ferragial), 45 — no local onde se situaria o Edifício do Tesouro dos Duques de Bragança — não deve ser confundido com o «Hotel Bragança» da Rua do Alecrim, 12, que lhe fica próximo. Do lado esq. vê-se o Convento do Corpo Santo
C. P. Symonds, in AML

O edifício do Hotel Bragança — diz o eng.º Vieira da Silva — , primeiramente denominado Hospedaria de Bragança, e depois, talvez por soar mal esta castiça designação portuguesa, chamado Braganza Hotel, alugado actualmente [1943] às Companhias Reunidas Gás e Electricidade, tem lojas na frente oriental e em parte da frente norte, rés-do-chão, 1.° e 2.° andares e sótão habitável; 11 janelas na fachada do norte e 12 na do sul; e 5 na frente do nascente e 4 na do poente. Não conseguimos averiguar em que ano foi construído o edifício (talvez depois do grande incêndio de 1841).

– Escreve para Lisboa, para o Hotel Bragança... Os lençóis ao menos são frescos, cheiram bem, a sadio!
— QUEIROZ, Eça de, A Cidade e as Serras, 1901

Hotel Bragança [196-]
Rua Vítor Cordon (antiga rua do Ferragial), 45

Armando Serôdio, in AML

Pelo Braganza Hotel passaram alguns hóspedes ilustres vindos dos quatro cantos do mundo: imperadores, reis, príncipes, diplomatas, artistas e escritores, todos se hospedaram neste Braganza Hotel durante o século XIX. «(..) D. Fernando, o senhor infante D. Luiz (já então rei), o senhor infante D. João, etc. A rainha da Suécia, irmã de sua magestade imperial a duquesa de Bragança, também habitou este hotel, nos mesmos quartos dos imperadores do Brasil. Também esteve aqui residindo alguns dias S. A. o sultão de Zanzibar, Said-Bargash. (...) a célebre e estravagantíssima actriz francesa Sarah Bernhardt (Abril de 1882), e a viúva de Rattazzi,; o rei Kalakawa [Havai] (Agosto de 1881) e tôda a sua comitiva; os embaixadores do Japão ; o músico espanhol D. Guido Remigio Barbieri; sua alteza a princesa imperial do Brasil, seu marido o senhor conde de Eu, e o seu séquito;(...)»
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Bibliografia
SILVA, Vieira da, Os Paços dos Duques de Bragança em Lisboa, in Olisipo: boletim do Grupo Amigos de Lisboa, 1943.

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